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Maradona adota o 4-4-2 (quase) britânico

19 de novembro de 2008 4

Maradona optou pelas convencionais duas linhas de quatro, bem britânicas, com Mascherano um pouco mais recuado, mas Wingers legítimos pelos lados

Na estréia de Maradona – vitória de 1 a 0 sobre a Escócia em partida amistosa – a Argentina reprisou o sistema tático utilizado pelos próprios clubes argentinos nesta temporada: o 4-4-2 britânico, reconhecido pelas duas linhas de quatro jogadores. Aqui mesmo no blog Preleção já foram analisadas táticas similares no San Lorenzo e no River Plate.

Na primeira linha – a defensiva – Maradona posicionou dois zagueiros (Demichelis pela direita, Heinze pela esquerda) e dois laterais com baixíssima produção ofensiva (Zanetti na direita, Papa na esquerda). E na segunda linha – a de meio-campo – Maradona fez o mesmo que os clubes argentinos têm promovido: um quase alinhamento.

A Argentina jogou com legítimos Wingers. Maxi Rodriguez na direita, e Gutierrez na esquerda se posicionaram exatamente como exige a função no Four-Four-Two (o 4-4-2 britânico). Permaneceram abertos pelos lados, somando-se aos laterais na marcação dupla, e investindo nas diagonais. Em uma destas diagonais combinadas, por exemplo, surgiu o gol da vitória. Gutierrez recebeu de Tevez na área, e encostou para Maxi – ambos os Wingers, portanto, dentro da grande área após rápidas diagonais.

O quase alinhamento se deve aos posicionamentos dos meio-campistas Mascherano e Gago. Mascherano foi mais volante, um pouco recuado, atuando na cobertura de toda a segunda linha. Gago ficou um pouco à frente, também marcando no setor, mas participando mais do jogo e sendo acionado para fazer a bola andar.

Este 4-4-2 britânico, com Wingers e meio-campo em linha, contraria a tradição do camisa 10 da Argentina. O próprio Maradona era o centralizador genial da seleção. Riquelme, que poderia cumprir este papel, não foi convocado em acordo com o Boca Juniors. Sem o camisa 10 articulador nato, a Argentina recorreu às trocas de passes curtos, virando o jogo de pé em pé pela linha de meio-campo, até encontrar espaços para as diagonais dos Wingers ou da dupla Tevez-Lavezzi no ataque.

Os problemas virão a seguir, quando Riquelme for convocado. Maradona não poderá utilizá-lo como Winger, pela lentidão de movimentos e displicência na marcação. Onde entraria Riquelme? Terá de desfazer, portanto, este 4-4-2 à moda Four-Four-Two. Eu vejo como alternativa a saída de Maxi, a centralização de Mascherano como um primeiro volante, e a passagem de Gago para a direita, aproximando ele e Gutierrez do pensador Riquelme. Gutierrez também só deve estar guardando o lugar de Messi. E na frente Lavezzi não fez nem sombra para Agüero. Ficariam Mascherano e Gago nas funções ofensivas, Riquelme e Messi na articulação – quase um quadrado.

Outros problemas, mais urgentes, estão na primeira linha: Heinze e Demichelis são zagueiros que jogam no limite entre a competência e o erro infantil. Não são confiáveis. E os laterais, até mesmo pela presença de Wingers às suas frentes, apoiaram pouco. Pareciam os laterais da Seleção Brasileira.

Maradona optou por um sistema tático bem definido, com o qual os jogadores poderiam se adaptar rapidamente. Foi bem sucedido. Sem ser brilhante, a Argentina controlou a partida. Criou pouco, mas não foi pressionada, e pôde testar este 4-4-2 quase britânico com belíssimas participações de Gago, Mascherano e Gutierrez.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (4)

  • Camilo diz: 19 de novembro de 2008

    Boa Noite! Não assisti este jogo, mas estava curioso mesmo para saber sobre o Maradona técnico. É, ele não quis ousar, né? Falando dele, esta parece ser uma ótima notícia. Mas cá entre nós, um Riquelme motivado justifica qualquer alteração de esquema! Vejamos o que ele vai fazer!

  • Bruno Matos diz: 20 de novembro de 2008

    E a Espanha, melhor seleção do mundo hoje em dia?

    Resposta do Cecconi: Oi Bruno, tudo bem? Ontem assisti ao segundo tempo do jogo da Espanha (3 a 0 sobre o Chile) mas qualquer análise fica prejudicada porque o treinador promoveu muitas alterações. Mas te prometo resgatar a Fúria aqui em partidas das Eliminatórias. Abração, valeu pela dica!

  • Bruno Matos diz: 20 de novembro de 2008

    É verdade, amistoso é só laboratório. Por falar em eliminatórias, rolou a da América do Norte. E Honduras derrotou o gigante de lá México. Essa é uma seleção que vem crescendo, acho que pode ser colocada como 3ª força de lá. Tenho curiosidade de ver como eles jogam.

  • Bruno Matos diz: 20 de novembro de 2008

    Não acho que Riquelme mereça a vaga na Seleção atualmente. É melhor deixar nesse esquema. Quando Messi e Agüero entrarem, Lavezzi poderá ser um belo coringa, o reserva de luxo.

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