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Bye, Bye London!

14 de agosto de 2012 6

Em 21 dias vi de pertinho e troquei idéia com Pelé, Gordon Banks, Damon Albarn e o Blur, Jamie Oliver, Robert Scheid, Mr. Brainwash, Dani Lins, Bia e Branca e tantos outros.

Foram mais de 20 dias em Londres pra minha primeira cobertura internacional. Vocês todos sabem, tão bem quanto eu, que eu estar aqui tinha apenas um objetivo: levar uma cobertura divertida pra quem curte a rádio atlântida. Quero agradecer o acesso e os comentários de todo mundo (inclusive os esgrimistas) e mandar um abraço pra galera que deu a maior força nessa cobertura: André Crespani, Gustavo Sperb, Fetter, toda galera do Pretinho, Arthur Gubert, David Coimbra, Tulio Milman, Caue Franzon, Cleber Grabauska, Lucianinho, Caio Pompeu (valeu, paraguaio!), Ducker (um brinde!), Thanira (a melhor punk de mpb de Londres), Denise, Richard, Caio, e as dezenas de brasileiros que me pararam nas ruas de Londres e deram força pro trabalho. E, de novo, agradecer você que está aqui lendo isso.

Grande abraço.

Piangers

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Motivos para acreditar que Rio 2016 pode ser melhor ainda:

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E agora vamos aproveitar o espaço de sobra no servidor para mandar GIIIIIIIIIFFFFFFFFFFF! vivaaaaaaaaaaaaaaa:

Últimas estatísticas olímpicas

14 de agosto de 2012 3

Na noite em que Usain Bolt ganhou ouro nos 100m 75,4% das fotos do Instagram eram de pessoas imitando a pose da flecha.

100% dos atletas que subiram no pódio ganharam medalha.


89% dos brasileiros já não se lembra o nome da menina que ganhou ouro no primeiro dia.
1/4 das mulheres medalhistas choraram no pódio. 5/6 dos homens que choraram não ganharam medalha.


98% dos medalhistas morderam a medalha, à pedido dos jornalistas presentes no evento. Destes, apenas dois atletas conseguiram terminar a refeição.


Mais da metade dos torcedores brasileiros em Londres usaram a camisa da seleção brasileira de futebol pelo menos uma vez durante a Olimpíada.

100% dos telespectadores da transmissão das disputas de natação não ganhariam de Michael Phelps se estivessem na piscina.


71% dos atletas não conseguiram acertar a letra do hino nacional.


25% da delegação de Botswana conseguiu medalha. O número total de atletas na delegação de Botswana é quatro.


Mais de ¼ dos atletas do pentatlo moderno ainda não entenderam as regras do jogo.


Por mais incrível que possa parecer, a Rússia é o país mais bronzeado da Olimpíada, com 32 medalhas.


45% dos brasileiros não sabe que a Olimpíada já acabou.

Será que tudo isso é real?

As previsões para Londres 2012: quem acertou?

14 de agosto de 2012 2

Piangers lutando contra um adversário imaginário. E perdendo.

Pra vocês verem como é difícil acertar uma previsão em olimpíada: um favorito pode falhar - Isinbayeva, Cielo, Fabiana Murer - e um desconhecido da mídia pode despontar para um ouro inesperado, caso do Arthur Zanetti. Mas, agora, olhando em retrospectiva, fica muito engraçado ler isso sobre Yohan Blake, da Jamaica:

Essa é uma nota da revista VIP, que diga-se, acertou a maioria das previsões, apostando em atletas novos que poderiam conquistar ouros. A revista ALFA também fez suas apostas, num ensaio especial com atletas com chance: Ganso (mal jogou, mas ganhou prata); Luiza Almeida e Felipe França (zero medalhas); Murilo (prata) e Lucas (prata); e a dourada Camila do vôleio.

A revista da ESPN consultou 26 especialistas que apostaram num recorde de medalhas (acertaram) mas erraram quase todas as previsões de quem ganhava o que em Londres:

Obrigado, Emanuel!

E agora nosso momento de auto-crítica. Seguem as minhas previsões, escritas uma semana antes dos jogos começarem:

1. a cerimônia de abertura vai ser vista por 1,3 bilhão de pessoas sem nada melhor pra fazer. Desses 1,3 bilhão de pessoas nenhum é você e nem seus amigos; ( )


2. todas as colunas direto de Londres vão se chamar London Calling e nos programas de radio vai rolar muito Sex Pistols, lamentavelmente ( )


3. o Brasil vai perder na quartas-de-final para um time sem expressão. Neymar vai lamentar com aquele sorrisinho, que a gente sabe que não é lamento de verdade ( )


4. todo mundo vai falar sobre o sul-africano que irá competir os 400m mesmo nao tendo as duas pernas completas (ele usa próteses de titânio) ( )


5. o sul-africano vai perder e ninguém mais vai lembrar dele daqui a duas semanas ( )


6. uma medalha inesperada virá para o Brasil na ultima hora ( )


7. sua mãe vai perguntar "má já começou as olimpíadas?" porque afinal, não está passando na Globo. ( )


8. o Brasil vai ganhar 14 medalhas (3 ouros, 4 pratas e 7 bronzes). Mentira, eu não faço idéia de quantas medalhas o Brasil vai ganhar, mas... ( )


9. ...um atleta brasileiro vai ganhar uma medalha de ouro e o a tv vai mostra-lo mordendo a medalha em slow-motion. Isso eu tenho certeza ( )


10. pode ser que não seja uma olimpíada muito bem organizada, mas tenho certeza que conseguiremos fazer pior no Rio 2016 ( )

Fui bem?

Eu fui: a caminhada de Jack Estripador

13 de agosto de 2012 6

A igreja ao redor da qual, em 1888, ficavam as prostitutas que Jack atacava

Se você é um turista interessado em história ou um pscicopata procurando inspiração, um dos passeios mais legais de se fazer em Londres é a caminhada noturna do Jack, o estripador. Custa 9 libras (multiplique por três se quiser converter pro real, mas eu não aconselho que bate uma tristeza, rapaz) e sai todos os dias às 19hs 30m da estação de metrô Tower Hill.

O guia é Donald Rumbelow, autor de The Complete Jack The Ripper, um estudo detalhado do assassino que aterrorizou Londres em 1888. Donald é um desses senhores londrinos de camelo ralo e comprido demais e completamente desregrado, o que de imediato me faz achar que ele é divorciado, mas provavelmente não. Mulheres londrinas convivem bem com esse tipo bagunçado. Donald também tem apenas um dente da arcada inferior completamente preto. Se você já está assustado, não leia o resto do texto.

É um domingo e começa a escurecer, enquanto a pequena multidão (cerca de 40 pessoas, a maioria americanos entre 15 e 35 anos) caminha pelas ruas vazias atrás de Donald. A primeira parada é um pedaço do que sobrou do famoso muro da Cidade de Londres (City of London, um dentro de Londres que até hoje tem um prefeito próprio, bandeira própria e polícia própria). Em 1888, ano dos assassinatos, aquela já era uma das poucas partes do muro intactas. Donald descreve como Jack passava de um lado pro outro do muro, matando hora dentro e hora fora do perímetro da City, deixando as duas polícias confusas. Enquanto ele fala, dezenas de pombas voam pelo muro, entrando e saindo dos buracos, batendo asas por cima do grupo.

A segunda parada é a a Mitre Square. O vento deixa o cabelo de Donald ainda mais bagunçado, um Dr. Brown do De Volta para o Futuro, só que em 1888, descrevendo o estado como o corpo de Marry Ann Kelly foi encontrado ali naquela praça vazia. Naquela época era possível contratar uma prostitua por 3 centavos de libra (eta, maldita inflação) e várias praças da cidade eram mal vigiadas e péssimamente iluminadas. Entre uma caminhada e outra percebo que um dos turistas, viajando sozinho, tentava puxar papo com algumas garotas. "Não é exatamente o melhor programa para tentar um approach, não é?", pensei. Ao sair do perímetro da City passeamos por Spitafields e White Chappel, onde outras quatro prostitutas foram mortas e multiladas.

Depois de uma parada no mítico Ten Bells, dizem, onde Jack tomava drinks entre um crime e outro, a caminhada acaba num beco atrás do velho mercado de Spitafields. Em 1888 era a rua mais perigosa de Londres, com cerca de 70 pessoas dormindo ali todas as noites. O lugar está completamente vazio, afinal é um domingo a noite, final de feira, e o velho Donald se despede. A estação de metrô mais próxima fica a 5 minutos dali. Vejo aquele viajante sozinho aparentemente bem sucedido no papo com uma menina. Os dois entram no Ten Bells para um ou dois drinks. Eu vou pra casa pra casa encolhido, meio de frio, meio de medo.

Saída do mercado de Spitafild, local de um dos assassinatos de Jack

O grande legado de Londres 2012

13 de agosto de 2012 2

Eu tenho me sentido muito bem em Londres. E não é porque as estações de metrô estão mais cheirosas (não estão) nem porque os pubs londrinos finalmente adotaram o uso de ar-condicionado (não adotaram). Nem tampouco pela cerveja que está mais gelada (isso sim, felizmente, aconteceu). O que tem feito eu me sentir bem em Londres é o jeito que os voluntários estão me tratando.

E não só eu, mas toda a multidão de turistas que passeia de um lado pro outro, sempre de boca aberta trancando a passagem e olhando pro lado errado da rua. Todo turista gordo e desinformado, com um mapa de 3 metros quadrados aberto no meio da entrada do metrô, todo cidadão perdido ou visitante de primeira viagem é incrivelmente bem tratado.

Pessoal educado devolve a bola

No último sábado, na saída dos eventos de atletismo no Estádio Olímpico, cerca de 70 mil pessoas sairam ao mesmo tempo. E de dez em dez metros havia um jovem voluntário sorridente, com uma chamativa camiseta roxa, apontando o caminho do metrô e desejando uma volta agradável pra casa.

Melhor: um dos voluntários ouvia o jogo entre grã-bretanha e coréia do sul e narrava a disputa de pênaltis para quem passava. Outro voluntário perguntava animado: "Quem teve uma noite legaaaal???" quase como uma professora de primário.

E a gente respondia: "EEEEEEEEEEEEE". Quase como crianças de primário.

Medalha de ouro em civilidade!

Basicamente esse é o grande legado para Londres. Não são as estradas ou as melhorias no transporte público. Não são os estádios ou o incentivo ao esporte. O grande legado de Londres é ter provado que a rabugice inglesa tem cura. Aguardo ansioso uma olimpíada na Argentina.

Musas do Dia: a votação final!

13 de agosto de 2012 13

Duas semanas de olimpíadas, duas semanas de musas. Nos 14 dias de jogos selecionamos 14 beldades de parar o pódio. Agora é hora de você votar em quem merece ouro, prata e bronze.

Clique nas fotos acima para ir até o link com mais fotos e descrição da musa.

Decida quem é a musa da Olimpíada de Londres 2012 votando abaixo.

Eu fui: Shakespeare Globe

12 de agosto de 2012 0

Eu não sou o turista clássico e isso quer dizer que você não vai me encontrar nos pontos mais populares das cidades que eu visito. Quero dizer, prefiro um pub a um museu. É sempre um pouco frustrante, quando volto de viagem, ter que responder "não" pra quase todas as perguntas do tipo "subiu na torre Eiffel?", "passeou de gôndola em Veneza?" ou "foi no London Eye?".

Dito isso, não é de se esperar que eu dê uma dica tão "turística", mas se você estiver em Londres um dia, não perca o Shakespeare Globe. Trata-se de uma réplica exata de um teatro da época de Shakespeare, feito todo de madeira e palha. O palco é mínimo, quase não há cenário e a iluminação é apenas a natural. Nada de microfones ou caixas de som. Todos os assentos são de madeira, mas se você quiser assistir a peça como fazia o povo de antigamente, pague 5 libras pela frente do palco, onde se assiste a peça em pé.

Os atores são de primeiríssima linha e passeiam pelo meio da platéia baixa. Nessa área não há teto, mas se chover o consolo é que os atores estarão tão molhados quanto você. A peça dura cerca de duas horas e se nesse tempo você correr os olhos pela platéia vai ver gente com os olhos ou brilhando de emoção ou marejados. Ou os dois. E uma última dica: depois da peça vá até o pub do teatro, onde todos os atores vão depois que tiram o figurino. Você vai querer agradecê-los por uma experiência tão emocionante.

Musa do dia: Anna Chicherova

12 de agosto de 2012 1

Até ela fica de boca aberta com sua própria beleza

Anna Chicherova ganhou ontem o ouro no salto em altura - e ficou impossível não torcer por ela depois que essa cara linda apareceu no telão.

Agora só fica a dúvida: será que a Chicherova é Chicheirosa?

"Ai, meu deus, que piada ruim!"

Eu fui: o maior festival de cerveja do Reino Unido

12 de agosto de 2012 9

Um dos maiores passatempos londrinos é beber cerveja - como aqui faz frio e anoitece cedo por seis meses o ponto de encontro da galere são os pubs (public houses), uma espécie de clube, ou igreja, já que na Inglaterra ninguém acredita em Deus, graças à deus. E o maior festival britânico de cerveja é o Great British Beer Festival, organizado pela Campaing for Real Ales (CAMRA).

Público padrão: gordinhos polacos ingleses, pouquíssimos turístas, algumas mulheres (tipo 30%) mas nenhum clima de pegação - o lance ali é beber, comer, rir e relaxar.

O local é o Olympia, em Kesington. Um galpão enorme com um mesanino onde ficava a praça de alimentação. Na parte de baixo 800 cervejas diferentes, street food variada e lojinhas de camisetas e chapéus, porque bêbados adoram camisetas engraçadas e chapéus.

O preço pra entrar: 10 libras. Mais o valor de um copo do evento - 3 libras - que você apenas estendia para os atendentes de trás dos 50 estandes e pedia: "Enche o tanque". O preço do copo cheio varia, mas fica em torno de 3 libras. Meio pint, 1,50 libra.

A cerveja inglesa é diferente do chope brasileiro: apesar de ser tirado na pressão e direto do barril, aqui eles não colocam gás carbônico no processo nem gelam o barril como no Brasil, porque a cerveja é tão boa - feita com produtos tão bons e num equilibrio de sabor tão perfeito - que não precisa estar estupidamente gelada pra você conseguir tomar. As Ales geralmente são bem lupuladas (você sente o cheiro e o amargor do lúpulo) e tem em média graduação alcóolica de 4%.

As comidas também são maravilhosas: kebabs, comida de rua tailandesa, hot dogs com salsichas e mostardas fantásticas, hamburguers, carne seca, amendoim, cebola à milanesa, batata frita com queijo e catchup e é claro: as famosas tortas inglesas, uma espécie de empanado gigante recheado de carne ou frango.

Pra animar a turma tinha uma bandinha de senhores tocando instrumentos de sopro, a Denham Hendon Brass Band. O repertório ia de Frank Sinatra à Queen, com momentos apoteóticos como esse filmado abaixo:

Outra distração eram as barracas com jogos: você pagava 2 libras e podia jogar argola, corrida de porquinho, pescaria, arremesso de bola em lata, e todo tipo de brincadeirinha que bêbado adora desafiar os amigos. No primeiro dia de evento três campeões mundiais de dardo (brincadeira clássica dos pubs ingleses) compareceram no evento e competiram entre si. Algumas marcas, como o app Yelp, aproveitou pra fazer uma roleta em que você ganhava brindes de graça.

Enquanto todos os estandes de cerveja viviam lotados, o café que não vendia bebida alcóolica ficava às moscas.

Apesar das cervejas inglesas serem a grande atração, alguns estandes convidados vendiam cervejas belgas e holandesas, e outro vendia apenas cervejas americanas em garrafa. No final do evento as cervejas foram premiadas em diversas categorias, mas eu estava muito bêbado para anotar.

Além de organizar o festival, a CAMRA também defende a causa dos produtores de cerveja. Durante o evento o abaixo-assinado que defende a redução dos impostos na cerveja passou de 80 mil assinaturas. Vários cartazes espalhados pelo evento queimavam o filme de políticos que complicavam a vida dos produtores e explicavam como os fãs de cerveja poderiam ajudar.

Cartaz gigante do George Osborne: "Ele está tirando 1/3 do seu pint em impostos".

Nos cinco dias de evento foram mais de 50 mil pessoas passando pelo Olympia. No último dia, o que eu consegui ir, muitas das cervejas não estavam mais disponíveis - meu objetivo era provar todas as 800 cervejas em menos de 5 horas, recorde não alcançado (agora o foco é Rio 2016).

Mas provei cervejas escuras, claras, douradas, amargas, suaves e foi tudo tão bom e tão agradável que eu não queria ir mais embora. Se tem um jeito que eu imagino o paraíso, é assim.

A maldição de Pelé

11 de agosto de 2012 6

Pelé está em Londres - recebeu uma homenagem ontem em Edimburgo e provavelmente participará da cerimônia de encerramento amanhã no estádio olímpico - e numa tarde de autógrafos numa loja de Carnaby Street deu seu palpite para o jogo Brasil e México: "Eu vim pra buscar a medalha de ouro".

Incrível como persiste a fama de pé frio do mestre.