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Posts com a tag "Espanha"

A primeira vez: Espanha x Holanda

13 de junho de 2014 0
A seleção holandesa em 1920, que ficou com a medalha de bronze

A seleção holandesa em 1920, que ficou com a medalha de bronze

Foi Olimpíada de 1920, em Antuérpia na Bélgica, em que Espanha e Holanda se encontraram pela primeira vez. Quem ficou com a medalha de ouro foi a anfitriã Bélgica. A Tchecoslováquia deveria ser a vice-campeã, porém em protesto contra a arbitragem da partida final deixou o gramado aos 32 minutos do segundo tempo.

Assim, a organização da Olimpíada decidiu fazer um jogo entre a Holanda (que tinha ficado na terceira colocação) e os países que tinham sidos eliminados na fase final. A França se negou a jogar pois a maioria dos seus atletas já tinham retornado para casa. Itália, Noruega, Suécia e Espanha fizeram jogos eliminatórios e a Fúria conseguiu se classificar para enfrentar a Holanda.

A partida foi disputada no dia 5 de setembro de 1920, três dias depois da confusão que terminou com a medalha de ouro da Bélgica. Os espanhóis venceram os holandeses por 3 a 1, com dois gols de Felix Sesumaga e ficaram com a medalha de prata.

FICHA TÉCNICA

HOLANDA (1)

Robert Macneill; Henry Denis, Ben Verweij, Leonhard Bosschart, Frederik Kuipers, Hermanus Steeman, Oscar Van Rappard, Jan Van Dort, Bernardus Groosjohan, Herman Von Heijden e Evert Bulder

Técnico: Frederick Warburton

ESPANHA (3)

Ricardo Zamora; Pedro Vallana, Mariano Arrate, Jose Samitier, Belauste, Ramon Eguiazabal, Ramon Gil, Felix Sesumaga, Patricio Arabolaza, Pichichi e Domingo Gomez acedo

Técnico: Francisco Bru

Gols: Felix Sesumaga (E), aos sete e aos 35 minutos do 1º tempo. Bernardus Groosjohan (H), aos 23, e Pichichi (E), aos 27 minutos do 2º tempo
Arbitragem: Paul Putz, auxiliado por Henry Cristophe e Georges Hubrecht (trio da Bélgica)
Data: 05/09/1920
Local: Stedelijk Olympisch, em Antuérpia (BEL)

Com informações de The Rec.Sport.Soccer Statistics Foundation (RSSSF), Fifa e do arquivo olímpico da Fifa

OBS: A título de curiosidade vou publicar no blog a cada dia de jogo da Copa do Mundo um pequeno texto trazendo alguns detalhes — aqueles que as minhas pesquisas conseguirem achar —, dos primeiros encontros das seleções.

PodiCast 6º edição - A decisão da Liga dos Campeões entre Real Madrid e Atlético de Madrid, e uma entrevista com o catarinense Filipe Luis

22 de maio de 2014 4

Neste sábado às 15h45min Real Madrid e Atlético de Madrid decidem o título da Liga dos Campeões. Um clássico de Madri na final do campeonato de clubes mais importantes do mundo. Para discutir sobre essa grande partida conversei com meu colega de Diário Catarinense, Gustavo Mesa.

Além disso, temos uma pequena entrevista com o catarinense Filipe Luis, que está neste final defendendo o Atlético.

Edição, produção de áudio: André Podiacki | Locução: JB Schüler

Apresentação: André Podiacki
Convidado: Gustavo Mesa

Confira outras edições do PodiCast:

1ª edição: A mistura do futebol com a música
2ª edição: A convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo
3ª edição: Vozes do Rádio, Miguel Livramento o manezinho que não fica em cima do muro
4ª edição: O MMA em Santa Catarina, um papo sobre luta
5º edição:  O vôlei em Santa Catarina vai voltar a disputar títulos?

Catarinense Guilherme Siqueira consegue o passaporte espanhol e pode ser convocado pela Fúria

22 de novembro de 2013 1
Foto: Jessé Giotti

Foto: Jessé Giotti

A espera acabou. Depois de meses na expectativa, finalmente o lateral-esquerdo Guilherme Siqueira, do Benfica, teve o seu passaporte espanhol expedido. Com isso, a sete meses da Copa do Mundo, o catarinense pode ser convocado para pela Fúria.

— Meus queridos amigos e familiares. Queria dividir essa grande notícia com todos vocês. Acabei de receber a notícia que finalmente saiu o meu passaporte espanhol. A partir de hoje faço parte desse lindo país que tantas coisas boas me proporcionou. Brasileiro de sangue e espanhol de coração. Países maravilhosos — escreveu Siqueira em sua página pessoal de Facebook.

Com problemas na lateral esquerda, um dos auxiliares de Vicente Del Bosque, técnico da Fúria, cogitou convocar Siqueira. Desde então, o jogador trabalhou para trocar seu passaporte italiano pelo espanhol. Hoje, Guilherme Siqueira terá que lutar por uma vaga com Ignacio Monreal e Jordi Alba.

— Não vivo expectativa de vestir a camisa da Espanha, não faz parte do meu dia a dia, porque isso é uma consequência do trabalho. Mas, como eu sempre falo, sou brasileiro e, se tivesse que fazer uma escolha, eu escolheria a Seleção Brasileira, mas no futebol tem que ser profissional. Me sinto espanhol, porque eles me tratam superbem e, se me chamassem, eu iria sem problemas — disse o lateral em entrevista a mim em julho, quando visitou a redação do Diário Catarinense.

Agora é esperar e ver se Guilherme terá alguma oportunidade na Fúria.

Memória SC: Chico Lins e uma carreira de sucesso no futsal da Espanha

24 de abril de 2013 7

Chico Lins comemora gol pelo Caja Toledo. Foto: Arquivo Pessoal

Chico Lins é conhecido por muitos pelo seu trabalho no futebol, como gerente de Futebol do Figueirense, e no vôlei em dois projetos de sucesso nos times da Unisul e da Cimed. Porém, o que muitos não sabem, ou não lembram, é que Francisco Eduardo Luz Lins é um dos pioneiros do Brasil a jogar futsal na Espanha.

Até hoje Chico é considerado um dos grandes atletas que passaram pelas quadras espanholas. Em nove anos de Espanha o beque defendeu quatro equipes, foi campeão nacional e construiu uma história de sucesso na Europa.

Tudo começou no colégio Catarinense em Florianópolis. Foi com o Colegial que Chico deu os primeiros chutes.

- O padre Roger, que era do colégio, viu o Chico jogando em algumas partidas de futebol de salão. E falou para mim: “Moreira tem um menino bom de bola”. E eu fui ver o Chico com 10 anos. E realmente achei que ele tinha potencial e levei para as minhas categorias de base – relembra o primeiro técnico de Chico, Valci Moreira.

Equipe do Colegial campeão catarinense em 1983. Foto: Arquivo Pessoal

O sonho de Chico Lins sempre foi ser jogador de futebol, porém no Catarinense em 1974 não existia equipe de futebol de campo, por isso sem opções o garoto aceitou jogar no salão.

- Eu fui estudar no Catarinense, mas não tinha uma equipe de futebol de campo. Um dia eu jogava uma partida com o pessoal da minha sala e o Moreira me convidou e por falta de opção eu fui e assim começou a desenhar a minha carreira – conta Chico.

No fim da adolescência, Chico tentou ser jogador de futebol e chegou a treinar nas categorias de base do Flamengo em 1979 no infantil e em 1981 no juvenil. Na temporada de 1984 ele jogou pelo Avaí durante 10 meses, mas desistiu da carreira no futebol e voltou para o futsal.

- Sempre foi um desejo meu ser jogador de futebol e quando a gente foi morar no Rio de Janeiro eu joguei na categoria de base do Flamengo, que era o meu time de coração. Depois eles queriam me dispensar e me disseram que dariam uma carta de recomendação para jogar no América, mas eu não queria. O que eu queria era jogar pelo Flamengo – recorda.

O tempo de jogador no Avaí foi a convite de Valci Moreira, que estava trabalhando na base do Leão, mas após divergências com o treinador do time azurra Chico decidiu se concentrar no que realmente era extraordinário: o futsal.

O primeiro time profissional de Chico Lins foi a Tigre, de Joinville, em 1988, equipe treinada por Fernando Ferretti, um dos maiores treinadores de toda a história do Brasil. Em 89, com o fim da equipe de Joinville Chico foi convidado por Ferretti para ir para a Perdigão. E foi na equipe de Videira, no meio-oeste de Santa Catarina, que o beque chamou a atenção dos espanhóis do Mitsubishi Ceuta.

- Eu o Fabinho fomos para o Ceuta. Mas, eu tive uma lesão no tornozelo e coloquei gesso. Não dava mais para jogar e como o contrato era curto acertei com os caras e voltei para o Brasil, mas nesse tempo já tinha alguns contatos para voltar e logo que cheguei ao Brasil, em junho, acertei meu retorno para a Espanha para jogar no Caja Toledo – explicou Chico.

Time da Perdigão em 1989. Foto: Arquivo Pessoal

Assim, o catarinense de Itajaí foi morar em definitivo na Espanha, mas não foi sozinho. O Caja Toledo pediu para Chico indicar um outro atleta brasileiro para jogar na equipe e ele recomendou o jovem Marcos Sorato, o Pipoca, seu amigo de tempos de Tigre.

- O time vinha da segunda divisão e pediram para contratar um jogador jovem. Eu levei o Pipoca. Ele era um cara de confiança meu e tinha características que eu gostava em um jogador, ele encaixava no meu jogo – conta.

Chico, o técnico brasileiro Zego e Pipoca no Caja Toledo. Foto: Arquivo Pessoal

A dupla fez história na Espanha e até hoje são lembrados como a melhor dupla de estrangeiros do futsal espanhol.

- Temos o nome marcado pelo profissionalismo e pela forma de jogo. Mostramos para eles que tínhamos que ser competitivos no treino – recorda Marcos Sorato, o Pipoca.

Em 1968, a família de Chico se muda para o Rio de Janeiro. Lá, o catarinense se encanta com o Flamengo. No entanto seu pai Eduardo Lins, conhecido como Pimpa, sempre torceu para o Vasco. Por isso, o pai tem tanto orgulho de ter visto o filho em seus últimos anos de carreira vestir o manto cruzmaltino.

Em 1999, após voltar da Espanha e de estar seis meses parado Chico Lins recebe o convite de Fernando Ferretti para jogar no Vasco. Chico volta às quadras e ajuda a equipe carioca a ser campeã estadual e realiza o sonho de Pimpa de ver o filho com a camisa do Vasco.

- Isso é um enfeite na minha casa. Mas sei que o coração dele é rubro-negro – disse Pimpa com o retrato de Chico com a camisa do Vasco na mão.

Depois de atuar no Vasco, o catarinense volta a jogar em sua terra natal defendendo a Unisul, onde era dirigente e jogador. No dia 13 de fevereiro de 2001 em partida amistosa entre a Unisul e o Vasco no ginásio Carlos Alberto Campos, no bairro Estreito em Florianópolis, Chico Lins se despediu da carreira profissional.

Faltou vestir a camisa da Seleção Brasileira

Em 1989, Chico Lins foi convocado para o Sul-Americano de Futebol de Salão. Essa foi a última convocação do catarinense. Até o mundial de 2000, na Guatemala, a Confederação Brasileira de Futebol de Salão não permitia que jogadores que atuassem fora do país estivessem na seleção.

Na época em que foi convocado, Chico jogava na Perdigão, mas ele não teve sorte, uma contusão no adutor fez ele ficar de fora da seleção e dois meses parado.

Pimpa e Chico na praia de Ipanema no Rio de Janeiro em 1969. Foto: Arquivo Pessoal

– Foi uma tristeza. Ainda mais porque a forma como me machuquei foi muito boba, em um aquecimento em um dia de muito frio em Videira, e aí eu perdi a oportunidade na seleção. Em dezembro recebi um convite para ir para a Espanha junto com o Fabinho. Porém, recebemos também uma certa ameaça da confederação brasileira, dizendo, se vocês forem, não serão mais convocados para a seleção – lembra Chico.

Para ele, era difícil resistir ao salário oferecido pela Europa e para ficar no Brasil sem a possibilidade de jogar uma Olimpíada. Como isso nunca aconteceu, Chico não voltou para disputar um campeonato brasileiro em sua melhor fase. Somente em 1999, com 35 anos, ele retornou ao Brasil para jogar no Vasco.

– Naquele tempo realmente jogador que atuava fora do Brasil não era convocado para a seleção. Eu acho que era opção da Confederação não querer o Chico jogando na seleção, como também dos outros brasileiros que estavam no exterior – analisa Valci Moreira, primeiro técnico do Chico no Colegial.

Marcos Sorato, o Pipoca, que foi técnico da seleção e campeão mundial em 2012, jogou com Chico Lins durante seis temporadas. Eles moraram juntos na Espanha, e foi Chico que o levou para o time Caja Toledo. Para ele, faltou no currículo vitorioso da dupla jogar pelo Brasil.

– Na nossa carreira faltou jogar em uma seleção, mas ao mesmo tempo tenho consciência de que hoje, eu que fui treinador da seleção, em algum momento a gente seria convocado se tivéssemos jogado no Brasil. Mas, o Brasil foi soberbo e não convocava jogadores de fora do país. Perdemos o Mundial de 2000, na Guatemala, para aí sim convocarmos jogadores de fora. Porque muito jogadores que defenderam a Espanha poderiam defender a seleção. Mas, fica a certeza que a gente poderia ter participado da seleção em algum momento – ressalta Pipoca.

Ídolo na Espanha

Durante oito anos na Espanha, Chico Lins foi campeão da Copa da Espanha e da Liga. Ele atuou em quatro equipes: três jogos pelo Mitsubishi Ceuta, em 1990; depois, cinco temporadas no Caja Toledo; duas, no El Pozo Murcia, e uma no Interviú de Madrid.

Neste tempo de Espanha, Chico, além de ajudar na evolução do futsal, tornou-se ídolo do esporte no país ibérico. Um exemplo disso é o depoimento de Juan Hernández Sanchez, torcedor do El Pozo Murcia:

– Para mim foi uma honra e um orgulho conhecer e poder ver um de meus ídolos, não só como um jogador, mas como um amigo. Ele sempre estava com um sorriso na cara. Fez uma grande dupla com Marcos Sorato, o Pipoca – disse o torcedor em entrevista pelo Facebook.

Orgulho para Pimpa, Chico com a camisa do Vasco. Foto: Arquivo Pessoal

No El Pozo Murcia Chico Lins fez dupla com Paulo Maravilla, um dos grandes brasileiros no futsal espanhol e que se naturalizou e foi campeão Mundial com a Espanha em 2000, na Guatemala. Porém, nas duas temporadas em que jogaram juntos o time de Murcia não conquistou títulos, mesmo assim Chico ainda é lembrado como um jogador de qualidade.

– Chico na Espanha foi muito importante. Ele foi um dos jogadores brasileiros com mais influência em nosso jogo, era um líder nato e um grande jogador. Todos aprenderam muitíssimo com seu futsal. Fisicamente era muito forte, tecnicamente muito bom, um grande passador e taticamente muito inteligente – analisou Juan.

Ainda hoje existem torcedores que lamentam não terem visto Chico Lins com as cores da Espanha.

– Gostaria de ter visto ele jogar pela Espanha, infelizmente não aconteceu – disse Juan.

• Para saber mais sobre a vida de Chico Lins você pode assistir o webdocumentário que eu fiz sobre em 2011 com imagens de gols dele na Espanha, Vasco e Unisul.