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Desempenho ou resultado?

12 de dezembro de 2008 7

Nesta semana, o técnico Carlos Alberto Parreira comandou o Footecon – um fórum sobre futebol. E em uma das tantas entrevistas que Parreira concedeu durante o evento, ele proferiu uma sentença que abre possibilidades para um debate muito amplo. Parreira comparou desempenho com resultado, e disse que o desempenho é mais importante.

Para o treinador tetracampeão de 94, o bom desempenho traz a reboque o resultado. Mas para que pudéssemos participar desta reflexão, precisaríamos saber exatamente quais os conceitos de desempenho e de resultado com que Parreira fundamenta essa comparação. Até porque ele mesmo, em 94, foi campeão do Mundo sem um futebol empolgante. Essa discussão me fez recordar uma frase de Tite no momento de sua contratação pelo Inter:

- Não quero ganhar jogando mal, levando quatro bolas na trave e achando um gol. Quero ganhar jogando bem – disse Tite.

Esse é o ponto. Ganhar jogando bem, ou melhor, ganhar com bom desempenho. Este conceito converge para o que Parreira disse – o resultado é conseqüência do bom desempenho. Sempre pensei e idealizei um futebol assim.

É bom diferenciar, entretanto, desempenho de “futebol arte”. Não se cogita aqui o espetáculo, o malabarismo. Desempenho é sinônimo de time articulado, com movimentações sincronizadas e variações de jogadas. Um casamento entre sistema tático e estratégia apropriados às características de jogadores, contando no grupo ainda com atletas capazes de improvisar quando a organização não for suficiente.

Mas na prática, isto se aplica? No futebol deste século não. Basta pegarmos os nomes dos principais treinadores de hoje. Felipão, Mourinho, Muricy no Brasil. Qual deles consegue bom desempenho? Eles invariavelmente comandam times campeões, mas com resultados obtidos pela eficiência, não como conseqüência de um bom desempenho.

São equipes competitivas, pragmáticas e eficientes. Mas muitas vezes fazem aquilo que Tite condenou em sua entrevista: vencem pelo bom aproveitamento nas poucas chances criadas, e pela força defensiva para segurar o adversário. Com Tite, na Sul-Americana, o Inter teve bom desempenho nas fases decisivas, mas logo na partida final acabou obtendo um resultado dissociado do bom futebol.

O próprio Grêmio, mesmo quando liderava o Brasileirão, em muitas partidas obteve o resultado sem ter bom desempenho – é só lembrar as vitórias sobre Ipatinga e Portuguesa, em casa, no primeiro turno. Em outras, alcançou um alto desempenho, responsável por vitórias sobre Figueirense e Atlético-MG, fora. Grêmio e Inter, portanto, oscilaram entre o ideal e o possível de ser alcançado.

As principais questões são:
- Como associar o bom desempenho ao resultado?
- É ruim chegar ao resultado com mau desempenho?  
- É preciso abdicar do desempenho para vencer?
- Quem, afinal, está conseguindo mostrar bom futebol e conquistar títulos?

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (7)

  • claudio c g da rocha diz: 13 de dezembro de 2008

    Tuas analises sobre esquemas taticos sao um balsamo no meio de tantos comentarios caolhos. Mesmo na final da Sul Americana o Inter teve desempenho parelho com o do adversario. O Goleiro deles brilhou também. Sem este desempenho não teria nem achado o gol da forma que achou. Não foi brillhante mas foi desempenho suficiente para ganhar. Acho que tem a ver com eficiencia e eficacia. Os times do Felipao são eficazes mas seu desempenho não é exuberante. O time do saudoso Tele em 86 foi o contrario!!

  • Carlos Eduardo Pizzatto diz: 12 de dezembro de 2008

    O futebol tem de ser bem jogado porque o torcedor merece ser respeitado.

  • Robson diz: 12 de dezembro de 2008

    Pô, Cecconi, analisa a tática aí do Grêmio de 83, ou do Brasil de 82…ou da Holanda de 74!

    Resposta do Cecconi: Oi Robson, tudo bem? Para isso eu vou ter que acessar vídeos que tenham íntegras de jogos dessas equipes. Vou tentar agora nesse período de entre-safra no Brasil conferir jogos de grandes equipes e seleções para fazer retrospectivas táticas. Valeu pela idéia! Abração.

  • EDUARDO MARÇAL PEREIRA LOPES diz: 12 de dezembro de 2008

    O time do Parreira de 94 não teve bom desempenho. Era muito limitado e, principalmente, defensivista. Em compensação foi campeão. Assim, acho que a afirmação do Parreira é incoerente com suas atitudes como técnico. .

  • Luiz Carlos Knopp diz: 12 de dezembro de 2008

    Cecconi, no próximo domingo (14 hs) o SporTV vai mostrar o jogo do Lille pelo campeonato francês, se puderes acompanhar, analisa o trabalho do Michel Bastos (ex-Grêmio). Com relação ao teu comentário, para mim a síntese de futebol bem jogado e com resultado, foi a seleção brasileira de 2002 com o Felipão.

  • Daniel diz: 12 de dezembro de 2008

    Respondendo a última questão:
    O United! Mesmo não mostrando um bom futebol na final da Champions, contudo durante boa parte do torneio ganhou jogando bem e até com o “futebol arte”…
    Abraços! E parabéns pelo blog.

  • Daniel Machado diz: 15 de dezembro de 2008

    Eduardo, entendi teu raciocínio. Porém, futebol feio, eficiente, não significa desempenho ruim. Uma coisa é levar quatro bolas no poste e fazer um gol de sorte.
    Agora, outra coisa, Eduardo, é jogar como 94. O fato do time A criar apenas duas chances de gol durante todo o jogo, marcando um tento, mas o adversário não criando uma chance sequer, significa que o time A jogou melhor e ganhou.
    Mesmo que todo retrancado e com a proposta de não deixar o adversário jogar, houve eficiência.

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