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LDU valida a competência do 4-4-2 britânico

17 de dezembro de 2008 5

LDU vai bem no competente Four-Four-Two, para minha alegria

Quem acompanha o blog Preleção há mais tempo sabe que eu sou um admirador do sistema 4-4-2 britânico, o Four-Four-Two, também chamado de “duas linhas de quatro jogadores”. E hoje pela manhã assisti a mais uma equipe obter sucesso utilizando-se desta tática simples e competente.

No Japão, a LDU bateu o Pachuca por 2 a 0, e garantiu vaga na final do Mundial da Fifa. E a vitória foi alcançada graças à disciplina de uma equipe rigorosamente disposta no 4-4-2 britânico. E a atuação do time equatoriano hoje nos dá oportunidade de falar sobre o sistema de marcação utilizado.

No 4-4-2 britânico, a marcação é mista nas duas linhas de quatro, aliando zona e pressão. Funciona da seguinte maneira: os oito atletas ficam dispostos em suas posições, sem acompanhar adversários; quando o homem da bola ingressa na zona de um jogador, este exerce pressão; se o adversário passa a bola para outro atleta, é sobre ele que será feita a marcação-pressão pelo jogador que estiver em sua zona de ação.

É como o movimento dos peões no jogo de xadrez. O marcador se adianta para pressionar quem ingressa com a bola em sua zona, e assim que a bola sai do setor, a posição original é recomposta. Apenas os atacantes não fazem marcação por zona. A dupla de frente marca pressão na saída de bola.

No diagrama tático do post, a imagem simula uma situação do jogo de hoje. Um atleta do Pachuca que tentasse investir com a bola pelo lado esquerdo da LDU receberia a marcação-pressão de Bolaños, por ser ele o responsável por aquele setor. Ao mesmo tempo, o movimento adiantado de Bolaños para marcar traria consigo os dois companheiros mais próximos – Urrutia, ao lado, e Calderón atrás – para evitar a bola nas costas de um eventual adversário que aparecesse ali para receber.

O grande mérito da LDU hoje foi adiantar a segunda linha até a divisa do meio-campo. Zagueiros, laterais e volantes do Pachuca eram pressionados pelos atacantes Bieler e Manso, e precisavam girar a bola até os lados. Ali, Bolaños na esquerda e Reasco na direita adiantavam-se. Com a omissão dos meias e atacantes, que não tentaram jogar às costas desta linha adiantada de meio-campo, o time mexicano ficou encurralado.

Assim nasceu o primeiro gol da LDU. Pachuca troca passes sem alternativas, a bola cai no setor de Bolaños, que pressiona – auxiliado por Urrutia – e lança a dupla de ataque, no mano-a-mano. Depois de abrir 2 a 0, então, os equatorianos se beneficiaram do bloqueio das duas linhas de quatro para comprovar que este sistema tático tem uma estratégia de marcação e de saída de bola muito eficiente. Deixaram a posse de bola com o Pachuca – os mexicanos tiveram 67%, contra 33% de posse de bola da LDU - mas de maneira controlada, sem correr riscos. As duas linhas obrigaram o Pachuca a ficar girando o jogo sem infiltração.

Mais uma vez eu preciso dizer: só no Brasil o 4-4-2 britânico não é mais popular, em função da nossa cultura tática que obriga as equipes a contar com volantes atrás dos meias. Não é uma questão de qual sistema é melhor ou não – até porque os resultados são obtidos por uma soma de outros tantos fatores, como qualidade técnica, disposição, improviso – mas sim de criação de alternativas táticas. Se o Manchester United confirmar o favoritismo e passar à final do Mundial, poderemos assistir a um interessante confronto espelhado no 4-4-2 britânico.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (5)

  • Diego diz: 17 de dezembro de 2008

    Com certeza é um esquema interessante, porém é ineficiente para enfrentar equipes fechadas, pois trata-se de um esquema voltado para defesa e contra-ataque, isso se até os atacantes não voltarem para trás da linha da bola. Esse esquema não me agrada muito Eduardo, prefiro o meio campo em losango. Parabéns pelo blog, muito bom.

  • fernando diz: 20 de dezembro de 2008

    Desde quando peão retoma a posição original?

  • Carlos Eduardo Pizzatto diz: 17 de dezembro de 2008

    Já que os laterais são obedientes e vão pouco à frente, cabe a Reasco e Bolaños chegarem à linha de fundo. Bolaños é habilidoso, vai bem (também por dentro). O problema é Reasco. Não acerta um cruzamento, não conclui um passe. Só tem força. E, para jogar nesta posição específica da linha de quatro, é preciso ter velocidade, drible, e/ou passe. Reasco não tem nenhum.

    Escrevi isso lá no blog.

  • filipe diz: 17 de dezembro de 2008

    o esquema é muito bom, se os jogadores tiverem uma cultura e qualidade para avançar o time todo nessa formação ou sela, a linha mais ofensiva de 4 chegar próxima a área do adversário ou 2 meias subirem pelo centro e os laterais avançarem pelas pontas pode ser interessante ofensivamente, o problema é que no brasil os jogadores não são muito “táticos” ou não tem a característica para fazer isso…

  • Sérgio Klafke diz: 17 de dezembro de 2008

    Também vejo este sistema tático como altamente seguro e produtivo. Mas é preciso ter um técnico competente e jogadores dispostos a cumprir as determinações. Em belo exemplo disso foi o Inter na Sul-Americana. Pena que não vai ser levado adiante. Lembram o time com Bolivar, Indio, Alvaro e Marcão na primeira linha. D`Alessandro, Edinho, Magrão e Guinazu na segunda, com Alex e Nilmar na frente? Mesmo com a expulsão de Guinazú, entrou o Gustavo Nery na segunda linha e ficou só o Nilmar na frente.

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