Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Cruzeiro joga com a bola no pé

19 de fevereiro de 2009 8

O Cruzeiro enfrentou o Estudiantes no 4-4-2, tendo o apoio dos laterais e a valorização da posse de bola como as principais virtudes da equipe

É claro que a postura excessivamente defensiva e passiva do Estudiantes induziu o Cruzeiro a também jogar desta forma. Mas também é evidente que o técnico Adilson Baptista adotou como estratégia preferencial a manutenção da posse de bola.

O Cruzeiro é um time paciente. Adilson dispõe a equipe em um 4-4-2 bem tradicional. Hoje, na vitória de 3 a 0 sobre o Estudiantes, a equipe titular teve três volantes – Ramires, suspenso, foi substituído pelo posicionamento mais adiantado de Fabrício, que não tem a mesma mobilidade, mas compensa com boa qualidade de passe e chute de média distância.

Como os laterais apoiam muito – Fernandinho na esquerda (principalmente), e Jonathan na direita – há uma sincronia simples e convencional na cobertura efetuada pelos volantes. Quando Fernandinho avança, o volante Henrique faz a cobertura e o zagueiro Thiago Heleno fica na sobra; e quando Jonathan sobe, Marquinhos Paraná se posiciona à direita, e o zagueiro Leonardo Silva completa a proteção.

Na articulação, além da chegada de Fabrício e do avanço pelos lados, Wágner centraliza a organização. Ele é um jogador que consegue conciliar movimentação – joga pelos lados e pelo meio, procurando espaços, embora prefira a esquerda – com distribuição de jogo (passes curtos, longos, lançamentos, tabelas e conclusões).

É dessa forma que o Cruzeiro valoriza a posse de bola: variando as jogadas. O time vai passando a bola de pé em pé, de um lado para o outro, enquanto avança lentamente. É quase um movimento de “futebol americano”: o Cruzeiro vai conquistando jardas, ou seja, a cada passe os jogadores posicionam-se mais à frente, prensando o time adversário em sua área. Ligação direta é assunto proibido, e o time de Adilson recorre pouco ao balão ou à jogada aérea.

Na frente, Adilson começou com Thiago Ribeiro aberto pela esquerda, mas com permissão para trocar de lado; e Wellington Paulista centralizado, fazendo pivôs e trombando com os zagueiros. A partida, entretanto, mudou mesmo quando Kléber, ex-Palmeiras, estreou.

E Kléber fez uma partida com sua marca. Ficou em campo apenas 15 minutos: entrou aos 15min do 2º tempo, marcou dois gols, recebeu dois amarelos e foi expulso aos 30min, saindo de campo completamente ovacionado.

Na entrada de Kléber, o Cruzeiro ganhou mais uma opção dentro de sua estratégia de manter a posse de bola. Ele recua, participando da partida como um ponta-de-lança, para tabelar com Wágner e com os volantes, girar e partir às costas dos zagueiros. Essa movimentação deu certo em dois contra-ataques, finalizados por ele com precisão em chutes colocados na saída do goleiro.

Com Kléber, o Cruzeiro se mostrou mais vocacionado ao jogo com a bola no chão. Talvez perca a jogada individual em velocidade, predileta de Thiago Ribeiro. Mas a curta amostragem de 15 minutos demonstra que o ex-jogador palmeirense, apesar do temperamento inadequado e das expulsões, foi uma contratação direcionada com precisão para acrescentar qualidade à tática e à estratégia de Adilson Baptista.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (8)

  • douglas diz: 19 de fevereiro de 2009

    Cecconi,saindo um pouco desse assunto de teu post.Gostaria de perguntar se o Inter ,não ficaria melhor com o Sandro, no lugar do recém saido Edinho.Porque me parece que resgatando aquela forma de jogar do final do ano passado,mais a reconhecida qualidade desse garoto,o time do Inter não ficaria melhor?,seria interesante , ver aquela formação denevo ,para ter uma idéia de base para o time,do que ficar fazendo experiências,não acha?

    Resposta do Cecconi: Olá Douglas, tudo bem? Já falamos bastante sobre as possibilidades do Tite aqui, mas pela polêmica do jogo de ontem, de repente podemos retormar o assunto. Eu não vejo problema em substituir o Edinho pelo Taison ou pelo Alecsandro – não me parece que contra o União o Inter tenha perdido pela falta de um volante. Ainda assim, o Sandro substituindo o Edinho também é uma boa possibilidade. Acho que todas elas podem ser treinadas, consideradas e utilizadas conforme a circunstância de cada jogo. Abração!

  • Claus Kruger diz: 20 de fevereiro de 2009

    Pra mim, o Cruzeiro é igual ao Palmeiras: só desencanta quando ganha um pênalti. Sem esse, a partida seria 0 X 0.

  • Carlos Pizzatto diz: 20 de fevereiro de 2009

    Vi um pouco diferente.

    Entendo que Adílson colocou um losango no meio-campo, tipo aquele do Inter, com Fabrício centralizado (mas se movimentando bastando, é verdade), Marquinhos pela esquerda, Henrique pela direita, e Wagner na frente.

    E, ao meu ver, os laterais entram muito em diagonal, pouco vão à linha de fundo.

    Coloquei uma prancheta lá no Futebol de Botão, na barra lateral do Blog do Carlão.

    Passa lá!
    http://carlospizzatto.blogspot.com

    Abraços.

  • Augusto Madalena diz: 20 de fevereiro de 2009

    E o goleador soares….esquentando o banco…

  • Felipe Rambo diz: 20 de fevereiro de 2009

    Esse toque d bola permitia q a defesa do Estudiantes se compactasse e d certa forma controlasse o ataque mineiro. Claro q com o Ramires o Cruzeiro resolve esse problema, pois o cara é meio uma válvula de escape do time, mas o Adilson deveria ter uma altenativa melhor para a ausencia dele. Ele podia ter ido de Gerson Magrão ou Jancarlos(deslocando johnatan ou fernandinho pro meio), mas preferiu um time com 3 volantes defensivos para não expor a fraca zaga diante do rápido ataque argentino.Abraço!

  • Raphael Nunes diz: 21 de fevereiro de 2009

    Oi Eduardo, tudo bem? Gostaria de sugerir uma análise tática da Universidad do Chile, adversário do Tricolor na estréia da Libertadores! O que acha? Deixo aqui também outra sugestão: que tal analisarmos taticamente o União Rondonópolis – MT, um adversário muito perigoso e traiçoeiro? Abração, o blog é um sucesso, parabéns!!!

  • DANIEL R SANTOS diz: 20 de fevereiro de 2009

    Gostaria que voce analisasse taticamente a derrota do Inter parao o União Rondonópolis. Gosta das suas analises, principalmente porque sou colorado e não assisti ao jogo do Inter. Comas as suas analises, fica mais fácil entender os resultados

  • Felipe Rambo diz: 20 de fevereiro de 2009

    É verdade parece um time d futebol americano mesmo, mas tem um defeito: falta o corredor! É impressionante mesmo a troca de passes desse time do cruzeiro, mas teve horas que eles precisaram sair rapido para o jogo e não coneguiam. O fabricio é mto lento pra fazer essa função d apoiador e o thiago ribeiro não tem presença de área. Não foi a toa q não tiveram muitas chances de gol antes do penalti. Continua…

Envie seu Comentário