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Posts de março 2013

Pixinguinha e a composição da primeira homenagem à Seleção Brasileira

29 de março de 2013 3

Pixinguinha. Foto: Luiz Carlos Barreto, Divulgação

Toda sexta-feira pretendo falar de música e esporte. Para começar nada melhor do que falar de um dos mestres da música brasileira: Pixinguinha. O rei do choro é o compositor de diversas canções famosas da música popular brasileira, como Carinhoso que depois ganhou letra de João de Barro. Mas, seu envolvimento com o futebol aconteceu em 1919 quando o Brasil ganhou seu primeiro título de expressão.

Foi no dia 29 de maio de 1919 quando Friedenreich virou o primeiro herói do futebol brasileiro. Depois de empatar a final da Copa Sul-Americana por 0 a 0, a partida teve que ser definida na prorrogação. Após 30 minutos extenuantes o placar continuou igual e foi preciso de mais uma prorrogação para definir o campeão. E logo aos três minutos do primeiro tempo, Neco invadiu a área pelo lado direito e quase na linha de fundo cruzou para Heitor, que chutou para o gol. O goleiro uruguaio Saporiti defendeu e no rebote Friedenreich marcou o gol da vitória verde e amarela.

Depois de ver a vitória brasileira no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, Pixinguinha compôs  o clássico choro 1 x 0. Em 1993, a música receberia letra feita pelo mineiro Nelson Ângelo no disco “A vida leva”. Na gravação ele dividiu o vocal com Chico Buarque.

- Fiquei muitos anos com essa ideia na cabeça de escrever uma letra. Fiquei uns 15 anos pensando nisso, mas não queria agir precocemente. Após todo esse tempo, em apenas 20 minutos escrevi toda a letra como se a mim ela estivesse sendo ditada. Depois tomei coragem e pedi permissão para a família e editoras envolvidas com direitos autorais – explicou Nelson Ângelo ao livro “Futebol no país da música”, de Beto Xavier.

Ouça as duas versões de 1 x 0. O primeiro vídeo é de Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba, já o segundo é a versão com a letra de Nelson Ângelo, que até hoje pode ser ouvida nas vinhetas do programa Bate-Bola da ESPN Brasil.

• Pixinguinha e seu conjunto – 1 x 0

• A letra de Nelson Ângelo e cantada por ele e Chico Buarque

O dia que um goleiro derrubou um avião

28 de março de 2013 0

O avião paulistinha derrubado foi um igual ao da foto

No dia 17 de fevereiro de 1959 o goleiro do General Genes, de Assunção no Paraguai, descobriu o poder que tinha nos pés. Era terça-feira e no campo do Genes a equipe da casa enfrentava o Oriental. O público se acomodou na modesta arquibancada, mas um torcedor em especial gostava de ver o jogo por outro ângulo.

O piloto Alfredo Lird Flyer, hincha fanático do Genes, gostava de assistir as partida sobrevoando o campo com seu monomotor Paulistinha CAP-4, avião de fabricação brasileira. O problema é que além de assistir ele dava rasantes próximo ao campo. E foi em desses rasantes que o goleiro Roberto “Chingolo” Trigo, na época com 20 anos, entrou para a história do futebol paraguaio.

O goleiro fez uma defesa e com pressa quis repor a bola com velocidade, o problema é que a bola subiu demais e com demasiada força atingiu a hélice do Paulistinha. O Avião acabou caindo em algumas árvores que amorteceram a queda. Lird teve apenas contusões leves.

- Eu queria bater na bola com efeito, mas peguei ela muito em baixo e ela subiu e bateu entre a parte superior do motor e hélice – disse Roberto Trigo, agora com 73 anos, em entrevista a rádio paraguaia 1080 AM.

Dizem por ai…

Existe uma versão que Roberto Trigo correu para casa no momento que o avião caiu. Em sua residência ele teria se escondido em baixo da cama e só teria reaparecido no domingo. Porém, a versão de Roberto, e a mais confiável, é que ele correu em direção ao monomotor, para ver como estava o piloto. 35 anos depois, 1994, o piloto Alfredo, morreu em Assunção.

Essa história eu li no D10, um site de esporte paraguaio.

A história de Rubens Minelli no futebol catarinense e sua influência em Adilson Batista, do Figueirense

27 de março de 2013 0

Esse é o primeiro, espero, de muitos textos aqui no blog. E para começar eu escolhi falar de um dos principais profissionais do futebol brasileiro que teve seu último capitulo escrito aqui em Santa Catarina e que influenciou muito Adilson Batista, técnico do Figueirense, que sempre que tem a oportunidade cita o nome de Rubens Minelli.

Rubens Minelli, no Avaí em 2003. Foto: Júlio Cavalheiro/Agência RBS

Santa Catarina foi a casa de grandes jogadores que, geralmente, em fim de carreira desfilaram seu futebol por essas terras. Aqui, também foi o local que vários técnicos de ponta do Brasil deram seus primeiros gritos contra a arbitragem. No entanto, em 2002, João Nilson Zunino, no seu primeiro ano na presidência do Avaí, trouxe para a Ilha um dos homens mais importantes do futebol brasileiro: Rubens Minelli.

Minelli é um dos poucos treinadores que podem ser considerados completos. Ele é o primeiro tricampeão brasileiro genuíno vencendo o campeonato em 1975 e 76 com o Internacional e depois em 1977 com o São Paulo. Mesmo com toda a qualidade que tinha para administrar seus times em campo, Minelli chegou no Avaí para ser superintendente de Futebol, ou seja o homem de confiança de Zunino e responsável pelas contratações. Foi no Avaí que Rubens Minelli conheceu Adilson Batista.

Minelli em outubro de 1985 no Grêmio. Foto: Antônio Vargas/Agência RBS

Adilson é um treinador inteligente e que gosta de estudar a história do futebol e sua admiração por Minelli não é segredo. Diversas foram às vezes que o atual técnico do Figueirense falou sobre o trabalho do mestre Minelli e do que aprendeu com ele. Os poucos meses de convívio também serviram para que o tricampeão brasileiro se encantasse com Adilson Batista. Afinal, desde o início da carreira, Adilson sempre demonstrou sua veia criativa na montagem dos times.

- Eu já conhecia o Adilson e admirava ele como jogador e líder. Fomos trabalhar juntos e acredito que fizemos um bom trabalho. Alguns detalhes impediram o Avaí de ganhar o título, mas fizemos o que estava ao nosso alcance na época. Eu assistia todos os treinos e as preleções e trocávamos algumas ideias. A didática de treinamento dele era muito boa e agitada. Desde então eu acompanho ele de longe – contou Minelli por telefone.

O Avaí foi o último clube que Rubens Minelli trabalhou no futebol profissional. Hoje, o ex-treinador vive no bairro Paraíso, zona sul de São Paulo, e tem chácara em Valinhos, interior paulista. Está afastado dos campos, mas não longe do futebol. Minelli admite que é viciado no esporte que Charles Miller trouxe para o Brasil e que assiste quase todos os dias, e sem discriminação de divisão, muitos jogos.

- Eu resolvi parar logo depois de trabalhar no Avaí. Estava cansado. Mas, não sinto falta porque eu nunca larguei o futebol, porque assisto a tudo. Eu acompanho os estaduais, a primeira divisão do Brasil, a segunda, Copa do Brasil, futebol espanhol, inglês, Champions. O futebol faz parte da minha vida não tem como ficar longe – disse.

O que ficou para a história foram as inovações propostas por Minelli ao futebol brasileiro e elas não se limitaram às formas de trabalho, que contavam com fotos e videocassete. Seus métodos de lidar com os atletas e de estudar o esporte também anteciparam uma nova era, que hoje Adilson Batista faz parte.

- O Adilson foi um jogador líder e sempre foi capitão. Quando ele passou para treinador lançou o método dele de trabalho que é muito bom. O Adilson é um treinador que agrada o jogador porque não repete treino. O time entra em campo e ele não perder tempo e tenta sempre usar a bola, para não deixar os atletas entediados. O treinamento tático dele é muito bom. A preleção então, nem se fala. É uma pessoa de caráter, de muita liderança e conhecimento. O Figueirense está no caminho certo com ele, tenho certeza.

Por considerar Adilson Batista inteligente e inovador, Minelli defende as artimanhas do pupilo. É comum você ouvir alguém chamar o treinador do Figueirense de professor Pardal, em referência ao personagem da Disney. Em 2006, na sua primeira passagem pelo Orlando Scarpelli, Adilson chegou a colocar Marquinhos Paraná como zagueiro na escalação, com direito a número quatro na camisa, no entanto em campo Marquinhos fazia a função de meio-campo.

- O treinador deve e pode usar essas artimanhas. Eu era de um tempo em o centromédio usava o número cinco e eu comecei a usar o cinco como volante que apoiava. Me disseram que eu estava inventando, mas eu só mudei os números. Isso era algo apenas para confundir às vezes o time adversário, mas o Adilson tem as suas jogadas, e elas são boas. O futebol independentemente da tática é um duelo individual. O lateral vai jogar contra o ponta. O meio-de-campo contra outro o meio-de-campo e a superioridade técnica vai fazer a diferença – explicou.

Rubens no Maracanã na semifinal do Brasileirão de 1975. Foto: Hipólito Pereira/Agência RBS

O último trabalho no futebol foi em SC

Rubens Minelli chegou no Avaí em 2002 no primeiro ano de Zunino na presidência do Leão. Minelli dizia que não existe futebol profissional sem um centro de treinamento e de bons gramados. A criação de um CT era uma dos principais objetivos de Minelli. Porem a falta de resultados em campo derrubaram o superintendente e assim encerrou a carreira do ex-técnico que decidiu se aposentar aos 75 anos.

Para o lugar de Minelli, o presidente Zunino montou uma nova estrutura de futebol. O suíço Eric Lovey, responsável por levar Ronaldinho Gaúcho para o PSG da França, assumiu como diretor de Futebol. Lúcio Rodrigues ficou no lugar de Rubens Minelli como superintendente. Mesmo assim, Minelli elogiou Zunino por sua dedicação ao Avaí.

- Eu acho que ele (Zunino) foi um grande presidente e teve muitas dificuldades. Na época faltou alguém para ajudar ele, entrava pouco dinheiro e os patrocinadores não pagavam muito. O Zunino fazia de tudo para manter o pagamento em dia. Ele fazia um milagre para manter o time. Hoje eu parei de acompanhar, mas acredito que ele conseguiu mais aliados e ainda conseguiu o acesso em 2008 para a Série A – finalizou.