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Extras

É, o Fórum já acabou, mas a cobertura ainda não… Hoje à noite, no Estúdio 36 da TV COM, contarei um pouco da viagem. Começa às 21h. Não percam!

Postado por Rodrigo Lopes

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Até mais

Dentro de instantes, estou saindo para o Aeroporto Simón Bolívar, em Maiquetía. Como na chegada, serão pelo menos três horas de descida até o nível do mar, entre as montanhas. Pelo menos é dia, e não tem neblina.

Aos amigos que acompanharam este blog, o meu imenso muito obrigado. Dividir com vocês este espaço foi uma maneira de ampliar o trabalho feito para ZH e Rádio Gaúcha e ao mesmo tempo receber sugestões, críticas e elogios quase instantaneamente. Gracias pela participação!

De Caracas, levo a lembrança de muita correria. Foi um experiência incrível conhecer um pouco mais de um povo alegre e bonito como os brasileiros, mas que sofreu tanto com golpes e contra-golpes nos últimso anos que ainda precisa encontrar o seu caminho para ser feliz…

Um abração e obrigado.

Falamos em Porto.

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Rancho do demônio?


O discurso de Chávez foi folclórico. Em certo momento, o presidente agradeceu o convite recebido da ativista americana Cindy Sheehan para visitar os EUA. Mãe de um soldado morto no Iraque, ela se tornou famosa ao acampar em frente ao rancho de George W. Bush no Texas, para protestar contra a presença americana no país árabe.

- Cindy vai acampar de novo na frente do rancho de Mr. Danger (Senhor Perigo, como Chávez chama Bush). E ela me convidou. Eu tenho uma barraca do tempo em que era soldado. Quem sabe qualquer dia eu apareço lá?

Chávez continuou destrinchando adjetivos. Chamou o rancho de Bush de (The Bad Ranch, algo como Rancho do Mal). Depois apelidou de o local Rancho do Demônio.

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Tarde de desmentidos

Alguns organizadores pareciam constrangidos com o fato de um chefe de Estado encerrar o Fórum. Durante todo o dia, organizadores desmentiram o encontro com Chávez. No final da tarde, quando passaram a admitir a reunião, afirmaram que ela seria fechada à imprensa. Apenas as redes estatais de TV tiveram acesso ao local.

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O presidente e o Fórum

Pela primeira vez na história do Fórum Social Mundial, um presidente encerrou o encontro mundial das esquerdas. Hugo Chávez discursou por mais de duas horas no Círculo Militar, onde recebeu delegados do Fórum. Os participantes entregaram ao presidente as resoluções, aprovadas no início da tarde pela assembléia dos movimentos sociais.

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Retrocesso

Em um fórum que se pretende democrático, houve pelo menos uma falha nesse sentido: ONGs e partidos políticos debateram em hotéis, teatros e escolas próximo ao centro. Organizações de agricultores e indígenas ficaram em tendas no aeroporto de La Carlota e no Parque del Este.

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Ritmo de despedida

Rodrigo Lopes
Rodrigo Lopes

O hall do Teatro Teresa Carreño, uma muvuca na semana passada, ontem estava às moscas no início da manhã (foto). Muita gente já começou a deixar Caracas na noite deste domingo.

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Homenagem

Rodrigo Lopes
Rodrigo Lopes

No início da Assembléia dos Movimentos Sociais foi feito um minuto de silêncio em memória ao líder da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional de El Salvador, Sahfick Handal, e dos brasileiros mortos em um acidente com um ônibus nos Andes, quando estavam a caminho do Fórum.

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Chavezito

Rodrigo Lopes
Rodrigo Lopes

Mais um suvenir para nossa coleção. O “Chavezito”, boneco ao estilo Falcon, do presidente Chávez. É vendido nos camelôs por 60 bolívares (R$ 65).

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Pontualidade

Pontualidade não foi prioridade no encontro de Caracas. Neste domingo, por exemplo: a Assembléia dos Movimentos Sociais, principal encontro do dia, estava marcado para às 8h30min. Só começou às 10h30min.
- Como estava escrito na alma - foi a explicação de um organizador…

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Imprevistos

Rodrigo Lopes
Rodrigo Lopes

Os paulistas Jaqueline Nikiforos, 20 anos, e Maurício Reimberg, 19 anos, saíram de São Paulo de ônibus no dia 19 e só desembarcaram em Caracas na manhã de ontem.

O acidente com o ônibus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que estava um dia atrás do veículo em que Jaqueline e Maurício viajavam, acabou atrasando a chegada.

– Foi muito triste. Todos no nosso ônibus ficaram chocados com a notícia

contou Jaqueline.

Os estudantes ainda tiveram problemas na fronteira entre Colômbia e Venezuela. Guardas exigiram propina para liberar a passagem. Ontem, tentaram aproveitar pelo menos o último dia.

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Sábado de buzinaços

O Caracas, time de beisebol da capital, venceu esta noite o Los Tigres, do interior. Aliás, se tem algo mais difícil do que entender a complexa sociedade venezuelana é compreender beisebol.

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Las Mercedes

Conheci um lugar bem legal de Caracas na noite deste sábado: Las Mercedes, uma região bem próxima ao meu hotel, que até então não tinha visitado.

É uma área bem sofisticada, com shopping e muitos restaurantes, bares e pizzarias. Uma visão bem diferente da que predomina em quase toda Caracas – prédios velhos, ruas sujas e muito comércio informal nas calçadas.

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Contradição

Os jovens parecem não dar muito ouvidos ao discurso antiimperialista de Chávez. Fosse assim, os Mc Donalds de Caracas não estariam lotados como estavam na tarde deste sábado. Um deles a três quadras do Palácio de Miraflores.

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Ainda as fotos

O Fabiano Timm, de Porto Alegre, contou que na sexta-feira, quando estava entrando no Poliedro, para participar do ato com a presença de Chávez, teve a máquina revistada. A neurose é tanta que, para conferir se não se tratava de alguma arma, o guarda tirou uma foto do próprio pé…

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Mirante que não se pode mirar…

Não nessa direção/Rodrigo Lopes
Não nessa direção/Rodrigo Lopes

Hoje foi o dia… Em uma rua ao lado do Palácio de Miraflores há uma escadaria que leva até uma praça. Subi até o alto. De lá, pode-se ver a parte dos fundos da sede presidencial. Mas bastou eu tirar a máquina do bolso para um militar me alertar:

– Não se pode tirar foto nesta direção.

– Por que? – perguntei, como quem não quer nada.

– Porque não pode…

Ah, tá.

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Foto proibida

Palácio presidencial/Rodrigo Lopes
Palácio presidencial/Rodrigo Lopes

Em Brasília, Buenos Aires, Washington e muitas outras capitais, o palácio presidencial é um ponto turístico. Todo mundo que visita essas cidades tem uma foto em frente ao Palácio do Planalto, a Casa Rosada ou a Casa Branca. Não é o caso da Venezuela. E quase fui preso neste sábado para descobrir a razão disso.

Do outro lado da rua, saquei a máquina do bolso e tirei uma foto. Neste momento, dois guardas do palácio apitaram. Entendi o recado, guardei a máquina, e segui caminhando. Quando estava no meio da quadra os dois chegaram correndo.

– O senhor terá que apagar a foto – disse um deles

– O quê? – perguntei

– O senhor terá que apagar a foto. Não se pode tirar foto do palácio

– Mas em nenhum lugar está escrito isso – questionei.

Os dois pediram que eu os acompanhasse até um superior. Expliquei:

– Sou brasileiro. Tirei a foto do prédio para mostrar para os meus amigos – disse, sem me identificar como jornalista para não piorar as coisas.

Mostrei a foto.

– É só a imagem do prédio – expliquei.

Os três se olharam, sacudiram a cabeça, reviraram a máquina de frente de lado, do avesso, e um deles disse.

– É, não mostra nada. Pode levar.

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A casa de Chávez

Aproveitei a tarde de sábado para conhecer o Palácio de Miraflores, sede do governo de Hugo Chávez. Depois de caminhar três quadras a partir da estação de metrô Capitólio, cheguei até a esquina onde fica o prédio. Seguia pela calçada do palácio, quando um homem me interrompeu:

– Desculpa, senhor, o que está fazendo – quis saber.

– Estou caminhando – respondi.

– Não pode caminhar por aqui – diz ele.

– Poderiam ter colocado uma placa, informando isso – sugeri, para surpresa dele.

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Bola dentro

Propaganda brasileira/Rodrigo Lopes
Propaganda brasileira/Rodrigo Lopes

Com o desenho da bandeira do Brasil, as bolsinhas que estão sendo doadas pela Petrobras faz sucesso em Caracas. A procura é tanta que acabou gerando um pequeno tumulto do lado de fora do Hotel Hilton na hora da distribuição.

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Hora do banho

Lonas separam as duchas/Rodrigo Lopes
Lonas separam as duchas/Rodrigo Lopes

O Los Caobos conta com 220 duchas para homens e 220 duchas para mulheres. Os banheiros são separados por lonas pretas.

Acampar custava 5 mil bolívares (R$ 5) por pessoa no início do Fórum, agora é de graça. Uma conquista dos jovens.

Postado por Rodrigo Lopes

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