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Lapidar: conheça o projeto que o Grêmio implanta para revelar talentos

17 de agosto de 2013 1

Foto: Ricardo DuarteA simplicidade do futebol aos olhos de quem vê é inversamente proporcional à complexidade de movimentos de quem executa. Em um chute a gol existe uma carga de decisões a serem tomadas que exigem mais do que talento. Onde bater? Em que canto colocar? Como se equilibrar? Como surpreender?

Para corrigir os vícios dos atletas da base e estimular virtudes individuais, o Grêmio implantou o projeto Lapidar. A cada treinamento, além dos exercícios físicos, táticos e coletivos, são feitos treinos de situações específicas de jogo. Uma equipe de cinco profissionais orienta cada ação e suas infinitas possibilidades _ chute rasteiro, em curva, sem-pulo, cabeceio, domínio de bola… Ao mesmo tempo, os trabalhos são gravados em fotos e vídeos para serem analisados no Centro de Dados Digitais. Os resultados são apresentados aos próprios atletas.

- Só temos de ter o cuidado de deixar o jogador desabrochar e não podá-lo. Muitos chegam com uma condição motora ruim, pois não temos mais campinhos e o sistema escolar é pífio. Então temos de resgatar o prazer de jogar futebol e preservar o que cada um tem de melhor – diz o treinador de fundamentos Wagner Gonçalves.

Embora não tenha participado na implantação do projeto, um dos exemplos de correção possível é do próprio Grêmio. Conforme conta o técnico Luiz Gabardo Júnior, da equipe sub-16 gremista, o volante Fernando, hoje no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, sempre se destacou pela precisão nas cobranças de falta. Mesmo assim os treinadores incentivaram a execução com ambos os pés, o que garantiu a ele a segurança nos lançamentos e inversões de jogo.

- A tomada de decisão é muito importante. As ações do jogo, se vai carregar a bola ou dar um chutão, dependem do que ele aprendeu nessa fase – diz Gabardo.

Dos 12 aos 20 anos, existem oito categorias. Na três primeiras, as correções são voltadas aos gestos técnicos: posição do corpo no chute, tempo de bola, equilíbrio, entre outras ações. A partir dos 15 anos, os jovens são preparados para assimilar informações táticas, de posicionamento, voltadas à função em campo de cada jogador.

- O atleta no sentido total, que saiba os fundamentos de cada posição. Em dois meses de projeto, nossa média de gols mais que dobrou – avalia o coordenador-geral do Departamento de Formação, Júnior Chávare.

A ideia do departamento gremista é estabelecer diretrizes e criar um estatuto para ser replicado ao longo dos anos, e não mais perdido a cada troca de gestão. Com isso, o Grêmio espera construir um legado e voltar a acumular troféus em uma temporada em que tem ficado à sombra do rival Inter e até mesmo do Juventude.

O projeto Lapidar segue modelos consolidados na Europa, aplicados em clubes como Juventus, Real Madrid e Barcelona. Os conceitos, porém, são inspirados principalmente pelos ensinamentos da Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física, da Universidade do Porto, de Portugal. De lá saiu, por exemplo, José Mourinho, atual treinador do Chelsea. A metodologia defendida por lá – e, agora, por aqui – é a da repetição inteligente. Através da reprodução de cada ação, é possível estabelecer padrões ao time. Assim, se cada jogador sabe onde se posicionar, como dominar a bola e para quem passar, facilita a organização da equipe.

- Futebol é um jogo de treinamento. Um time bem treinado é um bom time. Não existe aleatoriedade, e sim uma sincronia de movimentos – defende o analista de desempenho Eduardo Cecconi.

A tendência dos clubes em buscar jogadores habilidosos esconde uma falha na formação de atletas, segundo o professor Júlio Manuel Garganta, um dos mentores de Mourinho. Para ele, atleta virtuoso é o que sabe utilizar sua técnica para acrescentar ideias ao jogo coletivo:

- Tem-se hipertrofiado a dimensão técnica em detrimento da dimensão estratégica e tática. Isto tem limitado a evolução dos praticantes. Temos jogadores virtuosos do ponto de vista técnico que são limitados taticamente, não sabem como colocar a técnica a serviço das ideias de jogo. A técnica tem de ser aprendida em função de princípios e ideias para jogar.

Comentários (1)

  • Leandro diz: 17 de agosto de 2013

    Eles podiam olhar como fazer lá no Beira-Rio…

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