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O dia que Di Stefano foi sequestrado na Venezuela

07 de maio de 2013 0

Di Stefano foi sequestrado em 1963 na Venezuela. Foto: Arquivo

Di Stefano dormia no quarto 219 do Hotel Potomac em Caracas, na Venezuela, quando às 6h toca o telefone. O zagueiro Santamaria, companheiro de quarto de Di Stefano, não acorda e é o craque argentino quem atende.

- Senhor há uma pessoa no hall que deseja lhe ver – informa o rapaz da portaria.

Sonolento o ídolo do Real Madrid responde que não quer falar com ninguém e desliga o telefone. Um minuto depois, a campainha do quarto toca. Di Stefano abre a porta e dois policias lhe dizem para o acompanharem à delegacia para falar sobre um caso de droga. O atacante nem tem tempo de avisar os dirigentes do clube. Ao entrar no carro estacionado na porta do hotel os dois “policias” rapidamente colocam uma venda no craque. Começava assim no dia 24 de agosto de 1963 o sequestro de Alfredo Di Stefano.

O craque argentino que conquistou Madri foi vitima de um sequestro na Venezuela. O Real Madrid participava do Mundialito em Caracas junto com o Porto, de Portugal, e o São Paulo quando seu principal jogador foi utilizado como ferramenta de propaganda da Força Armada da Libertação Nacional venezuelana (FALN). De 24 a 36 de agosto Di Stefano não foi só um dos melhore jogadores de futebol do mundo, mas também o mais procurado. Há 48 anos o ídolo madrileno teve um dos maiores sustos de sua vida e que durou 56 horas.

Liderados pelo jovem Paul del Rio, de apenas 19 anos, a FALN queria alertar o mundo para o regime ditatorial de Pérez Jiménez na Venezuela. Por isso a ideia de sequestrar o jogador mais famosos do Mundialito de 1963. A intensão da organização não era pedir resgaste, mas sim fazer propaganda da FALN.

Com o objetivo alcançado, já que o sequestro de Di Stefano virou manchete mundial, a FALN libertou o argentino em frente a embaixada espanhola com uma condição bem clara para o jogador: não desvendar o rostos dos sequestradores.

Pintura Rojo sobre Negro, de Paul del Rio. Foto: Reprodução

O sequestrador artista

Paul del Rio, o líder do sequestro de Di Stefano, anos depois virou um dos escultores e pintores mais famosos da Venezuela. 42 anos depois do incidente sequestrador e vitima ficaram frente a frente novamente quando o clube espanhol lançou seu filme “Real, The Movie”.

- Não precisei pedir desculpas porque o tratamos muito bem. No filme você pode ver parte de uma carta que ele mandou agradecendo pela hospitalidade que tivemos com ele – contou Paul del Rio em 2005 quando o filme foi lançado.

O Mundialito

Em 1952 durante a ditadura de Pérez Jiménez foi criado o Mundialito de clubes jogado anualmente no Estádio Olímpico em Caracas. Em 1963, o ditador convidou Real Madrid, Porto e São Paulo. O favorito foi o Real Madrid de Di Stéfano e que ficou com o título.

• Assista a uma reportagem sobre o sequestro de Di Stefano

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