Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts com a tag "bernardinho"

Sou patriota, sim. O problema é o futebol

06 de julho de 2011 9

Não foram poucos os e-mails que recebi em função do post anterior, "Viva o vôlei, abaixo o futebol!". Achei que muitos xingamentos viriam, mas qual o quê? O apoio que recebi foi incondicional, o que me leva seriamente a colocar em xeque a simpatia de muita gente, homens, mulheres e crianças, por esta seleção que aí está.

***

Tenho uma mania que não é necessariamente boa de achar que só eu sinto determinadas coisas - neste caso, desprezo por esta selecão de futebol e pela marra do Neymar e seus seguidores. Juro que já faz alguns dias, antes ainda do jogo contra a Venezuela, que vinha tentando encontrar dentro de mim, lá no fundo que fosse, algum motivo para torcer pelo que grande parte da imprensa anda lamentavelmente chamando de "Time do Neymar". Não encontrei nenhum. E isso me incomodou. Havia deixado de ser patriota? Até onde saiba, não. Então, como eu estava sendo capaz de menosprezar o esporte nacional às vésperas de uma Copa do Mundo no meu país? Tinha isso martelando e martelando na cabeça.

***

Daí, hoje de manhã, vendo a seleção de vôlei jogar, me caiu a ficha: a questão é que eu me sinto representada pela "Seleção Brasileira de Vôlei" e não pelo "Time do Neymar". Eu não sou marrenta, não sou egoísta, não penso antes em mim em detrimento a uma equipe, entre tantas coisinhas mais. De onde vou tirar entusiasmo para torcer pela patota do Neymar, uma turminha de estrelas que não desvia o olho do próprio umbigo e que não vejo sofrerem com a derrota nem vibrarem energicamente com a vitória, conscientes que estão representando uma nação? Desculpa, mas tenho mais o que fazer. E, pelo visto, bem longe do campo, eles também.

***

PS: Mal acabo de escrever esse post e vejo no Jornal Nacional a cena do Neymar assistindo (de boca aberta, frise-se) à performance dos jogadores da seleção de vôlei contra Cuba. Um sopro de esperança de que aprenda como se faz.

Viva o vôlei, abaixo o futebol!

06 de julho de 2011 16

Vivi  na semana passada o dilema "compro uma esteira ou volto para a academia?". Vou dizer que não comprei a esteira por dois motivos: déficit de orçamento e de espaço em casa. Então, voltei esta semana para a academia (um "viva" para a Mariana!). Mas já aviso aos professores da academia que não esperem de mim nada além de corrida na esteira. Ioga em casa e esteira na academia: está de bom tamanho pra mim.

Pois hoje eu corria devidamente irritada na esteira da academia (não consigo ser feliz fazendo exercício aeróbico), quando comecei a passar o olho pelos televisores ligados no mudo para ver o que ofereciam de programação, numa tentativa desesperada de tentar fazer aqueles 50 minutos de corrida passarem voando. E eis que a TV bem da minha frente exibia Brasil x Cuba pela Liga Mundial de Vôlei.

Não sou fanática por esportes, mas o vôlei brasileiro me agrada. Tem garra. Os guris do Bernardinho não são o "Time do Giba" ou o "Time do Murilo". Eles são uma equipe no sentido mais genuíno da palavra. Trabalham juntos em prol da Seleção Brasileira. E dá o maior orgulho de ser brasileira vendo essa seleção jogar. Eu torço mesmo. Vibro com eles. São esportistas, não são estrelas. Vi uma entrevista do Bernardinho em que dizia: "Sim, coloquei todos para treinar como titulares e como reservas. Eles não podem achar que estão garantidos na posição, têm que se esforçar, têm que dar sempre mais". E deram. Viraram o jogo contra Cuba. E ganhar de Cuba no vôlei, vamos combinar, é muuuuuuiiito melhor do que ganhar da Argentina no futebol.

Agora chego aonde queria: a Seleção Brasileira de Futebol. Eu estava com um certo pudor em falar sobre isso, já que o futebol mora no inconsciente coletivo desse país, move iras e paixões, e poderia ser mal interpretada. Por isso eu estava guardando esse sentimento a sete chaves no peito. Mas não me aguentei e preciso externar: meu coração não sente nada por essa seleção de futebol. Não tenho vontade de ver os jogos, não tenho vontade de torcer _ se bobear, torço contra. Não suporto esse endeusamento que se faz (e a imprensa é grande responsável por isso) dos jogadores de futebol. Marrentos é o que eles são.

O Neymar? Não suporto o Neymar. O dia em que ele baixar (literalmente) aquele topete, tirar aquele fone vermelho do pescoço, não ligar para terno de grife e considerar o Neymar jogador de futebol acima do Neymar marrento e ídolo não sei de quem, talvez eu volte a rever minha posição. A seleção deixou de ser a seleção. Virou o "Time do Neymar", já repararam? Eu sou do tempo em que seleção brasileira era um conjunto de jogadores sem estrelismos que jogavam em prol do bem comum: os gols. Não eram celebridades em busca de quem faz a jogada mais brilhante para não chegar ao objetivo principal: o gol. Gostaria muito, muito mesmo de morder minha língua nessa Copa América.

Ah, e sobre a esteira: quando terminarem os 12 meses que dura meu plano, eu volto a pensar se compro uma para chamar de minha.