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Posts de abril 2013

Raúl completa mil jogos como jogador profissional

30 de abril de 2013 0

Foto: Divulgação/Fifa

No último domingo na vitória do Al Sadd por 3 a 1 em cima do Al Rayyan na Copa do Catar o atacante Raúl Gonzalez completou 1000 partidas profissionais. Raúl tem uma forte ligação com o Real Madrid, time que o revelou e onde ele passou 16 temporadas até se transferir para o Schalke 04 em 2010.

Raúl é o maior artilheiro da Liga dos Campeões. Ao total são 71 gols marcados por Real Madrid e Schalke. Durante muito tempo ele foi uma das grandes estrelas da seleção espanhola, em uma época em que a Fúria era conhecida como a seleção do quase, por sempre ter condições de vencer, no entanto nunca conseguir.

Hoje, Raúl está jogando no Catar na equipe do Al Sadd, como quase todo grande jogador em fim de carreira o espanhol foi aumentar o pé de meia. Com 35 anos a aposentadoria está chegando e o jornal espanhol Sport publicou em janeiro que o atacante auxiliar técnico de Guardiola no Bayern de Munique. Bom, vamos esperar para ver.

O 1000 jogos de Raúl

Jogos e gols por times

Real Madrid C: 8 jogos (16 gols)
Real Madrid B: 1 jogo (0 gols)
Real Madrid: 741 jogos (323 gols)
Schalke 04: 98 jogos (40 gols)
Al-Sadd: 30 jogos (11 gols)

Com a Fúria

Sub-18: 2 jogos (4 gols)
Sub-20: 5 jogos (3 gols)
Sub-21: 9 jogos (8 gols)
Seleção olímpica: 4 jogos (2 gols)
Equipa principal: 102 jogos (44 gols)

Total: 1000 jogos (451 gols)

• Bom abaixo um vídeo com 10 gols de Raul na Liga dos Campeões com a camisa do Real Madrid

Etcheverry, o último craque da Bolívia

29 de abril de 2013 1

Etcheverry o craque da camisa 10 da Bolívia. Foto: Reprodução

Copas do Mundo podem fazer reputações, mas também podem destruí-las. Foi assim com Marco Etcheverry que para o mundo é o jogador que saiu do banco de reservas para jogar quatro minutos, chutar o craque adversário e ser expulso. Na verdade, esse boliviano foi um dos grandes jogadores de seu país e foi um dos grandes responsáveis por levar La Verde para o Mundial de 1994, nos Estados Unidos.

Uma lesão no joelho, que o afastou dos campos por seis meses, não permitiu desempenhar o papel central que a Bolívia esperava dele. Aos 33 minutos do segundo tempo da partida de abertura da Copa, na qual La Verde estava perdendo de 1 a 0 para a Alemanha, ele entrou no gramado. Quatro minutos deposi chutou Lothar Matthäus e foi expulso. Nunca mais jogou uma Copa.

Etcheverry ficou marcado por essa péssima imagem na Copa, mas se não fosse por ele a Bolívia não teria jogado o Mundial dos EUA. Ele foi o autor do primeiro gol da vitória dos bolivianos em cima do Brasil no dia 25 de julho de 1993, a primeira derrota canarinho em jogos de eliminatórias. O placar final foi de 2 a 0 para a Bolívia.

- O gol que marquei sobre o Brasil no último minuto foi um dos pontos mais altos de minha carreira. Recordo-me que sofri uma distensão muscular no músculo adutor da coxa com apenas 10 minutos de jogo, mas preferi ficar em campo e isso valeu muito a pena. Se eu saísse, quem iria fazer um gol para a Bolívia? Era capaz que a gente nem mesmo se classificasse para o Mundial. Valeu demais. Essa foi uma das tardes mais felizes em minha vida – disse Etcheverry, muitos anos depois.

Apelidado de El Diablo, o meia habilidoso que vestia a camisa 10 fez sucesso nos Estados Unidos, onde defendeu o D.C United por oito anos. Com a camisa do time estadunidense Marco Etcheverry esteve em campo em 191 partidas, marcando 34 gols e fazendo 101 assistências – marca que até hoje ninguém conseguiu bater.

Etcheverry foi um dos maiores jogadores bolivianos e conseguiu classificar seu time para uma Copa do Mundo depois de 44 anos. La Verde só esteve em três Copas (1930, 50 e 94), e parece que não voltará tão cedo já que nas eliminatórias para a Copa no Brasil a Bolívia está em penúltimo lugar e bem longe da área de classificação.

Hoje o ex-craque boliviano é técnico de futebol e trabalha com categorias de base da seleção da Bolívia e também está na comissão técnica da esquadra principal ao lado do técnico Xabier Azkargorta, que é espanhol.

• Abaixo um vídeo com gols de El Diablo com a camisa da Bolívia

Sexta de música: as homenagens de Manu Chao para Maradona

26 de abril de 2013 3

Maradona e Manu Chao (D) na gravação do clipe. Foto: Divulgação site oficial Manu Chao

Diego Armando Maradona desperta diferentes reações ao redor do mundo. O jogador de futebol é reverenciado em todos os cantos e disputa com Pelé o título de melhor de todos os tempos. Fora de campo Maradona é polemico, por causa de suas declarações e dos problemas com as drogas. Mas, isso é algo que não incomoda muito os argentinos que tem em El Pibe um ídolo máximo, inclusive alguns criaram uma igreja em homenagem ao camisa 10.

Maradona também despertou interesse no músico francês Manu Chao que em 2008 fez uma música em homenagem ao argentino que fez parte da trilha sonora do documentário de Emir Kusturica sobre o craque.

Na letra de La Vida Tombola (que em tradução livre seria A vida é uma loteria) Manu Chao declara que se fosse Maradona viveria como ele. O músico francês é amigo de Don Diego desde 2005 e essa não foi a primeira homenagem ao argentino.

Em 1990, quando Manu Chao ainda estava na banda Mano Negra, o francês compôs Santa Maradona, uma música que fala da relação de divindade que o craque era tratado pela torcida do Napoli.

- Compus primeiro Santa Maradona, em 1990. Em todo bar que você entrasse tinha uma foto da Virgem Maria na parede ao lado de uma foto de Diego. É dai que a ideia veio. Queria escrever algo novo para o filme e estar com ele ajudou muito. Comecei a pensar em como seria estar no lugar dele. É fácil criticar quando você está do lado de fora – declarou Manu Chao em 2008 durante a divulgação do documentário Maradona.

Manu Chao é conhecido pela mistura de sons e ritmos e assim é o Manu Chao torcedor que traz no coração diversas agremiações.

- Eu torço por alguns times. Deportivo La Corunã e Athletic Bilbao, por motivos familiares. Sou um grande torcedor do Olympique de Marselha também. Gosto de qualquer time cujos torcedores gostem de festa. Osasunã, Cadiz, equipes assim.

• Confira abaixo o clipe de La Vida Tombola

• E aqui o vídeo de Santa Maradona, de 1990 com a banda Mano Negra

As polêmicas da origem do futsal

25 de abril de 2013 0

Foto: Lucas Amorelli

Aproveitando o embalo do post de ontem sobre o Chico Lins e a carreira dele no futsal espanhol, hoje escrevo sobre a origem do esporte da bola pesada.

Brasileiros e uruguaios discutem quem foi o primeiro a inventar o futebol de salão. A versão uruguaia da criação do futsal descreve que o sucesso da seleção celeste nas Olímpiadas de Paris, 1924, e Amsterdã, 1928, e da primeira Copa do Mundo, realizada no Uruguai em 1930, fez crescer a vontade das crianças e adolescentes de praticar o esporte.

Por falta de campo e espaços ideais à pratica do futebol muitas pessoas começaram a utilizar quadras de vôlei e basquete como campo para partidas de futebol. Em 1933, tentando organizar este movimento cada vez mais crescente no país, o então professor e secretário do Departamento de Menores da Associação Cristã de Jovens de Montevidéu, Juan Carlos Ceriani Gravies, redigiu as primeiras regras do que foi denominado indoor-football.

Baseado no basquetebol, handebol, pólo aquático e do próprio futebol jogado nos campos, as primeiras regras definiram um jogo com dois períodos de 20 minutos, separados por 10 minutos de descanso. As equipes eram compostas de seis jogadores de cada lado, sendo cinco jogadores de quadra e um goleiro.

Juan Carlos Ceriani Gravies não definiu apenas os números de jogadores e o intervalo de descanso. Segundo Cris Fonseca, em seu livro “Futsal o berço do futebol brasileiro”, os jogos eram realizados em quadras de 26 metros de largura, o jogo logo passou a ser chamado ‘o jogo da bola pesada’, pois, buscando solucionar os problemas ocasionados com as tradicionais bolas de futebol de campo, que saltavam demais e dificultavam o controle dos jogadores no reduzido espaço das quadras, criou-se uma bola confeccionada com crina vegetal, serragem e cortiça granulada, que pesava aproximadamente um quilo.

Expansão do futebol de salão e polêmica

A Associação Cristã de moços, a ACM (Young Men’s Christian Association – YMCA), é apontada como maior responsável pela expansão da modalidade na América do Sul. Segundo Cris Fonseca, teria sido por meio da realização de um curso patrocinado pelo Instituto Técnico da ACM de Montevidéu que as primeiras regras do então indoor-football teriam sido distribuídas. Entre os participantes estariam Asdrúbal Monteiro e Ricardo Lotufo, representantes brasileiros, que, assim como os outros, teriam recebido uma cópia deste primeiro regulamento das mãos do próprio Juan Carlos Ceriani Gravies, o criador das primeiras regras.

Em entrevista para Francisco Carlos Tolussi, autor do livro “Futebol de Salão: tática, regra e história”, o próprio Asdrúbal Monteiro confirmou ter recebido o regulamento das mãos de Juan Carlos Ceriani Gravies, em 1933, sendo assim o primeiro a trazer para o Brasil as regras da modalidade. Esta versão é contestada abrindo espaço para a versão brasileira da história.

Os defensores da criação brasileira afirmam que a modalidade teria sido iniciada no Brasil, na ACM de São Paulo, onde, de maneira semelhante à apresentada na corrente uruguaia, muitos jovens que encontravam dificuldades para achar campos livres de futebol começaram a praticá-lo nas quadras vazias de basquetebol e em outros espaços reduzidos, desencadeando o surgimento das tradicionais “peladas”. Depois se desenvolveram para o nascimento do futsal organizado que se conhece hoje.

O primeiro nome a ser mencionado com destaque no histórico da origem brasileira é o de Habib Maphuz, um jovem militante da ACM de São Paulo que, nos anos 1950, juntamente com um grupo de entusiastas, elaborou na entidade paulista um regulamento com normas para a prática do futebol jogado em quadras, denominado futebol de salão. Fundador da primeira liga de futebol de salão, a Liga de Futebol de Salão da Associação Cristã de Moços, Habib Maphuz, ao longo da história, se tornaria também o primeiro presidente da Federação Paulista de Futebol de Salão.

Outro brasileiro que aparece nos registros como importante peça para a regulamentação do futebol de salão no Brasil foi Luiz Gonzaga de Oliveira Fernandes, autor do primeiro Livro de Regras do Futebol de Salão, a ser editado no mundo. Segundo Cris Fonseca o grande passo para a difusão do futebol de salão teria sido dado em 1950 com a publicação de um livreto que fixava, pela primeira vez, as normas da modalidade. A partir desse fato, deu-se início às organizações administrativas e suas consequentes oficializações, surgindo, então, as primeiras federações estaduais de futebol de salão do Brasil.

* Com informações dos livros Futsal, o berço do futebol brasileiro, de Cris Fonseca e Futebol de Salão: tática, regra e história de Francisco Carlos Tolussi.

Memória SC: Chico Lins e uma carreira de sucesso no futsal da Espanha

24 de abril de 2013 7

Chico Lins comemora gol pelo Caja Toledo. Foto: Arquivo Pessoal

Chico Lins é conhecido por muitos pelo seu trabalho no futebol, como gerente de Futebol do Figueirense, e no vôlei em dois projetos de sucesso nos times da Unisul e da Cimed. Porém, o que muitos não sabem, ou não lembram, é que Francisco Eduardo Luz Lins é um dos pioneiros do Brasil a jogar futsal na Espanha.

Até hoje Chico é considerado um dos grandes atletas que passaram pelas quadras espanholas. Em nove anos de Espanha o beque defendeu quatro equipes, foi campeão nacional e construiu uma história de sucesso na Europa.

Tudo começou no colégio Catarinense em Florianópolis. Foi com o Colegial que Chico deu os primeiros chutes.

- O padre Roger, que era do colégio, viu o Chico jogando em algumas partidas de futebol de salão. E falou para mim: “Moreira tem um menino bom de bola”. E eu fui ver o Chico com 10 anos. E realmente achei que ele tinha potencial e levei para as minhas categorias de base – relembra o primeiro técnico de Chico, Valci Moreira.

Equipe do Colegial campeão catarinense em 1983. Foto: Arquivo Pessoal

O sonho de Chico Lins sempre foi ser jogador de futebol, porém no Catarinense em 1974 não existia equipe de futebol de campo, por isso sem opções o garoto aceitou jogar no salão.

- Eu fui estudar no Catarinense, mas não tinha uma equipe de futebol de campo. Um dia eu jogava uma partida com o pessoal da minha sala e o Moreira me convidou e por falta de opção eu fui e assim começou a desenhar a minha carreira – conta Chico.

No fim da adolescência, Chico tentou ser jogador de futebol e chegou a treinar nas categorias de base do Flamengo em 1979 no infantil e em 1981 no juvenil. Na temporada de 1984 ele jogou pelo Avaí durante 10 meses, mas desistiu da carreira no futebol e voltou para o futsal.

- Sempre foi um desejo meu ser jogador de futebol e quando a gente foi morar no Rio de Janeiro eu joguei na categoria de base do Flamengo, que era o meu time de coração. Depois eles queriam me dispensar e me disseram que dariam uma carta de recomendação para jogar no América, mas eu não queria. O que eu queria era jogar pelo Flamengo – recorda.

O tempo de jogador no Avaí foi a convite de Valci Moreira, que estava trabalhando na base do Leão, mas após divergências com o treinador do time azurra Chico decidiu se concentrar no que realmente era extraordinário: o futsal.

O primeiro time profissional de Chico Lins foi a Tigre, de Joinville, em 1988, equipe treinada por Fernando Ferretti, um dos maiores treinadores de toda a história do Brasil. Em 89, com o fim da equipe de Joinville Chico foi convidado por Ferretti para ir para a Perdigão. E foi na equipe de Videira, no meio-oeste de Santa Catarina, que o beque chamou a atenção dos espanhóis do Mitsubishi Ceuta.

- Eu o Fabinho fomos para o Ceuta. Mas, eu tive uma lesão no tornozelo e coloquei gesso. Não dava mais para jogar e como o contrato era curto acertei com os caras e voltei para o Brasil, mas nesse tempo já tinha alguns contatos para voltar e logo que cheguei ao Brasil, em junho, acertei meu retorno para a Espanha para jogar no Caja Toledo – explicou Chico.

Time da Perdigão em 1989. Foto: Arquivo Pessoal

Assim, o catarinense de Itajaí foi morar em definitivo na Espanha, mas não foi sozinho. O Caja Toledo pediu para Chico indicar um outro atleta brasileiro para jogar na equipe e ele recomendou o jovem Marcos Sorato, o Pipoca, seu amigo de tempos de Tigre.

- O time vinha da segunda divisão e pediram para contratar um jogador jovem. Eu levei o Pipoca. Ele era um cara de confiança meu e tinha características que eu gostava em um jogador, ele encaixava no meu jogo – conta.

Chico, o técnico brasileiro Zego e Pipoca no Caja Toledo. Foto: Arquivo Pessoal

A dupla fez história na Espanha e até hoje são lembrados como a melhor dupla de estrangeiros do futsal espanhol.

- Temos o nome marcado pelo profissionalismo e pela forma de jogo. Mostramos para eles que tínhamos que ser competitivos no treino – recorda Marcos Sorato, o Pipoca.

Em 1968, a família de Chico se muda para o Rio de Janeiro. Lá, o catarinense se encanta com o Flamengo. No entanto seu pai Eduardo Lins, conhecido como Pimpa, sempre torceu para o Vasco. Por isso, o pai tem tanto orgulho de ter visto o filho em seus últimos anos de carreira vestir o manto cruzmaltino.

Em 1999, após voltar da Espanha e de estar seis meses parado Chico Lins recebe o convite de Fernando Ferretti para jogar no Vasco. Chico volta às quadras e ajuda a equipe carioca a ser campeã estadual e realiza o sonho de Pimpa de ver o filho com a camisa do Vasco.

- Isso é um enfeite na minha casa. Mas sei que o coração dele é rubro-negro – disse Pimpa com o retrato de Chico com a camisa do Vasco na mão.

Depois de atuar no Vasco, o catarinense volta a jogar em sua terra natal defendendo a Unisul, onde era dirigente e jogador. No dia 13 de fevereiro de 2001 em partida amistosa entre a Unisul e o Vasco no ginásio Carlos Alberto Campos, no bairro Estreito em Florianópolis, Chico Lins se despediu da carreira profissional.

Faltou vestir a camisa da Seleção Brasileira

Em 1989, Chico Lins foi convocado para o Sul-Americano de Futebol de Salão. Essa foi a última convocação do catarinense. Até o mundial de 2000, na Guatemala, a Confederação Brasileira de Futebol de Salão não permitia que jogadores que atuassem fora do país estivessem na seleção.

Na época em que foi convocado, Chico jogava na Perdigão, mas ele não teve sorte, uma contusão no adutor fez ele ficar de fora da seleção e dois meses parado.

Pimpa e Chico na praia de Ipanema no Rio de Janeiro em 1969. Foto: Arquivo Pessoal

– Foi uma tristeza. Ainda mais porque a forma como me machuquei foi muito boba, em um aquecimento em um dia de muito frio em Videira, e aí eu perdi a oportunidade na seleção. Em dezembro recebi um convite para ir para a Espanha junto com o Fabinho. Porém, recebemos também uma certa ameaça da confederação brasileira, dizendo, se vocês forem, não serão mais convocados para a seleção – lembra Chico.

Para ele, era difícil resistir ao salário oferecido pela Europa e para ficar no Brasil sem a possibilidade de jogar uma Olimpíada. Como isso nunca aconteceu, Chico não voltou para disputar um campeonato brasileiro em sua melhor fase. Somente em 1999, com 35 anos, ele retornou ao Brasil para jogar no Vasco.

– Naquele tempo realmente jogador que atuava fora do Brasil não era convocado para a seleção. Eu acho que era opção da Confederação não querer o Chico jogando na seleção, como também dos outros brasileiros que estavam no exterior – analisa Valci Moreira, primeiro técnico do Chico no Colegial.

Marcos Sorato, o Pipoca, que foi técnico da seleção e campeão mundial em 2012, jogou com Chico Lins durante seis temporadas. Eles moraram juntos na Espanha, e foi Chico que o levou para o time Caja Toledo. Para ele, faltou no currículo vitorioso da dupla jogar pelo Brasil.

– Na nossa carreira faltou jogar em uma seleção, mas ao mesmo tempo tenho consciência de que hoje, eu que fui treinador da seleção, em algum momento a gente seria convocado se tivéssemos jogado no Brasil. Mas, o Brasil foi soberbo e não convocava jogadores de fora do país. Perdemos o Mundial de 2000, na Guatemala, para aí sim convocarmos jogadores de fora. Porque muito jogadores que defenderam a Espanha poderiam defender a seleção. Mas, fica a certeza que a gente poderia ter participado da seleção em algum momento – ressalta Pipoca.

Ídolo na Espanha

Durante oito anos na Espanha, Chico Lins foi campeão da Copa da Espanha e da Liga. Ele atuou em quatro equipes: três jogos pelo Mitsubishi Ceuta, em 1990; depois, cinco temporadas no Caja Toledo; duas, no El Pozo Murcia, e uma no Interviú de Madrid.

Neste tempo de Espanha, Chico, além de ajudar na evolução do futsal, tornou-se ídolo do esporte no país ibérico. Um exemplo disso é o depoimento de Juan Hernández Sanchez, torcedor do El Pozo Murcia:

– Para mim foi uma honra e um orgulho conhecer e poder ver um de meus ídolos, não só como um jogador, mas como um amigo. Ele sempre estava com um sorriso na cara. Fez uma grande dupla com Marcos Sorato, o Pipoca – disse o torcedor em entrevista pelo Facebook.

Orgulho para Pimpa, Chico com a camisa do Vasco. Foto: Arquivo Pessoal

No El Pozo Murcia Chico Lins fez dupla com Paulo Maravilla, um dos grandes brasileiros no futsal espanhol e que se naturalizou e foi campeão Mundial com a Espanha em 2000, na Guatemala. Porém, nas duas temporadas em que jogaram juntos o time de Murcia não conquistou títulos, mesmo assim Chico ainda é lembrado como um jogador de qualidade.

– Chico na Espanha foi muito importante. Ele foi um dos jogadores brasileiros com mais influência em nosso jogo, era um líder nato e um grande jogador. Todos aprenderam muitíssimo com seu futsal. Fisicamente era muito forte, tecnicamente muito bom, um grande passador e taticamente muito inteligente – analisou Juan.

Ainda hoje existem torcedores que lamentam não terem visto Chico Lins com as cores da Espanha.

– Gostaria de ter visto ele jogar pela Espanha, infelizmente não aconteceu – disse Juan.

• Para saber mais sobre a vida de Chico Lins você pode assistir o webdocumentário que eu fiz sobre em 2011 com imagens de gols dele na Espanha, Vasco e Unisul.

Um dos maiores gols da história de San Marino, o país que venceu apenas um jogo

23 de abril de 2013 0

Gualtieri comemora seu gol rápido conta a Inglaterra. Foto: Reprodução

Stuart Pearce queria recuar a bola pra o goleiro David Seaman, mas no meio do caminho estava Davide Gualtieri que interceptou a bola chutando ela para o gol e abrindo o placar no Estádio Renato Dall’Ara, em Bolonha na Itália. Foi assim que San Marino saiu na frente da Inglaterra no dia 17 de novembro de 1993. Há quase 20 anos uma das seleções mais tradicionais da história não conseguiu se classificar para a Copa do Mundo dos Estados Unidos, em uma noite que bateu seu adversário por 7 a 1.

Davide Gualtieri é considerado um dos heróis do esporte em San Marino. O país com pouco mais de 30 mil habitantes tem uma das piores seleções do mundo e naquela oportunidade o meio-campo de 22 anos, estudante de engenharia de computação marcou um gol que entrou para a história de seu país e do futebol.

A campanha da Inglaterra nas eliminatórias era terrível. A Noruega já tinha garantido seu passaporte e a última vaga estava em disputa entre os súditos da rainha e a Holanda. Para garantir a vaga na Copa os ingleses precisavam vencer San Marino por uma diferença de sete gols e torcedor para os holandeses perderem para a Polônia, que já estava desclassificada.

A missão era espinhosa, mesmo assim tudo foi por água abaixo em exatos oitos segundos e três milésimos quando o capitão e zagueiro inglês Stuart Pearce resolveu recuar a bola para o goleiro Seaman e não percebeu que Davide Gualtieri estava próximo, o meia de San Marino só teve que correr e chutar a bola para o gol. Até hoje esse é o gol mais rápido já marcado em uma competição com a chancela da Fifa.

Precisando da vitória os ingleses foram para cima e venceram a partida por 7 a 1. Faltou um gol para fazer o saldo necessário para se classificar para a Copa do Mundo de 1994, porém de nada adiantava mais um tento já que a Holanda venceu a Polônia por 3 a 1, de virada. Mesmo assim esse gol ficou marcado para a imprensa inglesa como o gol do “fim do Mundo” (Copa do Mundo).

- Foi meu primeiro jogo como titular da seleção e estava empolgado. Foi então que os meus companheiros começaram a trocar passes e eu abri pela direita. Quando Stuart Pearce recebeu a bola continuei correndo. Eu deveria ter parado, mas algo me disse para seguir. O passe para trás foi muito fraco e eu pude roubar a bola e bater o Seaman – lembra Gualtieri em entrevista a revista inglesa Four Four Two.

O autor do gol que tirou a esperança dos ingleses de classificar para a Copa do Mundo ficou famosa na Escócia. Por causa da grande rivalidade entre ingleses e escoceses Davide Gualtieri é reconhecido na Escócia como um herói.

- É muito frequente que fãs venham a minha loja de eletrônicos pedir autógrafos. Algumas vezes uma foto do jogo, outras uma camisa – conta o “famoso” jogador que hoje tem uma loja de computação em San Marino.

Talvez você se pergunte por que Davide Gualtieri teve seus 15 minutos de fama com um gol contra a Inglaterra, em que seu país foi goleado por 7 a 1, e que no fim das contas não influenciou diretamente para a desclassificação inglesa. Mas, para você ter uma noção San Marino só venceu uma partida até hoje na sua historia desde que se filiou a Fifa em 1990. Foi em 2004 quando bateu Lichtenstein por 2 a 1. Ao total foram 119 partidas com uma vitória, cinco empates e 113 derrotas. Sendo 19 gols marcados e 496 gols sofridos.

No vídeo abaixo o segundo gol do vídeo é o marcado por Davide Gualtieri.

O prodígio inglês que desistiu do futebol, a história de Sonny Pike

22 de abril de 2013 0

Sonny Pike era uma grande promessa que pela pressão da mídia e empresários desistiu do futebol

Em um tempo que o Youtube não existia Sonny Pike virou um astro nacional. Todos na Inglaterra conheciam o garoto de 11 anos com longos cabelos cacheados. Em 1995, o menino era a grande promessa do futebol inglês e mesmo sendo jovem foi contratado pelo Ajax.

O time holandês na época era o grande time da Europa e tinha vencido a Liga dos Campeões com uma equipe recheada de jovens promessas como Patrick Kluivert, Edgar Davids, os irmãos De Boers e Clarence Seedorf. Por isso, Sonny Pike tinha chegada em um dos melhores lugares para se começar uma carreira no futebol. Porém, como muitos outros candidatos a estrela o pequeno Pike desapareceu dos holofotes na mesma velocidade que apareceu.

Na época o craque norte-irlandês George Best viu no menino um futuro brilhante onde Sonny Pike comandava a seleção inglesa.

- Em 14 anos, espero com confiança que Sonny Pike seja convocado para a seleção inglesa. Algumas crianças perdem o rumo, mas ele tem habilidade, força e uma postura incrível. Mal posso esperar para ver o que vai acontecer com ele – declarou o ídolo do Manchester United que faleceu no dia 25 de novembro de 2005 sem ter visto um único jogo profissional de Pike.

Mickey, o pai de Sonny, era quem comandava a carreira do filho. Uma de suas missões era transformar o filho em um astro mundial. Algo que causou seu divórcio com a mãe do garoto, Stephanie, que preferia que o filho fosse uma criança normal.

- A pressão da mídia e dos empresários era demais e desperdicei tudo. Parei de ir aos treinamentos e tal, porque não aguentava mais. Olhando para trás é incrível como eu estava triste. O Ajax me esqueceu completamente, não queriam saber, mas quando melhorei, eles fingiram que sempre estiveram lá para mim. Percebi como era superficial – declarou Sonny Pike em uma das poucas entrevistas que concedeu após abandonar a carreira no esporte.

Em 2003, Pike desistiu de ter uma carreira profissional no futebol, influenciado pelas conversas com psicólogos durante sua adolescência o então prodígio inglês decidiu estudar psicologia na Universidade de Dundee e reencontrou no futebol amador a paixão pelo esporte.

- Encontrei o que eu queria e gosto de jogar só pela diversão – admitiu Luke Pike, que abandou o apelido Sonny que usava na infância.

Figueirense foi campeão da Copinha em 25 de janeiro de 2008, ao derrotar o Rio Branco na final. Foto: Flávio Neves

Outras formas de sair do futebol

No início do ano fiz uma série de matérias que mostrou o destino do time do Figueirense campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Nenhum desses atletas tinha a pressão que Sonny Pike teve de ser o próximo astro do futebol de seu país, no entanto eles eram a grande aposta do clube para o futuro.

Daquele grupo apenas Jackson e Talhetti continuam no clube. Alguns desses atletas até abandonaram o futebol profissional e no fim das contas o lucro ara o Alvinegro foi zero. Cuidar de atletas da base é mais complicado que parece.

Confira abaixo a lista com as matérias da série Geração Perdida.

O destino do time do Figueirense campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2008
Promessa do Figueirense em 2008, Júlio César teve que trocar o futebol por emprego burocrático
Técnico campeão pelo Figueirense em 2008 na Copa SP: “A diretoria nunca se preocupou com esse tipo de competição”
Jogadores campeões da Copa São Paulo de 2008 pelo Figueirense relembram o título
Cartolas e jogadores falam sobre a equipe do Figueirense que venceu a Copa São Paulo de 2008
Goleiro campeão pelo Figueirense na Copinha em 2008 tem sonho de voltar ao clube
Zagueiro campeão pelo Figueirense na Copinha em 2008 sofre grave lesão e luta para voltar a jogar
Campeão da Copinha em 2008, Jackson é destaque no Figueirense de 2013
Maior promessa do time campeão da Copinha, Maicon Talhetti busca recomeço no Figueirense
Franklin, campeão da Copinha pelo Figueirense, está na Eslovênia e não pensa em voltar

Sexta de música: canção de Carmen Miranda em homenagem a Leônidas da Silva

19 de abril de 2013 0

Leônidas da Silva é reconhecido como o primeiro craque brasileiro a alcançar fama e reconhecimento com o futebol. Criador do gol de bicicleta o apelido desse carioca era Diamante Negro e sua fama foi tão grande a fábrica de alimentos Lacta criou um chocolate em sua homenagem com o nome de Diamante Negro, pagando na época dois contos de reis.

Artilheiro da Copa do Mundo de 1938, quando o Brasil ficou em terceiro, Leônidas foi homenageado com uma música de Nelson Pertesen que foi interpretada por Carmen Miranda. A canção começa com uma narração de gol do Leônidas feita por Ary Barroso que logo após tocar sua inconfundível gaita dá espaço para a voz marcante de Carmen Miranda.

E todos têm seu valor (deixa falar!)
Este samba tem Flamengo
Tem São Paulo e São Cristóvão
Tem pimenta e vatapá
(Fluminense e Botafogo já têm seu lugar)
E todos têm seu valor (deixa falar!)
Este samba tem Flamengo
Tem São Paulo e São Cristóvão
Tem pimenta e vatapá
(Fluminense e Botafogo já têm seu lugar)

Você pensava que o “Diamante” fôsse jóia
de mentira para tapear
Você pensava que o “Caboclinho” fôsse negro
de senzala para se comprar
Só porque viu que ele tem um pé que deixou
o mundo inteiro em revolução
Quando ele bota aquele pé em movimento,
chuta tudo para dentro e não tem sopa não

A música mostra a fama que o atacante tinha conquistado e como o esporte com menos de 50 anos no país já tinha se transformado em uma febre. Na canção Carmen Miranda fala dos times cariocas e se observa a importância em 1938 do São Cristovam. Outro detalhe é que não se sabe se o São Paulo citado na música é o Tricolor paulista ou se é uma citação ao futebol do estado de São Paulo. Mesmo assim, a coincidência é enorme já que depois de deixar o Flamengo o Diamante Negro foi contratado pelo São Paulo por uma alta quantia, a maior transição do futebol brasileiro até então.

No Tricolor paulista Leônidas foi pentacampeão estadual e entrou para o hall da fama do clube.

Confira agora um vídeo com a música de Nelson Pertesen e interpretação de Carmen Miranda

Homenagens no esporte americano após as explosões em Boston

18 de abril de 2013 0

Na segunda-feira bombas explodiram na chegada da Maratona de Boston, nos Estados Unidos, matando até agora três pessoas e ferindo mais de cem. Nos dias seguintes o esporte americano começou a homenagear seus irmãos de Boston feridos por esse atentado.

• Você pode saber mais sobre o atentado em Boston aqui

Diversas foram as homenagens, mas a mais marcante aconteceu na noite de terça-feira quando o New York Yankees, o maior rival do Boston Red Sox, tocou a músico Sweet Caroline, que é uma espécie de hino para o Red Sox.

Após a homenagem o autor da música Neil Diamond escreveu no twitter:

- Obrigado NY Yankees por tocar Sweet Caroline para o povo de Boston. Vocês marcaram um home run nome meu coração. Com respeito. Neil.

Sweet Caroline começou a ser tocada no Fenway Park, o estádio do Boston Red Sox, em 1997, porém apenas em 2002 virou “obrigação” tocar a música em todas. Veja abaixo o vídeo com os torcedores cantando Sweet Caroline:

Em Cleveland, outra homenagem bacana. Os Indians receberam o Boston Red Sox e antes da partida foi tocada a música “Sweet Caroline”. No banco de reservas um recado escrito a mão:

Homenagem de Cleveland. Foto: Jason Miller/AFP

- De nossa cidade para sua cidade: nossos corações e preces vão para você Boston. Com amor, Cleveland – dizia o recado ao lado de uma camisa do Red Sox com as palavras “Boston forte”.

Outra homenagem bacana foi do jornal Chicago Tribune. Na capa do seu caderno de esporte o Tribune estampou uma manchete dando apoio aos compatriotas e ressaltando que, neste momento, Chicago também torce para os times de Boston. Na capa foram citados os times de Boston de diversos esportes: New England Patriots (futebol americano), Boston Celtis (basquete), Boston Bruins (hóquei), Boston Red Soxs (beisebol) e New England Revolution (futebol).

Confira a capa do Chicago Tribune

Memória SC: Zilton o craque do Paula Ramos, campeão catarinense em 1959

17 de abril de 2013 6

Zilton com a faixa de campeão catarinense de 1959. Foto: André Podiacki

Zilton sempre foi um senhor simpático, com sorriso no rosto me desejava bom tarde enquanto eu passava em frente ao portão de sua casa com minha bicicleta em direção à mercearia da Dona Hilma, no final da rua onde moro até hoje. Eu tinha pouco mais de dez anos e por pura simpatia já adorava aquele vizinho boa-praça.

Mas, a minha admiração por ele só foi aumentar anos depois quando sentado na frente da minha casa conversando com meu pai vi Zilton passar ao lado de sua esposa Dirney e desejar bom dia para nós. Foi naquele dia que descobrir, através de meu pai, que aquele senhor de poucos cabelos tinha sido um grande jogador de futebol. Campeão catarinense em 1959 com um time histórico do Paula Ramos.

Zilton vive tranquilamente no bairro Estreito, onde nasceu e foi criado. Junto com outros amigos criou o time amador Oswaldo Cruz, que era o nome da rua onde morava. Foi no campo dessa equipe amadora, onde hoje é o Colégio Aderbal Ramos da Silva, que aquele centromédio esguio começou a jogar futebol.
Seu primeiro time profissional foi o Paula Ramos. A equipe de Florianópolis, que hoje tem apenas sua sede social na

Avenida Madre Benvenuta, no bairro Trindade, na época era um dos grandes times do Estado. E em 1959 formou um time de qualidade que ao derrotar o Carlos Renaux por 2 a 0, no dia 24 de abril de 1960, tirou a Capital de uma fila que já durava 14 anos. A última vez que um time de Floripa havia levantado o troféu do Catarinense tinha sido o Avaí em 1945.

— O Paula Ramos sempre será o meu time. Aquela equipe de 1959 era ótima, ficou guardada. Tínhamos um ótimo grupo de muita técnica. E olha que do outro lado tinha o Teixeirinha, que era o melhor jogador do Estado — lembra Zilton.

A camisa do título de 1959. Foto: André Podiacki

Foi no time rubro-negro que Zilton fortaleceu laços de amizade com Nelinho, segundo ele o seu maior companheiro dentro e fora de campo no futebol. Assim como Valério Matos, o craque do Paula Ramos.

— O Valério sempre foi um líder era ele que negociava o nosso bicho. Lembro que eu adorava quando o estádio lotava, porque ai o bicho era bem gordo — recorda Zilton com um largo sorriso.

O dinheiro nunca foi problema para o jogador Zilton. Os tempos eram outros e os salários não podem ser comparados com os de hoje, porém o centromédio conta que sempre foi um dos melhores pagos nos times que passou e que não teve dificuldades para viver do esporte. Mesmo assim trabalhou no Besc, já que à época era natural ter outro emprego para conseguir completar a renda.

Dirney e Zilton. Foto: André Podiacki

— Eu sempre fui um dos atletas mais bem pagos do elenco. Eu sempre negociava bem o meu contrato e não passava mais de um ano em um mesmo clube — conta o manezinho que passou por Carlos Renaux, Comerciário, Marcílio Dias, Figueirense, Avaí, entre outros clubes.

O sonho de Zilton sempre foi jogar no Botafogo, e apesar de ter tido alguns convites para jogar em outros clubes no Brasil nunca saiu de Santa Catarina, pois queria ficar próximo da família. Além disso, sua sogra tinha uma grande resistência sobre sua profissão.

— A minha sogra não queria que eu casasse com a Dirney, ela falava que todo jogador de futebol era vagabundo (risos). Mas depois eu a conquistei.

Momento popstar

Foi em Criciúma que Zilton viveu seu momento popstar. A cena descrita por Zilton e sua esposa Dirney é tumulto que só vê hoje em grandes contratações como foi a de Seedorf pelo Botafogo.

Depois de ser campeão pelo Paula Ramos, Zilton e Nelinho foram procurados pelo diretor do Comerciário, de Criciúma, Paulino Búrigo para ir jogar no time do Sul do Estado.

— O Lauro Búrigo (que era o técnico do time) veio a Florianópolis para levar eu e o Nelinho para o Comerciário, em Criciúma. Ele veio de Cadillac junto com o Paulino Búrigo, que era o diretor técnico do time. Quando chegamos em Criciúma a praça estava cheia, lotada. Foi uma grande festa — recorda.

Em Criciúma uma grande festa pela contratação de dois astros do futebol catarinense foi organizada. Os torcedores lotaram a praça da cidade, com direito a fogos de artifício.

— Eu lembro que começaram a estourar fogos de artifício e depois que acabaram os fogos algumas pessoas tiraram suas armar e davam tiros para o alto. O nosso hotel estava lotado de jornalistas e que quando me viram falaram: “Olha a esposa do Zilton”. E começaram a tirar várias fotos — conta Dirney.

Medalha que todos os jogadores da Seleção Catarinense ganharam pela campanha de 1959. Foto: André Podiacki

Glória catarinense

A vitória com o Paula Ramos é um dos momentos mais especiais da vida futebolística de Zilton, mas não é a única. Em 1960, o centromédio fazia parte da Seleção Catarinense que ficou conhecida como a Escrete de Ouro. O carinho apelido veio depois das vitórias em cima do Paraná e Rio Grande do Sul. Mesmo sendo eliminado no Campeonato Brasileiro de Seleções por Minas Gerais na rodada seguinte a seleção catarinense foi naquele ano a campeã do Sul.

A grande festa aconteceu depois da classificação em Porto Alegre. Santa Catarina havia sido eliminada oito vezes do campeonato de seleções pelo Paraná e quatro pelo Rio Grande do Sul. Porém, no campeonato de 1959 (que foi disputado até 60) a história seria diferente. Depois de passar pelo Paraná a Seleção Catarinense bateu os gaúchos no Adolfo Konder por 4 a 2. No Olímpico o goleiro Gainete defendeu tudo e Teixeirinha marcou os dois gols da vitória Barriga Verde.

— Para mim o Teixeirinha foi o melhor jogador catarinense que eu vi jogar. Ela era muito bom. Aquela sequência de vitória da Seleção Catarinense foi marcante. Quando voltamos fomos recebidos na Praça XV com uma grande festa. Isso ficou marcado — recorda Zilton.

• Abaixo tem um vídeo sobre os 50 anos do título catarinense de 1959. O vídeo tem aproximadamente nove minutos e foi feito pela agência Em Voga a pedido do Paulo Ramos. Nele Zilton e Valério Matos contam a história desse título.