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Mais um ex-lateral brasileiro na Europa

19 de janeiro de 2009 5

Michel Bastos é o winger do Lille, aberto no lado esquerdo, cumprindo apenas atribuições ofensivas. É o dono do time, sem nenhuma ligação com seu passado de lateral

A pedido de leitores do blog Preleção, ontem assisti à vitória do Lille sobre o Rennes por 1 a 0, para fazer uma análise do desempenho do pelotense Michel Bastos. E a primeira constatação é esta: Michel Bastos é mais um ex-lateral brasileiro jogando na Europa.

O camisa 8 do Lille segue os exemplos de Leonardo, Gilberto e Serginho (algumas vezes), laterais-esquerdos brasileiros que passaram ao meio-campo no decorrer da carreira. Na Europa, a ofensividade destes jogadores – e as suas virtudes técnicas (passe, drible, chute, visão de jogo) – são aproveitadas pelos treinadores no setor ofensivo. Michel Bastos é o Lille. O time inteiro joga exclusivamente em função dele. Com a camisa 8, aberto no lado esquerdo, o ex-lateral concentra toda a articulação da equipe francesa, que naturalmente pende ao seu setor, praticamente abandonando o lado direito.

O sistema tático é o 4-5-1, com uma estratégia bastante semelhante ao 4-1-4-1. Mas toda a organização se liga a Michel Bastos, permitindo que ele se preocupe apenas em jogar. A disposição dos jogadores em campo e a marcação é pensada para proteger o camisa 8 e permitir seus avanços, como um ponta-esquerda. A defesa é quase uma linha, com laterais que apoiam pouco.  À frente deles, um volante – Mavuba. Tanto ele como o lateral brasileiro Emerson têm como principal missão permanecer posicionados pelo lado esquerdo, dando cobertura e sobra a Michel Bastos.

À frente do volante Mavuba, aparece uma formação com três meio-campistas praticamente alinhados. Dois deles – Obraniak e Cabaye – atuam centralizados; e Balmont abre pela direita, mas sem a bola recua. Nenhum deles é um articulador nato, um pensador. O trio tem características bastante defensivas, e o avanço se dá com trocas de passes. Que terminam no lado esquerdo, com Michel Bastos.

O camisa 8 fecha a linha de meio-campo, adiantado em relação ao trio. Michel Bastos se posiciona sobre a linha lateral, entre a intermediária e a grande área, pronto para receber e disparar. Com a bola, são duas jogadas principais: buscar a diagonal e chamar o atacante Frau para a tabela; ou chegar à linha de fundo e cruzar. Michel Bastos cruza muito.

Na vitória sobre o Rennes, o Lille teve mais de 20 jogadas de bola aérea – e tenho certeza que o ex-lateral brasileiro foi responsável pela grande maioria. O Lille venceu, aliás, em jogada de Michel Bastos. Ele recebeu aberto na esquerda, foi à linha de fundo e cruzou rasteiro para o companheiro marcar, no final do jogo. Sem a bola, Michel apresenta ainda uma variação interessante: ele entra da esquerda para o meio, trazendo a marcação e abrindo espaço para um dos meias avançar pelo lado, enquanto ele aguarda o rebote na entrada da área. Em 20 partidas da temporada, o camisa 8 tem pelo Lille 9 gols e 7 assistências.

É uma análise importante para os clubes que incluem Michel Bastos em suas listas de contratações: ele não é mais um lateral. Pode vir a jogar na posição, mas agora sua boa produção deve-se ao posicionamento semelhante aos antigos pontas. Michel Bastos atua com a camisa 8 do Lille como um winger adiantado em relação à linha de meio-campo, em um sistema 4-5-1 (ou 4-1-4-1) pensado e articulado totalmente em função das suas arrancadas e cruzamentos. É o dono do time.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (5)

  • Guilherme Leites diz: 19 de janeiro de 2009

    Muita boa análise Cecconi!!!Quero fazer um pedido. Já que você fez análises de vários clubes dos principais campeonatos da Europa, faça uma análise dos grandes clubes de Portugal: Porto, Benfica e Sporting. Obrigado.

    Resposta do Cecconi: Boa pedida, Guilherme. É um campeonato que passa pouco na TV, mas quem sabe nas rodadas decisivas de Copa da Uefa e Champions League eu consigo emplacar um texto sobre os grandes de Portugal. Abração!

  • Luiz Carlos Knopp diz: 21 de janeiro de 2009

    Obrigado por atender minha sugestão!
    Abração!

  • Luiz Carlos Knopp diz: 19 de janeiro de 2009

    Também assiti ao jogo e concordo com tuas observações, porém cabe ressaltar que em jogos anteriores o Michel Bastos jogou muito mais do que ontem, quando me pareceu pouco inspirado.

    Resposta do Cecconi: Oi Luiz. Em primeiro lugar, o post de hoje se inspira em sugestão que tu me mandou há algum tempo, e eu guardei para o momento que pudesse ver um jogo. Sobre o Michel, mesmo sem ter sido brilhante no jogo ele é a referência do time. Cumpre uma função preparada especialmente pra ele. Isso o valoriza bastante, por isso acho que foi bem – acabou dando a assistência para o gol. Abração!

  • Gustavo diz: 19 de janeiro de 2009

    Pena que ele pegou aquela época horrível do Grêmio. Mas eu sempre gostei do futebol dele, mesmo como lateral. Parabéns pelo blog, o melhor do clic!

  • Bruno diz: 19 de janeiro de 2009

    Excelente análise! Estou indo para Lille estudar dois anos lá nesta cidade ao norte da França. Acredito que acabarei adotando o Lille OSC como segundo time (após o colorado, claro!)
    Parabéns pelo excelente trabalho!

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