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A história de Rubens Minelli no futebol catarinense e sua influência em Adilson Batista, do Figueirense

27 de março de 2013 0

Esse é o primeiro, espero, de muitos textos aqui no blog. E para começar eu escolhi falar de um dos principais profissionais do futebol brasileiro que teve seu último capitulo escrito aqui em Santa Catarina e que influenciou muito Adilson Batista, técnico do Figueirense, que sempre que tem a oportunidade cita o nome de Rubens Minelli.

Rubens Minelli, no Avaí em 2003. Foto: Júlio Cavalheiro/Agência RBS

Santa Catarina foi a casa de grandes jogadores que, geralmente, em fim de carreira desfilaram seu futebol por essas terras. Aqui, também foi o local que vários técnicos de ponta do Brasil deram seus primeiros gritos contra a arbitragem. No entanto, em 2002, João Nilson Zunino, no seu primeiro ano na presidência do Avaí, trouxe para a Ilha um dos homens mais importantes do futebol brasileiro: Rubens Minelli.

Minelli é um dos poucos treinadores que podem ser considerados completos. Ele é o primeiro tricampeão brasileiro genuíno vencendo o campeonato em 1975 e 76 com o Internacional e depois em 1977 com o São Paulo. Mesmo com toda a qualidade que tinha para administrar seus times em campo, Minelli chegou no Avaí para ser superintendente de Futebol, ou seja o homem de confiança de Zunino e responsável pelas contratações. Foi no Avaí que Rubens Minelli conheceu Adilson Batista.

Minelli em outubro de 1985 no Grêmio. Foto: Antônio Vargas/Agência RBS

Adilson é um treinador inteligente e que gosta de estudar a história do futebol e sua admiração por Minelli não é segredo. Diversas foram às vezes que o atual técnico do Figueirense falou sobre o trabalho do mestre Minelli e do que aprendeu com ele. Os poucos meses de convívio também serviram para que o tricampeão brasileiro se encantasse com Adilson Batista. Afinal, desde o início da carreira, Adilson sempre demonstrou sua veia criativa na montagem dos times.

- Eu já conhecia o Adilson e admirava ele como jogador e líder. Fomos trabalhar juntos e acredito que fizemos um bom trabalho. Alguns detalhes impediram o Avaí de ganhar o título, mas fizemos o que estava ao nosso alcance na época. Eu assistia todos os treinos e as preleções e trocávamos algumas ideias. A didática de treinamento dele era muito boa e agitada. Desde então eu acompanho ele de longe – contou Minelli por telefone.

O Avaí foi o último clube que Rubens Minelli trabalhou no futebol profissional. Hoje, o ex-treinador vive no bairro Paraíso, zona sul de São Paulo, e tem chácara em Valinhos, interior paulista. Está afastado dos campos, mas não longe do futebol. Minelli admite que é viciado no esporte que Charles Miller trouxe para o Brasil e que assiste quase todos os dias, e sem discriminação de divisão, muitos jogos.

- Eu resolvi parar logo depois de trabalhar no Avaí. Estava cansado. Mas, não sinto falta porque eu nunca larguei o futebol, porque assisto a tudo. Eu acompanho os estaduais, a primeira divisão do Brasil, a segunda, Copa do Brasil, futebol espanhol, inglês, Champions. O futebol faz parte da minha vida não tem como ficar longe – disse.

O que ficou para a história foram as inovações propostas por Minelli ao futebol brasileiro e elas não se limitaram às formas de trabalho, que contavam com fotos e videocassete. Seus métodos de lidar com os atletas e de estudar o esporte também anteciparam uma nova era, que hoje Adilson Batista faz parte.

- O Adilson foi um jogador líder e sempre foi capitão. Quando ele passou para treinador lançou o método dele de trabalho que é muito bom. O Adilson é um treinador que agrada o jogador porque não repete treino. O time entra em campo e ele não perder tempo e tenta sempre usar a bola, para não deixar os atletas entediados. O treinamento tático dele é muito bom. A preleção então, nem se fala. É uma pessoa de caráter, de muita liderança e conhecimento. O Figueirense está no caminho certo com ele, tenho certeza.

Por considerar Adilson Batista inteligente e inovador, Minelli defende as artimanhas do pupilo. É comum você ouvir alguém chamar o treinador do Figueirense de professor Pardal, em referência ao personagem da Disney. Em 2006, na sua primeira passagem pelo Orlando Scarpelli, Adilson chegou a colocar Marquinhos Paraná como zagueiro na escalação, com direito a número quatro na camisa, no entanto em campo Marquinhos fazia a função de meio-campo.

- O treinador deve e pode usar essas artimanhas. Eu era de um tempo em o centromédio usava o número cinco e eu comecei a usar o cinco como volante que apoiava. Me disseram que eu estava inventando, mas eu só mudei os números. Isso era algo apenas para confundir às vezes o time adversário, mas o Adilson tem as suas jogadas, e elas são boas. O futebol independentemente da tática é um duelo individual. O lateral vai jogar contra o ponta. O meio-de-campo contra outro o meio-de-campo e a superioridade técnica vai fazer a diferença – explicou.

Rubens no Maracanã na semifinal do Brasileirão de 1975. Foto: Hipólito Pereira/Agência RBS

O último trabalho no futebol foi em SC

Rubens Minelli chegou no Avaí em 2002 no primeiro ano de Zunino na presidência do Leão. Minelli dizia que não existe futebol profissional sem um centro de treinamento e de bons gramados. A criação de um CT era uma dos principais objetivos de Minelli. Porem a falta de resultados em campo derrubaram o superintendente e assim encerrou a carreira do ex-técnico que decidiu se aposentar aos 75 anos.

Para o lugar de Minelli, o presidente Zunino montou uma nova estrutura de futebol. O suíço Eric Lovey, responsável por levar Ronaldinho Gaúcho para o PSG da França, assumiu como diretor de Futebol. Lúcio Rodrigues ficou no lugar de Rubens Minelli como superintendente. Mesmo assim, Minelli elogiou Zunino por sua dedicação ao Avaí.

- Eu acho que ele (Zunino) foi um grande presidente e teve muitas dificuldades. Na época faltou alguém para ajudar ele, entrava pouco dinheiro e os patrocinadores não pagavam muito. O Zunino fazia de tudo para manter o pagamento em dia. Ele fazia um milagre para manter o time. Hoje eu parei de acompanhar, mas acredito que ele conseguiu mais aliados e ainda conseguiu o acesso em 2008 para a Série A – finalizou.

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