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Posts na categoria "Memória SC"

Memória SC: O campeonato estadual paralelo que só tinha times do interior

20 de janeiro de 2014 2
Foto: Reprodução Almanaque do Futebol Catarinense

Time do Caxias, campeão de 1935 da ACD. Foto: Reprodução Almanaque do Futebol Catarinense

A Federação Catarinense de Futebol completa 90 anos em 2014. Organizadora do esporte no estado desde 1924, a federação comandada por Delfim Pádua Peixoto Filho não foi a única união entorno do futebol em Santa Catarina.

Em agosto de 1935 os clubes de Joinville formaram a Associação Catarinense de Desportos (ACD) e realizaram o seu próprio Estadual com América, Caxias, Cruzeiro, Grêmio, Glória e São Luiz. Isso porque o interior não estava satisfeito com a Federação Catarinense de Desportos (FCD hoje FCF).

As principais reclamações eram que as equipes da Capital eram beneficiadas nas competições estaduais. Disputando entre si os títulos ou sendo ajudadas pela arbitragem. A indignação já era grande antes de 1934, mas após o título homologado do Atlético Catarinense – em um campeonato sem os times de Joinville –, as equipes do interior se organizaram e criaram a ACD.

A Federação Catarinense de Desportos tinha acabado de se recuperar financeiramente de uma grave crise que fez o Estadual de 1933 ser cancelado e no ano que volta a ativa perdia os times do interior.

A nova liga confirmou sua legitimidade junto a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e representou Santa Catarina no Brasileiro de seleções, o que não mudou a rotina de derrotas do estado.

Em 1935, o primeiro campeão da ACD foi o Caxias, que no ano seguinte levou mais um caneco. No último ano da disputa do interior o título ficou com o Ypiranga (de São Francisco do Sul). Em 1938, interior e capital se entendem e o Estadual volta a ter equipes de toda SC. No entendo os títulos da ACD não foram reconhecidos pela FCD.

*Com informação do Almanaque do Futebol Catarinense, de Emerson Gasperin e Zé Dassilva

Histórias do Jasc: a inserção do futsal em 1961

06 de novembro de 2013 2
Com a Elase, Chico Lins foi descoberto no Jasc de 1987. Foto: Arquivo pessoal

Com a Elase, Chico Lins foi descoberto no Jasc de 1987. Foto: Arquivo pessoal

A 53ª edição do dos Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc) começa no próximo dia 20 de novembro em Blumenau. Antes de começar, vou escrever alguns post com histórias do maior evento esportivo do Estado. O primeiro é sobre a inserção do futsal nos jogos.

Em 1961, nos II Jogos Aberto de Santa Catarina, em Florianópolis, o comitê organizador do evento decidiu incluir o futebol de salão como uma das novas modalidades dos jogos. A intenção da cúpula de organização da Capital era ganhar mais uma medalha, já que somente Joinville e Lages tinham times competitivos, e o recente esporte era mais forte na Capital.

O plano deu certo, e Florianópolis foi campeã na modalidade, Joinville ficou com a prata e Lages com o bronze. Apesar de o esporte ser novo no Estado, a Federação Catarinense foi criada em 1957, o futebol de salão ganhou rapidamente adeptos.

O Jasc é responsável por revelar grandes atletas catarinenses, entre eles o tenista Gustavo Kuerten, a jogadora de vôlei Ana Moser e o nadador Fernando Scherer. Foi lá também que Chico Lins foi descoberto pelo técnico Fernando Ferretti, na época comandando o time de Joinville, a S.E.R Tigre.

– Meu primeiro Jasc foi 1984. Em 1987 eu joguei pela Elase, que representava Florianópolis, e o Ferretti me viu e me convidou para jogar na Tigre – lembra Chico.

Não foi só Chico Lins que foi observado e convidado por Ferretti naquele ano. Jogando pela equipe de Criciúma, anfitriã do evento, Marcos Sorato, o Pipoca, também foi contratado para jogar na Tigre.

– Em 1988 participei em Joaçaba e fui campeão jogando por Joinville. Ginásio sempre lotado no futsal. O futebol de salão dentro do Jasc é um dos mais fortes, e foi lá que eu fui descoberto – explica Sorato, técnico campeão mundial pela seleção brasileira de futsal em 2012.

Chico Lins jogou oito anos na Espanha, mas depois que voltou para o país, ele também retornou ao Jasc. A última participação como jogador foi em 1999, pela equipe da Unisul, que representava São José. Anos depois, como dirigente do vôlei, participou de mais dez edições com as equipes da Unisul e Cimed.

Carlos Renaux chega aos 100 anos mirando o futuro

16 de setembro de 2013 2
Foto: André Podiacki

Foto: André Podiacki

A memória do público precisa ser exercitada, o Carlos Renaux voltou a ser pauta porque foi o primeiro time catarinense há completar 100 anos, comemorados no último sábado. Longe do futebol profissional há muito tempo o Vovô não pode ser esquecido. O que faz um time importante é sua torcida e a equipe de Brusque volta a caminhar no cenário estadual de olho em novos adeptos.

Celebrar o passado é importante, mas agora que o Carlos Renaux finalmente completou 100 anos a pergunta que fica no ar é: qual será o futuro do clube? Se depender dos antigos torcedores, do presidente da Federação Catarinense de Futebol (FCF) e dos ex-jogadores do Vovô o próximo passo é voltar ao futebol profissional.

— Nós da Federação estamos inclusive fazendo um trabalho de ajuda ao Carlos Renaux para que ele volte no ano que vem ao futebol profissional. Aos 100 anos não é hora de ficar parado, é hora de voltar ao campo. Está tudo encaminhado para que o clube retorne na próxima temporada a Divisão de Acesso (terceira divisão estadual) — explicou o presidente da FCF, Delfim Pádua Peixoto Filho.

Delfim quer o Vovô na terceirona de 2014.Foto: André Podiacki

Delfim quer o Vovô na terceirona de 2014.Foto: André Podiacki

O desejo é de todos, mas o presidente do clube, Juca Loos, mantém os dois pés bem cravados no chão. Ele acredita em um trabalho mais em longo prazo e com mais investimentos na base do Carlos Renaux, mesmo assim garante que a decisão não é sua já que está no fim de seu mandato.

— A vontade é muito grande, mas no futebol temos que cuidar um pouquinho das decisões feitas com o coração, para não poder voltar aos problemas de antigamente: que é gastar mais do que tem. Realmente a terceira divisão é bem fácil e não há maiores problemas, mas o meu mandato termina no final do ano e é o presidente novo que terá que decidir — garantiu Juca que se diz satisfeito com seu trabalho.

O valor da tradição

As arquibancadas estavam pintadas em branco, azul e vermelho, as cores do Vovô. O Estádio Augusto Bauer estava preparado para a homenagem aos 100 anos do Carlos Renaux, o clube mais antigo de Santa Catarina.

A torcida, carente e com saudade, compareceu para assistir a partida entre o Carlos Renaux — representado pela Seleção Catarinense Sub-20 —, e a Seleção Brasileira Sub-20. A derrota para a equipe comandada pelo técnico Alexandre Gallo, ex-Avaí e Figueira, por 2 a 1 nem incomodou os antigos torcedores do Vovô, que voltaram a assistir o seu time de coração. No estádio, também, muitas crianças que já aprenderam o valor de uma tradição.

— Não vai ser fácil para eles (diretoria) montaram uma equipe, porque tem o Brusque que está no profissional também e o trabalho vai ser grande, o importante é começar com uma boa base, temos que cativar as crianças. Criar nelas o desejo de torcer pelo Carlos Renaux — analisou Airton Santos, de 64 anos, torcedor antigo do Vovô.

As vozes do Augusto Bauer

Valdir Appel comentando a partida pelo Canal X, de Brusque. Foto: André Podiacki

Valdir Appel comentando a partida pelo Canal X, de Brusque. Foto: André Podiacki

Por uma categoria de base: Na arquibancada do Estádio Augusto Bauer o ex-goleiro do Vasco, Valdir Appel não passa despercebido. Um dos catarinenses mais famosos no futebol o ex-jogador não poderia ficar de fora da festa do centenário do Vovô. Mesmo muito identificado com o Paysandu, rival do Carlos Renaux, Appel foi atleta do clube tricolor. Isso em 1963 quando assumiu a meta do Vovô por um breve momento, emprestado pelo Paysandu.

Com enorme carinho pelo Carlos Renaux, para Valdir Appel o ideal no momento é focar nas categorias de base.

— O Carlos Renaux e o Paysandu tem que focar nas categorias de base. Um trabalho forte para revelar bons jogadores. Mas se o clube quiser voltar ao futebol profissional agora terá todo o meu apoio — explicou Appel que comentou a partida para a emissora de tevê a cabo de Brusque Canal X.

Airton Santos, torcedor do Vovô. Foto: André Podiacki

Airton Santos, torcedor do Vovô. Foto: André Podiacki

Pela volta da charanga: Em cima de um caminhão uma charanga animava as partidas do Carlos Renaux nos meados da década de 1970. Época distante, mas guarda com carinho na memória do torcedor Airton Santos, 64 anos. Com as mãos nas grades do alambrado o torcedor lembra do time em que o estádio era animado não só pelo time, mas também por uma pequena banda.

— Era muito bom, as famílias se reuniam no estádio — lembra Airton que sonha em ver a charanga voltar ao Augusto Bauer junto com seu time de coração.

Ex-atletas do Clube Atlético Carlos Renaux. Foto: André Podiacki

Ex-atletas do Clube Atlético Carlos Renaux. Foto: André Podiacki

Por um muito obrigado: Um time sem ídolos, sem jogadores não pode ser considerado grande. Pois o Carlos Renaux soube agradecer muito bem aqueles que vestiram a camisa do Vovô nesses 100 anos. Durante o último ano várias homenagens, e no último sábado alguns desses ídolos estiveram no gramado do Augusto Bauer, não para jogar mas para mais uma vez serem homenageados.

— Fico feliz por ter sido lembrado — disse agradecido o ex-goleiro Delon.

Na foto da esquerda para a direita: Adalto, Bob, Messias, Egon Luiz, Dilon, Ricardo Hoffman, Agenor, Poli. Agachados: Aione, Nei, Zo, Moura, Niltinho, Badinho, Silvio e o massagista Nilo Cervi.

A Seleção venceu o jogo por 2 a 1. Foto: André Podiacki

A Seleção venceu o jogo por 2 a 1. Foto: André Podiacki

O jogo

Pouco entrosadas as duas equipes não proporcionaram um show, mas o jogo foi disputado e com bonitos lances. Aos 19 minutos confusão na área, a bola sobra para Yuri Mamute que chuta de primeira o goleiro Vitor defende e no rebote o zagueiro Wallace abre o placar para a Seleção. Depois de uma parada técnica, para hidratação dos jogadores, o Carlos Renaux voltou melhor e aos 42 minutos empatou com Anderson, de cabeça.

Na segunda etapa, muitas mudanças nas duas equipes. O goleiro Jean, do time catarinense, trabalhou bastante, mas aos 22 minutos foi impossível defender o chute de Leonardo Mello, que marcou um golaço da entrada da área. O jogo terminou com a vitória da Seleção Brasileira por 2 a 1, mas a torcida nem se importou, afinal o Vovô está de voltando aos poucos ao futebol catarinense.

Primeiro clube catarinense a completar 100 anos, Carlos Renaux enfrenta a Seleção Sub-21 neste sábado

14 de setembro de 2013 0
A Seleção treinou no Augusto Bauer ontem. Foto: Patrick Rodrigues

A Seleção treinou no Augusto Bauer ontem. Foto: Patrick Rodrigues

Hoje, às 15 horas, o Estádio Augusto Bauer, em Brusque, recebe um duelo de seleções. De um lado, a Brasileira Sub-21. Do outro, a catarinense Sub-20. O motivo do enfrentamento é dos mais nobres – celebrar o centenário do Carlos Renaux, conhecido como Vovô de Santa Catarina, o clube mais antigo do Estado.

A equipe brasileira, comandada pelo técnico Alexandre Gallo, vem de conquistas no Torneio de Toulon, na França, e na Valais Youth Cup, disputada na Suíça. A convocação inclui alguns jogadores que já têm bagagem no futebol profissional, como o meio-campista Matheus Biteco, Grêmio, o lateral Lucas Farias e o atacante Ademilson, do São Paulo, e o meia Vinícius Araújo, do Cruzeiro.

O combinado catarinense, dirigido pelo treinador Fernando Gil, inclui atletas das cinco principais equipes do Estado – Figueirense, Avaí, Joinville, Criciúma e Chapecoense. Figueira e Coelho lideram o número de convocados, com seis cada. O Leão vem logo em seguida, com cinco. Tigre e Verdão têm dois e um atletas na equipe, respectivamente.

A Seleção de Santa Catarina fez apenas um treino para a partida de hoje. Embora o jogo seja um amistoso, Gil promete uma equipe combativa dentro de campo:

– Teremos apenas um treino para montar a equipe. Mas, mesmo se tratando de uma partida festiva, vamos nos esforçar para representar bem o nosso Estado – afirmou o técnico, que treinou o profissional do Figueirense em 2012 e atualmente comanda a equipe júnior do Joinville.

Os ingressos para o Jogo do Centenário estão à venda. Os preços das entradas variam de R$ 40 (geral) a R$ 160 (cadeira).

Fundação
Arthur Olinger trabalhava em um curtume em Novo Hamburgo (RS). Guilherme Diegoli construía vagões em Paranaguá (PR). Os amigos decidiram voltar a Brusque. Em sua bagagem, Olinger trouxe uma bola de futebol, a mesma utilizada no jogo entre o Caça e o Tiro Araújo Brusque, disputado no dia 14 de setembro de 1913. Após a partida, houve uma reunião, que resultou na fundação do Sport Club Brusquense – que em 1944 foi rebatizado de Clube Atlético Carlos Renaux.

Estádio
A casa do Carlos Renaux foi inaugurada em 7 de junho de 1931. O estádio foi o primeiro do Estado a ter iluminação e alambrado, inaugurados na década de 1950.

Auge
Os anos 50 marcaram o auge do clube. Em 1950, o Carlos Renaux conquistou seu primeiro Estadual. Três anos depois, a façanha foi repetida de forma invicta. Em 1954, conseguiu uma vitória que para muitos é a maior conquista do futebol de SC. O clube foi a Porto Alegre representar Santa Catarina em um jogo contra a seleção do Rio Grande do Sul. A imprensa local esperava uma partida tranquila, mas os anfitriões sofreram um revés por 2 a 1. Também foi nesta década que Teixeirinha, maior jogador do Estado, vestiu azul, vermelho e branco.

Fim do profissional
Em 1984, uma enchente atingiu a cidade de Brusque e danificou as instalações do Carlos Renaux, que teve de encerrar temporariamente suas atividades. No ano seguinte, o time voltou nas categorias de base

Breve retorno
Em 2004 e 2005, o time disputou a divisão especial do Estadual, mas se licenciou a partir do ano seguinte.

Hoje
Atualmente, o Carlos Renaux não possui equipes profissionais, mas aproveitou o centenário para reativar sua categoria de base.

Memória SC: o árbitro que expulsou todos os jogadores em uma clássico entre Avaí e Figueirense

09 de agosto de 2013 5

Nahas cercado pelos atletas de Avaí e Figueirense. Foto: Arquivo

Heber Roberto Lopes é o árbitro do clássico 403. Depois de muito polêmica e reclamação pelo Figueirense após o jogo com o Joinville onde Ronan Marques da Rosa desagradou muito a comissão técnica e a diretoria alvinegra, o Furacão pediu árbitro de fora para apitar Figueirense e Avaí neste sábado às 16h20min, no Orlando Scarpelli. A CBF colocou o paranaense Heber, e o árbitro agradou os dois lados mesmo ele sendo do quadro da Federação Catarinense de Futebol (FCF).

Arbitragem sempre foi alvo de muitas críticas em clássicos em todo o mundo, mas com certeza é raro encontrar um juiz como Gilberto Nahas. Em 31 de março de 1971, ele expulsou 22 jogadores no clássico 181.

O jogo ficou conhecido como o Clássico da Vergonha por ser um amistoso em homenagem aos sete anos do regime militar no Brasil. Mas o jogo terminou aos 10 minutos do segundo tempo depois uma briga generalizada, não sobrou ninguém dentro de campo: os 22 jogadores foram expulsos e a partida ficou no 0 a 0.

A confusão começou quando o centroavante Cláudio, do Figueirense, e o zagueiro Deodato, do Avaí, se desentenderam numa disputa de bola e começaram a brigar. Antes que o árbitro da partida, Gilberto Nahas, conseguisse tirar os dois de campo, os demais jogadores partiram para a violência.

— Não tinha o que fazer. Simplesmente eu peguei o cartão vermelho, girei no ar para todos os lados e disse ‘tá todo mundo expulso’ — relembrou Gilberto em entrevista ao jornal Hora de Santa Catarina em abril de 2008.

Outra versão seria que a briga começou por uma disputa amorosa. Um jogador do Figueirense e outro do Avaí disputavam o amor da mesma mulher.

Problemas com os militares

Contam que os militares que estavam sendo homenageados ficaram irritados com Gilberto Nahas por ele ter acabado o jogo com apenas 10 minutos do segundo tempo e por isso foram ao vestiário pressionar o árbitro. Como era sargento da marinha, ele recebeu recados do almirante, seu comandante, para que continuasse com o amistoso, até mesmo porque o governador estava presente no estádio. Não teve jeito.

— Eu disse que ali dentro de campo eu era a autoridade máxima e que tinha que cumprir as regras da Fifa — garantiu o ex-árbitro.

Memória SC: em 1931 o Lauro Müller conquistou o título catarinense com um WO

24 de junho de 2013 0

Lauro Müller campeão de 1931. Foto: Reprodução livro Almanaque do Futebol Catarinense

Lauro Müller nasceu em Itajaí em 8 de novembro de 1863 e além de ser deputado, governador, senador, ministro e diplomata conquistou o título do Campeonato Catarinense de 1931. Ops, não. Não foi o ex-governador que venceu e sim o time que foi criado em Itajaí e em homenagem ao itajaiense batizou o time de Lauro Müller.

Criado em 1930, apenas quatro anos depois da morte do ex-governador, o clube disputou ao total apenas três edições do Estadual. O departamento de futebol foi fechado em 1949, unindo-se ao Almirante Barroso, outro clube de Itajaí.

O maior feito do Lauro Müller foi chegar a final do Campeonato Catarinense de 1931, com apenas um ano de história o clube do Itajaí consegui chegar a grande decisão e a final prometei ser quente com o Atlético Catarinense, equipe de Florianópolis. A data da decisão foi 24 de janeiro de 1932, porém a Federação Catarinense de Desportos decidiu adiar o jogo por mais uma semana e isso irritou os cartolas do time da capital. Insatisfeitos mandaram que o time do Atlético não aparecesse no Adolfo Konder no dia 31 de janeiro e assim a FCD declarou o Lauro Müller campeão catarinense.

Essa foi a primeira vez que um título do Estadual era decidido com um WO (walk over, expressão inglesa utilizada quando uma equipe desiste da partida). A outra vez foi em !942 quando o Avaí levou o título quando o América, de Joinville, não apareceu.

Memória SC: o árbitro carregado nos braços da torcida após o título da Chapecoense em 1977

20 de junho de 2013 2

O árbitro Alvir Renzi nos braços do povo. Foto: Acervo Cine Som

Há quase 36 anos a Chapecoense conquista seu primeiro título Estadual. A decisão foi no ainda modesto Índio Condá e para ficar com o caneco o Verdão do Oeste precisava vencer o Avaí. E o jogo foi muito tenso em campo e fora dele.

No intervalo do jogo os atletas do Leão correram para o vestiário e só conseguiram entrar com proteção policial, o lateral-direito Orivaldo ainda levou a pior e recebeu uma garrafada na cabeça.

O segundo tempo ficou marcado pela invasão de campo de um torcedor da Chapecoense que insatisfeito foi tirar satisfação com o árbitro Alvir Renzi. Por tudo isso ninguém esperava ver o árbitro ser carregado nos braços dos torcedores ao apito final.

O time campeão de 1977. Foto: Arquivo Victor Zolet

Os problemas de Ranzi começaram na chegada a cidade no Oeste de Santa Catarina. Na véspera da decisão, já no quarto do hotel, o árbitro escutou no rádio o comentarista Telles da Silva desconfiar de sua seriedade. Alvir Renzi na hesitou e pegou um taxi e foi até a emissora de rádio.

- Vim para pedir paz, para valorizar a festa. Sei da bronca de vocês, mas me deixem fazer meu trabalho – disse no microfone o árbitro que tentava escapar da pressão dos torcedores da Chapecoense, que estavam indignados com o juiz do primeiro jogo.

Renzi preparou o campo para ter uma situação mais tranquila no dia da partida e não esperava ser carregado nos braços pelos torcedores.

Doeu no bolso

Se Renzi escapou ileso da final do Campeonato Catarinense de 1977, dois anos depois ele não conseguiu escapar da Federação Catarinense de Futebol em 1979 que descontou 700 cruzeiros do árbitro porque ele levou embora uma bola da partida entre Avaí e Figueirense. Alvir Renzi tinha o costume de levar para casa a bola que de jogos decisivos ou em que ele avaliou que tinha jogado bem. Essa doeu no bolso.

Memória SC: Clebão torce pelo Figueira na Série B e sonha em treinar o time no futuro

04 de junho de 2013 13

Foto: Caio Cezar, BD, 06/08/2004

Com o acesso para a primeira divisão do futebol brasileiro, em 2001, o Figueirense começou a contratar jogadores famosos em fim de carreira. O método era simples, trazer bons atletas sem espaço em times grandes e dar uma nova oportunidade. Essa alternativa funcionou várias vezes no Orlando Scarpelli e um dos primeiros jogadores famosos a vingar no Scarpelli foi o zagueiro Cléber.

Conhecido no Brasil por fazer parte do time multicampeão do Palmeiras, aquele da parceria com a Parmalat, o zagueiro chegou em Florianópolis em 2003 após ficar seis meses no time suíço Yverdon. A contratação foi feita por Carlito Arini, então gerente de futebol alvinegro, e por Rivaldo e César Sampaio, na época parceiros do Figueirense.

— Eu vim da Suíça e fiquei seis meses lá. Logo depois através do César Sampaio, do Rivaldo e do Carlito, que na época era o gerente de futebol. Eles me falaram do projeto do Figueirense, que tinha acabado de subir e aceitei a proposta, que era interessante. O time tinha uma boa estrutura e condições de brigar por algo — lembra Cléber.

Conhecido pela torcida alvinegra como Clebão, o zagueiro foi campeão catarinense duas vezes pelo Furacão, em 2003 e 2004. No seu primeiro ano no Scarpelli o zagueiro fez dupla com Márcio Goiano e juntos levaram o Figueirense para a Copa Sul-Americana.

— A gente tinha uma equipe muito competitiva com jogadores experiente e jovens. Não tivemos dificuldades nos dois primeiros anos. O nosso objetivo era se manter na primeira divisão, mas a nossa equipe era de qualidade. Entravamos de igual com os outros times. Brigamos por uma vaga na Sul-Americana e conseguimos. Foram anos que a gente conseguiu se manter — explica.

Em 2005, seu último ano no Scarpelli, Cléber quase foi rebaixado. O time alvinegro flertou com a zona de rebaixamento durante todo o campeonato e só conseguiu se salvar na penúltima rodada. Méritos para Adilson Batista que chegou a tempo de reorganizar o time e salvar o Furacão. É o que garante o zagueiro.

— Com a chegada do Adilson Batista deu uma mudada significativa para a nossa equipe. Ele fez uma posicionamento diferente. Ele fez um grande trabalho e ajudou a salvar a nossa equipe. Ele foi fundamental para a permanência na Série A.

Foto: Roberto Scola, BD, 30/08/2004

Clebão queria ficar no Figueirense e encerrar a carreira por aqui, mas as negociações não andaram e ele decidiu ir para o São Caetano. Em 2006 o time paulista foi rebaixado para a segunda divisão. Decepcionado o jogador decidiu encerrar a carreira. Em 2010 deu os primeiros passos como técnico de futebol no Rio Claro, de São Paulo, e teve uma rápida passagem pelo Metropolitano, também em 2010.

Hoje, Cléber é técnico do pequeno Coimbra Esporte Clube, time do grupo BMG, de Belo Horizonte e sonha um dia voltar ao Figueirense.

— Sem dúvida quero ser treinador do Figueirense. Tenho que ganhar experiência e fazer um bom trabalho em outro clube antes disso, mas tenho esse desejo — confessa Clebão.

Foto: Júlio Cavalheiro, BD, 15/10/2005

Torcendo pelo Figueirense

Acompanhando de longe o Figueirense, Cléber torce pelo time na Série B. O ex-jogador confia no trabalho do técnico Adilson Batista, mas alerta que para voltar para a Série A o time tem que manter o ritmo.

— O Figueirense tem grandes chances de subir, principalmente pelo que conheço do trabalho do Adilson Batista. Mas, o Campeonato Brasileiro é muito difícil, competitivo. E depende dos atletas e da comissão técnica para fazer um bom trabalho e conseguir o objetivo — finalizou o Clebão.

Memória SC: Chico Lins e uma carreira de sucesso no futsal da Espanha

24 de abril de 2013 7

Chico Lins comemora gol pelo Caja Toledo. Foto: Arquivo Pessoal

Chico Lins é conhecido por muitos pelo seu trabalho no futebol, como gerente de Futebol do Figueirense, e no vôlei em dois projetos de sucesso nos times da Unisul e da Cimed. Porém, o que muitos não sabem, ou não lembram, é que Francisco Eduardo Luz Lins é um dos pioneiros do Brasil a jogar futsal na Espanha.

Até hoje Chico é considerado um dos grandes atletas que passaram pelas quadras espanholas. Em nove anos de Espanha o beque defendeu quatro equipes, foi campeão nacional e construiu uma história de sucesso na Europa.

Tudo começou no colégio Catarinense em Florianópolis. Foi com o Colegial que Chico deu os primeiros chutes.

- O padre Roger, que era do colégio, viu o Chico jogando em algumas partidas de futebol de salão. E falou para mim: “Moreira tem um menino bom de bola”. E eu fui ver o Chico com 10 anos. E realmente achei que ele tinha potencial e levei para as minhas categorias de base – relembra o primeiro técnico de Chico, Valci Moreira.

Equipe do Colegial campeão catarinense em 1983. Foto: Arquivo Pessoal

O sonho de Chico Lins sempre foi ser jogador de futebol, porém no Catarinense em 1974 não existia equipe de futebol de campo, por isso sem opções o garoto aceitou jogar no salão.

- Eu fui estudar no Catarinense, mas não tinha uma equipe de futebol de campo. Um dia eu jogava uma partida com o pessoal da minha sala e o Moreira me convidou e por falta de opção eu fui e assim começou a desenhar a minha carreira – conta Chico.

No fim da adolescência, Chico tentou ser jogador de futebol e chegou a treinar nas categorias de base do Flamengo em 1979 no infantil e em 1981 no juvenil. Na temporada de 1984 ele jogou pelo Avaí durante 10 meses, mas desistiu da carreira no futebol e voltou para o futsal.

- Sempre foi um desejo meu ser jogador de futebol e quando a gente foi morar no Rio de Janeiro eu joguei na categoria de base do Flamengo, que era o meu time de coração. Depois eles queriam me dispensar e me disseram que dariam uma carta de recomendação para jogar no América, mas eu não queria. O que eu queria era jogar pelo Flamengo – recorda.

O tempo de jogador no Avaí foi a convite de Valci Moreira, que estava trabalhando na base do Leão, mas após divergências com o treinador do time azurra Chico decidiu se concentrar no que realmente era extraordinário: o futsal.

O primeiro time profissional de Chico Lins foi a Tigre, de Joinville, em 1988, equipe treinada por Fernando Ferretti, um dos maiores treinadores de toda a história do Brasil. Em 89, com o fim da equipe de Joinville Chico foi convidado por Ferretti para ir para a Perdigão. E foi na equipe de Videira, no meio-oeste de Santa Catarina, que o beque chamou a atenção dos espanhóis do Mitsubishi Ceuta.

- Eu o Fabinho fomos para o Ceuta. Mas, eu tive uma lesão no tornozelo e coloquei gesso. Não dava mais para jogar e como o contrato era curto acertei com os caras e voltei para o Brasil, mas nesse tempo já tinha alguns contatos para voltar e logo que cheguei ao Brasil, em junho, acertei meu retorno para a Espanha para jogar no Caja Toledo – explicou Chico.

Time da Perdigão em 1989. Foto: Arquivo Pessoal

Assim, o catarinense de Itajaí foi morar em definitivo na Espanha, mas não foi sozinho. O Caja Toledo pediu para Chico indicar um outro atleta brasileiro para jogar na equipe e ele recomendou o jovem Marcos Sorato, o Pipoca, seu amigo de tempos de Tigre.

- O time vinha da segunda divisão e pediram para contratar um jogador jovem. Eu levei o Pipoca. Ele era um cara de confiança meu e tinha características que eu gostava em um jogador, ele encaixava no meu jogo – conta.

Chico, o técnico brasileiro Zego e Pipoca no Caja Toledo. Foto: Arquivo Pessoal

A dupla fez história na Espanha e até hoje são lembrados como a melhor dupla de estrangeiros do futsal espanhol.

- Temos o nome marcado pelo profissionalismo e pela forma de jogo. Mostramos para eles que tínhamos que ser competitivos no treino – recorda Marcos Sorato, o Pipoca.

Em 1968, a família de Chico se muda para o Rio de Janeiro. Lá, o catarinense se encanta com o Flamengo. No entanto seu pai Eduardo Lins, conhecido como Pimpa, sempre torceu para o Vasco. Por isso, o pai tem tanto orgulho de ter visto o filho em seus últimos anos de carreira vestir o manto cruzmaltino.

Em 1999, após voltar da Espanha e de estar seis meses parado Chico Lins recebe o convite de Fernando Ferretti para jogar no Vasco. Chico volta às quadras e ajuda a equipe carioca a ser campeã estadual e realiza o sonho de Pimpa de ver o filho com a camisa do Vasco.

- Isso é um enfeite na minha casa. Mas sei que o coração dele é rubro-negro – disse Pimpa com o retrato de Chico com a camisa do Vasco na mão.

Depois de atuar no Vasco, o catarinense volta a jogar em sua terra natal defendendo a Unisul, onde era dirigente e jogador. No dia 13 de fevereiro de 2001 em partida amistosa entre a Unisul e o Vasco no ginásio Carlos Alberto Campos, no bairro Estreito em Florianópolis, Chico Lins se despediu da carreira profissional.

Faltou vestir a camisa da Seleção Brasileira

Em 1989, Chico Lins foi convocado para o Sul-Americano de Futebol de Salão. Essa foi a última convocação do catarinense. Até o mundial de 2000, na Guatemala, a Confederação Brasileira de Futebol de Salão não permitia que jogadores que atuassem fora do país estivessem na seleção.

Na época em que foi convocado, Chico jogava na Perdigão, mas ele não teve sorte, uma contusão no adutor fez ele ficar de fora da seleção e dois meses parado.

Pimpa e Chico na praia de Ipanema no Rio de Janeiro em 1969. Foto: Arquivo Pessoal

– Foi uma tristeza. Ainda mais porque a forma como me machuquei foi muito boba, em um aquecimento em um dia de muito frio em Videira, e aí eu perdi a oportunidade na seleção. Em dezembro recebi um convite para ir para a Espanha junto com o Fabinho. Porém, recebemos também uma certa ameaça da confederação brasileira, dizendo, se vocês forem, não serão mais convocados para a seleção – lembra Chico.

Para ele, era difícil resistir ao salário oferecido pela Europa e para ficar no Brasil sem a possibilidade de jogar uma Olimpíada. Como isso nunca aconteceu, Chico não voltou para disputar um campeonato brasileiro em sua melhor fase. Somente em 1999, com 35 anos, ele retornou ao Brasil para jogar no Vasco.

– Naquele tempo realmente jogador que atuava fora do Brasil não era convocado para a seleção. Eu acho que era opção da Confederação não querer o Chico jogando na seleção, como também dos outros brasileiros que estavam no exterior – analisa Valci Moreira, primeiro técnico do Chico no Colegial.

Marcos Sorato, o Pipoca, que foi técnico da seleção e campeão mundial em 2012, jogou com Chico Lins durante seis temporadas. Eles moraram juntos na Espanha, e foi Chico que o levou para o time Caja Toledo. Para ele, faltou no currículo vitorioso da dupla jogar pelo Brasil.

– Na nossa carreira faltou jogar em uma seleção, mas ao mesmo tempo tenho consciência de que hoje, eu que fui treinador da seleção, em algum momento a gente seria convocado se tivéssemos jogado no Brasil. Mas, o Brasil foi soberbo e não convocava jogadores de fora do país. Perdemos o Mundial de 2000, na Guatemala, para aí sim convocarmos jogadores de fora. Porque muito jogadores que defenderam a Espanha poderiam defender a seleção. Mas, fica a certeza que a gente poderia ter participado da seleção em algum momento – ressalta Pipoca.

Ídolo na Espanha

Durante oito anos na Espanha, Chico Lins foi campeão da Copa da Espanha e da Liga. Ele atuou em quatro equipes: três jogos pelo Mitsubishi Ceuta, em 1990; depois, cinco temporadas no Caja Toledo; duas, no El Pozo Murcia, e uma no Interviú de Madrid.

Neste tempo de Espanha, Chico, além de ajudar na evolução do futsal, tornou-se ídolo do esporte no país ibérico. Um exemplo disso é o depoimento de Juan Hernández Sanchez, torcedor do El Pozo Murcia:

– Para mim foi uma honra e um orgulho conhecer e poder ver um de meus ídolos, não só como um jogador, mas como um amigo. Ele sempre estava com um sorriso na cara. Fez uma grande dupla com Marcos Sorato, o Pipoca – disse o torcedor em entrevista pelo Facebook.

Orgulho para Pimpa, Chico com a camisa do Vasco. Foto: Arquivo Pessoal

No El Pozo Murcia Chico Lins fez dupla com Paulo Maravilla, um dos grandes brasileiros no futsal espanhol e que se naturalizou e foi campeão Mundial com a Espanha em 2000, na Guatemala. Porém, nas duas temporadas em que jogaram juntos o time de Murcia não conquistou títulos, mesmo assim Chico ainda é lembrado como um jogador de qualidade.

– Chico na Espanha foi muito importante. Ele foi um dos jogadores brasileiros com mais influência em nosso jogo, era um líder nato e um grande jogador. Todos aprenderam muitíssimo com seu futsal. Fisicamente era muito forte, tecnicamente muito bom, um grande passador e taticamente muito inteligente – analisou Juan.

Ainda hoje existem torcedores que lamentam não terem visto Chico Lins com as cores da Espanha.

– Gostaria de ter visto ele jogar pela Espanha, infelizmente não aconteceu – disse Juan.

• Para saber mais sobre a vida de Chico Lins você pode assistir o webdocumentário que eu fiz sobre em 2011 com imagens de gols dele na Espanha, Vasco e Unisul.

Memória SC: Zilton o craque do Paula Ramos, campeão catarinense em 1959

17 de abril de 2013 6

Zilton com a faixa de campeão catarinense de 1959. Foto: André Podiacki

Zilton sempre foi um senhor simpático, com sorriso no rosto me desejava bom tarde enquanto eu passava em frente ao portão de sua casa com minha bicicleta em direção à mercearia da Dona Hilma, no final da rua onde moro até hoje. Eu tinha pouco mais de dez anos e por pura simpatia já adorava aquele vizinho boa-praça.

Mas, a minha admiração por ele só foi aumentar anos depois quando sentado na frente da minha casa conversando com meu pai vi Zilton passar ao lado de sua esposa Dirney e desejar bom dia para nós. Foi naquele dia que descobrir, através de meu pai, que aquele senhor de poucos cabelos tinha sido um grande jogador de futebol. Campeão catarinense em 1959 com um time histórico do Paula Ramos.

Zilton vive tranquilamente no bairro Estreito, onde nasceu e foi criado. Junto com outros amigos criou o time amador Oswaldo Cruz, que era o nome da rua onde morava. Foi no campo dessa equipe amadora, onde hoje é o Colégio Aderbal Ramos da Silva, que aquele centromédio esguio começou a jogar futebol.
Seu primeiro time profissional foi o Paula Ramos. A equipe de Florianópolis, que hoje tem apenas sua sede social na

Avenida Madre Benvenuta, no bairro Trindade, na época era um dos grandes times do Estado. E em 1959 formou um time de qualidade que ao derrotar o Carlos Renaux por 2 a 0, no dia 24 de abril de 1960, tirou a Capital de uma fila que já durava 14 anos. A última vez que um time de Floripa havia levantado o troféu do Catarinense tinha sido o Avaí em 1945.

— O Paula Ramos sempre será o meu time. Aquela equipe de 1959 era ótima, ficou guardada. Tínhamos um ótimo grupo de muita técnica. E olha que do outro lado tinha o Teixeirinha, que era o melhor jogador do Estado — lembra Zilton.

A camisa do título de 1959. Foto: André Podiacki

Foi no time rubro-negro que Zilton fortaleceu laços de amizade com Nelinho, segundo ele o seu maior companheiro dentro e fora de campo no futebol. Assim como Valério Matos, o craque do Paula Ramos.

— O Valério sempre foi um líder era ele que negociava o nosso bicho. Lembro que eu adorava quando o estádio lotava, porque ai o bicho era bem gordo — recorda Zilton com um largo sorriso.

O dinheiro nunca foi problema para o jogador Zilton. Os tempos eram outros e os salários não podem ser comparados com os de hoje, porém o centromédio conta que sempre foi um dos melhores pagos nos times que passou e que não teve dificuldades para viver do esporte. Mesmo assim trabalhou no Besc, já que à época era natural ter outro emprego para conseguir completar a renda.

Dirney e Zilton. Foto: André Podiacki

— Eu sempre fui um dos atletas mais bem pagos do elenco. Eu sempre negociava bem o meu contrato e não passava mais de um ano em um mesmo clube — conta o manezinho que passou por Carlos Renaux, Comerciário, Marcílio Dias, Figueirense, Avaí, entre outros clubes.

O sonho de Zilton sempre foi jogar no Botafogo, e apesar de ter tido alguns convites para jogar em outros clubes no Brasil nunca saiu de Santa Catarina, pois queria ficar próximo da família. Além disso, sua sogra tinha uma grande resistência sobre sua profissão.

— A minha sogra não queria que eu casasse com a Dirney, ela falava que todo jogador de futebol era vagabundo (risos). Mas depois eu a conquistei.

Momento popstar

Foi em Criciúma que Zilton viveu seu momento popstar. A cena descrita por Zilton e sua esposa Dirney é tumulto que só vê hoje em grandes contratações como foi a de Seedorf pelo Botafogo.

Depois de ser campeão pelo Paula Ramos, Zilton e Nelinho foram procurados pelo diretor do Comerciário, de Criciúma, Paulino Búrigo para ir jogar no time do Sul do Estado.

— O Lauro Búrigo (que era o técnico do time) veio a Florianópolis para levar eu e o Nelinho para o Comerciário, em Criciúma. Ele veio de Cadillac junto com o Paulino Búrigo, que era o diretor técnico do time. Quando chegamos em Criciúma a praça estava cheia, lotada. Foi uma grande festa — recorda.

Em Criciúma uma grande festa pela contratação de dois astros do futebol catarinense foi organizada. Os torcedores lotaram a praça da cidade, com direito a fogos de artifício.

— Eu lembro que começaram a estourar fogos de artifício e depois que acabaram os fogos algumas pessoas tiraram suas armar e davam tiros para o alto. O nosso hotel estava lotado de jornalistas e que quando me viram falaram: “Olha a esposa do Zilton”. E começaram a tirar várias fotos — conta Dirney.

Medalha que todos os jogadores da Seleção Catarinense ganharam pela campanha de 1959. Foto: André Podiacki

Glória catarinense

A vitória com o Paula Ramos é um dos momentos mais especiais da vida futebolística de Zilton, mas não é a única. Em 1960, o centromédio fazia parte da Seleção Catarinense que ficou conhecida como a Escrete de Ouro. O carinho apelido veio depois das vitórias em cima do Paraná e Rio Grande do Sul. Mesmo sendo eliminado no Campeonato Brasileiro de Seleções por Minas Gerais na rodada seguinte a seleção catarinense foi naquele ano a campeã do Sul.

A grande festa aconteceu depois da classificação em Porto Alegre. Santa Catarina havia sido eliminada oito vezes do campeonato de seleções pelo Paraná e quatro pelo Rio Grande do Sul. Porém, no campeonato de 1959 (que foi disputado até 60) a história seria diferente. Depois de passar pelo Paraná a Seleção Catarinense bateu os gaúchos no Adolfo Konder por 4 a 2. No Olímpico o goleiro Gainete defendeu tudo e Teixeirinha marcou os dois gols da vitória Barriga Verde.

— Para mim o Teixeirinha foi o melhor jogador catarinense que eu vi jogar. Ela era muito bom. Aquela sequência de vitória da Seleção Catarinense foi marcante. Quando voltamos fomos recebidos na Praça XV com uma grande festa. Isso ficou marcado — recorda Zilton.

• Abaixo tem um vídeo sobre os 50 anos do título catarinense de 1959. O vídeo tem aproximadamente nove minutos e foi feito pela agência Em Voga a pedido do Paulo Ramos. Nele Zilton e Valério Matos contam a história desse título.