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A ajuda do San Lorenzo ao Boca Juniors

23 de dezembro de 2008 4

No confronto com o Boca, o meio-campo do San Lorenzo foi modificado, e não conseguiu nem jogar, nem segurar a dupla Riquelme-Dátolo

O triangular decisivo do Torneio Apertura do Campeonato Argentino nos permite debater algo bastante oportuno: os treinadores que sistematizam suas equipes de acordo com os adversários. São profissionais que, rotineiramente ou em circunstâncias de exceção, abdicam de ressaltar as virtudes do próprio time pensando apenas em conter o rival.

Isso aconteceu com o San Lorenzo contra o Boca Juniors. Não sei se o técnico Russo costuma fazer isso, mas nesta partida ele modificou completamente a estratégia. Russo vinha distribuindo o San Lorenzo em um 4-4-2 britânico. Na segunda linha de quatro jogadores, o winger esquerdo era o camisa 10 e craque do time, Barrientos, responsável por diagonais e aproximações com os atacantes. Ledesma, outro destaque, atuava como um meio-campista organizador. Uma estratégia simples e bem sucedida, que levou a equipe ao quase-título.

Mas contra o Boca, Russo mudou tudo. Desfez as duas linhas de quatro e inverteu Barrientos. O treinador passou o camisa 10 para o lado direito, e transformou o articulador da equipe em um mero marcador do lateral Morel Rodriguez. Barrientos, disciplinado, cumpriu a determinação. Mas não tocou na bola o jogo inteiro. Apenas acompanhou o lateral do Boca. Da mesma forma, ainda na direita, Ledesma foi um pouco recuado, transformando-se em um volante mais típico, e perdendo a característica de organizador.

Sem se preocupar com Barrientos e Ledesma, enroscados na marcação pelo setor, Dátolo pôde abrir confronto direto com o lateral González. E o camisa 23 do Boca soube aproveitar o espaço e a tranqüilidade, dominando o meio-campo e atraindo Riquelme para as tabelas pela esquerda ofensiva. O Boca dominou o jogo, criou as melhores chances, venceu por 3 a 1, e merecia até mesmo ter marcado mais gols.

Talvez – é só uma suposição, não acompanhei a imprensa argentina na semana passada - Russo tenha desarticulado o próprio time pensando em conter Riquelme. Ledesma recuado, Barrientos segurando Morel para liberar os volantes…tudo indica uma preocupação demasiada em segurar o Boca. Mas, para impedir o adversário de jogar, o San Lorenzo abdicou da posse de bola. E perdeu. Do contrário, o Boca Juniors foi exatamente o mesmo – 4-4-2 com meio-campo em losango, Battaglia centralizado, Vargas na direita (mais recuado), Dátolo na esquerda (mais adiantado) e Riquelme ligando o setor com o ataque, na intermediária ofensiva.

Aqui no Brasil existem treinadores que modificam com freqüência as escalações e não definem um sistema tático padrão – uma base para sustentar pequenas variações – preferindo escalar o time e montar a estratégia conforme a maneira do adversário atuar. Isso compromete o entrosamento e a mecânica de jogo.

O San Lorenzo foi vitimado pelo próprio treinador, e hoje assiste sem nenhuma chance a Boca Juniors e Tigre decidirem o Apertura. Uma pena, porque até então o San Lorenzo vinha repetindo boas atuações, com uma bela estrutura tática, e o diferencial de Barrientos.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (4)

  • Eduardo diz: 23 de dezembro de 2008

    PARTE 2

    Lembro o Abel na Libertadores de 2006 que ficava mudando o time, só com a parada da copa e uma luz divina que fez com que ele escolhesse os titulares o time começou a jogar bola e acabou ganhando!

    Agora imagina esse caso: um treinador modifica todo o meio-campo para conter o outro time, que, para tentar conter esse outro time TAMBEM muda todo o meio-campo… Imagina a cara dos técnicos vendo o jogo sabendo que tudo que ambos preparam não serve para mais nada… uma lambança só!

  • Gabriel Vieira diz: 24 de dezembro de 2008

    Eduardo, no Grêmio as pessoas sempre dão um jeito de aliviar os erros do Roth e dizem que ele tirou leite de pedra. Absurdo! Todos os torneios em que o Grêmio foi eliminado houve a mão dele. É só olhar os jogos do Juventude, Atlético-GO, Inter e o 2º turno do Brasileirão. COntra o Vitória então nem se fala! Volante na zaga, André Luis em campo, Orteman de volante precisando ganhar o jogo… Resultado: o Vitória trocava passes dentro da área do grêmio! Isso não é treinador! É escalador… e mal..

  • Raphael Nunes diz: 23 de dezembro de 2008

    Eduardo, o Grêmio poderia muito bem contratar o Nenê, ex-Santos. É um meia esquerda, jogador que chuta forte com a canhota, tem o estilo de jogo parecido com o do Hugo. Lembra dele? Jogou a Libertadores de 2003 no Santos, que o contratou após bela passagem pelo Palmeiras em 2002, pois apesar do descenso do time paulista ele foi o goleador da equipe. É um jogador que acrescentaria. Quem concordar comigo, por favor, insistam neste jogador! Eduardo, faça uma enquete com esse nome, ele é do Espanyol

    Resposta do Cecconi: Raphael, se estamos pensando no mesmo Nenê, este que passou por Santos e Palmeiras é mais atacante do que meia. Vou tentar buscar mais informações para saber como ele está na Espanha. Abraço!

  • Eduardo diz: 23 de dezembro de 2008

    PARTE 1

    Acho completamente errado o pensamento desses técnicos! Mudar o teu time em função do outro não leva a lugar algum, claro, algumas mudanças já previstas dentro do teu sistema tático são aceitáveis mas nada de mudar completamente o posicionamento!

    Esse é uma das coisas que me fez gostar do Tite como treinador do inter, ele é um cara que acredita MUITO na continuidade e sempre repeti o time de um jogo para o outro.

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