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Qual é a finalidade da reforma ortográfica?

13 de dezembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Por que se vem fazendo mudanças ortográficas se os alunos não conseguem absorver os ensinamentos? Para que os que sabiam daí em diante passem a não saber mais? Por que se perde tempo com isso? Qual a finalidade? Outros países também fazem ou fizeram estas reformas?

De Lenita Mariano Moreira, 65 anos de Itajaí (SC)

Resposta:

Ortografia é só a vestimenta das palavras. Quando se faz um acordo ortográfico, não se mexe na língua, se mexe apenas na roupagem das palavras. Desde 1911, Brasil e Portugal tentam aproximar seus sistemas de grafar palavras. Tivemos quatro anos para nos adaptar e eles foram suficientes. Principalmente, graças à imprensa, que abraçou o novo sistema.

Começamos a aprender a língua pelo ouvido, quando crianças. Depois, aprendemos pelos olhos, porque lemos as palavras. O sistema fonético é anterior ao sistema gráfico. Ao abolir o trema, tiramos um peso dos ombros de quem escreve. A falta do trema, longe de ser um prejuízo, é um lucro. Deixamos de escrever o trema, mas podemos pronunciar as palavras da maneira como estamos acostumados a ouvi-las.

Em tudo isso, deve-se levar em consideração que há um fator de maturidade. Uma língua não pode ter duas ortografias oficiais – como acontece hoje, em que temos a do Brasil e a de Portugal. A língua se apresenta muito variada para atender aos compromissos do homem erudito, da pessoa escolarizada e também do analfabeto. Todos se servem da língua para a comunicação. A língua não se concentra nem na norma padrão, nem na norma coloquial. Ela permite as variações. A língua padrão não é contra a coloquial e vice-versa. Já em uma prova do Enem, na qual se busca saber a competência de um jovem que passou tantos anos na escola, a preocupação não deve ser a língua coloquial, mas, sim, a padrão.

Por Academia Brasileira de Letras