
Hábito arraigado nas terras colonizadas por espanhóis, a siesta provocou um fenômeno estranho nesta Rivera de tarde com sol quente e vento agradável. Limpou a Sarandi, principal avenida para compras e uma das vias que levará os torcedores ao Gre-Nal das 19h30min, no Atilio Paiva.
Com boa parte das lojas fechadas até as 16h e outras, sabe-se lá até quando - manhã de segunda, especulam os uruguaios -, a Sarandi percorrida por ZH e clicEsportes se resumiu a pouco free-shops abertos e a alguns turistas circulando, fardados ou não com camisetas de Inter e Grêmio.
Os pontos de venda eram os principais, com grandes seções para bebidas, perfumarias e vestuário, pontuados por grifes, por vezes desconhecidas dos brasileiros.
Na terceira quadra abaixo do Parque Internacional, marco divisório entre Brasil e Uruguai, um uruguaio mofava ao lado de bandeiras e camisetas (piratas, óbvio) da dupla Gre-Nal. Perguntado sobre o movimento, apenas resmungou, um tanto incomodado. Previu melhora para o final da tarde, quando os torcedores obrigatoriamente irão para o estádio.
Outra quadra adiante, agora no sentido de quem volta ao Brasil, e a figura é um uruguaio que não fala português - como evidencia ao questionar se o interlocutor habla español - mas se apresenta a passos rápidos e palavras, mais ainda.
Trata-se de Daniel, um ex-drogado - o que faz questão de sublinhar, dizendo-se recuperado. Desata a contar sobre a ONG Remar, sediada em Montevidéu, Paysandu e Rivera. Sem interroper a caminhada, entrega um adesivo no qual consta a seguinte mensagem:
- Verão com calor
- Verão com identidade
- Verão sem drogas

Foto: Ricardo Duarte
Segue falando sobre o projeto, de jovens recuperados, e logo chega ao pedido de contribuição.
— Pode ser cinco pesos — sugere.
Pela cotação, descoberta graças à gentileza de um ambulante na esquina do Uruguai com o Brasil, daria R$ 0,42. Daniel ganhou R$ 2, agradeceu muito, repetidas vezes, e ficou mais feliz ao descobrir que a ONG para a qual trabalha entraria em reportagem do clicEsportes.
Sobre Gre-Nal, nenhuma palavra. Preferiu encarar o sol na tentativa de conscientizar o próximo quanto ao perigo representado pelas drogas.