
Nesta temporada não estou acompanhando com muita atenção a campanha do Real Madrid, por isso não posso diagnosticar se esta é uma tendência com o técnico Juande Ramos, ou apenas uma circunstância de exceção. Mas ontem, contra o Numancia, o Real Madrid atuou com meias e atacantes posicionados nos lados opostos ao pé preferencial. Com os "pés invertidos".
Ramos escalou o Real Madrid no 4-4-2, com uma rígida linha de quatro zagueiros - zagueiros mesmo - e meio-campo e quadrado (dois volantes, dois meias). O diferencial é a presença dos canhotos Raúl e Robben no lado direito, enquanto Sneijder e Higuaín atuam pela esquerda. Durante a partida há movimentação e trocas, mas o posicionamento original é este.
Outra constatação - que pode ser contrariada pelo histórico que não acompanhei - é a centralização do jogo neste quarteto à frente da área. Com os zagueirões Sérgio Ramos e Heinze nas laterais (eles podem ser laterais agora, mas nasceram zagueiros) apoiando pouco, a inversão de pé preferencial leva os meias e os atacantes a procurar as diagonais - ou seja, o meio. Não há profundidade e são poucas as jogadas de linha de fundo. A articulação se resume à frente da área adversária.
Talvez isso se explique pela ausência do centroavante Van Nistelrooy, levando à perda da referência na área. Ainda assim, Raúl é bom cabeceador. Mas, como o veterano capitão da equipe está atuando na articulação, não fica mais posicionado lá dentro da grande área. Ramos parece estar lidando com a tática mais adequada à escalação que escolheu. Só me causa algum espanto a preferência de Heinze por Marcelo - lateral brasileiro ficou no banco na vitória de 2 a 0 sobre o Numancia. Raúl e Robben marcaram, no segundo tempo.
Postado por Eduardo Cecconi



7 de fevereiro de 2009 às 4:15 am
Eu sempre defendo que os meias e as vezes até alguns atacantes deveriam jogar com "pé trocado". Abre muito mais possibilidades do qeu simplesmente ir para a linha de fundo
8 de março de 2009 às 2:48 pm
Nao consigo acessar os posts clássicos... porquê?
Resposta do Cecconi: estão com problema os links, vou consertar Gabriel. Valeu pela dica. Abração!
2 de fevereiro de 2009 às 10:36 am
Bom dia, gosto muito do bloq Preleção. Cada vez que leio fico imaginando milhões de variações táticas e de esquemas para o meu time do coração (Inter). Acho que você poderia abrir uma sessão onde leitores pudessem enviar comentários e dicas. Poderia ser uma sessão "Se eu fosse o técnico", ao receber você analisaria e postaria com sua analise. Por exemplo: Quando todos estiverem a disposição, e se Alex realmente for vendido, eu vejo o inter jogando num 3-5-2 italiano, com Danny Morais libero.
2 de fevereiro de 2009 às 9:32 am
Em relação ao detalhe de "jogar com os pés trocados" o mesmo acontece com DAlessandro e Alex. Outro fato que chama a atenção é que Bolivar não tem sido lateral , muito menos ala. Não seria o caso do apoio pelo lado D ser realizado pelo Índio , que se solta com qualidade, ficando , nestes momentos, Bolivar mais centralizado? Com o esquema proposto no jogo contra o Sapucaiense , viu-se Guina bem menos à vontadee aumentou bastante o número de passes errados da zaga na tentativa de sair para o jogo
2 de fevereiro de 2009 às 1:08 pm
te lembras do barcelona do final da era Cruyff (não o que funcionava, mas o q não deu certo, entre 95 e 96...), com o Hagi pela direita e o Stoichkov (depois Figo) pela esquerda? tinha até uma explicação meio estapafúrdia sobre cruzar com o pé trocado e pegar a zaga desprevenida...
Resposta do Cecconi: olá Fernando. Não lembro desse Barça, tenho só uma vaga recordação. Adorava o futebol do Hagi, e do Stoichkov também, mas não lembro deles com o Figo. Tomara que eu encontre um vídeo na Internet, porque fiquei curioso. Boa dica! Abração.
2 de fevereiro de 2009 às 1:59 pm
gostaria que tu fizesse a analise tatica do jogo do gremio no esquema 3-6-1 com o souza chegando como segundo atacante...obrigado
Resposta do Cecconi: Olá Julio, tudo bem? Vou ficar com a tua sugestão para uma próxima oportunidade. Certamente o Roth utilizará este sistema de novo, e poderemos falar sobre isso com mais propriedade. Abração.
2 de fevereiro de 2009 às 11:00 am
Outra sugestão. Acompanhei o Jogo entre Grêmio x Nóia. Cada cruzamento que tcheco fazia era meio gol, o Grêmio ganhava todas pelo alto. Sendo que o Tcheco já repetiu no mínimo 50 vezes que tenta cruzar logo após o primeiro homem. Acho que poderia abordar posicionamento em bolas paradas. Hoje no futebol muitos jogos são decididos assim. Minha opinião é 3 homens na risca da pequena area(Ponta-E,Meio,Ponta-D) e 4 homens adiantados, impedindo a passagem dos adversários entre esses 3 homens.
3 de fevereiro de 2009 às 1:54 pm
O Real Madrid joa com o Raúl a frente do Robben e não o contrário. A opção do Heinze e que o Marcelo não vem convencendo ofensivamente e defensivamente o Real fica com um corredor aberto pela esquerda. tanto que com o Barça de Messi jogou S. Ramos na Esquerda e Salgado pela Direita. O Sergio Ramos é um dos melhores laterais do mundo pela sua qualidade técnica e o equilíbrio ofensivo e defensivo. Abs.
2 de fevereiro de 2009 às 12:04 pm
Olá amigos do preleção Sou um novo leitor do blog e gosto muito dessas discussões sobre táticas. Aproveito a oportunidade para mandar sugestões para pauta do site: - o esquema tático do boca de carlos bianchi com a eficaz duas linhas de quatro (e instransponíveis) que levou o time argentino a ser campeão da libertadores. - a marcação individual, homem a homem, pouco usada no brasil, mas extremamente eficaz em certas ocasiões para anular o principal jogador do adversário. Abraço
Resposta do Cecconi: Olá Fabricio, tudo bem? Boas sugestões. Do Boca estamos quase sempre falando, mas sobre o time do Bianchi realmente nada fizemos ainda. E sobre marcação individual, este é um tema bastante complexo - a eficácia depende do sistema tático e da estratégia. É uma excelente sugestão de tema. Assim que encontrar oportunidade, vou tocar essas. Abração!