Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

"Não sabe marcar" é um conceito antigo

20 de dezembro de 2008 12

Em 2005, Mano Menezes pouco utilizou o meia Anderson no Grêmio alegando que o garoto não poderia cumprir funções defensivas. O então projeto de craque do tricolor ficou no banco, para que Marcel fosse utilizado.

Hoje, Anderson atua como meio-campista centralizado em uma linha de quatro jogadores do Manchester United, com muito mais atribuições defensivas do que teria há três anos no Grêmio. Apesar de não ser um volante, na Seleção Brasileira tem sido escalado nesta função, e conta com a opinião de muitos torcedores e cronistas para ser titular.

Quando chegou ao Inter, D`Alessandro também teve sua capacidade de marcação desacreditada. Comentava-se que o astro argentino se dedicaria apenas a jogar com a posse de bola, sobrecarregando os companheiros de meio-campo.

Na decisão da Copa Sul-Americana, em La Plata, devido à expulsão de Guiñazu, Tite posicionou D`Alessandro como winger pela direita em uma segunda linha de quatro jogadores, marcando o lateral-esquerdo do Estudiantes. E D`Alessandro foi efetivo na contenção do setor, sendo visto inúmeras vezes dentro da área do Inter, bloqueando os cruzamentos.

Utilizo Anderson e D`Alessandro como exemplos do envelhecimento de um conceito clichê do futebolês arcaico: bons jogadores não sabem marcar; meias não sabem marcar; atacantes não sabem marcar. Isto não existe mais. O futebol comprova nas melhores equipes e seleções do mundo que não existe mais espaço para o “não sabe marcar”.

Também em uma linha de quatro, Cristiano Ronaldo acompanha laterais e dá carrinho na linha de fundo defensiva pelo Manchester; Kaká fecha o meio-campo do Milan e acompanha volantes; Messi, Tevez e Agüero são ferrenhos combatentes argentinos nos clubes e na seleção; Van Persie, quase um ponteiro holandês, sabe recuar para jogar como um meia defensivo; o considerado “faceiro” Hugo trabalha como guardião de Jorge Wágner, cobrindo a ala-esquerda do São Paulo; Léo Lima, visto como um virtuoso irresponsável, foi segundo volante no Palmeiras com sucesso. Sobram exemplos.

Não existe mais “não sabe marcar”. Pode ser que um atleta de meio-campo ou ataque não tenha a precisão do combate físico no momento certo, mas noção de posicionamento ele tem. Faz parte da tática individual de cada atleta o casamento entre suas atribuições ofensivas e defensivas – alguns com maior grau da primeira, outros com maior da segunda, mas todos com participação em ambas.

Escrevo este post porque muitos leitores do blog Preleção utilizaram a frase “não sabe marcar” para descrever jogadores do Grêmio. Respeito as opiniões, mas tomo a liberdade de discordar abrindo hoje este debate. Todos sabem cumprir atribuições defensivas no futebol. Têm que saber. Os exemplos citados acima demonstram que esta não é uma hipótese, é uma tendência dominante.

Marcar não se resume a defender. Marcar abrange diversas outras funções táticas específicas para cada setor, que podem ser assimiladas por qualquer atleta, por mais ofensivo que ele seja. Reitero: um meia habilidoso pode não ter a precisão do carrinho ou do bote de um zagueiro, mas pode ter posicionamento adeqüado, ocupar espaços, marcar por zona, bloquear diagonais e assumir muitas outras pequenas responsabilidades defensivas. As estratégias das melhores equipes compensam as características de cada atleta organizando conjuntos compactos sem a bola, cooperativos na marcação com cobertura e sobra, e eficientes pelo posicionamento preciso – não pela quantidade de carrinhos e trombadas.

Assim que funcionam os sistemas táticos bem sucedidos do futebol deste século. Assim que treinadores vitoriosos sustentam suas conquistas.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (12)

  • Conrado Gallo diz: 20 de dezembro de 2008

    Cecconi,claro q todos jogadores hoje em dia sabem marcar e tem funções de marcação,isso faz parte do sitema defensivo de um equipe(que n se resume só a zaga).Mas a questão é:será q na primeira linha de duas linhas de quatro,dois laterais como F. santos e Ruy serviriam?será que eles conseguiriam segurar posição, ou se meteriam a frente em virtude de suas características?
    Cercar é uma coisa,agora dar o bote na hora certa ,dar o lado mais fraco do atacante isso só os zagueiros zagueiros sabe fazer

  • fernando diz: 21 de dezembro de 2008

    Sigo discordando. Me responde qual a linha de 4 defensiva do Inter?O inter tina 4 ou 5 no meio? Me responde quais sao os jogadores de frente do Manchester? Me responde qual a linha defensiva do Manchester. Oq ocorreu é que essa “mudernidade” inglesa, é a volta do velho 4-4-2 tradicional com laterais/zagueiros, coisa que o Grêmio não têm.Palmeiras não é exemplo, funcionou bem meia boca, e por pouco tempo. Relembro os galáticos.O sucesso sempro foi adaptar esquema aos jogadores, olha o brasil2002

  • Conrado Gallo diz: 20 de dezembro de 2008

    Continuando…faltou espaço hehehe.
    O próprio inter no seu atual time,utiliza zagueiros pra fazer a primeira linha(n me digas q o marcao é lateral),são joagadores de maior porte físico,melhor na bola aérea,no contato com o adversário.Outra coisa: só se diz q o anderson passou a ser volante no manU pq ele passou a marcar na intermediária,coisa q ele nao fazia no gremio nem no Porto.Mas claro,o Ferguesson utiliza a ´sáida de bola dele e do scholes tb.Axo q é só isso…por enqunato.abraço

  • Wagner diz: 21 de dezembro de 2008

    4…o SP ñ entrou na área e poderíamos ter até goleado, um banho..Edinho, Guiñazu e o trio Andrezinho, Alex e Taison…ficou tipo Manchester U, sem a bola Park, Teves e CR, todos com perfil ofensivo, marcam, e Nilmar e Rooney ficam atrapalhando a saída da zaga…depois deste jogo, o Inter ficou sem Andrezinho e Alex, machucados, o time andou perdendo, e se confundiram totalmente…acharam q era o esquema, mudaram para 352, fizeram uma salada…Magrão ficou reinando e acabou voltando ao time…

  • Wagner diz: 21 de dezembro de 2008

    6 Isto parece moderno mas é antigo..o velho Zagalo tem toda a razão…a seleção de 70 jogava no 451…sem a bola, só ficava o Jair na frente, Pelé e Tostão desciam para marcar..olhem os gols no YouTube, em vários, estão todos menos Jair, atrás da linha da bola…no antológico gol do C Alberto na final, quem rouba a bola na lateral esquerda é Tostão…Zagalo implantou o q hoje é atual, faz mais de 30 anos, e tem gente q considera o entregador da Copa de 82, como o melhor técnico…

  • Wagner diz: 21 de dezembro de 2008

    1 Qdo eras internauta do blog do Nando, eu já comentava isto…existe um conceito de que, se o jogador tem uma certa habilidade, tem características ofensivas, ñ serve para marcar…principalmente aqui no Inter, q é a parte q me atinge…não estou falando do Tite, ao contrário, ele está ajudando a mudar isto…isto é coisa do Fernando Carvalho, q por sua vez é seguidor do Ibsen…”fica time faceiro”…e não é assim..

  • Wagner diz: 21 de dezembro de 2008

    3..no lugar do Magrão teria de ter outro, no mínimo!…como o Guiñazu, mas o ideal é q fosse mais ofensivo ainda, e pelo menos veloz, o q ñ significa q sem a bola ñ tivesse a obrigação de marcar…Tite tentou tirar ele, colocou Andrezinho em algumas partidas, e contra o SP aqui, tirou ele do time…resultado..foi a partida mais perfeita do Colorado em 2007-2008…

  • Lucas diz: 22 de dezembro de 2008

    Cara, o marcel nem estava no gremio em 2005. Era o Lipatin o titular no lugar do anderson.

    Resposta do Cecconi: Lucas, não estou falando do Marcel centroavante. Estou falando do Marcel meio-campista, que o Mano levou para o Corinthians. Abraço!

  • lucas diz: 20 de dezembro de 2008

    na teoria, faz sentido, de fato. tb acho q esta mudança de conceito é necessária para a evolução tática do esporte. discordo um pouquinho dos teus exemplos (léo lima acabou no banco e kaká não fecha nem a porta do seu próprio carro…rsrs), mas acho q no conteúdo estás certo. o q se discute, especialmente no caso do grêmio, é se determinadas características (seja capacidade de cercar, ocupar espaço ou mesmo ir pro embate) estão presentes em alguns jogadores q teriam funções vitais naquele 442.

  • Wagner diz: 21 de dezembro de 2008

    7 Lembrei de outra…já tinha postado este papo no ano passado no blog do Nando…no primeiro semestre deste ano, o Rooney endosou o que disse, numa declaração depois de uma grande vitória do United, cheia de golaços de pé em pé…” fico feliz porque nós jogamos como o Brasil, que eu até hoje, adoro ver os vídeos..”…

  • Wagner diz: 21 de dezembro de 2008

    2 O Inter atual está mudando para um estilo europeu..finalmente!…SÓ Q FAZ A COISA PELA METADE..se vamos jogar com uma linha de defesa, com laterais apoiando vz por outra, do meio campo para frente, pelo menos 5 jogadores tem de atacar…temos da frente para trás, Nilmar, Alex, D”Ale…depois Guiñazu, q ñ tem chute mas se movimenta e passa bem, e só!…

  • Wagner diz: 21 de dezembro de 2008

    5 O conceito q impera entre os times europeus, entre eles o Campeão do Mundo, United, é este…FAZER OS BONS MARCAREM..é mais fácil conseguir q um jogador técnico marque, do q querer que um limitado, q só sabe marcar, ou nem isto como o Magrão, ataque..isto q o Inter tem de entender…a marcação deve ser feita pelos q jogam, pois quando a bola é recuperada, tem de chegar ao ataque, como fazer isto dependendo de um MATUNGO?

Envie seu Comentário