Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts na categoria "Aluno"

Por que as diretrizes educacionais do Brasil não ensinam os estudantes a pensar?

17 de dezembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Por que as diretrizes educacionais do Brasil não ensinam os estudantes a pensar? Por que a educação somente se concebe como aprendizado passivo do que está no cronograma e não como pensamento efetivo, profundo, micro físico, aos moldes dos maiores pensadores políticos e filosóficos?

De Maximiliano Paim, 26 anos, músico e vendedor de Gramado (RS)

Resposta:

A resposta mais imediata é que os professores não foram preparados para isso. Mas existe uma resposta muito mais profunda. Os professores não conseguem ensinar a pensar porque suas concepções epistemológicas (concepções de conhecimento) impedem que o façam. Se os professores pensam que o conhecimento acontece num indivíduo, como o aluno, pela repetição do que é dado pronto, acabado, eles nunca poderão conceber o conhecimento como resultante de processos de formação, desenvolvimento ou construção. Numa aula em que todos pensam, alunos e professores, o conhecimento será visto sempre como algo inacabado; jamais como algo finalizado. Para encarar o conhecimento, qualquer que seja ele, como algo em construção, exige-se nada menos que uma revolução epistemológica. A escola e os professores em particular não estão, salvo raras exceções, preparados para isso.

O tipo de aula comum nas escolas consiste em expor um assunto (conteúdo), arrolado na “grade” curricular; na concepção dos professores, esse assunto deve ser repetido à exaustão e jamais modificado. Na prova (avaliação), o aluno novamente deverá reproduzir o que foi dado. Modificações não são bem vistas ou bem vindas. O aluno é considerado incapaz, por princípio, de introduzir modificações positivas num conteúdo qualquer, sobretudo quando se trata de um conteúdo científico. Pode ser devido a sua concepção epistemológica que um professor não admite que o aluno recrie, encontre novos caminhos para um conteúdo matemático, por exemplo.

Numa palavra, o professor pensa, por formação, que conhecimento verdadeiro é aquele que está pronto. Não se pergunta: Como tal conhecimento foi construído. Que problema tal conhecimento pretendia resolver? O que pretendia Newton ao formular as leis da Mecânica Clássica? O que pretendia Beethoven ao compor as sinfonias? O que buscava Einstein ao elaborar sua célebre fórmula E=MC2? Que mundo desvendava Maxwell com suas equações diferenciais e sua mecânica quântica?

A esmagadora maioria dos professores parece ignorar como a ciência trabalha (metodologia científica) e por isso considera os conhecimentos científicos como definitivos, invioláveis, imutáveis. O professor fantasia que a ciência deve ser repetida como um mantra para não ser deteriorada; e assim ele mesmo a deteriora, pois o conhecimento científico avança por construções, atravessando inumeráveis erros e tentativas de reconstruções, até lograr alguns acertos – acertos que podem revolucionar o panorama humano.

É por isso que eu digo, e volto a alertar: a escola deve transformar-se cada vez mais em laboratório – de física, química, música, matemática, história, geografia, sociologia, mecânica, eletroeletrônica, antropologia, psicologia, neurologia, computação, informática, pedagogia, didática… – e diminuir os auditórios, buscando sempre a interdisciplinaridade. No auditório repete-se, no laboratório inventa-se. No auditório, ouve-se; no laboratório, tenta-se, age-se, testa-se. Repetir é importante; inventar é infinitamente mais importante ainda.

Por que os professores são assim? Obviamente, não porque são maus ou mal intencionados. Mas porque estão presos a uma multisecular tradição de prática escolar. Somente se libertarão dessa tradição por uma crítica epistemológica, muito bem fundamentada, que possibilite que construam uma pedagogia e uma didática da criação, da construção, da invenção. Uma pedagogia que desafie o pensamento e uma didática que exija o laboratório.

Por Fernando Becker, professor de Psicologia da Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

O IFSul possui programas de assistência estudantil?

10 de dezembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Sou aluno do curso de Engenharia Elétrica do Ifsul – Instituto Federal Sul-rio-grandense e atualmente trabalho e estudo, assim como muitas pessoas. E hoje, estou decepcionado com as politicas adotadas sobre bolsas de permanência estudantil nos Institutos Federais. Enfim, por que não há programas de assistência estudantil, onde não envolva o acesso pelo Prouni, que seja capaz de motivar o estudante à se dedicar exclusivamente aos estudos, sem ter que estar trabalhando ao mesmo tempo?

De Gederson Alvaro da Cruz, 21 anos, técnico em telecomunicações de Pelotas (RS)

Resposta:

Os institutos federais estão contemplados com recursos federais – decreto 7234/2010 – referente ao Programa Nacional de Assistência Estudantil(PNAES). Assim, o IFSul possui um Programa de Assistência Estudantil que oferece semestralmente aos estudantes, por meio de editais, os seguintes auxílios: transporte, moradia, alimentação e material escolar.

Você deve procurar, no campus Pelotas, a Coordenadoria de Assistência Estudantil (COAE) para receber informações sobre o acesso aos benefícios. Quanto às bolsas do PROUNI, elas não se aplicam às instituições federais públicas, pois são destinadas aos estudantes das universidades privadas. A DIGAE coloca-se à disposição para mais esclarecimentos.

e-mail – digae@ifsul.edu.br

Telefone – (53) 3309 1764

Por Carla Fiori, coordenadora da Diretoria de Gestão de Assistência Estudantil do IFSul

Como os alunos que possuem transtornos de aprendizagem são tratados em Joinville (SC)?

04 de dezembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

É sabido que muitas crianças que estão na Educação Básica possuem sérios problemas para aprender a ler, escrever e interpretar. Não se pode exigir que estas crianças, sejam “cobradas” a acompanhar o nível das outras por simples “determinações de papel”. Pais e professores não conseguem identificar frequentemente que estas crianças não prosseguirão nos estudos, por melhor qualidade dos instrumentos material/profissional porque são clinicamente e mentalmente deficitárias desde a sua formação intra-utero. Como exemplo podemos citar: TDAH – o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, não tão conhecido pelos profissionais de educação e muitas vezes não levado a sério por estes. Ainda há dislexia, déficit do processamento auditivo, etc.

A questão é: não seria interessante que se criasse um programa, na rede estadual/municipal, para tentar identificar essas crianças – que muitas vezes são taxadas de burras, incompetentes, preguiçosas e bagunceiras (e expulsas do colégio…!) – e proporcionar uma identificação do possível transtorno e tratar junto a psicólogos, fonoaudiólogos e psiquiatras?

De Ronaldo Bezerra, 47 anos, médico psiquiatra de Joinville (SC)

Resposta:

A Secretaria de Educação desenvolve alguns programas com vistas a atender as necessidades específicas de alunos matriculados na rede regular de ensino. Esses programas desenvolvem seus trabalhos com enfoque educacional e não clínico. Dentre os programas, podemos citar:

1. Salas de Apoio Pedagógico – Destinada aos alunos com dificuldades de aprendizagem e transtornos funcionais do desenvolvimento. Muitos alunos com transtornos do déficit de atenção com hiperatividade, disortografia, disgrafia, dislalia, discalculia, dislexia, são atendidos nessas salas.

2. Salas de Recursos Multifuncionais – Destinado ao atendimento educacional especializado de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades.

3. Centros de Apoio Pedagógico – As equipes dos centros são formadas por profissionais da área da saúde e educação – Pedagogia, Educação Física, Psicologia, Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia. Ações desenvolvidas pelos Centros de Apoio: Atendimento aos alunos, atendimento aos pais, orientações e acompanhamento nas escolas, formação de professores e demais profissionais que atuam na educação, identificação e prescrição de recursos, equipamentos e materiais adaptados.

Cabe informar que os atendimentos aos alunos são realizados no horário oposto ao do ensino regular, isto é, em um período, o aluno frequenta o ensino regular e no outro recebe o atendimento conforme a necessidade.

Os alunos que necessitam de acompanhamento clínico são encaminhados e acompanhados por profissionais da saúde. A Secretaria de Saúde, a Secretaria de Assistência Social e instituições especializadas são nossos parceiros no processo de inclusão escolar.

Além do atendimento especializado aos alunos, pensamos ser de suma importância o desenvolvimento de outras ações (formação de professores, participação da família e da comunidade, acessibilidade, articulação intersetorial, entre outros) para garantir o acesso, permanência e aprendizagem de todos os alunos na rede regular de ensino.

Por Núcleo de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação de Joinville

Como deveria funcionar a educação inclusiva? Ela está tendo eficácia no Brasil?

04 de dezembro de 2012 Comentários desativados

Perguntas:

Será que a educação inclusiva no Brasil realmente inclui? Está de fato tendo eficácia?

De Vanessa Tissot, 34 anos, agente comunitária de saúde de Charqueadas (RS)


É comum ouvir comentários dos políticos que educação é de fato prioridade, mas em Sapiranga o que precisa de resposta é inclusão social. Por que é falado só nas campanhas políticas?

De Antônio Vieira da Silva, 44 anos, auxiliar administrativo de Sapiranga (RS)

Resposta:

Desde 2008, no Brasil, a Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva se tornou uma política pública forte, com ações de financiamento e diretrizes claras. Tivemos um salto quantitativo e qualitativo bastante significativo na matrícula dos alunos com deficiência no ensino regular. Foram criadas as Salas de Recursos Multifuncionais que realizam o Atendimento Educacional Especializado e inúmeras ações de formação de professores. Então podemos dizer que a inclusão hoje é uma realidade no nosso país.

Por Selene Penaforte, especialista em educação inclusiva e professora do curso de Pedagogia da Faculdade 7 de setembro de Fortaleza (CE)

Pergunta:

Os alunos de inclusão estão sendo atendidos, em todos os itens que constam na lei? Será que a acessibilidade, os recursos humanos, pedagógicos e materiais existem nas escolas municipais? As respostas e as mudanças que nós professores esperamos estão nas mudanças metodológicas, nas formações continuadas, na educação inclusiva e no horário integral e/ou na forma como os governantes investem na educação? (Eu amo ser professora e os meus alunos).

De Márcia Amâncio, 48 anos, professora de Porto Alegre (RS)

Resposta:

Todos os alunos hoje no Brasil têm direito constitucional garantido por lei à escolarização independentemente de sua condição funcional. Se algum aluno público alvo da Educação Especial se encontra ainda fora a escola, a família deve procurar imediatamente efetuar a matrícula na escola mais próxima de sua casa. Caso tenha algum problema, deve procurar o ministério público ou o Conselho de Educação de sua cidade para fazer valer o seu direito. O Ministério da Educação, em parceria com os municípios, tem proporcionado formação de professores e equipado as escolas com o Atendimento Educacional Especializado para que os alunos possam ser atendidos nas suas especificidades.  Mesmo assim, a escola e a família devem estar atentos para cobrar do poder público constituído, as melhores condições possíveis para o atendimento ao aluno com deficiência na escola regular.

Por Selene Penaforte, especialista em educação inclusiva e professora do curso de Pedagogia da Faculdade 7 de setembro de Fortaleza (CE)

Pergunta:

A inclusão para alunos especiais é muito difícil. Ainda se faz necessário uma classe específica para trabalhar corretamente com essas crianças, porque o tempo de aprendizagem deles é outro. Isso não os excluí da sociedade nem tem qualquer ligação com a inteligência de cada um, porque todo ser humano tem aptidão para alguma atividade, mas no caso desses alunos, necessitam de um tempo diversificado que a escola de um  modo geral não oferece.

Geralmente o que temos visto, são essas crianças numa sala de aula que todos dizem ser “normal”, mas que está longe de ser, pois abrange 30, 40 alunos, ambiente em que fica quase impossível e até desumano dar uma atenção a qualquer aluno que apresente dificuldades, e olha que existem muitos nessa situação.

Como fica a aprendizagem desses alunos se os professores já não buscam qualificação para realizar esse trabalho? Como será o desenvolvimento desses alunos no contexto geral de uma sala de aula dita “normal”? O que é ser normal? Será que podemos fazer essa avaliação? A inclusão está sendo bem trabalhada e desenvolvida pela escola?  O que os governantes têm a dizer sobre isso? Qual o compromisso deles com a inclusão? É bem entendida ou só uma palavra bonita para impressionar?

De Ana Lucia Viegas, 46 anos, técnica de enfermagem de Montenegro (RS)

Resposta:

Cara professora,

Ao defendermos a inclusão dos alunos com deficiência juntos na mesma sala de aula, temos por base o princípio de que o aluno aprende melhor quanto mais heterogêneo for o ambiente, como bem defende Vygotsky em seus postulados sobre aprendizagem e desenvolvimento. O problema não está na deficiência, e sim na qualidade (ou não) das intervenções vividas pelos alunos com deficiência.

O conceito de deficiência não pode ser visto apenas como uma limitação funcional, e sim como o resultado dessa limitação com as interações sociais, com o ambiente. É fundamental as práticas pedagógicas que vêem na diferença um valor pedagógico e não um problema na sala de aula. O aspecto fundamental é a qualidade das experiências vividas por esses alunos na escola.

Então quando o aluno apresenta concretamente uma limitação decorrente de uma deficiência, o ambiente, ou seja, a escola poderá fazer desaparecer ou minimizar ao máximo essa condição, desde que o ambiente não apresente “deficiências” e responda às necessidades do aluno. Nosso papel é perseguir exaustivamente a qualidade da escola.

Por Selene Penaforte, especialista em educação inclusiva e professora do curso de Pedagogia da Faculdade 7 de setembro de Fortaleza (CE)

Por que acontecem casos de violência escolar?

03 de dezembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Quais são as medidas que os governantes podem tomar para evitar essa violência quem vem crescendo contra os professores? Precisamos de uma resposta e rápido! Qual é a solução?

De Joaquim Francisco de Morais, 38 anos, eletricista industrial-farmacêutico de Nossa Senhora da Glória (SE)

Resposta:

A complexidade da violência esta na origem da própria humanidade e está vinculada a premissa de que para “educar” uma criança é preciso humilhar, ferir… A criança cresce num ambiente familiar de violência física e simbólica onde há a ausência de afeto e das mínimas condições de sobrevivência. Quando se depara em sua memória de violência qualquer cena que vivenciou acaba por colocar para fora toda a violência acumulada, não importa que seja de pais ou professores ela acaba projetando para o outro o seu sofrimento psíquico, os rancores e desamores que presenciou ao longo da sua infância e juventude.

Por Helenise Sangoi Antunes, professora do Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Pergunta:

Por que há tanto espancamento e demais agressões contra os professores e ninguém faz nada para punir o menor?

De Adrian Marchi, 33 anos, executivo de Blumenau (SC)

Resposta:

Não é tão simples assim, a criança e o jovem que agridem o professor precisam de ajuda e o professor que é agredido também. O extermínio da juventude pobre é imenso no país. A causa é a falência da família com a terceirização do mátrio e pátrio poder. Hoje os pais não querem mais cuidar dos seus filhos e delegam sempre para o outro. Este desamor vivenciado desde o ventre materno, somado à imensa desigualdade social do país são fatores a considerar nesta explosão de violência. Mas por que ninguém faz nada? Pois, a sociedade de consumo envolve e hipnotiza a todos. A indiferença em relação ao outro é o preço que estamos pagando. Um preço alto demais se considerarmos o número de famílias que perdem seus filhos pelo narcotráfico, violência, alcoolismo juvenil. O que temos que ver com isto? Tudo! Principalmente, quando não valorizamos e exigimos condições dignas de trabalho aos professores.

Por Helenise Sangoi Antunes, professora do Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

A Escola Irmã Joanna Aimé (RS) inclui seus alunos cadeirantes?

03 de dezembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Gostaria de saber: um elevador e quatro crianças com deficiência é uma escola de inclusão? Isso é o que ocorre na Escola Municipal Irmã Joanna Aimé de Veranópolis (RS). A verba dessas crianças vai para onde? Nem os professores são qualificados, são auxiliares que estudam Magistério. Todos os poderes foram informados e como sempre, abafados.

De Andressa, 32 anos, estudante de Serviço Social de Veranópolis (RS)

Resposta:

É uma escola de inclusão sim. Como não poderia ser construída uma rampa foi posto um elevador para que os alunos cadeirantes tivessem acesso ao segundo andar da escola. Para o refeitório, a quadra de esportes e o banheiro há acesso especial para esses alunos. Em nossa escola há três estudantes cadeirantes e para cada um deles há uma professora para prestar atendimento exclusivo. A prefeitura possui uma van adaptada para levá-los até a escola todos os dias. Quando organizamos atividades fora da escola, sempre procuramos automóveis que sejam adaptados para que esses alunos também possam ir.

A escola possui profissionais que estudam Magistério, mas elas são auxiliares de turma e não a professora responsável pelos alunos. Na Irmã Joanna Aimé há somente um caso de professora contratada, todos os demais são concursados.

Por Cynthia Pessin Conte, vice-diretora da Escola Municipal Irmã Joanna Aimé

Quais são as oportunidades do aluno de Licenciatura atuar como professor antes de estar formado?

29 de novembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Sempre tive o sonho de ser professor, e hoje com 33 anos resolvi realizar este sonho, vou prestar vestibular para Letras, gostaria de saber a partir de qual semestre poderei lecionar?

De Jofer Fernando da Costa, 33 anos, supervisor de vendas de Taquara (RS)

Resposta:

Todo professor está licenciado para assumir uma sala de aula ou uma classe depois de formado na área. Quando se fala em Licenciatura, que é uma formação de nível superior, o exercício da profissão vai se desenvolver após a conclusão do curso, visto que a documentação oficial da Instituição de Ensino Superior, na qual o acadêmico realizou os estudos, declara-o licenciado para exercer a profissão de professor.

Há, entretanto, situações em nosso contexto social em que um acadêmico poderá vir a assumir uma sala de aula antes da formatura. Essas oportunidades são criadas por órgãos governamentais, quando há a divulgação de vagas para contratos emergenciais, por exemplo. Eventualmente, escolas da rede particular oferecem oportunidade para alunos em final de curso. Os critérios para um aluno de licenciatura assumir essas vagas são de responsabilidade do órgão empregador.

Outra situação em que o acadêmico assumirá uma sala de aula é durante o Estágio Curricular. Trata-se do estágio(s) obrigatório(s) do curso. Eles são curriculares e estão previstos nos cursos como a oportunidade de efetuar práticas orientadas ou supervisionadas pela Instituição de Ensino Superior (IES). Essas práticas são realizadas em escolas da comunidade. O estágio ou os estágios sempre ocorrerão a partir da segunda metade do curso. Cada IES tem a liberdade de organizar seus currículos de modo que não há um semestre fixo em que o estágio ou os estágios ocorram. Desse modo, podem ser ofertados tanto no quinto, sexto, sétimo ou oitavo, considerando um curso com oito semestres.

Estágios curriculares remunerados são oportunizados a todo acadêmico por empresas via IES. Esses estágios podem compor a carga horário de horas complementares, também previstas nos currículos superiores.

Por Adila Beatriz Naud de Moura, coordenadora do Curso de Letras da Unisinos

Como solucionar o problema da superlotação em sala de aula?

28 de novembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Considerem uma opinião com base na minha experiência: A superlotação em sala de aula reflete diretamente na baixa qualidade de aprendizagem, pois os alunos com dificuldade precisam de constante intervenção, acompanhamento pessoal. Fico indignada com essa cobrança sem escrúpulos para cima dos professores. As salas de aula estão cheias e o espaço físico é inadequado.

De Rosicler Maria Goedert Dal Pozzo, Joinville (SC)


Resposta:

A educação, como direito público levou o Estado a garantir as condições de acesso e permanência de todos os cidadãos, exigindo um investimento financeiro significativo nos sistemas.

Desta forma, o Estado, para garantir a oferta de acesso e a garantia de condições de permanência acaba por precarizar a oferta do setor público. A contradição entre o direito à educação e o mercado econômico, que busca o enxugamento e a otimização de recursos é uma constante, que vê a educação como custo e não como investimento. A superlotação nas salas de aula, especialmente nas etapas iniciais da Educação Básica, Educação Infantil e Anos Iniciais, cuja maior matrícula está na escola pública, tem sido uma política de vários Estados brasileiros.

Para remediar esta situação cabe à comunidade escolar exercer o seu espaço político, utilizando os mecanismos da gestão democrática da escola pública, como os Conselhos Escolares, que podem deliberar sobre as questões administrativas, financeiras e pedagógicas das instituições escolares, organizando o espaço escolar de forma a garantir os espaços de ensino-aprendizagem balizados por uma epistemologia que supere a exclusão e a reprovação escolar. Neste sentido, a comunidade escolar precisa descobrir a força que tem. Existem diretrizes legais que garantem a relação espaço físico, número de alunos, bem como equipamentos necessários e infra-estrutura mínima para o desenvolvimento das atividades pedagógicas. Investir na participação da comunidade escolar é uma alternativa imprescindível, a fragmentação dos segmentos escolares: professores, técnicos, pais e alunos, nos fragiliza.

Assim, a proposta é mobilização, diálogo e organização da e na comunidade escolar, exigir o direito à educação de qualidade é uma tarefa de toda a sociedade, que precisa estar bem informada e preparada para argumentar com os sistemas educacionais.

Por Rosane Carneiro Sarturi, professora do Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Por que os alunos estão repetindo de ano?

31 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Por que os estudantes estão repetindo de ano? Será que o ensino está correto ou são os professores não estão capacitados para ensinar? O que esta acontecendo com a educação nas escolas?

De Rosa Cristina Dalepiane, 33 anos, dona de casa de Nova Santa Rita (RS)


Resposta:

Uma das explicações levantadas por especialistas para o mau desempenho gaúcho seria a vocação precoce para o trabalho. Mas os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não sustentam essa crença: 2,9% dos adolescentes de 15 a 17 anos trabalham — abaixo da média nacional de 3,1%. Resta, então, a hipótese de que os rio-grandenses apostam na repetência como recurso pedagógico por razões culturais.

— Podemos conjecturar que é um Estado com cultura escolar de maior rigidez e sem política específica para evitar reprovações — avalia a diretora-executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz.

Leia reportagem completa de Zero Hora: RS é campeão no país em repetência no Ensino Médio

O Rio Grande do sul e Santa Catarina têm um nível de desempenho muito melhor do que o quadro nacional. No caso específico do Rio Grande do Sul, quando olhamos a proficiência em Português e Matemática os dados são muito positivos. O que joga o Ideb do estado para baixo? É a reprovação. O rigor na sala de aula é maior no Rio Grande do Sul e a reprovação é alta historicamente.

A reprovação é sempre uma derrota da escola, mas a solução não é a aprovação automática, não é o aluno passar sem aprender. Temos que ter uma política de recuperação desses alunos, de acompanhamento e de reforço pedagógico para que esse índice de reprovação caia. A proficiência em Português e Matemática têm evoluído muito positivamente no Rio Grande do Sul, e seguramente com isso alcançará uma das melhores posições do Brasil, como já acontece com Santa Catarina.

Por Aloízio Mercadante, ministro da Educação durante o Painel RBS

Por que o Ministério Público encaminha jovens infratores para a escola?

30 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Até quando o Ministério Público vai encaminhar jovem infrator para escolas com a intenção de que nós professores devemos recuperá-los e inseri-los na sociedade?

De Viviane Poeta Vieira, 51, orientadora educacional de Florianópolis (SC)

Resposta:

Em resposta ao questionamento formulado pela senhora Viviane Poeta Vieira, insta elucidar que o encaminhamento de adolescentes em conflito com a lei às instituições de ensino se coaduna às diretrizes preceituadas não apenas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e outras leis ordinárias, mas pela Carta Maior do ordenamento jurídico brasileiro.

A escola consiste em ambiente de preparo ao exercício da cidadania, de modo que a exclusão de alunos, seja por atos de indisciplina, histórico de atos infracionais, motivos de ordem religiosa ou moral seria, no mínimo, ato contraditório ao princípio da universalidade do ensino.

É de se ressaltar que o papel a ser exercido pelos professores detém caráter primordial nessas situações. A função dos mestres, até mesmo por sua formação, ultrapassa a responsabilidade atribuída a outros membros da sociedade, alcançando uma ordem de importância elementar no resgate de valores essenciais ao adolescente em conflito com a lei.

Quando profissionais se eximem de cumprir a tarefa que a Carta Maior de nosso ordenamento lhes conferiu, toda a concepção dessa garantia está fadada à ruína.

Por Marcelo Wegner, promotor de justiça, coordenador adjunto do Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC)