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Memória SC: O campeonato estadual paralelo que só tinha times do interior

20 de janeiro de 2014 2
Foto: Reprodução Almanaque do Futebol Catarinense

Time do Caxias, campeão de 1935 da ACD. Foto: Reprodução Almanaque do Futebol Catarinense

A Federação Catarinense de Futebol completa 90 anos em 2014. Organizadora do esporte no estado desde 1924, a federação comandada por Delfim Pádua Peixoto Filho não foi a única união entorno do futebol em Santa Catarina.

Em agosto de 1935 os clubes de Joinville formaram a Associação Catarinense de Desportos (ACD) e realizaram o seu próprio Estadual com América, Caxias, Cruzeiro, Grêmio, Glória e São Luiz. Isso porque o interior não estava satisfeito com a Federação Catarinense de Desportos (FCD hoje FCF).

As principais reclamações eram que as equipes da Capital eram beneficiadas nas competições estaduais. Disputando entre si os títulos ou sendo ajudadas pela arbitragem. A indignação já era grande antes de 1934, mas após o título homologado do Atlético Catarinense – em um campeonato sem os times de Joinville –, as equipes do interior se organizaram e criaram a ACD.

A Federação Catarinense de Desportos tinha acabado de se recuperar financeiramente de uma grave crise que fez o Estadual de 1933 ser cancelado e no ano que volta a ativa perdia os times do interior.

A nova liga confirmou sua legitimidade junto a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e representou Santa Catarina no Brasileiro de seleções, o que não mudou a rotina de derrotas do estado.

Em 1935, o primeiro campeão da ACD foi o Caxias, que no ano seguinte levou mais um caneco. No último ano da disputa do interior o título ficou com o Ypiranga (de São Francisco do Sul). Em 1938, interior e capital se entendem e o Estadual volta a ter equipes de toda SC. No entendo os títulos da ACD não foram reconhecidos pela FCD.

*Com informação do Almanaque do Futebol Catarinense, de Emerson Gasperin e Zé Dassilva

Memória SC: Clebão torce pelo Figueira na Série B e sonha em treinar o time no futuro

04 de junho de 2013 13

Foto: Caio Cezar, BD, 06/08/2004

Com o acesso para a primeira divisão do futebol brasileiro, em 2001, o Figueirense começou a contratar jogadores famosos em fim de carreira. O método era simples, trazer bons atletas sem espaço em times grandes e dar uma nova oportunidade. Essa alternativa funcionou várias vezes no Orlando Scarpelli e um dos primeiros jogadores famosos a vingar no Scarpelli foi o zagueiro Cléber.

Conhecido no Brasil por fazer parte do time multicampeão do Palmeiras, aquele da parceria com a Parmalat, o zagueiro chegou em Florianópolis em 2003 após ficar seis meses no time suíço Yverdon. A contratação foi feita por Carlito Arini, então gerente de futebol alvinegro, e por Rivaldo e César Sampaio, na época parceiros do Figueirense.

— Eu vim da Suíça e fiquei seis meses lá. Logo depois através do César Sampaio, do Rivaldo e do Carlito, que na época era o gerente de futebol. Eles me falaram do projeto do Figueirense, que tinha acabado de subir e aceitei a proposta, que era interessante. O time tinha uma boa estrutura e condições de brigar por algo — lembra Cléber.

Conhecido pela torcida alvinegra como Clebão, o zagueiro foi campeão catarinense duas vezes pelo Furacão, em 2003 e 2004. No seu primeiro ano no Scarpelli o zagueiro fez dupla com Márcio Goiano e juntos levaram o Figueirense para a Copa Sul-Americana.

— A gente tinha uma equipe muito competitiva com jogadores experiente e jovens. Não tivemos dificuldades nos dois primeiros anos. O nosso objetivo era se manter na primeira divisão, mas a nossa equipe era de qualidade. Entravamos de igual com os outros times. Brigamos por uma vaga na Sul-Americana e conseguimos. Foram anos que a gente conseguiu se manter — explica.

Em 2005, seu último ano no Scarpelli, Cléber quase foi rebaixado. O time alvinegro flertou com a zona de rebaixamento durante todo o campeonato e só conseguiu se salvar na penúltima rodada. Méritos para Adilson Batista que chegou a tempo de reorganizar o time e salvar o Furacão. É o que garante o zagueiro.

— Com a chegada do Adilson Batista deu uma mudada significativa para a nossa equipe. Ele fez uma posicionamento diferente. Ele fez um grande trabalho e ajudou a salvar a nossa equipe. Ele foi fundamental para a permanência na Série A.

Foto: Roberto Scola, BD, 30/08/2004

Clebão queria ficar no Figueirense e encerrar a carreira por aqui, mas as negociações não andaram e ele decidiu ir para o São Caetano. Em 2006 o time paulista foi rebaixado para a segunda divisão. Decepcionado o jogador decidiu encerrar a carreira. Em 2010 deu os primeiros passos como técnico de futebol no Rio Claro, de São Paulo, e teve uma rápida passagem pelo Metropolitano, também em 2010.

Hoje, Cléber é técnico do pequeno Coimbra Esporte Clube, time do grupo BMG, de Belo Horizonte e sonha um dia voltar ao Figueirense.

— Sem dúvida quero ser treinador do Figueirense. Tenho que ganhar experiência e fazer um bom trabalho em outro clube antes disso, mas tenho esse desejo — confessa Clebão.

Foto: Júlio Cavalheiro, BD, 15/10/2005

Torcendo pelo Figueirense

Acompanhando de longe o Figueirense, Cléber torce pelo time na Série B. O ex-jogador confia no trabalho do técnico Adilson Batista, mas alerta que para voltar para a Série A o time tem que manter o ritmo.

— O Figueirense tem grandes chances de subir, principalmente pelo que conheço do trabalho do Adilson Batista. Mas, o Campeonato Brasileiro é muito difícil, competitivo. E depende dos atletas e da comissão técnica para fazer um bom trabalho e conseguir o objetivo — finalizou o Clebão.

Memória SC: Chico Lins e uma carreira de sucesso no futsal da Espanha

24 de abril de 2013 7

Chico Lins comemora gol pelo Caja Toledo. Foto: Arquivo Pessoal

Chico Lins é conhecido por muitos pelo seu trabalho no futebol, como gerente de Futebol do Figueirense, e no vôlei em dois projetos de sucesso nos times da Unisul e da Cimed. Porém, o que muitos não sabem, ou não lembram, é que Francisco Eduardo Luz Lins é um dos pioneiros do Brasil a jogar futsal na Espanha.

Até hoje Chico é considerado um dos grandes atletas que passaram pelas quadras espanholas. Em nove anos de Espanha o beque defendeu quatro equipes, foi campeão nacional e construiu uma história de sucesso na Europa.

Tudo começou no colégio Catarinense em Florianópolis. Foi com o Colegial que Chico deu os primeiros chutes.

- O padre Roger, que era do colégio, viu o Chico jogando em algumas partidas de futebol de salão. E falou para mim: “Moreira tem um menino bom de bola”. E eu fui ver o Chico com 10 anos. E realmente achei que ele tinha potencial e levei para as minhas categorias de base – relembra o primeiro técnico de Chico, Valci Moreira.

Equipe do Colegial campeão catarinense em 1983. Foto: Arquivo Pessoal

O sonho de Chico Lins sempre foi ser jogador de futebol, porém no Catarinense em 1974 não existia equipe de futebol de campo, por isso sem opções o garoto aceitou jogar no salão.

- Eu fui estudar no Catarinense, mas não tinha uma equipe de futebol de campo. Um dia eu jogava uma partida com o pessoal da minha sala e o Moreira me convidou e por falta de opção eu fui e assim começou a desenhar a minha carreira – conta Chico.

No fim da adolescência, Chico tentou ser jogador de futebol e chegou a treinar nas categorias de base do Flamengo em 1979 no infantil e em 1981 no juvenil. Na temporada de 1984 ele jogou pelo Avaí durante 10 meses, mas desistiu da carreira no futebol e voltou para o futsal.

- Sempre foi um desejo meu ser jogador de futebol e quando a gente foi morar no Rio de Janeiro eu joguei na categoria de base do Flamengo, que era o meu time de coração. Depois eles queriam me dispensar e me disseram que dariam uma carta de recomendação para jogar no América, mas eu não queria. O que eu queria era jogar pelo Flamengo – recorda.

O tempo de jogador no Avaí foi a convite de Valci Moreira, que estava trabalhando na base do Leão, mas após divergências com o treinador do time azurra Chico decidiu se concentrar no que realmente era extraordinário: o futsal.

O primeiro time profissional de Chico Lins foi a Tigre, de Joinville, em 1988, equipe treinada por Fernando Ferretti, um dos maiores treinadores de toda a história do Brasil. Em 89, com o fim da equipe de Joinville Chico foi convidado por Ferretti para ir para a Perdigão. E foi na equipe de Videira, no meio-oeste de Santa Catarina, que o beque chamou a atenção dos espanhóis do Mitsubishi Ceuta.

- Eu o Fabinho fomos para o Ceuta. Mas, eu tive uma lesão no tornozelo e coloquei gesso. Não dava mais para jogar e como o contrato era curto acertei com os caras e voltei para o Brasil, mas nesse tempo já tinha alguns contatos para voltar e logo que cheguei ao Brasil, em junho, acertei meu retorno para a Espanha para jogar no Caja Toledo – explicou Chico.

Time da Perdigão em 1989. Foto: Arquivo Pessoal

Assim, o catarinense de Itajaí foi morar em definitivo na Espanha, mas não foi sozinho. O Caja Toledo pediu para Chico indicar um outro atleta brasileiro para jogar na equipe e ele recomendou o jovem Marcos Sorato, o Pipoca, seu amigo de tempos de Tigre.

- O time vinha da segunda divisão e pediram para contratar um jogador jovem. Eu levei o Pipoca. Ele era um cara de confiança meu e tinha características que eu gostava em um jogador, ele encaixava no meu jogo – conta.

Chico, o técnico brasileiro Zego e Pipoca no Caja Toledo. Foto: Arquivo Pessoal

A dupla fez história na Espanha e até hoje são lembrados como a melhor dupla de estrangeiros do futsal espanhol.

- Temos o nome marcado pelo profissionalismo e pela forma de jogo. Mostramos para eles que tínhamos que ser competitivos no treino – recorda Marcos Sorato, o Pipoca.

Em 1968, a família de Chico se muda para o Rio de Janeiro. Lá, o catarinense se encanta com o Flamengo. No entanto seu pai Eduardo Lins, conhecido como Pimpa, sempre torceu para o Vasco. Por isso, o pai tem tanto orgulho de ter visto o filho em seus últimos anos de carreira vestir o manto cruzmaltino.

Em 1999, após voltar da Espanha e de estar seis meses parado Chico Lins recebe o convite de Fernando Ferretti para jogar no Vasco. Chico volta às quadras e ajuda a equipe carioca a ser campeã estadual e realiza o sonho de Pimpa de ver o filho com a camisa do Vasco.

- Isso é um enfeite na minha casa. Mas sei que o coração dele é rubro-negro – disse Pimpa com o retrato de Chico com a camisa do Vasco na mão.

Depois de atuar no Vasco, o catarinense volta a jogar em sua terra natal defendendo a Unisul, onde era dirigente e jogador. No dia 13 de fevereiro de 2001 em partida amistosa entre a Unisul e o Vasco no ginásio Carlos Alberto Campos, no bairro Estreito em Florianópolis, Chico Lins se despediu da carreira profissional.

Faltou vestir a camisa da Seleção Brasileira

Em 1989, Chico Lins foi convocado para o Sul-Americano de Futebol de Salão. Essa foi a última convocação do catarinense. Até o mundial de 2000, na Guatemala, a Confederação Brasileira de Futebol de Salão não permitia que jogadores que atuassem fora do país estivessem na seleção.

Na época em que foi convocado, Chico jogava na Perdigão, mas ele não teve sorte, uma contusão no adutor fez ele ficar de fora da seleção e dois meses parado.

Pimpa e Chico na praia de Ipanema no Rio de Janeiro em 1969. Foto: Arquivo Pessoal

– Foi uma tristeza. Ainda mais porque a forma como me machuquei foi muito boba, em um aquecimento em um dia de muito frio em Videira, e aí eu perdi a oportunidade na seleção. Em dezembro recebi um convite para ir para a Espanha junto com o Fabinho. Porém, recebemos também uma certa ameaça da confederação brasileira, dizendo, se vocês forem, não serão mais convocados para a seleção – lembra Chico.

Para ele, era difícil resistir ao salário oferecido pela Europa e para ficar no Brasil sem a possibilidade de jogar uma Olimpíada. Como isso nunca aconteceu, Chico não voltou para disputar um campeonato brasileiro em sua melhor fase. Somente em 1999, com 35 anos, ele retornou ao Brasil para jogar no Vasco.

– Naquele tempo realmente jogador que atuava fora do Brasil não era convocado para a seleção. Eu acho que era opção da Confederação não querer o Chico jogando na seleção, como também dos outros brasileiros que estavam no exterior – analisa Valci Moreira, primeiro técnico do Chico no Colegial.

Marcos Sorato, o Pipoca, que foi técnico da seleção e campeão mundial em 2012, jogou com Chico Lins durante seis temporadas. Eles moraram juntos na Espanha, e foi Chico que o levou para o time Caja Toledo. Para ele, faltou no currículo vitorioso da dupla jogar pelo Brasil.

– Na nossa carreira faltou jogar em uma seleção, mas ao mesmo tempo tenho consciência de que hoje, eu que fui treinador da seleção, em algum momento a gente seria convocado se tivéssemos jogado no Brasil. Mas, o Brasil foi soberbo e não convocava jogadores de fora do país. Perdemos o Mundial de 2000, na Guatemala, para aí sim convocarmos jogadores de fora. Porque muito jogadores que defenderam a Espanha poderiam defender a seleção. Mas, fica a certeza que a gente poderia ter participado da seleção em algum momento – ressalta Pipoca.

Ídolo na Espanha

Durante oito anos na Espanha, Chico Lins foi campeão da Copa da Espanha e da Liga. Ele atuou em quatro equipes: três jogos pelo Mitsubishi Ceuta, em 1990; depois, cinco temporadas no Caja Toledo; duas, no El Pozo Murcia, e uma no Interviú de Madrid.

Neste tempo de Espanha, Chico, além de ajudar na evolução do futsal, tornou-se ídolo do esporte no país ibérico. Um exemplo disso é o depoimento de Juan Hernández Sanchez, torcedor do El Pozo Murcia:

– Para mim foi uma honra e um orgulho conhecer e poder ver um de meus ídolos, não só como um jogador, mas como um amigo. Ele sempre estava com um sorriso na cara. Fez uma grande dupla com Marcos Sorato, o Pipoca – disse o torcedor em entrevista pelo Facebook.

Orgulho para Pimpa, Chico com a camisa do Vasco. Foto: Arquivo Pessoal

No El Pozo Murcia Chico Lins fez dupla com Paulo Maravilla, um dos grandes brasileiros no futsal espanhol e que se naturalizou e foi campeão Mundial com a Espanha em 2000, na Guatemala. Porém, nas duas temporadas em que jogaram juntos o time de Murcia não conquistou títulos, mesmo assim Chico ainda é lembrado como um jogador de qualidade.

– Chico na Espanha foi muito importante. Ele foi um dos jogadores brasileiros com mais influência em nosso jogo, era um líder nato e um grande jogador. Todos aprenderam muitíssimo com seu futsal. Fisicamente era muito forte, tecnicamente muito bom, um grande passador e taticamente muito inteligente – analisou Juan.

Ainda hoje existem torcedores que lamentam não terem visto Chico Lins com as cores da Espanha.

– Gostaria de ter visto ele jogar pela Espanha, infelizmente não aconteceu – disse Juan.

• Para saber mais sobre a vida de Chico Lins você pode assistir o webdocumentário que eu fiz sobre em 2011 com imagens de gols dele na Espanha, Vasco e Unisul.

Memória SC: Zilton o craque do Paula Ramos, campeão catarinense em 1959

17 de abril de 2013 6

Zilton com a faixa de campeão catarinense de 1959. Foto: André Podiacki

Zilton sempre foi um senhor simpático, com sorriso no rosto me desejava bom tarde enquanto eu passava em frente ao portão de sua casa com minha bicicleta em direção à mercearia da Dona Hilma, no final da rua onde moro até hoje. Eu tinha pouco mais de dez anos e por pura simpatia já adorava aquele vizinho boa-praça.

Mas, a minha admiração por ele só foi aumentar anos depois quando sentado na frente da minha casa conversando com meu pai vi Zilton passar ao lado de sua esposa Dirney e desejar bom dia para nós. Foi naquele dia que descobrir, através de meu pai, que aquele senhor de poucos cabelos tinha sido um grande jogador de futebol. Campeão catarinense em 1959 com um time histórico do Paula Ramos.

Zilton vive tranquilamente no bairro Estreito, onde nasceu e foi criado. Junto com outros amigos criou o time amador Oswaldo Cruz, que era o nome da rua onde morava. Foi no campo dessa equipe amadora, onde hoje é o Colégio Aderbal Ramos da Silva, que aquele centromédio esguio começou a jogar futebol.
Seu primeiro time profissional foi o Paula Ramos. A equipe de Florianópolis, que hoje tem apenas sua sede social na

Avenida Madre Benvenuta, no bairro Trindade, na época era um dos grandes times do Estado. E em 1959 formou um time de qualidade que ao derrotar o Carlos Renaux por 2 a 0, no dia 24 de abril de 1960, tirou a Capital de uma fila que já durava 14 anos. A última vez que um time de Floripa havia levantado o troféu do Catarinense tinha sido o Avaí em 1945.

— O Paula Ramos sempre será o meu time. Aquela equipe de 1959 era ótima, ficou guardada. Tínhamos um ótimo grupo de muita técnica. E olha que do outro lado tinha o Teixeirinha, que era o melhor jogador do Estado — lembra Zilton.

A camisa do título de 1959. Foto: André Podiacki

Foi no time rubro-negro que Zilton fortaleceu laços de amizade com Nelinho, segundo ele o seu maior companheiro dentro e fora de campo no futebol. Assim como Valério Matos, o craque do Paula Ramos.

— O Valério sempre foi um líder era ele que negociava o nosso bicho. Lembro que eu adorava quando o estádio lotava, porque ai o bicho era bem gordo — recorda Zilton com um largo sorriso.

O dinheiro nunca foi problema para o jogador Zilton. Os tempos eram outros e os salários não podem ser comparados com os de hoje, porém o centromédio conta que sempre foi um dos melhores pagos nos times que passou e que não teve dificuldades para viver do esporte. Mesmo assim trabalhou no Besc, já que à época era natural ter outro emprego para conseguir completar a renda.

Dirney e Zilton. Foto: André Podiacki

— Eu sempre fui um dos atletas mais bem pagos do elenco. Eu sempre negociava bem o meu contrato e não passava mais de um ano em um mesmo clube — conta o manezinho que passou por Carlos Renaux, Comerciário, Marcílio Dias, Figueirense, Avaí, entre outros clubes.

O sonho de Zilton sempre foi jogar no Botafogo, e apesar de ter tido alguns convites para jogar em outros clubes no Brasil nunca saiu de Santa Catarina, pois queria ficar próximo da família. Além disso, sua sogra tinha uma grande resistência sobre sua profissão.

— A minha sogra não queria que eu casasse com a Dirney, ela falava que todo jogador de futebol era vagabundo (risos). Mas depois eu a conquistei.

Momento popstar

Foi em Criciúma que Zilton viveu seu momento popstar. A cena descrita por Zilton e sua esposa Dirney é tumulto que só vê hoje em grandes contratações como foi a de Seedorf pelo Botafogo.

Depois de ser campeão pelo Paula Ramos, Zilton e Nelinho foram procurados pelo diretor do Comerciário, de Criciúma, Paulino Búrigo para ir jogar no time do Sul do Estado.

— O Lauro Búrigo (que era o técnico do time) veio a Florianópolis para levar eu e o Nelinho para o Comerciário, em Criciúma. Ele veio de Cadillac junto com o Paulino Búrigo, que era o diretor técnico do time. Quando chegamos em Criciúma a praça estava cheia, lotada. Foi uma grande festa — recorda.

Em Criciúma uma grande festa pela contratação de dois astros do futebol catarinense foi organizada. Os torcedores lotaram a praça da cidade, com direito a fogos de artifício.

— Eu lembro que começaram a estourar fogos de artifício e depois que acabaram os fogos algumas pessoas tiraram suas armar e davam tiros para o alto. O nosso hotel estava lotado de jornalistas e que quando me viram falaram: “Olha a esposa do Zilton”. E começaram a tirar várias fotos — conta Dirney.

Medalha que todos os jogadores da Seleção Catarinense ganharam pela campanha de 1959. Foto: André Podiacki

Glória catarinense

A vitória com o Paula Ramos é um dos momentos mais especiais da vida futebolística de Zilton, mas não é a única. Em 1960, o centromédio fazia parte da Seleção Catarinense que ficou conhecida como a Escrete de Ouro. O carinho apelido veio depois das vitórias em cima do Paraná e Rio Grande do Sul. Mesmo sendo eliminado no Campeonato Brasileiro de Seleções por Minas Gerais na rodada seguinte a seleção catarinense foi naquele ano a campeã do Sul.

A grande festa aconteceu depois da classificação em Porto Alegre. Santa Catarina havia sido eliminada oito vezes do campeonato de seleções pelo Paraná e quatro pelo Rio Grande do Sul. Porém, no campeonato de 1959 (que foi disputado até 60) a história seria diferente. Depois de passar pelo Paraná a Seleção Catarinense bateu os gaúchos no Adolfo Konder por 4 a 2. No Olímpico o goleiro Gainete defendeu tudo e Teixeirinha marcou os dois gols da vitória Barriga Verde.

— Para mim o Teixeirinha foi o melhor jogador catarinense que eu vi jogar. Ela era muito bom. Aquela sequência de vitória da Seleção Catarinense foi marcante. Quando voltamos fomos recebidos na Praça XV com uma grande festa. Isso ficou marcado — recorda Zilton.

• Abaixo tem um vídeo sobre os 50 anos do título catarinense de 1959. O vídeo tem aproximadamente nove minutos e foi feito pela agência Em Voga a pedido do Paulo Ramos. Nele Zilton e Valério Matos contam a história desse título.

Milton Nienov, ex-goleiro do Figueirense, tem carreira de sucesso na África do Sul e sonha em voltar para o Brasil: 'Quero ser técnico'

10 de abril de 2013 6

Foto: Flávio Neves

Palmitos possui segundo o IBGE, no Senso de 2010, 16.021 habitantes. Essa cidade no Oeste de Santa Catarina, a 612 quilômetros de Florianópolis, é uma celeiro de bons goleiros. O titular do Figueirense, Ricardo, é de Palmitos. E, também, foi nessa pequena cidade que nasceu Milton Nienov que defendeu o Alvinegro em 1989 e 90.

Milton Nienov começou a carreira nos juniores da Chapecoense, mas depois se mudou para Florianópolis e começou a trabalhar no Figueirense. Foi no clube da Capital que Nienov se tornou profissional. A aposentadoria aconteceu em 2000 através de um convite do Furacão para que seu antigo goleiro voltasse para o clube, mas desta vez para treinar os goleiros da categoria de base.

- Em 2000, um amigo de Porto Alegre me ligou e disse que tinha dois jogadores que ele queria uma indicação para o Figueirense e perguntou se eu teria um amigo lá. Eu fui conversar com o seu Joel que era o supervisor do júnior. No meio da conversa ele me cortou e me fez uma oferta para ser o treinador de goleiro da base. Isso que eu ainda não estava pensando em me aposentar. Aceitei e fiquei 11 meses na base. Trabalhei e fui para o profissional em 2001 e a gente consegui o acesso para a Série A. E assim trabalhei até fui até 2005 – lembra Nienov.

Foi no Figueirense que Nienov conheceu Dorival Júnior que o levou para o Sport de Recife. Do time pernambucano o treinador de goleiros foi para o Vasco a convite de Celso Roth. Quando o técnico foi demitido do time carioca Nienov foi para a Chapecoense e depois Metropolitano, foi quando apareceu um convite inusitado:

- Eu tive uma indicação do Muricy Ramalho. Ele me disse: “Ó tem um amigo meu que está precisando de um treinador de goleiro na África do Sul, você quer ir?”. E fui com o maior prazer – revelou.

Nienov chegou na África do Sul em 2009 e foi recebido com muito carinho. Nos primeiros meses teve a ajuda de um moçambicano que trabalhava há 20 anos no clube. Foi ele que o ajudou a se adaptar a nova realidade.

- A adaptação foi maravilhosa, eu não achei que seria tão boa. Eu não conhecia nada de inglês, pouca coisa. Cheguei lá o meu time estava em 13º, em quatro messes de trabalhos fomos para a quarta posição. E no meu time tinha um auxiliar técnico que me ajudou muito. Ele era de Moçambique, então falava português, e estava lá há 20 anos e por isso conhecia todas as línguas do país. Então tudo que eu tinha para aprender ele me ensinou – conta.

Nienov e o goleiro titular do Free State Stars, Kennedy Mweene. Foto: Divulgação

Milton Nienov trabalha no Free State Stars, que atualmente está em nono do campeonato nacional. O seu goleiro é o Kennedy Mweene da Zâmbia.

- Na minha área é onde eu vejo mais qualidade nos atletas. Temos mais dois treinadores de goleiro lá. Então a gente conversa bastante e a evolução deles é muito grande. O Khune, goleiro titular da seleção africana, tem um potencial muito grande – analisa.

E não é apenas o professor que gosta do aluno. Em 2011, seu pupilo declarou:

- Eu gostaria de agradecer o meu treinador Milton Nienov que me inspira a esculpir as minha habilidades de goleiro – disse Kennedy Mweene.

A hora de virar técnico

Milton Nienov não perde a oportunidade de visitar o Figueirense quando está em Florianópolis. E foi em uma dessas visitas que eu conversei com ele. Milton é uma pessoal bem tranquila e que assim como a maioria dos ex-atletas sonha em ser treinador de futebol. E esse será seu passo seguinte. O contrato com o Free State Stars vai até o junho do próximo ano e o ex-goleiro do Figueirense pensa em assumir alguma equipe.

Foto: Dilvulgação

- A minha intensão é voltar para o Brasil, eu quero mudar de posição e virar técnico. Já tenho muitos anos de futebol e tenho certeza que tenho condições de ser treinador. E quando eu mudo de setor é porque tenho certeza que tenho condições de assumir. Estou atrás dessa oportunidade. Então, temos que esperar uma situação aparecer. Penso nisso, mas não é uma obsessão. É um objetivo e vai aparecer e vou virar treinar e tenho certeza que vou ser um dos grandes do Brasil – profetiza confiante.

Atrás desse sonho de ser treinador, Nienov vai deixar para trás a tranquilidade que tem na África do Sul, onde sua família está adaptada e vai voltar ao Brasil, mesmo sabendo que tem que começar por baixo.

- Conversando com muitos amigos aqui acredito que eu posso voltar. Claro, que você não vou começar em time grande, mas isso não tem problema eu vou buscar meu espaço – garantiu.

Futsal: conheça a história do clássico da linguiça

01 de abril de 2013 3

Time da Perdigão em 1989. Foto: Reprodução

Em 1985 uma partida de futebol de salão ficou conhecida no Brasil como o clássico da linguiça. A disputa entre duas grandes empresas de alimentos saiu das prateleiras dos mercados e foi parar na quadra com as equipes de Perdigão (Videira) e Sadia (Concórdia).

Durante seis anos esse foi o maior clássico do futsal catarinense, pois as duas equipes eram as principais do esporte da bola pesada em Santa Catarina. Ao total foram 15 partidas entre 1985 e 1991. Foram 11 vitórias para a equipe de Videira, três vitórias para a Sadia e um empate.

Chico Lins, um dos maiores jogadores de futsal da história de Santa Catarina, atuou na equipe da Perdigão em 1989 e participou de dois clássicos. Foram duas vitórias apertadas por 2 a 1.

– O clássico da linguiça era forte. A Sadia não tinha um time tão potente quanto a Perdigão na época, mas tinha um timaço –recorda Chico Lins.

Uma das diferenças entre as equipes era que a Perdigão contratava muitos jogadores de fora de Videira, enquanto a Sadia criava seus atletas na categoria de base.

– A Sadia tinha jogadores que eram muitos bons, mas formados nas categorias de base de Concórdia. Eu me lembro do Gil, do Xavantina, e do goleiro Jace – lembra Chico.

A rivalidade foi à marca registrada do encontro entre os times do clássico da linguiça. Afinal, as duas empresas que davam nome aos times eram grandes rivais no mercado de alimentos, antes da fusão entre Perdigão e Sadia em 2009, que deu origem a BRF.

– Eram duas empresas do mesmo ramo, duas equipes muito fortes do futebol de salão. Então, a rivalidade era muito grande – finalizou Chico Lins.

Em dezembro de 1991 a Perdigão botou fim ao supertime de futsal alegando problemas financeiros. Ao todo a equipe de Videira conquistou 21 títulos, incluindo o bicampeonato brasileiro (87 e 90) e o tri sul-americano (88, 89 e 90). A Sadia não demorou a acabar com seu time e no fim 1994, também por motivos financeiros, encerrou as atividades no futsal.

Confira abaixo a lista dos 15 jogos disputados entre as equipes:

14/09/1985 – Sadia 3 X 4 Perdigão – Partida em Concórdia
16/11/1985 – Perdigão 10 X 1 Sadia – Partida em Videira
28/12/1985 – Perdigão 2 X 1 Sadia – Partida em Videira
13/12/1986 – Sadia 3 X Sadia – Partida em Concórdia
18/12/1987 – Perdigão 8 X 2 Sadia – Partida em Videira
12/11/1988 – Perdigão 3 X 0 Sadia – Partida em Videira
28/11/1988 – Sadia 1 X 4 Perdigão – Partida em Concórdia
13/12/1988 – Perdigão 2 X 2 Sadia – Partida em Videira
28/12/1988 – Sadia 1 X 5 Perdigão – Partida em Concórdia
22/12/1989 – Perdigão 2 X 1 Sadia – Partida em Videira
29/12/1989 – Sadia 1 X Perdigão – Partida em Concórdia
07/12/1990 – Sadia 4 X 3 Perdigão – Partida em Concórdia
18/12/1990 – Perdigão 3 X 5 Sadia – Partida em Videira
07/07/1991 – Perdigão 4 X 3 Sadia – Partida em Goiás
27/08/1991 – Sadia 4 X 2 Perdigão – Partida em Concórdia

A história de Rubens Minelli no futebol catarinense e sua influência em Adilson Batista, do Figueirense

27 de março de 2013 0

Esse é o primeiro, espero, de muitos textos aqui no blog. E para começar eu escolhi falar de um dos principais profissionais do futebol brasileiro que teve seu último capitulo escrito aqui em Santa Catarina e que influenciou muito Adilson Batista, técnico do Figueirense, que sempre que tem a oportunidade cita o nome de Rubens Minelli.

Rubens Minelli, no Avaí em 2003. Foto: Júlio Cavalheiro/Agência RBS

Santa Catarina foi a casa de grandes jogadores que, geralmente, em fim de carreira desfilaram seu futebol por essas terras. Aqui, também foi o local que vários técnicos de ponta do Brasil deram seus primeiros gritos contra a arbitragem. No entanto, em 2002, João Nilson Zunino, no seu primeiro ano na presidência do Avaí, trouxe para a Ilha um dos homens mais importantes do futebol brasileiro: Rubens Minelli.

Minelli é um dos poucos treinadores que podem ser considerados completos. Ele é o primeiro tricampeão brasileiro genuíno vencendo o campeonato em 1975 e 76 com o Internacional e depois em 1977 com o São Paulo. Mesmo com toda a qualidade que tinha para administrar seus times em campo, Minelli chegou no Avaí para ser superintendente de Futebol, ou seja o homem de confiança de Zunino e responsável pelas contratações. Foi no Avaí que Rubens Minelli conheceu Adilson Batista.

Minelli em outubro de 1985 no Grêmio. Foto: Antônio Vargas/Agência RBS

Adilson é um treinador inteligente e que gosta de estudar a história do futebol e sua admiração por Minelli não é segredo. Diversas foram às vezes que o atual técnico do Figueirense falou sobre o trabalho do mestre Minelli e do que aprendeu com ele. Os poucos meses de convívio também serviram para que o tricampeão brasileiro se encantasse com Adilson Batista. Afinal, desde o início da carreira, Adilson sempre demonstrou sua veia criativa na montagem dos times.

- Eu já conhecia o Adilson e admirava ele como jogador e líder. Fomos trabalhar juntos e acredito que fizemos um bom trabalho. Alguns detalhes impediram o Avaí de ganhar o título, mas fizemos o que estava ao nosso alcance na época. Eu assistia todos os treinos e as preleções e trocávamos algumas ideias. A didática de treinamento dele era muito boa e agitada. Desde então eu acompanho ele de longe – contou Minelli por telefone.

O Avaí foi o último clube que Rubens Minelli trabalhou no futebol profissional. Hoje, o ex-treinador vive no bairro Paraíso, zona sul de São Paulo, e tem chácara em Valinhos, interior paulista. Está afastado dos campos, mas não longe do futebol. Minelli admite que é viciado no esporte que Charles Miller trouxe para o Brasil e que assiste quase todos os dias, e sem discriminação de divisão, muitos jogos.

- Eu resolvi parar logo depois de trabalhar no Avaí. Estava cansado. Mas, não sinto falta porque eu nunca larguei o futebol, porque assisto a tudo. Eu acompanho os estaduais, a primeira divisão do Brasil, a segunda, Copa do Brasil, futebol espanhol, inglês, Champions. O futebol faz parte da minha vida não tem como ficar longe – disse.

O que ficou para a história foram as inovações propostas por Minelli ao futebol brasileiro e elas não se limitaram às formas de trabalho, que contavam com fotos e videocassete. Seus métodos de lidar com os atletas e de estudar o esporte também anteciparam uma nova era, que hoje Adilson Batista faz parte.

- O Adilson foi um jogador líder e sempre foi capitão. Quando ele passou para treinador lançou o método dele de trabalho que é muito bom. O Adilson é um treinador que agrada o jogador porque não repete treino. O time entra em campo e ele não perder tempo e tenta sempre usar a bola, para não deixar os atletas entediados. O treinamento tático dele é muito bom. A preleção então, nem se fala. É uma pessoa de caráter, de muita liderança e conhecimento. O Figueirense está no caminho certo com ele, tenho certeza.

Por considerar Adilson Batista inteligente e inovador, Minelli defende as artimanhas do pupilo. É comum você ouvir alguém chamar o treinador do Figueirense de professor Pardal, em referência ao personagem da Disney. Em 2006, na sua primeira passagem pelo Orlando Scarpelli, Adilson chegou a colocar Marquinhos Paraná como zagueiro na escalação, com direito a número quatro na camisa, no entanto em campo Marquinhos fazia a função de meio-campo.

- O treinador deve e pode usar essas artimanhas. Eu era de um tempo em o centromédio usava o número cinco e eu comecei a usar o cinco como volante que apoiava. Me disseram que eu estava inventando, mas eu só mudei os números. Isso era algo apenas para confundir às vezes o time adversário, mas o Adilson tem as suas jogadas, e elas são boas. O futebol independentemente da tática é um duelo individual. O lateral vai jogar contra o ponta. O meio-de-campo contra outro o meio-de-campo e a superioridade técnica vai fazer a diferença – explicou.

Rubens no Maracanã na semifinal do Brasileirão de 1975. Foto: Hipólito Pereira/Agência RBS

O último trabalho no futebol foi em SC

Rubens Minelli chegou no Avaí em 2002 no primeiro ano de Zunino na presidência do Leão. Minelli dizia que não existe futebol profissional sem um centro de treinamento e de bons gramados. A criação de um CT era uma dos principais objetivos de Minelli. Porem a falta de resultados em campo derrubaram o superintendente e assim encerrou a carreira do ex-técnico que decidiu se aposentar aos 75 anos.

Para o lugar de Minelli, o presidente Zunino montou uma nova estrutura de futebol. O suíço Eric Lovey, responsável por levar Ronaldinho Gaúcho para o PSG da França, assumiu como diretor de Futebol. Lúcio Rodrigues ficou no lugar de Rubens Minelli como superintendente. Mesmo assim, Minelli elogiou Zunino por sua dedicação ao Avaí.

- Eu acho que ele (Zunino) foi um grande presidente e teve muitas dificuldades. Na época faltou alguém para ajudar ele, entrava pouco dinheiro e os patrocinadores não pagavam muito. O Zunino fazia de tudo para manter o pagamento em dia. Ele fazia um milagre para manter o time. Hoje eu parei de acompanhar, mas acredito que ele conseguiu mais aliados e ainda conseguiu o acesso em 2008 para a Série A – finalizou.