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Reforços não podem alterar a estrutura do Inter

24 de dezembro de 2008 9

Com negociações emperradas, não é certo que a diretoria do Inter consiga manter o trio Nilmar-Alex-D`Alessandro, nem quais reforços serão confirmados. Mas neste momento de especulações e transferências, o mais importante é a manutenção da estrutura tática do Inter.

Tite acertou a mão no colorado com o 4-5-1. Na zaga, quatro defensores em linha; no meio-campo, um volante centralizado (Edinho), dois meio-campistas de marcação e armação – um de cada lado (Magrão e Guiñazu), um articulador centralizado (D`Alessandro) e um meia-atacante se movimentando da direita para o centro (Alex); e no ataque, Nilmar.

Abrir mão de mais de um jogador entre os titulares – principalmente do meio para frente – pode desarticular o sistema tático elaborado pelo treinador. E inserir no grupo reforços que não tenham características apropriadas à mecânica de jogo do colorado também não seria uma política 100% adequada.

Fala-se em centroavantes de referência: Noir, um argentino reserva no Boca; e Alecsandro, um brasileiro finalizador de bom futebol que está no Oriente Médio. Ambos são camisa 9. Se um – ou os dois – forem contratados, quem sairia do time? Alex, em uma eventual negociação com o Exterior? Ou Edinho, ainda contestado por setores da torcida? Ou então – o mais conveniente – eles seriam apenas alternativas de grupo para uma alteração de esquema durante jogos que peçam uma jogada aérea.

Se isto se confirmar, o Inter perderia seu diferencial na Sul-Americana: a estratégia de aproximação e diagonais do trio Alex-Nilmar-D`Alessandro. Com um camisa 9 de referência, Nilmar precisaria sair mais da área – onde ele se saiu bem com infiltrações em velocidade, cavando pênaltis e marcando gols. Reitero: é uma opção mais indicada para determinadas partidas, e não a preferência depois de um 4-5-1 campeão se utilizando da bola no chão, das triangulações e da velocidade.

Com um centroavante fixo, Tite teria ainda que desfazer a linha defensiva para escalar laterais apoiadores, retomando as jogadas de linha de fundo tão escassas no colorado de hoje, que privilegia as triangulações pelo meio. O que obriga a diretoria a recorrer ao mercado, já que não há no grupo nenhum lateral apoiador afirmado e incontestável.

É sempre bom contar com variações táticas. Tite, dentro deste 4-5-1, apresentou mudanças conforme a estratégia de cada jogo. Mas um rompimento mais incisivo na filosofia de jogo obrigaria o Inter a utilizar o Gauchão – e até a parte inicial da Copa do Brasil – como território de ajuste para um novo sistema tático. Gostei muito do trabalho do Tite no segundo semestre, e como diz o velho clichê do futebolês: em time que está ganhando, não se mexe. Contratações pontuais, que acrescentem alternativas táticas sem desfazer o trabalho de 2008 são um bom caminho para a próxima temporada.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (9)

  • Alberto diz: 25 de dezembro de 2008

    Esse esquema do Tite só funciona porque tem três craques carregando ele nas costas (Alex, D`Alessandro e principalmente Nilmar). Tira esses três, que são craques, e coloca jogadores bons (mas não craques) no lugar deles que o esquema vai por água abaixo, exatamente como foi no Brasileirão. Aliás, só marca o Alex e o D`Alessandro, que aí isola o Nilmar, e sem laterais pra forçar jogo somos dominados, como fomos pelo Estudiantes no Beira Rio e em inúmeras partidas pelo Brasileirão.

  • Leonardo diz: 25 de dezembro de 2008

    Concordo plenamente! Se alguém sair (o que espero que não aconteça, e acho que ninguém precisa chegar, precisamos de continuidade) tem que contratar cirurgicamente. Cecconi, teu blog é disparado o melhor de se ler aqui no clicrbs. Parabéns! Continue o excelente trabalho!

  • Ricardo Fixman diz: 27 de dezembro de 2008

    Tá ficando chato elogiar toda hora o melhor blog disparado da Internet.Te pergunto:Por quê ñ ter 2 esquemas.Explico:um mais ofensivo c/2 laterais,2beques,Nilmar e L.Carlos e sem Edinho e outro esquema mais defensivo c/ 4beques,Edinho e só Nilmar na frente como na s.americana.Nas laterais Jadilson ou Júnior do S.P. e Vítor(põe 1 milhão de reais na mão do goiás mais o bustos).Queria muito ver o L.Carlos 5 jogos c/Alex,Nilmar e D`Alessandro. Jogaríamos no 442 ou 451 dependendo do jogo.Daria certo?

    Resposta do Cecconi: Olá Ricardo, tudo bem? Valeu pela mensagem! Sobre tua pergunta, acredito que daria certo sim. Desde que o técnico definisse um dos sistemas como o principal – a base – utilizando o outro como alternativa conforme as exigências de cada partida. É um bom caminho. Abração!

  • Conrado diz: 26 de dezembro de 2008

    Na verdade, queria fazer uma sugestão para o Cecconi. Gostaria que tu fizesse uma análise tática sobre o “Carrossel Holandês”, detalhando se possível toda a tática envolvida! Acho que seria um post bem interessante. Continue com o bom trabalho!

    Resposta do Cecconi: Olá Conrado, tudo bem? Para fazer isso, terei de acessar algum vídeo com íntegras dos jogos. Não vai ser fácil só com alguns lances tentar compreender um sistema tão complexo. O próprio técnico Rinus Michels dizia que o sistema só deu certo porque contava com jogadores com Q.I`s acima da média. Vou atrás da tua sugestão. Valeu! Abraços.

  • arthur schumacher diz: 25 de dezembro de 2008

    Com certeza esse esquema tático, de certo modo é inovador em termos de Brasil, para por em prática é necessário jogadores que tenham caracteristicas específicas, tais como, condução, precisão nos passes, habilidade nos dribles e raciocinio acima da média.Todos esses quesitos Nilmar, Alex D`Alessandro e Guinazu possuem de sobra, então mais vale manter o atual grupo e promover jogadores da base. De nada adianta
    trocar “seis por meia duzia”, precisamos de goleiro, laterais e um atacante, Walter?

  • Matheus diz: 24 de dezembro de 2008

    Parabéns pelo seu trabalho, mas discordo veementemente. A saber,
    1. Não existe espaço no futebol de hoje para 4 zagueiros e três volantes. O inter na Sul-Americana se valeu dos talentos individuais, o que, nem sempre, ocorrerá.
    2. Nilmar joga muito mais com segundo atacante do que como ultimo homem. Ele não tem estrutura física para brigar com zagueiros pela primeira bola.
    Um centroavante de referência ocuparia a zaga, dando mais liberdade para o nilmar infiltrar com velocidade.
    Abraços

  • Marcelo Unikowsky diz: 25 de dezembro de 2008

    Cecconi, parabéns novamente. Acho que fazes uma leitura tática perfeita. Gostei muito do Inter 2008/2 também. Porém, discordo de ti. Acredito que poderiamos contratar um 9 matador, estilo Fred (espero que seja ele ou Deivid). Com isto, Alex provavelmente será vendido e Nilmar irá para o flanco, lugar de sua origem. Com Fred e Vitor, acho que dariamos um passo a frente na versatilidade do grupo e tentaria um 4-4-2 com 1 volante de contensão, 2 volantes soutos, um meia articulador, e Nilmar e Fred

  • Luciano Pohlmann diz: 28 de dezembro de 2008

    Faço coro c/os demais,e afirmo,sem dúvida,o blog s/futebol mais lúcido do RS e,quem sabe,do BR.Faço um reparo ao título deste post.Os reforços podem alterar a estrutura tática,e,inclusive,devem.O Inter precisa desenvolver pelo menos uma alternativa de esquema p/usar nos jogos,sob pena de se tornar óbvio.Quem assistiu a final c/o Estudiantes viu que o Inter sofreu c/o esquema dos hermanos.Tite demorou p/ler o jogo e mudar o time.P/mim Tite é o nosso ponto fraco,pq s/reação é lenta,embora correta.

  • Eduardo diz: 24 de dezembro de 2008

    O inter deveria fazer mais uma ÚNICA contratação para titular, a lateral direita. O resto é possível ajeitar. Mantendo o trio lá na frente o céu é o limite!

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