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Posts na categoria "Matemática"

Os alunos da Escola Benjamin Constant (RS) estiveram sem aula de Matemática?

01 de novembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Olá! Tenho uma dúvida a respeito de uma determinada lei. Fui contratada pela prefeitura da minha cidade para substituir uma professora em uma escola. Esta professora estava em licença saúde. Eu a estava substituindo por um ano, aproximadamente, mas terminou a licença dela e, assim, o meu contrato.

O detalhe é que ao fim da licença dela esta já pediu férias, pois estavam atrasadas.  Eu me pergunto o seguinte: será que eu não deveria continuar contratada para substituir esta professora na escola? Pois, afinal ela está afastada da escola e os seus alunos deveriam ter algum professor neste período.

Segundo, a prefeitura o meu contrato era para cobrir uma licença saúde e não as férias dela. Ainda mais, disseram que existe uma lei que afirma que enquanto o professor está de férias não pode-se contratar alguém para substituí-lo neste período. Mas os alunos podem ficar sem professor durante um mês? Esta é a minha dúvida: existe tal lei que afirma isto?
Onde posso procurar tais informações?

De Camila Krolow Retzlaff Hobuss, 24 anos, professora de Arroio do Padre (RS)

Resposta:

De acordo com o Projeto de Lei, 012/2012 do dia 14/02/2012 e com a Lei, 1.223, de 23 de fevereiro de 2012, o contrato da professora Camila Hobuss era apenas para substituir uma professora de Matemática da Escola Benjamin Constant durante período de licença saúde.

A professora em questão entrou em férias assim que sua licença saúde encerrou porque já havia um período de férias vencido. A professora Camila não pôde continuar na escola porque o contrato dela previa apenas a substituição no período de licença saúde. Se tivéssemos previsto de antemão que ainda haveria o período de férias da professora titular para ser suprido, Camila teria permanecido. Nós seguimos o que estava previsto em lei.

Os alunos da Escola Benjamin Constant não ficaram sem aula de Matemática durante o período de férias da professora titular. A diretora da escola lecionou para os alunos nessas semanas.

Por Denise Agner, secretária municipal de Educação de Arroio do Padre (RS)

Por que está havendo expressiva reprovação em Matemática na Escola Barão de Lucena (RS)?

29 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Nos dias de hoje ainda há professores que reprovam mais da metade da turma de alunos em Matemática, como na E.E.E.M. Barão de Lucena, em Viamão. Será que não há uma orientação pedagógica para verificar o que está acontecendo com esses alunos e professores? Esses alunos por acaso não teriam que ter mais estímulos para aprender? Esse professor está correto em reprovar tantos alunos?

De Miriam Saraiva

Respostas:

A Matemática é uma das disciplinas que possui um dos maiores índices de alunos reprovados no fechamento do ano letivo, porém não é a única disciplina a reprová-los.

Dispersão, dificuldade nas operações básicas, indisciplina, falta de compromisso relacionado às atividades diárias, problemas de frequência, falta de persistência na busca de bons resultados, descaso de parte da comunidade escolar para com seus filhos, turmas enormes (com 40 alunos ou mais), carência de professores, o que nos leva a dar aulas concomitantes, a fim de garantir a permanência do alunado na escola, falta de limites, falta de concentração (a disciplina requer muito), falta de vontade, falta de esforço.

Estes motivos, entre outros, contribuem para que os alunos não alcancem a média necessária para a aprovação, apesar de lhe serem proporcionada inúmeras oportunidades para uma efetiva recuperação (dentro do trimestre e outra de reclassificação ao final do ano).

Quanto ao fato de haver sido dito que nada foi feito, podemos comprovar que foi realizado pela professora Viviane trabalhos de reforço escolar durante os três últimos anos nesta escola, valendo-se do fato de sermos uma escola aberta (nos finais de semana) conseguimos impedir que mais alunos fossem reprovados. Não foi possível salvar outros tantos, porque apesar de solicitar a vinda desses alunos aos sábados, não houve interesse por parte dos alunos e dos seus responsáveis. Os professores de matemática desta escola gostam do que fazem, por isso estão em sala de aula, gostam de seus alunos e não os nivela por baixo, por serem de uma escola pública.

Por professoras de Matemática da Escola Estadual de Ensino Médio Barão de Lucena


No último conselho de classe temos a seguinte regra: o aluno para ser aprovado precisa somar as notas dos três trimestres e atingir no mínimo 60 pontos em todas as disciplinas. Caso tenha faltado até duas disciplinas, ele tem o direito de fazer uma prova de reclassificação (conhecida entre os alunos como provão). Se não atingiu em três ou mais disciplinas, está automaticamente reprovado. Em grande parte dos casos, para dar mais uma oportunidade, avalia-se uma série de quesitos e, dependendo do conselho, que é soberano, deixa-se o aluno nas duas disciplinas que mais tiveram dificuldade e necessitam resgatar os pré-requisitos (normalmente entre três disciplinas) para realizar a prova de reclassificação.

Infelizmente a disciplina de matemática acaba sendo a carrasca, já que é fundamental a sequência de pensamento, a dedicação, o realizar as atividades etc. Resumindo, não é só matemática que reprova, maioria reprova em matemática e outra disciplina, ficando maior margem para matemática.

Temos contatos com outras escolas e nas trocas de experiências os índices não se resumem a apenas à escola Barão de Lucena. Este índice alto de reprovação faz parte de outras realidades escolares.

Nossa escola na metade do primeiro trimestre fez reuniões com os pais com turmas individualizadas e no horário das 20 horas, justamente para facilitar a relação emprego e escola (principal desculpa para o não comparecimento). Nosso maior público foram 6 pais em uma turma com 34 alunos (nesta turma não há irmãos estudando junto), houve reunião que compareceu apenas um responsável.

Por Silvana Marques Reinheimer e Anelisa Silva, supervisoras da Escola Estadual de Ensino Médio Barão de Lucena

Por que não há professor específico de Matemática nos primeiros anos do Ensino Fundamental?

23 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Por que nas séries inicias os alunos têm professor de Inglês, Educação Física e Artes, mas não têm professor especifico de Matemática? Não menosprezando estas matérias, mas elas não são cobradas na Prova Brasil e não fazem parte do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Nós professores encontramos alunos no 6º ano que não sabem o básico da Matemática. Precisamos então “frear” uma turma inteira por causa de dois ou três alunos que não sabem o básico. A escola não tem trabalho de reforço para esses alunos e no final do ano somos pressionados a passá-los por causa de índices governamentais!? E em outros casos em que os pais responsabilizam a escola na educação dos filhos?

De John Mayer, 47 anos, professor de Matemática de São Francisco do Sul (SC)

Resposta:

A lei 9.394/96 mais conhecida como Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) no artigo 26 e em seu primeiro parágrafo diz o seguinte:

Art. 26. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.

§ 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger, obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente do Brasil.

Nos primeiros anos no Ensino Fundamental é importante que as crianças tenham apenas um professor ministrando as principais disciplinas. Pesquisas afirmam que o aluno nos primeiros anos da escola não compreende o ensino fragmentado, a ideia de um professor para cada disciplina. É por isso que a maioria das escolas adotam a prática de um professor por ano escolar nas séries iniciais.

Os professores das séries iniciais não “darem conta” de ensinar com a mesma qualidade Matemática, Português e outras matérias é uma constatação que esbarra em outros problemas. Não podemos pensar em simplesmente aumentar a carga horária dos cursos de Pedagogia porque a solução não é tão simples assim.

Essa é outra questão e que apresenta muitos desdobres.

Por Carla Cristine Wittmann Chamorro, professora de pós-graduação em Matemática da Unisinos

Como os professores poderiam ensinar Matemática de um modo atual?

03 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Sou professora de Matemática e atualmente estou na supervisão de uma escola municipal de Eldorado do Sul (RS). Muitos professores de  Matemática do Ensino Fundamental continuam desenvolvendo os mesmos conteúdos, com a mesma metodologia do passado, desconsiderando os PCNs. Minha pergunta: o que poderia ser feito para alterar essa realidade? A Secretaria de Educação não poderia intervir nesse processo? Caso afirmativo por que não o fazem?

De Heloísa Sachs, 56 anos, professora de Biologia, Ciências e Matemática de Eldorado do Sul (RS)


Resposta:

Uma editora publicou, no início deste ano, meu livro intitulado Epistemologia do professor de Matemática. A constatação que faço nessa pesquisa coincide com o que percebe a professora Heloísa. O ensino da Matemática continua desencontrado, em larga escala muito mal feito. As belas orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais são ignoradas.

A criança começa a perceber o mundo como composto de objetos sugáveis, agarráveis, olháveis; depois, encaixáveis, seriáveis, etc. Por volta dos dois anos, ao entrar no mundo simbólico, em especial, na linguagem, traduz simbolicamente seu mundo de objetos e inicia um trajeto, que durará toda a vida, de compreensão da cultura humana – cultura popular, erudita, científica…

Só depois dos cinco anos de idade, para a maioria das crianças muito mais tarde, ela constrói a noção de número. É então que começa a quantificar o mundo; até então, ela operava só qualitativamente (mesmo as quantidades ela designava qualitativamente: um pouco, muito, um montão). Para ela, ainda não faz sentido dizer cinco laranjas, 11 colegas, 14 vacas, 38 automóveis. Ela levará anos para construir competências para operar com números; muito mais tempo, com operações algébricas. A maioria das crianças/adolescentes só conseguirá operar formalmente – com números ou com simbologia algébrica -, depois dos 15 anos de idade.

A escola e os professores não sabem disso e insistem em ensinar Matemática como se a criança já possuísse, tivesse construído uma capacidade operatório-formal, que a maioria dos adultos têm fracamente desenvolvida. Resultado: a criança não aprende. O que faz então o professor: manda repetir operações (soma, subtração, multiplicação, divisão, regra de três, etc) até memorizar. Quando o professor muda os dados do cálculo, o aluno mostra que não aprendeu. O professor despreparado continua se iludindo pela metodologia: “Repete, repete que um dia tu aprende”, como disse uma professora do ensino fundamental.

O professor precisa saber trabalhar organizando ações com as quais a criança, depois adolescente, vai operar com objetos, quantificando-os de múltiplas formas e operando com essas quantificações. As generalizações quantitativas, aparentemente simples, são, na realidade, complexas. Para uma criança é um enigma que um elefante é UM tal como uma formiga é UMA. Matematicamente, UM=UM(A). A rigor, isso só fará sentido quando ela atingir as operações formais – em média, onze a doze anos em diante.

O grande problema do qual fala a professora Heloísa é que os professores não estão preparados para compreender isso. Para ser um bom professor não basta saber o conteúdo que vai ensinar, é preciso saber como o destinatário do meu ensino (a criança ou o adolescente) aprende. Acontece que grande número de professores das primeiras séries do ensino fundamental não sabem a matemática que ensinam. Não são poucas as professoras que se formaram em Magistério ou Pedagogia porque não queriam um curso com Matemática. Muitas delas não gostam de ensinar Matemática. Como a criança é inteligente, percebe rapidamente esse mal estar da professora e pode acabar percebendo a Matemática como algo desagradável.

O que uma Secretaria de Educação poderia fazer? Promover cursos e oficinas para as professoras, sobretudo das séries iniciais. Conta-se que em Singapura e na Coréia do Sul contratam-se professores doutores em Matemática para ensinar essa ciência às crianças das primeiras séries. Por quê? Porque eles passarão a elas a paixão, o entusiasmo, o amor por esse conhecimento. As crianças entrarão no mundo da matemática como se entra num mundo fascinante, bonito, desafiador no melhor sentido. Isso seria um bom começo, mas enquanto isso não acontece, temos que prover instâncias de formação docente – conhecimento do conteúdo matemático e conhecimento de como aprende o destinatário do nosso ensino. Acredito que não há outro caminho para que o aluno consiga construir para si esse maravilhoso conhecimento – a Matemática – que tanto poderá contribuir para que ele viva com intensidade sua cidadania.

Por Fernando Becker, professor de Psicologia da Educação da Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e autor do livro Epistemologia do professor de Matemática


Livro: Epistemologia do professor de Matemática

Autor: Fernando Becker

Editora: Vozes

Número de páginas: 496

Valor: R$ 98,00