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Mano Menezes muda de característica no Timão

14 de novembro de 2008 10

O diagrama tático do Corinthians de Mano Menezes apresenta muita proximidade entre meias e atacantes, passagens dos laterais, triangulações e valorização da posse de bola com velocidade

Se no Grêmio o técnico Mano Menezes foi reconhecido por armar estratégias competitivas e fortes defensivamente, conciliando a filosofia tática européia com a garra gaúcha, no Corinthians o treinador se adaptou ao perfil do clube. Mano conquistou a Série B em 2008 em um legítimo 4-4-2 à brasileira.

Primeiro, é bom recuperar o desempenho tático do Grêmio de Mano Menezes. No Olímpico, o treinador foi considerado um estudioso dos conceitos da Europa, transitando entre o 4-5-1 e o 4-1-4-1. Com ele, o Grêmio sempre privilegiou a compactação entre defesa e meio, valorizou articuladores com boa conclusão de média distância, e se amparou na presença de um atacante de referência – para ser a bola de segurança. Não é por acaso que os jogadores mais destacados na era Mano Menezes foram os meias que se aproximavam do ataque - como Hugo, Leo Lima e Diego Souza; e os meio-campistas mais defensivos, também com passagem à frente, como Lucas e Tcheco.

Mas no Corinthians, Mano Menezes preferiu não corromper a característica histórica do time paulista. O Timão de 2008 é uma equipe extremamente leve, rápida e ofensiva. O sistema tático é o legítimo 4-4-2 brasileiro, com meio-campo em quadrado. Os dois volantes sabem jogar (Elias e Cristian), assim como a dupla de articuladores (Morais e Douglas). Outra diferença em comparação com o Grêmio: não há centroavante de referência. No ataque, aparecem dois atacantes de velocidade e movimentação (Dentinho e Herrera).

Mesmo jogando com volantes sempre presentes no ataque, meias que lembram os antigos pontas-de-lança, e atacantes rápidos, Mano Menezes também liberou os laterais. André Santos, principalmente, pela esquerda; Alessandro um pouco menos, na direita. O Corinthians de Mano Menezes joga com a bola no pé, troca passes e apresenta um repertório vasto de movimentações sincronizadas – diagonais, trocas de função, aproximações, tabelas e abertura de espaços. A maioria dos gols surge de infiltrações pela área, e conclusões de média distância.

Mas, para não dizer que Mano Menezes abandonou completamente as origens, é bom destacar: o Corinthians é uma equipe abnegada na marcação. Talvez pela urgência do retorno à Série A, e pela característica dos jogadores – aliando velocidade e preparo físico – parece existir um pacto entre Mano e os atletas, algo do tipo “estamos no 4-4-2, temos dois meias e dois atacantes, os laterais passam…mas todo mundo tem que marcar!”. Sem a bola, os meias do Corinthians alinham com os volantes, formando duas linhas de quatro jogadores compactadas à frente da área, enquanto Herrera e Dentinho exercem pressão na saída de bola, forçando o adversário a sair pelos lados ou quebrar o passe.

Mano Menezes soube entender a característica do grupo, o perfil da instituição, e a exigência técnica do campeonato. Impôs a superioridade do Corinthians sem recair no defensivismo, como ocorreu algumas vezes no Grêmio. Agora, resta aguardar pela postura tática dele à frente do Timão com um grupo que provavelmente será reformulado, e contra os times de maior qualidade da Série A em 2009, para sabermos se a filosofia deste 4-4-2 bem brasileiro será mantida.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (10)

  • Wagner diz: 15 de novembro de 2008

    1- Já q o assunto é meu técnico preferido…vi pouco o Curintia, mas nos jogos q vi, Mano continuava no 451, só ficava Herrera na frente, sem a bola, claro q, conforme a situação, alterava para 442, o Dentinho ñ descia…se sem a bola fazem linha de 4, e foi isto que vi, então o meio-campo não é em quadrado Seu Cecconi…em quadrado, sem a bola, os meias ficam na frente dos volantes, como o Inter de 2006…exceção contra o Barça…

  • Fabio diz: 14 de novembro de 2008

    O Mano é bom treinador mas tinha um elenco melhor que o Roth na mão e fez um papelão no Brasileiro! Que fique em SP!

  • Wagner diz: 15 de novembro de 2008

    3- A mudança foi o perfil dos jogadores, realmente, com mais característica de atacantes do que meio-campistas..no Grêmio, num ano tinha Tcheco e Hugo…depois Tcheco e Diego Sousa, mais marcador que Hugo…no Curintia, todos estão mais para Hugo…o Manchester, campeão da Liga, tinha este perfil de jogadores…sem a bola Cristiano, Teves desciam para marcar…o Meneses sempre na tendência da Europa…um olho aqui, outro lá…

  • Adriano diz: 14 de novembro de 2008

    Vale lembrar que este ano ele chegou a final da Copa do Brasil com o Corinthians e teve o título na mão. Porém, no jogo no Recife fez o que não devia: inventou. Armou o 4-5-1 que deu certo no Grêmio e fracassou, não deram um chute a gol; ou seja, o esquema tático depende dos jogadores que o treinador tem.

  • Alysson diz: 14 de novembro de 2008

    Primeiramente quero dizer que este blog é um dos melhores aqui do Clic. Mas dizer que o Léo Lima foi um dos jogadores mais destacados da Era Mano Menezes foi meio forçado. O Léo jogou algumas partidas bem, mas nada mais que isso. E esse esquema “aberto” do Corinthians funcionou muito bem na Série B, onde os adversários ficavam esperado o Corinthians, tinham medo. Já na Série A, onde os times se enfrentam de igual para igual, cada time tenta impor o seu futebol, não acredito que daria tão certo.

    Resposta do Cecconi: Oi Alysson, tudo bem? Concordo contigo sobre o Leo Lima, realmente ele está um patamar abaixo do destaque muito maior que tiveram Diego Souza e Hugo no Grêmio. E sobre o Corinthians em 2009 na Série A, é exatamente sobre isso que falo no último parágrafo: Mano Menezes utilizou este sistema com sucesso em um campeonato me nos exigente. Será que este posicionamento será mantido na Série A? Grande abraço!

  • Wagner diz: 15 de novembro de 2008

    2- Sou fã do Mano mas, principalmente em 2007, cometeu um erro crasso!… ele, como estudioso dos europeus, ñ percebeu, que no 451, o 1, deve ser um cara veloz e de movimentação, Mano colocou UM SACO DE BATATAS COM AS MÃOS NA CINTURA MASCANDO CHICLETES…e digo mais, o erro foi tão grosseiro, que talvez tenha sido o principal motivo de ñ ter levado a Lib, o próprio Herrera no lugar do Tuta já seria uma ENORME diferença…ainda bem, que o Mano errou feio, senão teríamos de aturar Eles…

  • Vitor Hausen diz: 18 de novembro de 2008

    mas o mano nunca teve um bom time aqui no grêmio pra jogar ofensivo. Com o melhor que teve foi vice da américa, mas mesmo assim era um time inferior aos favoritos. Por isso a maior retranca.

    Como confiar que Luciano Marreta, Tuta e Ramon vao trocar bola com qualidade, e esperar a subida qualificada do William Thiego? É brincadeira!
    hehe

  • Leonardo Barros diz: 17 de novembro de 2008

    Vamos ver se na serie o Mano joguara assim, o acesso do corinthians foi tao tranquilo q o ele abandonou a postura defensivista, mas de fato, méritos ao Trevisan é notória a imposição fisica do time do corinthians ante os adversários dessa serie b.

  • Bruno Matos diz: 16 de novembro de 2008

    Muito bom esse blog. Queria pedir uma análise sobre como jogam o Catania, o Napoli, o Genoa, que estão surpreendendo na Itália.

    Resposta do Cecconi: Oi Bruno tudo bem? Vou aceitar tua sugestão, até pela minha curiosidade também, principalmente sobre o Napoli. Na primeira oportunidade que tiver, prometo trazer esses times italianos ao Preleção. Grande abraço.

  • Otávio diz: 20 de novembro de 2008

    Na minha opinião, foi a primeira vez que o Mano teve uma equipe com qualidade do meio pra frente. Mas vale salientar que era Série B. Na Série A, esse ataque aí, COM CERTEZA, não teria tal rendimento. Herrera é jogador de movimentação, tem lá seus lapsos de craque, mas é comum e perde MTOS gols. O Dentinho, não é craque, mas joga bem. O resto do time é mediano, só esse André Santos que dominou a esquerda. Veremos o que o Mano apronta ano que vem, com a parceria (Medial) que o Corinthians tem..

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