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Brasil não aprendeu com os erros do Pan 2007, mas dessa vez o povo saiu às ruas para protestar

19 de junho de 2013 2

Protesto em frente ao Mané Garrincha, em Brasília. Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP

O Brasil está nas ruas, protestando. O que começou com reivindicações contra as tarifas do transporte público se transformou em um movimento em que todos buscam um espaço para alertar, e reclamar contra o que acredita estar errado.

Em todo o país é possível vários tipos de cartazes nas manifestações – alguns muito bem humorados -, e é comum ver protestos contra os gastos com a Copa do Mundo. O mundo está de olho no Brasil, afinal somos sede não só do maior torneio de futebol mundial como também da Olímpiada, no Rio de Janeiro em 2016.

Muitos são os motivos para protestar. Em 2005 três instalações do Complexo do Maracanã foram reformadas visando aos Jogos Pan-americanos de 2007. Além do estádio, o ginásio do Maracanãzinho e o Parque Aquático Julio Delamare. O custo total da obra foi de R$ 304 milhões. Na ocasião a promessa era que com essa reforma o Maracanã já estaria pronto para a Copa do Mundo de 2014, o que só aconteceu com a reforma que custou mais R$ 951 milhões e praticamente reconstruiu o estádio. O ginásio do Maracanãzinho virou uma arena de primeiro mundo, mas ainda assim terá que sofrer intervenções para a Olimpíada de 2016. E o a pior parte é que o Parque Aquático Julio Delamare vai ser derrubado.

Foto: Tasso Marcelo/AFP

Pouco aprendemos com os erros dos jogos Pan-americanos. Segundo o relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) foram encontrados vários indícios de irregularidades entre eles: subcontratação irregular, excesso de alterações contratuais, deficiência na fiscalização do contrato, atos de gestão antieconômicos e, principalmente, indícios de superfaturamento. Na época o ministro do TCU Marcos Vinicios Vilaça declarou:

- A imagem da série de problemas sofridos nesta área (custo e planejamento) deve permanecer como lição para futuros eventos de igual natureza, a exemplo da Copa do Mundo de 2014 ou, quem sabe, a Olimpíada de 2016.

A mensagem ficou, mas a lição não foi aprendida. Assim o velódromo do Rio de Janeiro, que custou R$ 14 milhões no Pan Rio 2007, será destruído. O motivo seria que o velódromo não se adequa as normas da Federação Internacional de Ciclismo. Uma nova instalação, com as especificações corretas será erguida em outro ponto do Parque Olímpico e deve custar R$ 147 milhões.

O governo promete que o velódromo não está sendo destruído por completo já que partes da pista está sendo enviado para Goiânia (GO) pelo Ministério do Esporte, em tese está sendo reciclado.

Eles não conhecem o Brasil

Em nenhum momento o futebol entrou na discussão, porque o que se discute não é o esporte e sim o que se fez em nome de megaeventos. O presidente da Fifa, Joseph Blatter, afirmou ao jornal Estado de São Paulo que a onda de protestos em várias cidades brasileiras está se beneficiando da Copa das Confederações. Segundo o dirigente, os manifestantes estão utilizando a competição como uma espécie de plataforma. Ainda segundo o cartola o futebol é mais forte que a insatisfação das pessoas. Blatter não conhece o Brasil e os brasileiros, as manifestações vão continuar e tenho certeza que a fiscalização com as obras da Olimpíada terão muito mais olhos do que as obras da Copa do Mundo tiveram.

Comentários (2)

  • Gean diz: 19 de junho de 2013

    Fazia muito tempo que eu não tinha tanto orgulho de ser brasileiro.
    Estamos acordando.
    Espero que nossos políticos entendar o recado que está vindo das ruas.
    Pois daqui para frente as insatisfação com os governantes será tratado nas ruas.
    Parabéns aos que se mobilizaram para que nossa realidade mude.
    Vamos mostrar para FIFA que se a Dilma não teve pulso para não ceder as exigencias o povo tem e irá mostrar nas ruas.
    Abraço

    Gean

  • Nadya Polli diz: 19 de junho de 2013

    Meu querido André, não é surpresa pra mim o teu crescimento , cada vez maior, como jornalista. Parabéns.
    Quanto as manifestações, embora tenham eclodido , como reivindicação contra a tarifas do transporte público e, trazido as ruas tantas outras insatisfações, na minha visão tudo converge para uma necessidade urgente e, que será a solução para todo o resto, ou seja, precisamos enterrar a secular Senhora chamada corrupção, punindo exemplarmente todos os que a praticam, a começar pelos legisladores e executivos.
    Estou feliz e muito orgulhosa da juventude do meu País , que acordou do coma e saiu as ruas pra lutar contra a velha senhora corrupção , sem bandeira de partido político mas, para construir um Brasil mais justo para todos os brasileiros.

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