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Posts de setembro 2013

Carlos Renaux chega aos 100 anos mirando o futuro

16 de setembro de 2013 2
Foto: André Podiacki

Foto: André Podiacki

A memória do público precisa ser exercitada, o Carlos Renaux voltou a ser pauta porque foi o primeiro time catarinense há completar 100 anos, comemorados no último sábado. Longe do futebol profissional há muito tempo o Vovô não pode ser esquecido. O que faz um time importante é sua torcida e a equipe de Brusque volta a caminhar no cenário estadual de olho em novos adeptos.

Celebrar o passado é importante, mas agora que o Carlos Renaux finalmente completou 100 anos a pergunta que fica no ar é: qual será o futuro do clube? Se depender dos antigos torcedores, do presidente da Federação Catarinense de Futebol (FCF) e dos ex-jogadores do Vovô o próximo passo é voltar ao futebol profissional.

— Nós da Federação estamos inclusive fazendo um trabalho de ajuda ao Carlos Renaux para que ele volte no ano que vem ao futebol profissional. Aos 100 anos não é hora de ficar parado, é hora de voltar ao campo. Está tudo encaminhado para que o clube retorne na próxima temporada a Divisão de Acesso (terceira divisão estadual) — explicou o presidente da FCF, Delfim Pádua Peixoto Filho.

Delfim quer o Vovô na terceirona de 2014.Foto: André Podiacki

Delfim quer o Vovô na terceirona de 2014.Foto: André Podiacki

O desejo é de todos, mas o presidente do clube, Juca Loos, mantém os dois pés bem cravados no chão. Ele acredita em um trabalho mais em longo prazo e com mais investimentos na base do Carlos Renaux, mesmo assim garante que a decisão não é sua já que está no fim de seu mandato.

— A vontade é muito grande, mas no futebol temos que cuidar um pouquinho das decisões feitas com o coração, para não poder voltar aos problemas de antigamente: que é gastar mais do que tem. Realmente a terceira divisão é bem fácil e não há maiores problemas, mas o meu mandato termina no final do ano e é o presidente novo que terá que decidir — garantiu Juca que se diz satisfeito com seu trabalho.

O valor da tradição

As arquibancadas estavam pintadas em branco, azul e vermelho, as cores do Vovô. O Estádio Augusto Bauer estava preparado para a homenagem aos 100 anos do Carlos Renaux, o clube mais antigo de Santa Catarina.

A torcida, carente e com saudade, compareceu para assistir a partida entre o Carlos Renaux — representado pela Seleção Catarinense Sub-20 —, e a Seleção Brasileira Sub-20. A derrota para a equipe comandada pelo técnico Alexandre Gallo, ex-Avaí e Figueira, por 2 a 1 nem incomodou os antigos torcedores do Vovô, que voltaram a assistir o seu time de coração. No estádio, também, muitas crianças que já aprenderam o valor de uma tradição.

— Não vai ser fácil para eles (diretoria) montaram uma equipe, porque tem o Brusque que está no profissional também e o trabalho vai ser grande, o importante é começar com uma boa base, temos que cativar as crianças. Criar nelas o desejo de torcer pelo Carlos Renaux — analisou Airton Santos, de 64 anos, torcedor antigo do Vovô.

As vozes do Augusto Bauer

Valdir Appel comentando a partida pelo Canal X, de Brusque. Foto: André Podiacki

Valdir Appel comentando a partida pelo Canal X, de Brusque. Foto: André Podiacki

Por uma categoria de base: Na arquibancada do Estádio Augusto Bauer o ex-goleiro do Vasco, Valdir Appel não passa despercebido. Um dos catarinenses mais famosos no futebol o ex-jogador não poderia ficar de fora da festa do centenário do Vovô. Mesmo muito identificado com o Paysandu, rival do Carlos Renaux, Appel foi atleta do clube tricolor. Isso em 1963 quando assumiu a meta do Vovô por um breve momento, emprestado pelo Paysandu.

Com enorme carinho pelo Carlos Renaux, para Valdir Appel o ideal no momento é focar nas categorias de base.

— O Carlos Renaux e o Paysandu tem que focar nas categorias de base. Um trabalho forte para revelar bons jogadores. Mas se o clube quiser voltar ao futebol profissional agora terá todo o meu apoio — explicou Appel que comentou a partida para a emissora de tevê a cabo de Brusque Canal X.

Airton Santos, torcedor do Vovô. Foto: André Podiacki

Airton Santos, torcedor do Vovô. Foto: André Podiacki

Pela volta da charanga: Em cima de um caminhão uma charanga animava as partidas do Carlos Renaux nos meados da década de 1970. Época distante, mas guarda com carinho na memória do torcedor Airton Santos, 64 anos. Com as mãos nas grades do alambrado o torcedor lembra do time em que o estádio era animado não só pelo time, mas também por uma pequena banda.

— Era muito bom, as famílias se reuniam no estádio — lembra Airton que sonha em ver a charanga voltar ao Augusto Bauer junto com seu time de coração.

Ex-atletas do Clube Atlético Carlos Renaux. Foto: André Podiacki

Ex-atletas do Clube Atlético Carlos Renaux. Foto: André Podiacki

Por um muito obrigado: Um time sem ídolos, sem jogadores não pode ser considerado grande. Pois o Carlos Renaux soube agradecer muito bem aqueles que vestiram a camisa do Vovô nesses 100 anos. Durante o último ano várias homenagens, e no último sábado alguns desses ídolos estiveram no gramado do Augusto Bauer, não para jogar mas para mais uma vez serem homenageados.

— Fico feliz por ter sido lembrado — disse agradecido o ex-goleiro Delon.

Na foto da esquerda para a direita: Adalto, Bob, Messias, Egon Luiz, Dilon, Ricardo Hoffman, Agenor, Poli. Agachados: Aione, Nei, Zo, Moura, Niltinho, Badinho, Silvio e o massagista Nilo Cervi.

A Seleção venceu o jogo por 2 a 1. Foto: André Podiacki

A Seleção venceu o jogo por 2 a 1. Foto: André Podiacki

O jogo

Pouco entrosadas as duas equipes não proporcionaram um show, mas o jogo foi disputado e com bonitos lances. Aos 19 minutos confusão na área, a bola sobra para Yuri Mamute que chuta de primeira o goleiro Vitor defende e no rebote o zagueiro Wallace abre o placar para a Seleção. Depois de uma parada técnica, para hidratação dos jogadores, o Carlos Renaux voltou melhor e aos 42 minutos empatou com Anderson, de cabeça.

Na segunda etapa, muitas mudanças nas duas equipes. O goleiro Jean, do time catarinense, trabalhou bastante, mas aos 22 minutos foi impossível defender o chute de Leonardo Mello, que marcou um golaço da entrada da área. O jogo terminou com a vitória da Seleção Brasileira por 2 a 1, mas a torcida nem se importou, afinal o Vovô está de voltando aos poucos ao futebol catarinense.

Primeiro clube catarinense a completar 100 anos, Carlos Renaux enfrenta a Seleção Sub-21 neste sábado

14 de setembro de 2013 0
A Seleção treinou no Augusto Bauer ontem. Foto: Patrick Rodrigues

A Seleção treinou no Augusto Bauer ontem. Foto: Patrick Rodrigues

Hoje, às 15 horas, o Estádio Augusto Bauer, em Brusque, recebe um duelo de seleções. De um lado, a Brasileira Sub-21. Do outro, a catarinense Sub-20. O motivo do enfrentamento é dos mais nobres – celebrar o centenário do Carlos Renaux, conhecido como Vovô de Santa Catarina, o clube mais antigo do Estado.

A equipe brasileira, comandada pelo técnico Alexandre Gallo, vem de conquistas no Torneio de Toulon, na França, e na Valais Youth Cup, disputada na Suíça. A convocação inclui alguns jogadores que já têm bagagem no futebol profissional, como o meio-campista Matheus Biteco, Grêmio, o lateral Lucas Farias e o atacante Ademilson, do São Paulo, e o meia Vinícius Araújo, do Cruzeiro.

O combinado catarinense, dirigido pelo treinador Fernando Gil, inclui atletas das cinco principais equipes do Estado – Figueirense, Avaí, Joinville, Criciúma e Chapecoense. Figueira e Coelho lideram o número de convocados, com seis cada. O Leão vem logo em seguida, com cinco. Tigre e Verdão têm dois e um atletas na equipe, respectivamente.

A Seleção de Santa Catarina fez apenas um treino para a partida de hoje. Embora o jogo seja um amistoso, Gil promete uma equipe combativa dentro de campo:

– Teremos apenas um treino para montar a equipe. Mas, mesmo se tratando de uma partida festiva, vamos nos esforçar para representar bem o nosso Estado – afirmou o técnico, que treinou o profissional do Figueirense em 2012 e atualmente comanda a equipe júnior do Joinville.

Os ingressos para o Jogo do Centenário estão à venda. Os preços das entradas variam de R$ 40 (geral) a R$ 160 (cadeira).

Fundação
Arthur Olinger trabalhava em um curtume em Novo Hamburgo (RS). Guilherme Diegoli construía vagões em Paranaguá (PR). Os amigos decidiram voltar a Brusque. Em sua bagagem, Olinger trouxe uma bola de futebol, a mesma utilizada no jogo entre o Caça e o Tiro Araújo Brusque, disputado no dia 14 de setembro de 1913. Após a partida, houve uma reunião, que resultou na fundação do Sport Club Brusquense – que em 1944 foi rebatizado de Clube Atlético Carlos Renaux.

Estádio
A casa do Carlos Renaux foi inaugurada em 7 de junho de 1931. O estádio foi o primeiro do Estado a ter iluminação e alambrado, inaugurados na década de 1950.

Auge
Os anos 50 marcaram o auge do clube. Em 1950, o Carlos Renaux conquistou seu primeiro Estadual. Três anos depois, a façanha foi repetida de forma invicta. Em 1954, conseguiu uma vitória que para muitos é a maior conquista do futebol de SC. O clube foi a Porto Alegre representar Santa Catarina em um jogo contra a seleção do Rio Grande do Sul. A imprensa local esperava uma partida tranquila, mas os anfitriões sofreram um revés por 2 a 1. Também foi nesta década que Teixeirinha, maior jogador do Estado, vestiu azul, vermelho e branco.

Fim do profissional
Em 1984, uma enchente atingiu a cidade de Brusque e danificou as instalações do Carlos Renaux, que teve de encerrar temporariamente suas atividades. No ano seguinte, o time voltou nas categorias de base

Breve retorno
Em 2004 e 2005, o time disputou a divisão especial do Estadual, mas se licenciou a partir do ano seguinte.

Hoje
Atualmente, o Carlos Renaux não possui equipes profissionais, mas aproveitou o centenário para reativar sua categoria de base.

Arthur Badalotti, primeiro presidente campeão com a Chapecoense, comemora boa fase do time: "O nosso melhor jogador é o Bruno Rangel"

11 de setembro de 2013 1
Passado e presente: Arthur Badalotti, presidente em 1977, e Sandro Pallaoro atual presidente da Chapecoense. Foto: Sirli Freitas, BD, 29/04/2011

Passado e presente: Arthur Badalotti, presidente em 1977, e Sandro Pallaoro atual presidente da Chapecoense. Foto: Sirli Freitas, BD, 29/04/2011

A Chapecoense perdeu para o Oeste, na terça-feira, por 1 a 0. O Verdão do Oeste foi até Itápolis (SP) desfalcado de Athos, Paulinho Dias e Fabinho Alves, todos suspensos. Mesmo com a derrota a Chape continua em segundo lugar e com uma vantagem de 10 pontos para o terceiro colocado. Campanha que deixa orgulhosa toda Chapecó e em especial Arthur Salvador Badalotti. Esse torcedor de 83 anos tem uma relação muito especial com a Chapecoense.

Arthur Badalotti foi o primeiro presidente campeão pelo Verdão com o título Estadual em 1977. Sempre próximo do clube até hoje ele sofre com o time nas arquibancadas da Arena Condá, mas atualmente ele tem tido apenas alegrias.

— Eu fui presidente, mas antes disso eu trabalhei muito pelo clube. Eu fico contente em saber que a Chapecoense está em um bom momento e que tem gente muito boa trabalhando no clube — disse o ex-presidente por telefone.

Como qualquer outro torcedor fanático, Arthur Badalotti também tem seus ídolos. O vovô da Chape adora o goleiro Nivaldo, mas para ele atualmente o grande craque do time é o centroavante Bruno Rangel, artilheiro da Série B com 19 gols.

— O nosso melhor jogador é o Bruno Rangel, ele faz gols de tudo que é tipo. É um rapaz muito gente boa.

Arthur Badalotti também é um admirador do trabalho de Sandro Pallaoro, atual presidente da Chapecoense.

— Ele é muito trabalhador e honesto, como todos que estão nessa diretoria. Ele é muito parecido comigo quando presidia o clube com tudo certinho e pagando as contas corretamente — comparou o ex-presidente.

Na próxima semana será lançada a licitação para ampliação da Arena Condá. Como informou o prefeito de Chapecó, José Cláudio Caramori, em entrevista ao Diário Catarinense o projeto de ampliação será finalizado até sexta-feira pela Secretaria de Desenvolvimento do município. De acordo com o prefeito, a Ala Leste terá capacidade para pelo menos dez mil lugares, encostará nas alas Sul e Norte, ficará mais próxima o campo num formato de tobogã. Com isso a capacidade da Arena vai passar para 20 mil lugares.

— Eu não sei como eles vão fazer para tocar o time até lá (terminar a reforma), tem que ter muito dinheiro. Mas eles têm dinheiro para tocar. E tudo tem que ser bem feito para dar certo.

Nascido e criado em Erechim (RS), Arthur Badalotti chegou a Chapecó com apenas 20 anos e se apaixonou pelo Oeste catarinense. E que glória seria para ele ver o time que ajudou a profissionalizar chegar a uma Série A:

— É um sonho para quem viveu o que eu vivi por esse clube — finalizou.

Carlos Renaux, o Vovô do futebol catarinense, recebe comenda ao Mérito Esportivo

11 de setembro de 2013 0
Foto: Eduardo Loos, Divulgação

Foto: Eduardo Loos, Divulgação

O Carlos Renaux continua recebendo homenagens pelo seu centenário, que será comemorado no próximo sábado 14 de setembro. Na noite desta terça-feira o Vovô do futebol catarinense recebeu na Câmara de Vereadores de Brusque, a Comenda ao Mérito Esportivo.

O presidente Jose Carlos Loos recebeu em nome do clube. Estiveram presentes também os ex-atletas do Carlos Renaux: Antonio Abelardo Bado e José Germano Schaefer “Pilolo”. A comenda foi proposição do Presidente da casa, vereador Guilherme Marchewsky e aprovada por unanimidade por todos os vereadores.

No sábado a grande festa em um jogo especial entre a seleção catarinense, que vestirá a camisa do Carlos Renaux, e a Seleção Brasileira Sub-20. A partida será no Estádio Augusto Bauer, às 15h. Confira aqui os pontos de venda do ingressos.

Câmara aprova limites de mandato e reeleição de dirigentes esportivos

10 de setembro de 2013 0

Foi aprovados pelos deputados federais nesta terça-feira uma medida provisória que limita em no máximo quatro anos o mandato de dirigentes de entidades esportivas. Além disso será permitido apenas uma única reeleição. O texto também exige regras mais claras de transparência e gestão das entidades esportivas no Brasil. A proposta segue agora para votação do Senado.

A emenda também estipula que os gestores de associações esportivas disponibilizem informações sobre contratos, patrocinadores, direitos de imagem e propriedade intelectual. Outra imposição para que as entidades recebam recursos da União é que seus estatutos prevejam, por exemplo, regras de gestão democrática, transparência pública na movimentação de recursos e alternância nos cargos de direção. O texto também impõe a participação de atletas nos processos de eleição para cargos diretivos das organizações esportivas.

Se isso acontecer diversas federações terão que mudar em breve. A Federação Catarinense de Futebol, por exemplo, tem como presidente Delfim Pádua Peixoto Filho desde 1985 está no comando da FCF.

Catarinense Igor Amorelli fica em 16º no IronMan 70.3 de Las Vegas

09 de setembro de 2013 2
Amorelli na prova de ciclismo. Foto: Cristiano Andujar, Divulgação

Amorelli na prova de ciclismo. Foto: Cristiano Andujar, Divulgação

O catarinense Igor Amorelli ficou em 16º no IronMan 70.3 Las Vegas. O morador de Balneário Camboriú percorreu 1,9 quilômetros de natação, 90,1 de ciclismo e 21,1 de corrida em 4h04min. Segundo Amorelli o mau início na largada atrapalhou toda a prova:

- Foi uma prova bem difícil a minha natação não foi muito boa. A minha largada não foi boa e encaixei no meio do bloco e fiquei ali. No começo da bike tive que fazer bastante força para alcançar o grupo da frente eles e me cansei um pouco – disse Amorelli em entrevista ao site MundoTri.com.

Agora Igor Amorelli volta para casa para continuar sua preparação para a próxima prova. O resultado em Vegas pode não ter sido o melhor para o catarinense, que na prova de Brasília ficou com a segunda colocação, quase ficando com o primeiro lugar na reta final enquanto o francês Jérémy Jurkiewicz comemorava antes de ultrapassar a linha de chegada, como você pode ver no vídeo abaixo.

Eduardo Galeano completa 73 anos hoje, confira algumas entrevistas com o escritor uruguaio

03 de setembro de 2013 0

Foto: Nauro Júnior/Agência RBS, BD 11/08/2010

Hoje, 3 de setembro, um mito do jornalismo mundial, Eduardo Galeano, completa 73 anos. Uruguaio, Galeano tem uma conexão especial com o futebol. Além de admirador ele é responsável por grandes textos sobre o esporte e é apaixonado pelos brasileiros e suas jogadas fora do comum. No livro Futebol ao Sol e à Sobra, o escritor faz algumas homenagens a Garricha, Pelé entre outros.

Na infância ele queria ser jogador, mas perna de pau só pode extravasar seu carinho pelo esporte pelas palavras. O futebol é um hobby para Galeano que tem como obra mais famosa o livro reportagem As Veias Abertas da América Latina, que conta as mazelas, as desigualdades sociais que temos na América Latina, e que infelizmente continuam atuais.

Torcedor do Nacional, do Uruguai, Galeano gosta mais do esporte do que do time de coração como ele conta no texto de abertura de Futebol ao Sol e à Sobra:

“Como todos os meninos uruguaios, eu também quis ser jogador de futebol. Jogava muito bem, era uma maravilha, mas só de noite, enquanto dormia: de dia era o pior perna de pau que já passou pelos campos do meu país. Como torcedor, também deixava muito a desejar. Juan Alberto Schiaffino e Júlio César Abbadie jogavam no Peñarol, o time inimigo. Como bom torcedor do Nacional, eu fazia o possível para odiá-los. Mas Pepe Schiaffino, com suas jogadas magistrais, armava o jogo do seu time como se estivesse lá na torre mais alta do estádio, vendo o campo inteiro, e Pardo Abbadie deslizava a bola sobre a linha branca da lateral e corria com botas de sete léguas, gingando, sem tocar na bola nem nos rivais: eu não tinha saída a não ser admirá-los. Chegava até a sentir vontade de aplaudi-los. Os anos se passaram, e com o tempo acabei assumindo minha identidade: não passo de um mendigo do bom futebol. Ando pelo mundo de chapéu na mão, e nos estádios suplico:

— Uma linda jogada, pelo amor de Deus! E quando acontece o bom futebol, agradeço o milagre — sem me importar com o clube ou o país que o oferece.”

Abaixo um vídeo com uma entrevista com Eduardo Galeano para o Sangue Latino, feita por Eric Nepomuceno para o Canal Brasil. Nepomuceno é tradutor das obras de Galeano publicadas pela L&PM Editores.

Outro vídeo interessante é a entrevista de Galeano para Alberto Dines para o Observatório da Imprensa durante a Copa do Mundo de 2010.

Baixe o novo estatuto do Figueirense

03 de setembro de 2013 1
O presidente Wilfredo Brillinger esteve presente na assembleia geral no Scarpelli. Foto: Cristiano Estrela

O presidente Wilfredo Brillinger esteve presente na assembleia geral no Scarpelli. Foto: Cristiano Estrela

O novo estatuto do Figueirense foi aprovado na noite de ontem em assembleia geral no Memorial do Estádio Orlando Scarpelli. 64 sócios estiveram presentes e tomaram a decisão de fazer o clube mais democrático.

A principal novidade é que a partir de 9 de dezembro de 2014 – data da próxima eleição alvinegra –, quase quatro mil sócios contribuintes poderão participar da escolha do Conselho Deliberativo, votando nas chapas que definirão o presidente e o restante da diretoria.

Foram feitas mudanças importantes e algumas foram até polêmicas como a decisão de manter em oito anos o tempo necessário de contribuição de um sócio contribuinte para participar da eleição do Figueirense.

Mas, você pode tirar suas dúvidas lendo o estatuto. Basta clicar aqui e baixar, imprimir e, principalmente, guardar. Ele começa a funcionar em sua totalidade a partir do próximo mandato.

As diversidades entre israelenses e palestinos no futebol amador de Israel

02 de setembro de 2013 0
Foto: Gad Salner, Divulgação

Foto: Gad Salner, Divulgação

No meio de um tumulto contínuo que não parece perto de uma solução pode ser tentador pensar que Israel é uma nação tão envolvida por um conflito cultural que cada interação entre israelenses e palestinos é coberta por uma tensão que impede qualquer tipo de compreensão mútua. Porém, enquanto a rigidez política e estresse cultural dominam as manchetes há um lugar onde as duas populações não só podem deixar de lado suas diferenças, mas também celebrar a diversidade de suas culturas: o campo de futebol.

O fotógrafo israelense Gad Salner, inspirado nas divisões inferiores da Inglaterra, explorou a diversidade judaica e palestina de Israel no futebol amador em um projeto único, chamado : “Kaduregel-Shefel”.

“Kaduregel-Shefel” (traduzido como “futebol periférico”) começou há alguns anos atrás, quando Gad e seu amigo, Vadim Tarasov, iniciaram uma jornada para procurar os lugares onde a paixão pelo verdadeiro futebol ainda existe, seja em aldeias árabes do norte, ou os bairros judeus no sul de Israel. A ideia é fotografar partidas amadoras com um olhar cultural.

- Nós não começamos isso como um projeto. Tudo começou num dia em que nos cansamos dos jogos de futebol “regulares” que estamos habituados a assistir. Nós sempre invejamos a cultura das divisões inferiores inglesas e por isso eu disse: “Vamos experimentá-lo aqui, em Israel” – explicou Gad ao blog Stand Against Modern Football.

Foto: Gad Salner, Divulgação

Fotos: Gad Salner, Divulgação

Gad começou a viagem na quarta divisão, na aldeia árabe de Umm El Fahem. E foi nesta aldeia que ele e Vadim foram parados por um policial que pediu a identidade deles para verificar se não eram extremistas de direita a procura de problema. E eles não foram os únicos naquele dia que perguntaram o que eles estavam fazendo lá.

- Essa vila é conhecida por ser um pouco hostil, por isso tivemos dúvidas. Mas depois de algum tempo entendemos que este tipo de experiência é o que estávamos procurando. Pessoas das arquibancadas começaram a conversar com a gente, pensando que o meu amigo é um jogador e eu seu agente e assim por diante – contou o fotógrafo.

Tudo isso é apenas a ponta do iceberg quando se trata de cobrir as rivalidades cotidianas e lutas que foram postas de lado apenas para jogar futebol em Israel, e aproveitando a diversidade cultural que este país tem para oferecer.

- Parece engraçado para as pessoas de fora de Israel, mas judeus e árabes em Israel estão se entendendo muito bem. As pessoas ficam maravilhadas com o fato de que nós jogamos nas mesmas ligas, nas mesmas equipes, e quando ouvem que um time árabe ganhou a taça nacional eles não acreditam em mim. Eu sei que é um clichê, e eu nunca quis usá-lo, mas o futebol é uma grande ponte entre as pessoas – finalizou Gad.

O trabalho, que consiste em dezenas de fotos de diferentes tamanhos, quase tipo mosaico, coloca mais ênfase nas paisagens humanas, urbana e cultural da nossa sociedade dividida e diversificada. Gad quer que o futuro deste projeto vá também para grande tela e por isso ele prepara um documentário.

Veja o trailer: