Sábado é meu dia preferido da semana - e nem por isso menos estressante. O problema é que tudo aquilo que não tenho tempo de fazer durante a semana eu tento resolver no sábado. Supermercado? Sábado. Comprar adubo para as plantas? Sábado. Cortar o cabelo? Sábado. Iniciar as caminhadas periódicas na esteira? Sábado. Colocar a leitura em dia? Sábado. Sábado, sábado, sábado: sábado é meu dia de aleluia.
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O que acontece, então? O que aconteceu no último sábado: fico andando em círculos no meio da sala, sem saber por onde começar. Neste sábado, eu tinha ainda mais um compromisso, firmado aqui na semana passada: iniciar o post-it Férias em Porto Alegre com uma ida ao Mercado Público. Eu fui. Mas do passarinho saiu um urubu. Eu explico.
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Acontece que meu marido resolveu que queria tirar férias comigo e ir ao Mercado Público também. Só que ele, assim como eu, também tinha trocentas coisas para resolver no sábado. E o tempo foi passando. Dez, onze, meio-dia, uma da tarde, duas, três... Às três e meia eu tive um chilique.
- Ou vamos já ou não conseguimos almoçar no Gambrinus para eu postar umas dicas bacanas!
- Calma que vai dar tempo - retrucou ele.
Ele sempre acha que tudo vai dar tempo.
Estacionamos em frente ao mercado faltando cinco minutos para o Gambrinus fechar. Parecia que eu tinha sido escalada para uma prova de 100 metros rasos. Quase atropelada eu fui. Me atirei dentro do restaurante.
- Mesa para dois?
- Já fechamos - a atendente me avisou.
- Só uma porção de bolinho de bacalhau... - supliquei.
- A cozinha está fechada - ela respondeu.
- Mas que horas são? - quis saber meu marido.
- São 4 horas! - eu esbravejei. - Não disse?
Meu humor ficou péssimo.
- Desculpa... - disse ele, tentando me acalmar. - Foi culpa minha.
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Subimos as escadas rolante.
- E agora, o que vamos fazer? - ele me perguntou.
- Agora nós vamos descobrir alguma coisa.
Resolvi que eu descobriria outro bolinho de bacalhau muuuito melhor do que o do Gambrinus. De repente, eu tive a sensação que aquele contratempo tinha sido uma intervenção divina para eu fazer a maior descoberta do último século da gastronomia gaúcha. Sentamos em uma mesinha no andar de cima e pedi uma porção de bolinho de bacalhau. Não só demorou muuuito, como veio frio e salgado. Pedimos um pastelzinho de camarão para cada um. Só que o pastel era do tamanho de um tijolo. Tudo ia ficando muito pior. Pedimos dois chopes, fizemos um brinde ao fiasco e desatamos a rir.
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Descemos as escadas e caímos quase dentro de uma banca vendendo um sem número de variedades de bacalhau. Pedimos ao atendente que nos explicasse as diferentes variedades de bacalhau, e ele nos deu uma aula, que eu faço questão de dividir com vocês, sobretudo depois da tentativa frustrada de sentar à mesa do do Gambrinus.
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Atenção ao post a seguir



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