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Por que os cursos de licenciatura não têm disciplinas na área de neurociências?

23 de novembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Não deveríamos fazer uma revisão geral nos cursos de licenciaturas? Os cursos de licenciaturas formam educadores? Como podem os cursos de graduação que formam professores não apresentarem disciplinas ligadas à neurociências?

De Alexandre Paim de Oliveira, 36 anos, professor de Canoas (RS)

Resposta:

No século XX surge um conjunto de conhecimentos denominado Neurociências. Uma grande área multidisciplinar com interfaces de pesquisas interdisciplinares, nas quais diferentes disciplinas científicas alternam-se na pesquisa sobre o sistema nervoso e o funcionamento do cérebro humano. Áreas como a neuroanatomia, psicologia evolutiva, filosofia da mente, etologia, biologia molecular, inteligência artificial entre outras. Em todas elas busca conhecer um contexto específico do funcionamento do cérebro, tido como objeto mais complexo estudado pela ciência.

As neurociências proporcionam grandes avanços na compreensão do funcionamento do cérebro humano e tem implicações nas epistemologias pedagógicas. Mas estas ainda são investigadas de forma a estabelecer-se uma relação causal ou correlacional entre estas descobertas e suas implicações na sala de aula. Na medida em que mais pesquisas entre os níveis produzirem novas evidências lançarão novas formas de ação docente. Este campo investigativo encontra-se um estágio inicial.

A formação de um futuro professor envolve um conjunto de conhecimentos que transitam entre a epistemologia, psicologia, filosofia, didática e metodologias, além de estágios e práticas extra-curriculares, entre outras áreas. Na realidade contemporânea, nenhum curso de licenciatura pode hoje afirmar que esgota completamente os conhecimentos científicos disponíveis para uma formação integral de seu futuro professor.

A neurociência é um conhecimento passível de contribuição. Mas dada a dimensão que é produzida exigiria um tempo maior de permanência nos bancos acadêmicos. Até um neurocientista não tem conhecimento pleno dela, mas de sua área de investigação. Compreende-se assim a necessidade de uma universidade decidir o conjunto mínimo de conhecimentos que farão parte de seus cursos. E de cada professor compreender a necessidade da formação permanente para qualquer ação docente.

Neste sentido uma universidade busca preservar seu princípio vital de autonomia. Em outras palavras cada instituição (como cada curso constituinte dela) tem a autonomia de escolher o conjunto de conhecimentos que delineará seu caminho acadêmico de formação. Assim, na medida em que pesquisas encontrarem evidências das implicações das neurociências na aprendizagem do aluno em sala de aula (em qualquer nível) será também adotado na formação de futuros docentes.

Mas esta realidade será consolidada no respeito ao debate e no princípio de autonomia de cada instituição escolher livremente o conjunto de conhecimentos para formação de seus futuros docentes. Isto envolve uma discussão em diferentes graus de argumentação.

Por Clézio José dos Santos Gonçalves, chefe do Departamento de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista em neurociências