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Posts na categoria "Aluno"

Por que está havendo expressiva reprovação em Matemática na Escola Barão de Lucena (RS)?

29 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Nos dias de hoje ainda há professores que reprovam mais da metade da turma de alunos em Matemática, como na E.E.E.M. Barão de Lucena, em Viamão. Será que não há uma orientação pedagógica para verificar o que está acontecendo com esses alunos e professores? Esses alunos por acaso não teriam que ter mais estímulos para aprender? Esse professor está correto em reprovar tantos alunos?

De Miriam Saraiva

Respostas:

A Matemática é uma das disciplinas que possui um dos maiores índices de alunos reprovados no fechamento do ano letivo, porém não é a única disciplina a reprová-los.

Dispersão, dificuldade nas operações básicas, indisciplina, falta de compromisso relacionado às atividades diárias, problemas de frequência, falta de persistência na busca de bons resultados, descaso de parte da comunidade escolar para com seus filhos, turmas enormes (com 40 alunos ou mais), carência de professores, o que nos leva a dar aulas concomitantes, a fim de garantir a permanência do alunado na escola, falta de limites, falta de concentração (a disciplina requer muito), falta de vontade, falta de esforço.

Estes motivos, entre outros, contribuem para que os alunos não alcancem a média necessária para a aprovação, apesar de lhe serem proporcionada inúmeras oportunidades para uma efetiva recuperação (dentro do trimestre e outra de reclassificação ao final do ano).

Quanto ao fato de haver sido dito que nada foi feito, podemos comprovar que foi realizado pela professora Viviane trabalhos de reforço escolar durante os três últimos anos nesta escola, valendo-se do fato de sermos uma escola aberta (nos finais de semana) conseguimos impedir que mais alunos fossem reprovados. Não foi possível salvar outros tantos, porque apesar de solicitar a vinda desses alunos aos sábados, não houve interesse por parte dos alunos e dos seus responsáveis. Os professores de matemática desta escola gostam do que fazem, por isso estão em sala de aula, gostam de seus alunos e não os nivela por baixo, por serem de uma escola pública.

Por professoras de Matemática da Escola Estadual de Ensino Médio Barão de Lucena


No último conselho de classe temos a seguinte regra: o aluno para ser aprovado precisa somar as notas dos três trimestres e atingir no mínimo 60 pontos em todas as disciplinas. Caso tenha faltado até duas disciplinas, ele tem o direito de fazer uma prova de reclassificação (conhecida entre os alunos como provão). Se não atingiu em três ou mais disciplinas, está automaticamente reprovado. Em grande parte dos casos, para dar mais uma oportunidade, avalia-se uma série de quesitos e, dependendo do conselho, que é soberano, deixa-se o aluno nas duas disciplinas que mais tiveram dificuldade e necessitam resgatar os pré-requisitos (normalmente entre três disciplinas) para realizar a prova de reclassificação.

Infelizmente a disciplina de matemática acaba sendo a carrasca, já que é fundamental a sequência de pensamento, a dedicação, o realizar as atividades etc. Resumindo, não é só matemática que reprova, maioria reprova em matemática e outra disciplina, ficando maior margem para matemática.

Temos contatos com outras escolas e nas trocas de experiências os índices não se resumem a apenas à escola Barão de Lucena. Este índice alto de reprovação faz parte de outras realidades escolares.

Nossa escola na metade do primeiro trimestre fez reuniões com os pais com turmas individualizadas e no horário das 20 horas, justamente para facilitar a relação emprego e escola (principal desculpa para o não comparecimento). Nosso maior público foram 6 pais em uma turma com 34 alunos (nesta turma não há irmãos estudando junto), houve reunião que compareceu apenas um responsável.

Por Silvana Marques Reinheimer e Anelisa Silva, supervisoras da Escola Estadual de Ensino Médio Barão de Lucena

Por que mesmo com a facilidade do acesso ao conhecimento o rendimento na escola ainda é baixo?

25 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Por que hoje em que o acesso ao conhecimento é mais fácil e rápido o rendimento na escola é tão baixo?

De Jeannifer Stephanie Machado da Silva, 17 anos, estagiária de Porto Alegre (RS).

Resposta:

Prezada Jeannifer,

Primeiro, é preciso efetuar uma distinção entre “informação” e “conhecimento“. O que as tecnologias digitais garantem de forma mais rápida e em grande quantidade é o acesso a informações. No entanto, para que essas informações se transformem em conhecimento o estudante-navegante precisa, resumidamente falando, se apropriar dessa informação, isto é, que ele seja capaz de atribuir significado e dar sentido a elas.

Para tanto, existem algumas condições prévias que necessariamente precisam ser atendidas, como, por exemplo, se os conhecimentos prévios do estudante lhe possibilitam construir novos conhecimentos; se ele está motivado e tem uma pergunta a fazer; dentre outras. Assim, é preciso considerar que a garantia de “acesso às informações” não pode ser considerada suficiente para que ocorram as aprendizagens, sejam elas escolares ou não.

Segundo, é preciso considerar que nem todo mundo tem acesso à Internet. Os resultados da pesquisa do IBGE de 2011 revelam que mais da metade da população brasileira com mais de 10 anos de idade não acessa a Internet. Algumas pessoas têm acesso apenas na escola, e, na maior parte dos casos, na modalidade de laboratório, com utilização agendada pelo professor. Apenas frequentar laboratórios de informática ou lanhouses de forma esporádica não tem surtido muito efeito no que se refere aos benefícios que a Internet oferece em termos de diversidade de informações e interações.

O terceiro e último ponto que gostaria de considerar é a necessidade de distinguir as aprendizagens sobre os conhecimentos escolares – aqueles basicamente propostos pelos currículos – do material que está disponível online, bem como dos modos de interação e produção de conteúdo na cultura digital. Nem sempre o que está na web diz respeito ao que está nos currículos, e as motivações para o acesso à rede não necessariamente estão ligadas às aprendizagens escolares. Estar na web ou fazer parte da cultura digital talvez não se adeque ao atual modo de funcionamento da escola.

Assim, esperar que o acesso à Internet seja suficiente para melhorar o rendimento escolar talvez seja um engano. Além de políticas públicas que garantam o direito ao acesso de qualidade à Internet, seja nos lares ou nas escolas, ainda é preciso investir na formação de professores e suporte técnico que possibilitem dar conta da complexidade que envolve a criação de propostas pedagógicas e currículos online, bem como a criação de uma rede de colaboração, apoio e troca de experiências entre as próprias escolas.

Finalizo propondo a seguinte reflexão: se fala muito que a escola conectada deve ser espaço para promoção da cultura digital. Mas, e a escola, ela mesma, está inserida ou faz parte da cultura digital?

Por Daniel de Queiroz Lopes, professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unisinos

Por que os diretores das escolas gaúchas são eleitos?

24 de outubro de 2012 Comentários desativados

Perguntas:

Por que não se retorna ao sistema de escolha do diretor de uma escola pela capacidade dos concorrentes, em vez de utilizar o sistema de eleição, em que até funcionários e alunos votam?

De Fernando Cardone da Senhora, 72 anos, engenheiro de Rio Grande (RS)

Sou professora estadual aposentada. Estive em sala de aula durante 28 anos. Sou do tempo em que cargo de diretor de escola era cargo de confiança. Se fizerem estudos, a educação começou a declinar com a eleição para diretores de escolas, onde formou-se um cartel dentro das escolas. Quando o peso dos votos passou a ser igual entre alunos, pais e professores não sei se por ingenuidade ou por mau caráter das diretoras, mas elas passaram a ser reféns de pais sem estudos, mas que tinham o peso do voto. Não votamos, para o gerente do banco,  diretor de hospital, não entendo o porquê de eleger diretores de escolas.

De Elenara Teixeira Brito, professora de Porto Alegre (RS)

Resposta:

O preenchimento da vaga para o exercício da função ou do cargo de diretor de escola de educação básica é de competência de cada estado ou município.  Só as escolas federais tem o preenchimento da vaga de diretor realizada pelo Ministério de Educação. Cada esfera de governo define, em lei própria, a forma de escolha de seus diretores de escolas.

O inciso 12, do artigo 5, da Resolução CNE/CEB nº 5, de 3 de agosto de 2010, que fixa as Diretrizes Nacionais para os Planos de Carreira e Remuneração dos Funcionários da Educação Básica pública, diz o seguinte:

XII – manter, em legislação própria, a regulamentação da gestão democrática do sistema de ensino, da rede e das escolas, fixando regras claras para a designação, nomeação e exoneração do diretor de escola dentre os ocupantes de cargos efetivos das carreiras do Magistério e dos profissionais da educação de que trata a presente Resolução, respeitada a exigência de habilitação, com a participação da comunidade escolar no processo de escolha do seu diretor;

por Ministério da Educação


Há mais de 30 anos o debate sobre a democratização da escola pública acontece de forma incisiva em nosso país. A escolha de diretores faz parte desse debate, mas, sabemos, não se resume a ele. O RS em sua tradição democrática, apesar da manifestação do STF, continuou discutindo os mecanismos para aprimorar a democratização da escola.

Nesse sentido, em 1995 a Assembléia Legislativa aprovou a Lei 10.576 que, entre outros aspectos, regula a indicação dos diretores das escolas da rede estadual de ensino, por meio de manifestação da comunidade escolar: professores, pais, alunos e servidores de escola. Essa indicação precisa ser validada pelo Secretário de Estado da Educação ao designar o referido diretor(a).

Em parte, concordamos com a cidadã ao afirmar que a escolha se dava por processo desigual já que previa “o peso dos votos passou a ser igual entre alunos, pais e professores”. Por isso, encaminhamos modificações na Lei que foram aprovadas pela Assembléia e estão em plena vigência no processo atual, já desencadeado nas escolas. Agora o voto terá peso proporcional de 50% para pais e alunos e 50% para professores e funcionários. O peso proporcional impede a existência de uma maioria, a priori, de pais e alunos. A maioria terá que ser conquistada pelo convencimento do programa de gestão.

A escolha será por chapa constituída por diretor e vice ou vices e no ato de inscrição cada chapa terá que apresentar um programa de gestão e deverá comprovar uma adesão mínima da comunidade à proposta. Os escolhidos deverão realizar curso de capacitação oferecido pela mantenedora antes de tomar posse, bem como estarão comprometidos a participar de todas as capacitações previstas pela política de formação continuada para gestores da Secretaria de Estado da Educação (Seduc).

As modificações legais são essenciais para o aperfeiçoamento do processo, mas democracia é uma produção histórica, fruto da construção coletiva de uma cultura democrática que não se faz isenta das contradições, dos defeitos e qualidades dos agentes que formam o contexto onde se realiza.

Por Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Sul

Por que as cartilhas e a tabuada não são mais utilizadas?

23 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Por que não se usam mais as velhas e eficientes cartilha e tabuada? Por que para ensinar no primeiro grau o professor necessita de curso superior? O que ele precisa é conhecer o que está ensinando; tem professor que nem sabe ler direito.

De Fernando Cardone da Senhora, 72 anos, engenheiro de Rio Grande (RS).

Respostas:

Sobre cartilhas e sobre a necessidade do ensino superior

Nos anos de 1980, os estudiosos da área de alfabetização e ensino de Língua Portuguesa fizeram fortes críticas ao uso das tradicionais cartilhas por considerarem inadequadas à formação de leitores e escritores competentes.

Tais discussões se ampliaram por todo o território nacional emplacando nas propostas curriculares de municípios e estados que adotaram entre as décadas de 1980/1990 perspectivas teóricas que apontavam para outras concepções de ensino e aprendizagem, que consideravam o sujeito que aprende e não somente o método a ser aplicado.

A principal crítica que se faz às cartilhas é a de que ela propicia  uma aprendizagem mecânica do sistema de escrita sem articular esse aprendizado aos usos sociais da leitura e escrita. Geralmente se pautam em repetições de sílabas, de sons, em textos destituídos de qualquer significado.

O professor deverá propiciar um ambiente alfabetizador que trabalhe simultaneamente com aspectos discursivos (acesso a gêneros textuais que circulam socialmente) e aspectos grafo-fônicos (relação fonema-grafema). Para isso, o professor precisa incorporar ao seu trabalho vários procedimentos metodológicos, dentre eles, textos colocados nas paredes da sala como referência, pesquisa de palavras em revistas e jornais, uso de alfabeto móvel, caça-palavras, para que a criança possa identificar letras, palavras, ler e escrever textos, brincando, sendo desafiada e aprendendo.

Dar aulas para criança é algo muito sério e o professor deve sim tem um curso superior pois essa tarefa é essencial para a formação das novas gerações!

Por Maria Aparecida Lapa de Aguiar, professora do do Departamento de Estudos Especializados em Educação (EED) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Sobre tabuadas

Foi fundamentado por meio de pesquisas de que o ensino mnemônico, isto é, o ensino baseado na repetição, na dita “decoreba” não é o mais adequado. A matemática precisa ser compreendida por meio de seus elementos cognitivos e isto só é possível se ela for estudada e ensinada de outra forma. Saber que 7 x 7 é igual a 49, por exemplo, é algo que se memoriza a medida que se repete a operação várias vezes, contudo compreender a utilização dessa informação é que é o verdadeiro desafio.

Por David Antônio Costa, professor do Departamento de Metodologia do Ensino (MEN) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Por que os alunos de Santana da Boa Vista (RS) não tiveram aula na Semana Farroupilha?

19 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Será correto o que ocorre na cidade de Santana da Boa Vista, onde os alunos não terão aula entre os dias 06 e 24 de setembro, devido às comemorações da Semana Farroupilha? Pra mim, isso reflete diretamente na qualidade da educação verificada no município.

De Evandro Lopes Chaves, 40 anos, tabelião de Santana da Boa Vista (RS)

Resposta:

Os alunos das escolas municipais e estaduais de Santana da Boa Vista não tiveram aula entre os dias 12 e 21 de setembro. Além da comemoração da Semana Farroupilha, celebramos nessa mesma semana o aniversário da cidade (17 de setembro).

Durante essa semana, há projetos envolvendo as secretarias do município e os moradores. São organizadas gincanas, apresentações e até mesmo atendimentos na área de saúde. Nossa cidade preza muito os costumes tradicionalistas, então também há muitas atividades nos CTGs.

Esses sete dias letivos em que os alunos não têm aula em nada compromete o rendimento. Além de já estar previsto no calendário escolar há muitos anos e de ter o aval dos pais, esse é um costume de muitos anos. Nas poucas vezes em que mesmo em meio às comemorações, as escolas não interromperam as atividades, muitos alunos não compareceram de qualquer forma.

A comunidade, as duas escolas estaduais e as quinze escolas municipais estão alinhadas e de acordo com essa tradição da cidade.

Por Simone da Rosa Krusser, secretária Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo

Como as empresas podem colaborar para minimizar os efeitos da má-educação já na fase adulta?

18 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Como as empresas podem colaborar para minimizar os efeitos da má ou falta de educação escolar já na fase adulta?

De Gerson Chequi, 35 anos, fisioterapeuta, Porto Alegre (RS)


Resposta:

Na fase adulta, medidas de curto prazo que permitem às pessoas se apropriarem de competências mínimas para permanência no mundo do trabalho estão relacionadas à educação profissional.

As empresas fazem, desde 1942, um recolhimento mensal de recursos que são destinados ao Senac e ao Senai, por exemplo, que realizam um excelente trabalho nesse sentido. Além disso, muitas empresas mantém programas próprios de incentivo à educação de seus colaboradores.

De qualquer modo, as empresas e a sociedade precisam estar unidas para priorizar uma educação de qualidade. Educação e tecnologia estão na base de um ambiente propício para o desenvolvimento das pessoas, das empresas e do país.

Por Zildo De Marchi, presidente do Sistema Fecomércio-RS

Não há professores para atender os alunos especiais nas escolas de Santa Catarina?

17 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Mobilizo os pais e meus colegas para exigir da Secretaria de Educação maior respeito com os professores sobre o processo equivocado da inclusão. Não devemos só reclamar. Faço meu serviço da melhor forma possível, mas quando pego uma turma com aluno especial, defendo com unhas e dentes que, enquanto ele é inclusão (e da forma hipócrita como essa inclusão é feita), os outros alunos estão sendo excluídos.

Dificilmente nos é enviado uma auxiliar, sempre as mesmas desculpas (não há necessidade, a Lei não ampara auxiliar nesses casos e outros blás, blás, blás). Enquanto os Governos ficam ganhando verbas para auxiliar a educação inclusiva, nós professores somos massacrados para dar conta.

De Rosicler Maria Goedert Dal Pozzo de Joinville (SC)

Resposta:

O Estado de Santa Catarina vem desenvolvendo, ao longo das últimas décadas, uma série de ações para inclusão de alunos com deficiência no ensino regular.

Dessa forma, Santa Catarina vem acompanhando e, em alguns momentos, até se antecipando à algumas ações no âmbito federal, bem como acompanhando também o movimento da inclusão discutido internacionalmente.

Em 2006, o Estado implantou a Política de Educação Especial de Santa Catarina, redimensionando os serviços existentes na área da educação especial. Nesse contexto implantaram-se os Serviços de Atendimento Educacional Especializado (SAEDEs) e Atendimentos em Classe (ACs), voltados a alunos com deficiência, condutas típicas e altas habilidades.

  • SAEDEs – ofertado no período oposto à frequência do aluno no ensino regular, ou seja, constitui-se em complemento e não um substitutivo do ensino regular.
  • ACs – ofertado na sala de aula. Segundo Professor de Turma, Interprete de LIBRAS, Instrutor de LIBRAS, Turmas Bilíngues.

A Secretaria de Estado da Educação autorizou, em 2012 (até o momento), a contratação de aproximadamente 2.800 professores para atuarem como Segundo Professor de Turma naquelas situações que atendem rigorosamente os critérios estabelecidos pela Política de Educação Especial de Santa Catarina.

Por Secretaria Estadual de Educação de Santa Catarina

A atual condição da educação não pode ser considerada também culpa dos estudantes?

15 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta e resposta:

Gostaria de saber dos profissionais da educação, como educar pessoas que não respeitam regras? O uso de celular, bonés e fones de ouvido, os pés nas cadeiras, as brigas em sala de aula, as agressões verbais e físicas: esta é a realidade das salas de aula.

De Joana Braga, 42 anos, professora de Porto Alegre (RS)

O mundo mudou e, sem dúvida, as pessoas mudaram e os alunos mudaram.  Portanto, mudaram também as funções da escola e foram acrescentadas novas tarefas, entre as quais a de ensinar noções básicas de convivência. Limites precisam ser construídos para que se possa conviver. O ideal é que essa construção começasse antes do ingresso na escola, porém, como muitas vezes isso não acontece, essa passou a ser uma nova tarefa da escola. A formação dos nossos cidadãos tem de ser um compromisso não só da escola, mas de toda a sociedade.

Por Tania Beatriz Iwaszko Marques – Professora de Psicologia da Faculdade de Educação da UFRGS

Pergunta e resposta:

A preocupação em melhorar a educação tornou-se assunto não só nas redes sociais, mas também nos jornais e nas revistas. Todos dão ideias para melhorar a escola e a qualificação dos professores, mas eu pergunto: não está na hora de jogar um pouco de responsabilidade para os alunos?

De Fabiana de Cássia Custódio Ferreira, 26, professora de Viamão (RS)

Sim, os alunos também precisam ser responsabilizados, mas eles precisam ser educados para se dar conta do seu papel. Se em outros momentos as crianças chegavam à escola sabendo o que estavam buscando ali, isso não acontece com muitos que precisam construir uma identidade como aluno.  Eles vão ter que aprender o que significa ser aluno, o que significa a escola e a educação. O ideal seria que trouxessem isso de casa. Infelizmente não é o que acontece, portanto passou a ser também uma função da escola ajudar o aluno a construir a identidade de aluno e a pensar qual o papel da educação em sua vida.

Por Tania Beatriz Iwaszko Marques – Professora de Psicologia da Faculdade de Educação da UFRGS

Pergunta e resposta:

Será que os alunos deixaram um pouco de lado os seus deveres? Talvez o problema da educação não esteja somente ligado no professor, na estrutura, na formação acadêmica e outros pontos. Acho que hoje os alunos têm muitas regalias, hoje você não vê um aluno estudando a tabuada, fazendo ditado, calegrafia… O aluno tem cada vez menos obrigações e o professor menos poder dentro de uma sala de aula.

De Fernanda

Para um aluno conhecer quais são as suas obrigações, ele precisa ser ensinado sobre isso. O ideal seria que ele tivesse aprendido antes do ingresso na escola, mas muitas vezes isso não acontece. Portanto, esse é um novo desafio para a escola. A construção de limites é uma das grandes funções da educação, pois sem os limites é impossível viver em sociedade. São eles que dão condições para uma convivência baseada no respeito mútuo. A educação de nossas crianças deve ser um compromisso de toa a sociedade.

Por Tania Beatriz Iwaszko Marques – Professora de Psicologia da Faculdade de Educação da UFRGS

Pergunta e resposta:

A razão pela péssima qualidade de educação não poderia ser atribuída aos próprios alunos, que em grande parte não estão nem aí para a educação?

De Giovani da Silva Camponogara, 17 anos, estudante de Cachoeira do Sul (RS)

Concordo com a afirmação de que muitos alunos “não estão nem aí para a educação”. Essa é a constatação de uma realidade, porém, o papel da educação não é apenas apontar os problemas, mas encontrar alternativas para eles. É fato que grande parte dos alunos não valoriza a educação. Ajudá-los a desenvolver a ideia de que a educação tem um valor em si é um grande compromisso da escola e da comunidade em geral.

Por Tania Beatriz Iwaszko Marques – Professora de Psicologia da Faculdade de Educação da UFRGS

Capitães da Areia é um livro adequado para alunos do Ensino Fundamental?

19 de setembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Sou professora de Português da rede municipal de Sapucaia do Sul. Todos os anos, entre setembro e outubro, faço um “intensivão” para os formandos do Ensino Fundamental que pretendem fazer a prova de seleção para a Fundação Liberato, de Novo Hamburgo. Elaboro aulas para prepará-los para tais provas. Esse ano não é diferente, mas, pela primeira vez, estou me sentindo perdida.

Para a minha surpresa, esse conceituado colégio exigiu como leitura Capitães da Areia de Jorge Amado. Sou fã do Jorge Amado e de suas obras, mas  Capitães da Areia é, na minha opinião, a obra mais forte e chocante desse autor. Admiro esse livro, mas a primeira vez que li tinha 18 anos. Não considero leitura adequada para adolescentes entre 13 e 16 anos.

Ensino Jorge Amado para o terceiro ano do Ensino Médio que tem alunos na faixa etária de 16 anos. Capitães da Areia para adolescentes entre 13 e 16 anos? Não questiono o valor literário dessa obra, mas sim se esse é um conteúdo para jovens dessa faixa etária. Qual é a opinião de especialistas?

De Miriam Ribeiro – professora de Língua Portuguesa, Literatura e Produção Textual de Sapucaia do Sul (RS)


Resposta:

Não vejo problema na indicação de Capitães de Areia. Em primeiro lugar, Jorge Amado tem uma capacidade excepcional de narrar histórias. No presente romance, temos quadros que apresentam um grupo de meninos de rua, liderados por Pedro Bala, lutando pela sobrevivência. A professora, no entanto, não questiona o valor da obra, mas a adequação da obra para o final do Ensino Fundamental. Assim, cabe discutir esse ponto.

Revendo a obra, creio que seja perfeitamente adequada para a faixa etária dos 13 aos 16 anos. Em primeiro lugar, a qualidade narrativa do romance contribui para que o leitor se envolva com a história e valorize a leitura do livro. Em segundo lugar, a infância e a adolescência são representadas em sua complexidade. Em terceiro, temos uma perspectiva humanizadora dos meninos de rua, que permite ao leitor um novo olhar para a realidade.

Quanto ao impacto da obra, o suposto choque, cabe abrir um espaço para conversar com os alunos sobre o tema, pois violência e sexualidade são problemas contemporâneos. É válido acrescentar ainda que o trabalho narrativo de Jorge Amado não banaliza o tema, mas o insere dentro da formação dos jovens.

Por Antônio Sanseverino, professor de Literatura Brasileira da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

A preocupação da professora Miriam põe uma questão pedagógica que merece atenção especial. Uma questão que não se resolve no plano pedagógico, mas no psicológico e epistemológico; melhor dito, um problema de epistemologia genética. Refiro-me à capacidade cognitiva ou intelectual do leitor. O adolescente, de 13 a 16 anos, está preparado para ler a obra X, Y ou Z? Não estou me referindo, aqui, ao impacto emocional da obra, mas ao impacto cognitivo, intelectual. Esta, parece-me, deve ser a preocupação principal.

Um texto que foi escrito em linguagem cotidiana, direta, sem o uso de metáforas sofisticadas, pode ser lido por crianças de 8 a 11 anos. Um texto que faz uso de metáforas sofisticadas só poderá ser lido por sujeitos plenamente operatório-formais; crianças não o entenderão. Refiro, como exemplo, a outra exigência escolar frequentemente feita a alunos de ensino médio: Dom Casmurro, de Machado de Assis. Como a maioria dos adolescentes não progrediu o quanto se poderia esperar deles, em capacidade de raciocínio formal, devido aos problemas que conhecemos da educação brasileira, não conseguem interpretar uma leitura dessas, nem com a ajuda do professor.

São necessárias operações formais para duas demandas de uma obra literária:

a) configurar os personagens que dela fazem parte respeitando a importância que eles têm na trama;

b) armar a trama de relações entre esses personagens. Sem competência formal, a leitura não dará conta da riqueza da obra.

E quanto ao impacto? Bem, há pessoas de 40 anos que não suportam um enredo que crianças de 13 anos tiram de letra. É aqui que entra o trabalho docente. Tenho certeza de que a Professora Miriam, passada a surpresa, fará um importante trabalho na direção da compreensão da obra de Jorge Amado – aliás, uma trama que, a seu modo, repete-se atualmente em muitas capitais brasileiras.

por Fernando Becker, professor de Psicologia da Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

O caso Isadora Faber (da fanpage Diário de Classe)

31 de agosto de 2012 Comentários desativados

Isadora Faber é uma adolescente de 13 anos que criou uma fanpage no Facebook chamada Diário de Classe para relatar as dificuldades e a precariedade da escola em que estuda. Acesse a página:  http://tinyurl.com/8sqkmv2

Pergunta:

Por que as denúncias da Isadora Faber, que não são novidade para ninguém que acompanha algum noticiário, não são levadas a sério e não são contabilizadas como responsáveis pela baixa qualidade da educação pública? Em tempo: Isadora Faber, de 13 anos, está dando um banho de cidadania falando de sua escola no Facebook.

de Rute Albuquerque

Resposta:

Acredito que as denúncias feitas pela Isadora, de alguma forma, são de conhecimento de todas as pessoas que se utilizam do Ensino Público: pais, professores, equipe diretiva e toda a comunidade escolar. O diferencial é que a aluna se utilizou de uma rede social bastante acessada e a repercussão foi imediata. Também precisamos lembrar que as crianças e os adolescente passam uma grande parte de seu tempo na escola e ninguém gosta que um lugar onde se passa tanto tempo esteja em estado estrutural tão crítico, não é?

Com certeza, a estrutura física adequada e uma proposta metodológica que privilegie os processos e que envolvam o conhecimento são fundamentais para a qualidade de  ensino, e isso, infelizmente, em se tratando do Ensino Público em nosso país, precisa avançar o mais rápido possível. Nesse sentido, a sociedade precisa se mobilizar e exigir de nossos dirigentes verbas, condições e políticas de formação para colocar o ensino de nosso país verdadeiramente como prioridade.

pela Profª Me Cristiane R. Vieira, Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Prática Docente no Contexto Universitário do Instituto de Ciências Humanas, Letras e Artes (ICHLA) da Feevale.