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Posts com a tag "Botafogo"

Seedorf é o destaque do primeiro dia de Footecon

10 de dezembro de 2013 0
Foto: André Podiacki

Foto: André Podiacki

O primeiro dia de Footecon teve conversa tática com Tite, mostrando o Corinthians campeão mundial, e com Carlos Alberto Parreira, mostrando o duelo tático de Barcelona e Bayern de Munique. Além disso, uma conversa sobre o calendário do futebol brasileiro com Filipe Ximenes, Américo Faria, Vagner Mancini e Seedorf.

O holandês foi o grande destaque do Footecon até agora. Com poucas palavras mostrou seriedade e consciência do país que vive. Ele sabe a importância dos campeonatos estaduais e por isso não pede o fim da competição por um calendário mais tranquilo.

Filipe Ximenes, Americo Faria, Fernando Gomes, Seedorf e Vagner Mancini no Footecon. Foto: André Podiacki

Filipe Ximenes, Americo Faria, Fernando Gomes, Seedorf e Vagner Mancini no Footecon. Foto: André Podiacki

_ O problema não é a quantidade de jogos, mas sim o acumulo delas em um curto período de tempo. A minha proposta é que o Campeonato Brasileiro deveria começar junto com o Estadual. Assim valorizaria o campeonato regional que poderia ser mais longe. Mais jogadores podem participar. Ao invés de disputar o Brasileirão em seis meses disputamos em 10 como é no resto do mundo _ analisou.

Seedorf também pediu mais atenção com as pessoas, com a parte humana:

_ O futebol tem uma responsabilidade social. A parte humana é fazer pessoas corretas e não corruptas. Os clubes tem que ter esse olhar também.

Para fechar com chave de ouro ainda brincou com Carlos Alberto Parreira. O organizador do Footecon fez uma pergunta sobre o calendário do futebol ao holandês e o jogador já tinha falado do assunto. De bate-pronto Seedorf respondeu brincando:

_ O professor estava no telefone quando eu falei isso né?

Ao fim da palestra abraçou Zagallo, que sentado na primeira fileira assistia a mesa redonda. Seedorf deixou o Sofitel, em Copacabana, aplaudido, o mais referenciado do dia.

No centenário de Vinícius de Moraes o leia o poema do mestre em homenagem a Garrincha

19 de outubro de 2013 0
Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Hoje, 19 de outubro, Vinicius de Moraes completaria 100 anos se estivesse vivo. O Poetinha, como era conhecido, era famoso por sua boemia, mas principalmente pelas suas poesia e músicas. Botafoguense, Vinicius homenageou Garrincha. Escreveu para o Anjos das Pernas Tortas um poema lindo.

Publicado no livro Para viver um grande amor, o poema trata-se de uma homenagem a Mané Garrincha. Inspirado na atuação de Garrincha durante a luta pela conquista do bicampeonato mundial. Um dos botafoguenses mais exaltados publicou Para viver um grande amor alguns meses após o triunfo da Seleção Brasileira no Mundial do Chile, em 1962. Sem dúvida, o poema “O anjo de pernas tortas” dialoga com esse contexto. Com Pelé lesionado na segunda partida das oitavas de final, contra a Tchecoslováquia, que seria substituído por Amarildo pelo restante da competição, Garrincha se tornou o grande nome daquela Copa. Confira o poema:

A um passe de Didi , Garrincha avança
Colado o couro aos pés, o olhar atento
Dribla um, dribla dois, depois descansa
Como a medir o lance do momento.

Vem-lhe o pressentimento; ele se lança
Mais rápido que o próprio pensamento
Dribla mais um, mais dois; a bola trança
Feliz, entre seus pés — um pé-de-vento!

Num só transporte a multidão contrita
Em ato de morte, se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.

Garrincha, o anjo, escuta e atende: – Goooool!
É pura imagem: um G que chuta um O
Dentro da meta , um L. É pura dança!

Foi em Santa Catarina que o ídolo do Botafogo Quarentinha encerrou a carreira

31 de julho de 2013 0

Quarentinha foi é o maior artilheiro do Botafogo, mas em SC não balançou as redes tanto assim

O maior artilheiro da história do Botafogo marcou 313 gols em 442 jogos, o atacante Quarentinha tinha um chute potente. O grande Armando Nogueira descreveu o centroavante assim:

“Quarentinha, eu o vi jogar muitas e muitas vezes. Era um chutador temível, um atacante de respeito, que fazia tremer os goleiros, fossem quem fossem. Tinha na canhota o que, então, se chamava um canhão. Chutava muito forte, principalmente, bola parada. Era de meter medo. Nos jogos Botafogo-Santos, era ele, de um lado, o Pepe, do outro. Ai de quem ficasse na barreira. Quarentinha nasceu no Pará, filho de um atacante que lhe herdou, intactos, o chute poderoso e o apelido. Não sei se o pai era tão tímido quanto o filho. Quarentinha jamais celebrou um gol, fosse dele ou de quem fosse. Disparava um morteiro, via a rede estufar, dava as costas e tornava ao centro do campo, desanimado como se tivesse perdido o gol”.

Esse artilheiro que não comemorava os gols passou por Santa Catarina. Em 1968, após jogar pelo Olaria e passar o Campeonato Carioca em branco chegou no América de Joinville. Já no primeiro jogo, contra o Atlético-PR, marcou um gol na vitória por 2 a 0.

Na temporada seguinte Quarentinha deixou o Norte do Estado e foi para o Sul. Em Tubarão, o atacante defendeu o Hercílio Luz. No entanto não conseguiu fazer o Leão do Sul ter um bom desempenho na edição do Catarinense de 1969. Sem o sucesso de outrora foi contratado pelo Almirante Barroso.

Na equipe de Itajaí marcou seu último gol na carreira justamente em um clássico contra o Márcio Dias. Depois de aposentado assumiu a equipe do Almirante como técnico. No entanto a equipe ficou apenas na 11ª colocação e no fim da temporada fechou as portas. Quarentinha voltou para o Rio de Janeiro e faleceu em 11 de fevereiro de 1996.

Sexta de música: Lamartine Babo o homem do tra-la-lá e dos hinos dos clubes do Rio de Janeiro

14 de junho de 2013 3

Lamartine Babo torceu até morrer. Um dos maiores torcedores do América levou ao pé da letra o hino do clube, que ele compôs em 1945.

Hei de torcer, torcer, torcer
Hei de torcer até morrer, morrer, morrer
Pois a torcida americana é todo assim
A começar por mim

Lalá, como era carinhosamente conhecido, nasceu no Rio de Janeiro em 1904. Décimo primeiro filho e penúltimo filho de Leopoldo de Azeredo Babo e Bernarda Preciosa Gonçalves de Azeredo Babo o compositor carioca foi um dos três filhos do a atingir a idade adulta, já que quase todos morreram na primeira infância.

Lamartine venceu a barreira familiar e cresceu, mas sempre teve que ser acompanhado de perto pelos médicos a vida toda. Conhecido no Brasil por ser autor de famosas marchinhas de carnaval Lalá também era fera no futebol, não dentro de campo onde era um verdadeiro perna de pau mas sim nas arquibancadas do Rio de Janeiro que consagram até hoje Lamartine toda vez que cantam os hinos de seus times de coração.

Sucesso desde 1942, o programa Trem da Alegria da Rádio Mayrink Veiga era comandado pelo Trio de Osso, como eram conhecidos Héber de Bôscoli, Yara Sales e Lalá. Muito magros os três se intitulavam de Trio de Osso em alusão ao Trio de Ouro, famoso grupo constituído por Herivelto Martins, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas.

Foi exatamente no Trem da Alegria que certa vez Héber de Bôscoli desafio Lamartine Babo a fazer um hino para casa clube de futebol do Rio de Janeiro. Assim, Lalá passou a apresentar uma vez por sema, todas as terças, o hino dos times cariocas que ia compondo.

De fato Lamartine apresentou 11 hinos em 11 semanas seguidas, mas seu sobrinho Sargentelli tem uma outra versão para como ele compôs todos os hinos.

- Colocaram ele em um apartamento com dois seguranças e disseram para ele: “ Seu Lamartine a ordem é a seguinte o senhor tem uma geladeira cheia de comida, comida para seis dias. Na escrivaninha tem papel, lápis e um telefone. O senhor só sai daqui quando escrever o hino de todos os clubes” – conta Sargentelli.

Lamartine Babo compôs os hinos de 11 clubes. Além de Vasco, Botafogo, Flamengo e Fluminense o compositor também escreveu os hinos do São Cristóvão, Bangu, Madureira, Olaria, Bonsucesso e Canto do Rio. No entanto o mais especial e o que os críticos de música consideram o mais animado é o do América, time de coração de Lamartine.

Com sete para oito anos Lalá foi levado por Augusto Albuquerque, amigo da família, a um jogo entra Fluminense e América, vencido pelos americanos. E embora aliciado o tempo inteiro para torcer pelo Tricolor das Laranjeiras – Augusto chegou a prometer um anel de ouro para o garoto – o pequeno Lamartine voltou para casa encantado com o vermelho da camisa americana, uma paixão que o acompanharia até o fim da vida.

A paixão era tanta que Lamartine prometeu que se o América fosse campeão Carioca de 1960, em cima do Fluminense, ele sairia na rua fantasiado de Diabo, o mascote americano. E assim foi, com a vitória por 2 a 1 o América o compositor pegou uma fantasia de Diabo vermelha e saiu pelas ruas do Rio de Janeiro.

O hino do América foi adaptado de uma marcha norte-americana de remadores – Row, row, row de William Jerome e James V. Monaco. Perguntado por que introduzira o tra-la-lá na música ele respondia que não cabia nos compassos musicais a paixão que tinha ao clube.

Lamartine arrebatou as torcidas que abandonaram os hinos oficiais dos seus clubes e adotaram as composições de Lalá. Apenas a diretoria do Botafogo arrumou confusão com Lamartine. O Fogão protestou pois entendeu que o “de 1910” do trecho “Botafogo, Botafogo, campeão de 1910”, fazia as pessoas pensarem que o clube foi campeão apenas aquele ano.

Muito diplomático Lalá explicou que de maneira alguma aquela foi sua intensão. Se só citava o ano de 1910 era porque foi naquele ano o campeonato mais expressivo do time da estrela solitária, inclusive tendo o Botafogo ganho na ocasião o título de O Glorioso. Anos depois Lamartine contou outra versão para a polêmica. Segundo ele a letra original está escrito “desde 1910”, no entanto o cantor que gravou o hino alterou a letra, lhe causando uma tremenda dor de cabeça.

Apesar de toda a explicação e o vice-presidente do clube Ademar Bebiano proibiu que o hino fosse tocado no Maracanã em dia de jogo do Botafogo, o único hino que podia ser tocado era o de composição de Otacílio Gomes e Eduardo Souto, que era o hino oficial. Porém apesar da intransigência da diretoria alvinegra a torcida gostava mesmo era do hino feito por Lalá.

Em 1963 recuperado de um forte infarto, Lamartine deixou o hospital Prontocor e recebeu a notícia que o homem de espetáculos Carlos Machado, conhecido como o Rei da Noite, preparava um grande show baseado na vida e obra de Lalá e a ser montado no hotel Copacabana Palace. Muito emocionado Lamartine o disse várias vezes que sua vida não dava assunto para um show de tamanha envergadura. No entanto no dia 13 de junho no Golden Room do famoso hotel carioca no momento que o compositor entrou na sala foi recebido pela orquestra do show tocando o hino do América. Lamartine não se conteve e entrou no coro cantando o famoso ”Hei de torcer”.

Três dias depois da emocionante visita ao show em sua homenagem nos primeiros minutos da madrugada o coração de Lalá não resistiu a mais um infarto. Na tarde daquele dia envolto na bandeira do América, conforte desejo expresso, Lamartine de Azeredo Babo foi enterrado no Cemitério do Caju, na zona sul do Rio de Janeiro. Na sepultura 13 614, quadrado 66, descansa o homem dos hinos, o rei do carnaval, o torcedor que prometeu torcer até morrer, e cumpriu sua promessa.

Confira a baixo o hino do América

Se quiser conferir as outras composições feitas por Lamartine é só clicar no nome do time na lista abaixo:

Botago
Flamengo
Vasco
Fluminense
São Cristóvão
Madureira
Olaria
Bonsucesso
Canto do Rio
Bangu