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Posts na categoria "turismo acessivel"

Enfim, sensação de liberdade!

19 de agosto de 2011 0

Há exatamente 10 meses atrás eu estava lá do outro lado do mundo... em Barcelona!

Quando compramos a passagem eu não tinha muita idéia do que esperar, estava empolgado porque ia conhecer Paris, como sempre quis, e só! Só? Engano meu...

Nosso voo fez conexão em Doha, no Catar, e lá mesmo notei uma grande diferença entre o outro lado do mundo e o Brasil: notei que eu não era invisível pra eles. Fui extremamente bem tratado no Aeroporto, no Hotel... Apesar da mulher ser submissa ao homem na cultura deles, não deixaram em nenhum momento a Camila conduzir minha cadeira, carregar malas. Sempre tinha alguém ao meu lado pra me ajudar.

No dia seguinte fomos pra Barcelona e foi lá que eu tive uma das maiores sensações da minha vida: liberdade! Quem já esteve por lá sabe do que estou dizendo, e quem nunca esteve, por favor, vá! Eu fui mais pra agradar minha arquiteta porque um dos sonhos dela era conhecer a cidade então quando casamos pensei: vou levá-la! No fim das contas, eu acabei me encantando com a cidade tanto quanto ela.

Chegamos numa tarde ensolarada e de céu azul. O Aeroporto era lindo,  limpo, super sinalizado, uma coisa de outro mundo. Apesar de todas as facilidades de transporte que o Aeroporto oferece, acabamos pegando um táxi porque levar uma cadeira de rodas, malas...  por mais fácil que seja, não dá né!

Na chegada, um posto de informações que providenciou um táxi pra gente

No caminho Aeroporto – Hotel eu já fiquei encantado e entendi porque minha Camila gostava tanto daquele lugar:  A cidade linda, tudo bem organizado, casas, prédios bem feitos, ruas sinalizadas, limpas e largas, ciclovias... e praia!

Nosso primeiro dia por lá foi normal, apenas caminhamos pelas ruas da cidade porque já era fim de tarde. No dia seguinte começamos realmente nosso passeio e aí que fui me dar conta que lá eu sou como você aí que está lendo... lá, eu posso ir em todos os lugares, posso andar de ônibus, de metrô e até de teleférico! Sim... até o teleférico é adaptado.

No Teleférico de MontJuic - Totalmente adaptado!

Eu noto quando uma cidade é acessível para todos quando vejo pessoas com algum tipo de deficiência andando pelas ruas, e lá... vi muitos! Gente passeando nos calçadões, nos parques... na praia. Até a praia é acessível pra mim! Como cadeira de rodas e areia não combinam, em muitas áreas da praia eles colocaram decks de madeira, então eu consigo chegar sem nenhum problema. Eu vi banheiros públicos adaptados por todos os lugares, vagas para pessoas com deficiência livres, aguardando alguém que realmente precise...

Praia adaptada - Barceloneta!

Eu fiquei encantado, me senti parte daquele lugar, não me irritei nenhum único momento e não me senti excluído. Senti que tudo aquilo que eu estava vendo, me pertencia. Claro que em alguns lugares era muito mais prático eu ir de táxi, mas convenhamos... isso foi tão pouco que é irrelevante de se falar.

Não estou aqui hoje pra dizer que Barcelona é linda, maravilhosa, é isso ou é aquilo. Eu escolhi Barcelona pra minha Lua-de-mel pra satisfazer a vontade da minha esposa e, sem querer, fomos para o melhor lugar do mundo (pelo menos até agora) que eu poderia estar só com ela, sem precisar de ajuda de ninguém pra me subir ou descer dos lugares... nunca nos sentimos tão livres!

Em Barcelona eu tive a liberdade que gostaria de ter aqui... sim, lá me parece ser o melhor lugar do mundo pra morar!

Port Vell :))



O primeiro dia do resto de nossas vidas

06 de julho de 2011 0

Há dois posts atrás eu contei pra vocês sobre meu casamento. Foi um casamento normal, apesar de algumas adaptações como o fato de irmos embora em carros separados, por exemplo, mas diferente mesmo foi o dia seguinte.

Eu e a patroa passamos a primeira noite de casados num Hotel (no mesmo que a família dela estava hospedada, inclusive no mesmo andar – coisa de Camila), acordamos e, ao contrário de um casal normal que sai do hotel junto e provavelmente vai viajar, eu fui embora e a Ca ficou. Talvez pensem “nossa, mas que homem insensível”, mas não teve jeito. Nós dois estávamos com visitas, cada um na sua casa, com programas diferentes e eu ainda preciso de ajuda pra muita coisa, então, foi a melhor maneira que encontramos pra passar nosso primeiro dia de casados tranquilos.

A Ca tinha combinado um passeio de barco com a família dela pra mostrar a Orla de Porto Alegre e eu e minha família fizemos um almoço em casa. Claro que seria muito divertido juntar todo mundo mas eu tenho um pouco de medo dessa história de barco e ainda achei que o famoso Cisne Branco, que faz passeios pelo Rio Guaíba aqui em Porto Alegre, não tivesse acesso pra mim. Quebrei a cara! Entrei em contato com o Cisne Branco através do site (clique aqui) e a informação que me passaram é que sim, tem acesso para cadeirantes! Claro que nem tudo são flores e não tenho como ir ao banheiro, por exemplo, mas se em vários barzinhos e restaurantes não tem banheiros adaptados, eu não poderia realmente imaginar que num barco tivesse. Só de saber que um dia, se eu tiver coragem, posso dar um passeio pela orla de Porto Alegre, já fico feliz!

Isso sim realmente é importante, afinal, logo logo sediaremos uma Copa do Mundo e num evento desse porte espera-se acessibilidade universal... certo?? Sinceramente tenho dúvidas se isso vai funcionar não só aqui em Porto Alegre como nas outras cidades também, mas pelo menos por aqui o passeio de barco está garantido.  (Em outro post também vou falar sobre acessibilidade dos aeroportos)

Outra coisa que andei pesquisando, até pela experiência que passei lá do outro lado do mundo, foi o Ônibus Turístico aqui de Porto Alegre e sim, ele também é acessível!! Fiquei muuuito feliz porque, acreditem, em Paris, a cidade mais visitada do mundo, o Ônibus Turístico não é acessível (mais um post garantido, que vocês vão ficar horrorizados!).

Aqui nós temos duas linhas: Linha Turismo Centro Histórico e a Linha Turismo Zona Sul. Se você ficou interessado pelos passeios, clique aqui para maiores informações.

Agora, claro... eu posso passear no Ônibus Turístico e no Cisne Branco mas não consigo me imaginar fazendo turismo pelas ruas do centro de Porto Alegre. Lá sim esqueceram que existem pessoas que não podem pular os buracos das calçadas e precisam de auxílio pra atravessar a rua porque rampa não existe e, quando tem, algum bonitinho faz o favor de estacionar o carro bem na frente, como se já não bastasse roubar minha vaga especial...

Realmente, apesar do ótimo exemplo em alguns aspectos, Porto Alegre ainda deixa muito a desejar quando o assunto é acessibilidade universal. Já melhorou muito, confesso, mas ainda tem muito que fazer.  Bem, ainda temos 3 anos!! Vamos nos mexer!

Acesso PROIBIDO!

08 de junho de 2010 3

Hoje venho com mais uma de pré-conceito pra vocês, mas essa não se refere especificamente à minha situação de cadeirante. O que vou detalhar é triste, pois terei que falar mal de um dos lugares que mais amo: o Estádio Olímpico, minha segunda casa!

Como sou gremista desde guri , há anos vou aos jogos, mesmo tendo dificuldade de locomoção. E esse hobby era um dos meus preferidos, pois além de torcer de perto pelo meu time do coração eu me divertia com os amigos de fé. Veio a primeira facada: Os deficientes físicos ganharam local especial nos estádios e, por questão de segurança, tive que me separar dos parceiros. Foi ruim, mas eu entendi e até concordo; se queremos nossos direitos temos que aceitar esse tipo de coisa, paciência. Apesar disso, não deixei de ir ao Olímpico. O local reservado para os PPNE’s não é dos piores, só tem que chegar cedo pra ficar bem na frente, caso contrário fica difícil de enxergar...A grande questão é que o nosso “cantinho” fica no local destinado aos camarotes e aí começa meu segundo problema...

No último Grenal fui com a patroa ver o Tricolor e o Monumental estava lotado. Na hora do intervalo, fiquei com vontade de tomar um refri e pedi ao garçom, sim, nós temos esse atendimento!! Porém, como a demanda era muita, a bebida não chegava nunca, resolvi, então, ir até o bar...Tentei, né?! Quem disse que eu consegui??? Não, não foi pela inacessibilidade ou pelo tumulto e sim por puro preconceito!!! Na hora do intervalo, os frquentadores dos camarotes circulam pelos corredores e, nós cadeirantes, reles mortais, não podemos ficar desfilando pra não ofuscar a visão dos demais nobres torcedores.

Claro que isso não me foi dito de maneira direta, até tentei saber o porquê dessa atitude e apenas escutei: são as regras... Mas, vamos combinar...para um bom entendedor, meia palavra basta! E quem já passou por isso, sabe que na hora da pra notar qual o real sentido da tal “regra”. É uma pena, mas eu não podia deixar assim e me calar e aqui termino mais um desabafo!! Quem tiver alguma coisa pra acrescentar, comente! O espaço está aberto, inclusive, para um direito de resposta.

Carro Style para cadeirante

01 de junho de 2010 5

Com certeza, quem é “cadeirante” e possui condições de dirigir já se imaginou chegando na balada com um carrão todo no style, sem precisar de toda aquela função de transfer... pra quem não sabe o que é: -(transferir-se da cadeira de rodas pro banco do carro e vice-versa)- mas isso hoje em dia aqui no Brasil só é possível em alguns modelos de carros adaptados, mas somente como passageiro, ao contrário vai ter que fazer essa chatice do transfer. Já se imaginou estar todo na beca e ajeitado em sua cadeira, e daí ter que entrar no carro? É todo um ritual, primeiro tem que grudar a cadeira no carro, ou seja, cedo ou tarde vai deixar alguns arranhões, depois se você consegue transferir- se sozinho é um tal de puxa perna, levanta braço, um pouquinho pra lá, um pouquinho pra cá e tchunummm feito, e agora o como fazer pra guardar a cadeira? Te vira magrão, ninguém mandou ficar ”mal-acabado” hehe... É uma ginástica! Já aqueles que precisam contar com ajuda pra fazer o transfer, podem recorrer à patroa, amigos etc. ou então, contratar um “motorista”, chique não?! hahaha. Não concordam que é uma chatice? O pior é quando precisamos fazer toda essa função pra percorrer 5 km. ninguém merece!

Bom, parece que surgiu uma luz no fim do túnel para alguns de nós, a empresa húngara Rehab, Rt. acabou de lançar o Kanguru o primeiro automóvel criado inteiramente para cadeirantes, o único defeito é que é só para um passageiro, talvez com um pouco de sorte, você vai conseguir levar o seu cachorro, caso possua um.
Ah mas de pequeno porte, ok.

Turismo Acessível

03 de março de 2010 0

Pessoal vocês recordam que falei que vou casar em Outubro?! Pois é, parece que ainda falta muito. Eu também pensava assim, até que eu comecei a fazer uma listinha de tudo que preciso resolver e acreditem os meses que faltam pro dia "D" não são muitos diante das coisas que ainda preciso resolver.

Como prometido vou escrever toda preparação do casamento, para trabalharmos em equipe, pois sem hipocrisia nenhuma, posso garantir para vocês que a nossa sociedade não está preparada para o casamento de um cadeirante. O capítulo de hoje será a Lua de mel.

Antes de eu e a patroa decidirmos o destino da nossa lua de mel, resolvi procurar alguma empresa de turismo acessível que pudesse nos assessorar, pois como essa viagem será pra relaxar eu não quero ter nenhuma surpresa desagradável.

E para minha decepção eu não encontrei nenhuma empresa de turismo acessível aqui no Rio Grande do Sul. Sendo assim e com a ajuda da internet foi que descobri uma empresa de turismo acessível muito bacana na cidade de São Paulo. Após algumas trocas de e-mail’s, telefonemas com a proprietária da empresa  Accessible Tour, a simpática e eficiente Sra. Fátima, tive certeza de ter encontrado o que realmente eu estava buscando.

A Accessible Tour é uma empresa de turismo acessível que dá todo apoio necessário para o portador de necessidades especiais. Pude perceber que está preparada para oferecer roteiros de viagem realmente acessíveis às necessidades e prestar orientação correta para que seus parceiros (meios de hospedagem, transportes, receptivos e atrativos) possam estar adequados para o atendimento dos “turistas especiais”.  

Um dos diferenciais que mais me chamou atenção foi à opção do deficiente poder viajar sozinho, independente das suas necessidades e deficiência, pois nesses casos a própria empresa oferece o serviço de auxilio 24hs. Claro que nesses casos tem um custo maior, mas pelo menos existe essa opção.

Agora só falta escolher nosso destino dentre vários e arrumar as malas.

Lua de mel resolvido! Acabo de riscar esse item da minha lista J

E aí, alguém me sugere algum destino legal?

P.S: Quem quiser conhecer a Accessible Tour, clica AQUI.