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Consentir que o aluno escreva as palavras de forma incorreta no período da alfabetização está certo?

26 de dezembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Meus filhos foram alfabetizados pelo método do som fonético. Eles aprenderam a escrever errado, mas o som estava correto. A professora dava certo para a palavra, mas depois no 2º ano dava errado porque eles escreveram incorretamente a mesma palavra. Quer dizer, não está errado que o aluno escreva e guarde na memória de um modo, mas depois esse modo não é mais o correto? Meus filhos hoje têm 15 e 17 anos e apresentam dificuldade em leitura e escrita, algo que não aconteceu comigo que aprendi pela repetição de sílabas e a juntá-las para criar palavras. Por que os estudiosos não conseguem ver que esse método de ensino é falho?

De Adriano Goudinho, 42 anos, técnico em eletrônica de Porto Alegre (RS)

Resposta:

Com certeza, mudar a referência do alvo desejado de escrita não é adequado. Mesmo que as crianças se orientem inicialmente pelo som e sua relação com as letras que o representam, as convenções ortográficas devem ser a meta a alcançar. Isto quer dizer que, desde cedo, o educador deve orientar a criança para esse alvo. Quanto mais escrever e ler da forma convencional, melhor.

Entretanto, é preciso considerar as tentativas de escrita das crianças em busca desse alvo, permitindo, de modo natural e processual, que ela faça as relações possíveis a partir do que vem se apropriando no contato com todos os materiais e recursos que contribuem para o domínio da escrita convencional.

Se o educador oferecer à criança oportunidades de reflexão, inclusive quanto às diferenças entre o que ela escreve e o que deve escrever, e diversas propostas de produção escrita e de leitura, mais ela escreverá e mais rápido chegará à escrita convencional. É importante lembrar também que o educador precisa ter o conhecimento necessário para lidar com as diferentes relações que seus alunos são capazes de fazer entre os sons, diferenças entre eles e suas representações gráficas.

Enfim, a criança, desde cedo, deve ter acesso ao registro convencional das palavras da língua, mas, ao mesmo tempo, suas escritas diferentes desse registro precisam ser compreendidas pelo educador para que possam ser trabalhadas rumo ao domínio da modalidade escrita da língua, uma vez que, nesta fase, a competência oral da criança, de um modo geral, está bem desenvolvida.

Por Cátia Fronza, professora do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Unisinos

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