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Posts na categoria "Professor"

Por que os diretores das escolas gaúchas são eleitos?

24 de outubro de 2012 Comentários desativados

Perguntas:

Por que não se retorna ao sistema de escolha do diretor de uma escola pela capacidade dos concorrentes, em vez de utilizar o sistema de eleição, em que até funcionários e alunos votam?

De Fernando Cardone da Senhora, 72 anos, engenheiro de Rio Grande (RS)

Sou professora estadual aposentada. Estive em sala de aula durante 28 anos. Sou do tempo em que cargo de diretor de escola era cargo de confiança. Se fizerem estudos, a educação começou a declinar com a eleição para diretores de escolas, onde formou-se um cartel dentro das escolas. Quando o peso dos votos passou a ser igual entre alunos, pais e professores não sei se por ingenuidade ou por mau caráter das diretoras, mas elas passaram a ser reféns de pais sem estudos, mas que tinham o peso do voto. Não votamos, para o gerente do banco,  diretor de hospital, não entendo o porquê de eleger diretores de escolas.

De Elenara Teixeira Brito, professora de Porto Alegre (RS)

Resposta:

O preenchimento da vaga para o exercício da função ou do cargo de diretor de escola de educação básica é de competência de cada estado ou município.  Só as escolas federais tem o preenchimento da vaga de diretor realizada pelo Ministério de Educação. Cada esfera de governo define, em lei própria, a forma de escolha de seus diretores de escolas.

O inciso 12, do artigo 5, da Resolução CNE/CEB nº 5, de 3 de agosto de 2010, que fixa as Diretrizes Nacionais para os Planos de Carreira e Remuneração dos Funcionários da Educação Básica pública, diz o seguinte:

XII – manter, em legislação própria, a regulamentação da gestão democrática do sistema de ensino, da rede e das escolas, fixando regras claras para a designação, nomeação e exoneração do diretor de escola dentre os ocupantes de cargos efetivos das carreiras do Magistério e dos profissionais da educação de que trata a presente Resolução, respeitada a exigência de habilitação, com a participação da comunidade escolar no processo de escolha do seu diretor;

por Ministério da Educação


Há mais de 30 anos o debate sobre a democratização da escola pública acontece de forma incisiva em nosso país. A escolha de diretores faz parte desse debate, mas, sabemos, não se resume a ele. O RS em sua tradição democrática, apesar da manifestação do STF, continuou discutindo os mecanismos para aprimorar a democratização da escola.

Nesse sentido, em 1995 a Assembléia Legislativa aprovou a Lei 10.576 que, entre outros aspectos, regula a indicação dos diretores das escolas da rede estadual de ensino, por meio de manifestação da comunidade escolar: professores, pais, alunos e servidores de escola. Essa indicação precisa ser validada pelo Secretário de Estado da Educação ao designar o referido diretor(a).

Em parte, concordamos com a cidadã ao afirmar que a escolha se dava por processo desigual já que previa “o peso dos votos passou a ser igual entre alunos, pais e professores”. Por isso, encaminhamos modificações na Lei que foram aprovadas pela Assembléia e estão em plena vigência no processo atual, já desencadeado nas escolas. Agora o voto terá peso proporcional de 50% para pais e alunos e 50% para professores e funcionários. O peso proporcional impede a existência de uma maioria, a priori, de pais e alunos. A maioria terá que ser conquistada pelo convencimento do programa de gestão.

A escolha será por chapa constituída por diretor e vice ou vices e no ato de inscrição cada chapa terá que apresentar um programa de gestão e deverá comprovar uma adesão mínima da comunidade à proposta. Os escolhidos deverão realizar curso de capacitação oferecido pela mantenedora antes de tomar posse, bem como estarão comprometidos a participar de todas as capacitações previstas pela política de formação continuada para gestores da Secretaria de Estado da Educação (Seduc).

As modificações legais são essenciais para o aperfeiçoamento do processo, mas democracia é uma produção histórica, fruto da construção coletiva de uma cultura democrática que não se faz isenta das contradições, dos defeitos e qualidades dos agentes que formam o contexto onde se realiza.

Por Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Sul

Por que não há professor específico de Matemática nos primeiros anos do Ensino Fundamental?

23 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Por que nas séries inicias os alunos têm professor de Inglês, Educação Física e Artes, mas não têm professor especifico de Matemática? Não menosprezando estas matérias, mas elas não são cobradas na Prova Brasil e não fazem parte do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Nós professores encontramos alunos no 6º ano que não sabem o básico da Matemática. Precisamos então “frear” uma turma inteira por causa de dois ou três alunos que não sabem o básico. A escola não tem trabalho de reforço para esses alunos e no final do ano somos pressionados a passá-los por causa de índices governamentais!? E em outros casos em que os pais responsabilizam a escola na educação dos filhos?

De John Mayer, 47 anos, professor de Matemática de São Francisco do Sul (SC)

Resposta:

A lei 9.394/96 mais conhecida como Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) no artigo 26 e em seu primeiro parágrafo diz o seguinte:

Art. 26. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.

§ 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger, obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente do Brasil.

Nos primeiros anos no Ensino Fundamental é importante que as crianças tenham apenas um professor ministrando as principais disciplinas. Pesquisas afirmam que o aluno nos primeiros anos da escola não compreende o ensino fragmentado, a ideia de um professor para cada disciplina. É por isso que a maioria das escolas adotam a prática de um professor por ano escolar nas séries iniciais.

Os professores das séries iniciais não “darem conta” de ensinar com a mesma qualidade Matemática, Português e outras matérias é uma constatação que esbarra em outros problemas. Não podemos pensar em simplesmente aumentar a carga horária dos cursos de Pedagogia porque a solução não é tão simples assim.

Essa é outra questão e que apresenta muitos desdobres.

Por Carla Cristine Wittmann Chamorro, professora de pós-graduação em Matemática da Unisinos

Como garantir o direito dos professores?

22 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Fico muito brabo quando um governador, prefeito ou secretário de educação diante das câmeras fala que vai fazer isso fazer aquilo. Nossas escolas estão sucateadas, nossos professores estão com as mãos atadas por não ter autoridade na sala de aula. Quando eu estudava respeitávamos os professores. Se perguntar para os alunos quanto é 9×9 eles não saberão, mas se perguntar para qualquer um o ECA, todos sabem. O mundo mudou, as crianças têm muitos direitos, mas o direito dos professores, onde fica?

De Gilmar Souza de Oliveira

Resposta:

Na última década, a sociedade sofreu muitas transformações, o mesmo acontecendo nas instituições de ensino. A relação professor-aluno segue, na atualidade, um novo paradigma, estabelecendo maior proximidade entre ambos. No entanto, o respeito, a convivência fraterna e a leitura adequada do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) devem ser objetivos das direções de escolas, que precisam envidar todos os esforços para garantir qualidade ao ambiente escolar.

Por Cecília Maria Martins Farias, diretora do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do RS (Sinpro/RS) e conselheira do Conselho Estadual de Educação (CEEd/RS)

Por que professores da rede pública não podem ser demitidos independentemente do trabalho desempenhado?

19 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Por que os professores da rede pública (estadual e municipal) têm estabilidade na carreira e não podem ser demitidos, independente da qualidade do trabalho que desempenham?

De Alexandra, 31 anos, professora de Gravataí (RS)

Resposta:

Não só os professores da rede pública Federal, Estadual e Municipal como todos os  demais trabalhadores estatutários (nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público) possuem estabilidade no trabalho.

É a Constituição Federal que garante tal direito, para trabalhadores concursados e após três anos de efetivo exercício da função, período este denominado como “estágio probatório”, ou para servidor admitido sem concurso público há pelo menos cinco anos antes da promulgação da Constituição vigente.

Sendo assim, o servidor público estável só perderá o cargo: I – em virtude de sentença judicial transitada em julgado; II – mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; III – mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa.

Não há, portanto, uma garantia absoluta “independentemente da qualidade do trabalho”, pois se tal trabalho for insatisfatório a proteção constitucional  poderá não ser mantida. Claro que isto dependerá de uma apuração administrativa e/ou judicial com plena garantia de defesa por parte do trabalhador.

Por outro lado, especificamente no caso dos professores, a estabilidade garante a liberdade de cátedra, com a certeza de que os mestres não serão punidos ou perseguidos por causa de suas idéias, o que corresponde a uma exigência da civilização e permite o avanço do conhecimento.

Por Raimar Machado, advogado e professor do Programa de Mestrado e Doutorado em Direito da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc)

Por que a Lei do Piso Nacional não é cumprida?

18 de outubro de 2012 Comentários desativados

Perguntas:

Por que a Lei do Piso, a valorização do magistério concretizada na remuneração mais condigna, não é aplicada? Por que continuamos ganhando tão pouco e de nós é exigido tanto?

De Rute Miriam Albuquerque

Por que o governo do estado não paga o piso a todos os professores? Foi ganho na justiça e eles não pagam. Por que ninguém encabeça esta luta?

De Marcos, 45, comerciário de, Santo Ângelo (RS)

Queria saber como o Brasil quer ir pra frente na educação se  os professores são muito desvalorizados. Nos outros países os professores têm um salário inicial de R$ 5 mil, no Brasil os professores têm um salário aproximado de R$ 800. Acho que é por isso que o nosso país não vai pra frente. Se o salário aumentasse eles teriam muito mais entusiasmo em levar o Brasil pra frente.

De Diogo, 15, estudante de São Leopoldo (RS)

Quando o governo estadual irá cumprir a lei do piso salarial estabelecido pelo governo Federal?

De Viviane Poeta Vieira, 51, orientadora educacional, Florianópolis (SC)

Resposta:

O piso nacional do magistério está em R$ 1.451,00 para 40 horas, podendo se dizer que é um valor insignificante. Mas por que, então, o governo não paga?

Em primeiro lugar, o governo estadual deve apurar um déficit superior a R$ 1 bilhão neste ano, devendo ser ainda maior no ano vindouro. Em segundo lugar, o valor do piso pode multiplicar por até cinco vezes em alguns casos, com um reflexo insuportável para as finanças. E são mais de 160 mil matrículas, entre ativos e inativos, efetivos e contratados.

Por isso, sem mexer no plano de carreira, lamento dizer, não há como pagar o piso, nem que os reajustes voltem a ser pelo INPC. Uma prova disso é a proposta apresentada pelo governo, cujo maior reajuste só será concedido  em novembro de 2014 (13,7%), dois meses antes de  findar o ano. Isso terá reflexo no ano seguinte, de forma que quem assumir o governo do Estado em janeiro de 2015, com mais o  reajuste devido nessa data, terá a folha do magistério acrescida de 19% (R$ 1 bilhão em valores de hoje).

Em terceiro e não menos importante, é a despesa com inativos que entre os professores é de R$ 150,00 para cada R$ 100,00 com ativos. A causa disso é a aposentadoria precoce de uma classe em que 87% são mulheres que trabalham 25 anos e ficam mais 30 ou 35 anos recebendo. Poderia ser argumentado que há salários com valores excessivos no setor público. De fato há para algumas categorias e estão fora da realidade brasileira, mas  que,  apesar da injustiça que proporcionam, não tem um peso tão relevante nas  finanças estaduais.

Gostaria de dar uma esperança a essa classe tão importante quanto sofrida, mas não quero ser mais um, entre tantos, a enganá-la.

Por Darcy Francisco Carvalho dos Santos, economista.

Não há professores para atender os alunos especiais nas escolas de Santa Catarina?

17 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Mobilizo os pais e meus colegas para exigir da Secretaria de Educação maior respeito com os professores sobre o processo equivocado da inclusão. Não devemos só reclamar. Faço meu serviço da melhor forma possível, mas quando pego uma turma com aluno especial, defendo com unhas e dentes que, enquanto ele é inclusão (e da forma hipócrita como essa inclusão é feita), os outros alunos estão sendo excluídos.

Dificilmente nos é enviado uma auxiliar, sempre as mesmas desculpas (não há necessidade, a Lei não ampara auxiliar nesses casos e outros blás, blás, blás). Enquanto os Governos ficam ganhando verbas para auxiliar a educação inclusiva, nós professores somos massacrados para dar conta.

De Rosicler Maria Goedert Dal Pozzo de Joinville (SC)

Resposta:

O Estado de Santa Catarina vem desenvolvendo, ao longo das últimas décadas, uma série de ações para inclusão de alunos com deficiência no ensino regular.

Dessa forma, Santa Catarina vem acompanhando e, em alguns momentos, até se antecipando à algumas ações no âmbito federal, bem como acompanhando também o movimento da inclusão discutido internacionalmente.

Em 2006, o Estado implantou a Política de Educação Especial de Santa Catarina, redimensionando os serviços existentes na área da educação especial. Nesse contexto implantaram-se os Serviços de Atendimento Educacional Especializado (SAEDEs) e Atendimentos em Classe (ACs), voltados a alunos com deficiência, condutas típicas e altas habilidades.

  • SAEDEs – ofertado no período oposto à frequência do aluno no ensino regular, ou seja, constitui-se em complemento e não um substitutivo do ensino regular.
  • ACs – ofertado na sala de aula. Segundo Professor de Turma, Interprete de LIBRAS, Instrutor de LIBRAS, Turmas Bilíngues.

A Secretaria de Estado da Educação autorizou, em 2012 (até o momento), a contratação de aproximadamente 2.800 professores para atuarem como Segundo Professor de Turma naquelas situações que atendem rigorosamente os critérios estabelecidos pela Política de Educação Especial de Santa Catarina.

Por Secretaria Estadual de Educação de Santa Catarina

Como o professor pode se qualificar e dedicar mais tempo aos alunos?

11 de outubro de 2012 Comentários desativados

Perguntas:

Por que não há no Brasil incentivos para os professores, de forma a esses se dedicarem mais aos alunos?

De Márcio Rodrigues, 17 anos, estudante de São Leopoldo (RS)

Acredito que a deficiência brasileira no que tange a educação está e estará atrelada a questões históricas, sociais, políticas e econômicas. Os questionamentos são muitos e sempre buscamos respostas para tais, mas mesmo assim sinto a necessidade de realizar minha contribuição a esta campanha. O que significa para o poder público, valorizar os professores?

De Cláudia Alves

Resposta:

O Ministério da Educação desenvolve diversas ações no sentido de valorizar os professores. Uma delas é facilitar o acesso a cursos de licenciatura: os professores têm opções de graduação na Universidade Aberta do Brasil (UAB) e nos câmpus das universidades e dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia. Nas universidades federais, o número de matrículas em cursos de licenciatura presenciais e a distância aumentou de 112.799 em 2001 para 287.322 em 2010, de acordo com o censo da educação superior.

Os institutos federais de educação, ciência e tecnologia também se voltam para a formação de docentes da educação básica. Cada um deve reservar 20% das vagas a cursos de licenciatura em Matemática, Física, Química e Biologia, para ajudar a suprir a demanda por professores dessas disciplinas.

O Ministério da Educação também investe na qualificação dos docentes em nível superior por meio do Plano Nacional de Formação de Professores (Parfor), que oferta turmas emergenciais implementadas em cursos ofertados nas modalidades presencial e a distância, por Instituições de Educação Superior – IES.

O Financiamento Estudantil (Fies) é outra opção para estudantes de licenciatura que queiram trabalhar nas redes públicas da educação básica com jornada de, no mínimo, 20 horas semanais, depois de formados. O abatimento mensal será de 1% da dívida.

Outra facilidade para que os professores se graduem em nível superior vem do Programa Universidade para Todos (Prouni). Educadores da rede pública de educação básica que concorrem a uma bolsa em curso de licenciatura, normal superior ou Pedagogia não precisam cumprir o critério de renda, desde que estejam em efetivo exercício e integrem o quadro permanente da escola.

Além disso, o trabalho do professor, para ser bem desenvolvido, necessita tempo de preparo, estudo, planejamento, seleção de materiais adequados à aula, interação com as famílias dos estudantes e a comunidade, participação em decisões colegiadas e formação continuada. A sala de aula só pode ser agradável e proporcionar um bom ambiente de aprendizagem se a tarefa anterior for bem cumprida, se for orientada e entendida como direito do aluno e obrigação da escola. A Lei nº 11.738/2008, que instituiu o piso nacional do magistério, definiu esse direito do professor a um terço da jornada em hora-atividade, ou seja, fora da sala de aula, justamente para garantir a qualidade do ensino.

De Ministério da Educação

O que é Síndrome de Burnout?

10 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Qual é o conhecimento da nossa comunidade sobre a Síndrome de Burnout? Existe alguma ação para prevenir esse mal dentro da comunidade dos professores? Existe alguma estatística? Como pode ser prevenido? Como pode ser diagnosticado? É a mesma coisa que depressão ou síndrome do pânico?

De Marcelo Kaoru Sada, 38 anos, metroviário de Porto Alegre (RS)

Resposta:

Burnout é um fenômeno psicossocial que surge como uma resposta crônica aos estressores interpessoais ocorridos na situação de trabalho, sendo constituído de três dimensões relacionadas, mas independentes: exaustão emocional, despersonalização e sentimento de baixa realização profissional.

A exaustão emocional é caracterizada pela falta ou carência de energia, entusiasmo e por sentimento de esgotamento de recursos. A despersonalização faz com que o profissional passe a tratar os clientes, colegas e a organização como objetos. Já a baixa realização profissional caracteriza-se por uma tendência do trabalhador em se auto-avaliar de forma negativa, sentindo-se infeliz e insatisfeito com seu desenvolvimento profissional.

Segundo Mary Sandra Carlotto, uma das maiores especialistas no assunto, em professores, o que mais se relaciona com a exaustão emocional é a satisfação com o pagamento. Na medida em que aumenta sua satisfação, diminui seu sentimento de desgaste. Destaca-se que esta situação está mais presente nos professores mais jovens, que provavelmente possuem maiores expectativas.

Não deve ser confundido com depressão ou síndrome do pânico.

Por Rodrigo Grassi-Oliveira, M.D., Ph.D., Professor Adjunto do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da PUCRS na área de Cognição Humana

Como as universidades podem qualificar os alunos de cursos de Licenciatura?

10 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Quem minimamente participa da rotina da escola percebe um certo tipo de descompasso entre a cultura juvenil atual e a configuração da escola, digamos, configuração tradicional. Os professores que trabalham na escola vêm ou vieram das universidades, dos cursos de licenciatura, infelizmente, pouco valorizados historicamente. Assim, como é que a universidade atualmente, em seus cursos de licenciaturas, está propiciando mecanismos para que seus acadêmicos se preparem para atuarem como futuros professores no ensino público/privado do contexto atual tanto na gestão quanto na execução?

De Vanderlei Vidal Zenero, 27 anos, universitário, Faxinal do Soturno (RS)

Não deveríamos fazer uma revisão geral nos cursos de licenciaturas? Os cursos de licenciaturas formam educadores? Como podem os cursos de graduação que formam professores não apresentarem disciplinas ligadas à neurociências?

De Alexandre Paim de Oliveira, 36 anos, professor de Canoas (RS)


Resposta:

Existe, de fato, um “certo descompasso” entre a escola e a cultura juvenil atual, que se caracteriza pela instantaneidade, pelos relacionamentos em redes sociais, o uso de tecnologias, por acesso a uma infinidade de informações pela mídia, pela banalização da violência, entre outros. A escola parece nem sempre considerar todas essa realidade dos jovens.

A universidade é responsável pela formação inicial dos professores que atuam nas escolas de Educação Básica.  Ela deve, além de atender às diretrizes advindas da legislação, planejar o currículo de seus cursos de forma a oportunizar que o estudante aprenda a ser professor para responder aos desafios da escola na contemporaneidade, incluindo as características dos alunos.

Uma das preocupações no processo de formação do estudante da Licenciatura é a presença da prática investigativa, em que o aluno aprenda a formular perguntas sobre o cotidiano em que vai se inserir, nas escolas de educação básica. Sua formação é processual, não se encerrando ao concluir a Licenciatura. As instituições de ensino de Educação Básica devem promover possibilidades de atualização aos seus professores, acompanhando as inovações associadas aos processos educacionais, quer sejam da área específica, quer sejam da de formação pedagógica.

Dentre as oportunidades que a Unisinos oferece, voltadas à qualificação dos cursos de Licenciatura e que contribuem para a aproximação dos acadêmicos com a realidade escolar, podemos destacar a participação no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID, financiado pela CAPES e o evento TEDxUnisinos.

São ações como essas, além do que é proporcionado nas disciplinas do currículo, que, acreditamos, contribuam para a preparação dos nossos alunos de Licenciatura para atuarem nas escolas de Educação Básica. Ressaltamos, novamente, que a formação não se esgota nessa etapa inicial, dos Cursos de Licenciatura. É preciso investir fortemente na formação continuada, para que haja a permanente atualização do professor da escola de Educação Básica.

Por Profª Drª Maria Cecilia Bueno Fischer, Gerente dos Cursos de Licenciatura da Unisinos

Por que é tão difícil pôr em prática novas ideias?

09 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Atualmente sou supervisora de uma escola no meu município e encontro muita resistência por parte da gestão para implantar na escola novas metodologias de ensino para os professores. Por que a Secretaria de Educação não consegue mudar esta situação? Por que é tão difícil o novo dentro das escolas? Por que pessoas com ideias novas são muitas vezes afastadas das escolas? A direção não apoia estas mudanças por trazer muito trabalho, por que irá trazer resistência por parte de alguns professores?

Acredito que as pessoas que realmente querem e possuem capacidade para tal estão sozinhas e não conseguem realizar estas mudanças. Não acredito e nunca acreditei que um professor que ama sua profissão não queira mudar para melhor e trazer resultados que mudem o futuro do Brasil.

De Heloísa Sachs, 56, professora de Biologia, Ciências e Matemática de Eldorado do Sul (RS)

Resposta:

Profa. Heloísa,

Albert Einstein certa vez teria dito ser mais fácil quebrar partículas subatômicas do que mudar um preconceito ou realizar mudanças que alteram hábitos cristalizados. Assim, mesmo não conhecendo a situação específica ou sobre ela emitindo opinião específica, é verdade ser bastante comum enfrentarmos grandes dificuldades ao tentarmos mudar metodologias ou ousarmos adotar novas tecnologias.

A maioria das escolas infelizmente não sabe o que é inovação. Pensam que é modernizar comprando equipamentos. Inovação hoje é o motor que gera conhecimento, que ajuda a moldar os programas de pesquisa e o desenvolvimento tecnológico. Entre elas, aptidão desenvolvida para aprendizagem independente, espírito empreendedor e capacidade de iniciativa, aprender a trabalhar em equipe e com visão solidária, não ter medo de novas tecnologias e gosto por enfrentar desafios e imprevistos, saber falar e ouvir sem preconceitos e com espírito de tolerância desenvolvida e, por fim, mas não menos importante, extrema paixão pela cultura, especialmente pelas artes, e pelos esportes. Enfim, atributos essenciais que normalmente são subestimados, quando não reprimidos, pelas escolas.

A escola tradicional tem arraigados defensores que parecem não perceber que como está, não está funcionando. Faz parte da procura por soluções despertar novas idéias, incomodar a preguiça alheia, inovar e não ter receio de compartilhar novas estratégias.

Mas, cá entre nós, não há batalha mais gloriosa do que lutarmos por nossos ideais no mundo da educação. Com muita tolerância, muita complacência e todo amor que merecem nossos estudantes.

Por Ronaldo Mota, ex-secretário nacional de Educação à Distância do Ministério da Educação (MEC) e atual ocupante da cátedra Anísio Teixeira, no Instituto de Educação da Universidade de Londres