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A presença ofensiva de Ruy no Grêmio

22 de fevereiro de 2009 17

A diagonal do ala oposto: Celso Roth orienta uma boa sincronia entre os alas. Quando um apoia (nesta ilustração, Fábio Santos pela esquerda) o outro precisa entrar em diagonal, na área, à altura da segunda trave. Com isso, o Grêmio ganha um terceiro jogador para conclusão, permitindo aos meias pegar o rebote ou assessorar o ala apoiador.

Logo após o Gre-Nal de Erechim, o técnico Celso Roth foi bastante elucidativo em sua entrevista coletiva, ao explicar o movimento sincronizado dos alas. Para justificar o primeiro tempo discreto de Ruy, em comparação com uma boa etapa final, Roth disse o seguinte:

– O Ruy sabe que quando um ala apoia, o outro precisa entrar na área. Ele tem que fazer isso. No 3-6-1, precisam entrar na área o centroavante, mais o meia e o ala do lado oposto – disse Celso Roth.

Mas a premissa vale também para o 3-5-2, trocando-se o meia do lado oposto pelo segundo atacante. E é esta tática individual dos alas a responsável pela boa fase do camisa 2 Tricolor. Ruy está cumprindo uma determinação. Faz parte da estratégia ofensiva planejada pelo Celso Roth.

Como Celso Roth não adota o líbero em seu 3-5-2, ele compensa a carência de articulação pelo meio em função do número reduzido de jogadores do setor, com o avanço simultâneo dos alas. Quando Ruy avança com a bola, Fábio Santos precisa fechar na diagonal, entrando na altura da segunda trave; e quando Fábio Santos apoia pelo lado (situação mais comum), Ruy tem que fechar às costas de Alex Mineiro.

Ontem, por exemplo, foi assim que surgiu o primeiro gol do Grêmio na vitória sobre o Juventude: Fábio Santos passou, levando a marcação; Souza cortou da esquerda para o meio e lançou Ruy, que fechava em diagonal na segunda trave. Dentro da área, Ruy concluiu de cabeça, e Alex Mineiro marcou no rebote. Nesta partida, a entrada do ala-direita na área foi ainda mais necessária porque o Tricolor jogou com apenas um atacante – Jonas foi substituído pelo goleiro Marcelo Grohe.

Há um problema, entretanto: a cobertura. Venho percebendo este defeito no Grêmio há muitos jogos. Como os alas apoiam simultaneamente, e os meias estão posicionados de maneira ofensiva – um na triangulação com o ala que está com a bola, o outro para pegar o rebote à frente da área – o volante (antes era William Magrão, agora é Adilson) precisa cobrir os dois lados.

Com isso, o Grêmio corre muitos riscos no contra-ataque. Os três zagueiros permanecem paradões lá atrás, e abre-se um grande espaço (reparem nos quadrados em azul às costas dos alas, no diagrama tático que ilustra o post) que precisa ser preenchido na direita e na esquerda por apenas um jogador – o volante.

A solução que eu vejo: para solucionar este problema, defendo que Roth adiante um dos zagueiros. Se o contra-ataque é às costas de Fábio Santos, Rafael Marques se transforma em um lateral-esquerdo, tendo Adilson apenas na cobertura; se o adversário sobe do outro lado, às costas de Ruy, Léo se adianta. Afinal, para que serve ter três zagueiros? Alguma outra função, que não seja a sobra absoluta lá atrás, precisa ser determinada.

E se Celso Roth acerta ao planejar um apoio sincronizado e simultâneo dos alas, com uma investida pelo lado compensada por uma diagonal do outro, a cobertura também precisa ser bem arquitetada.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (17)

  • Gustavo diz: 23 de fevereiro de 2009

    Cecconi, discordo de ti quanto a cobertura dos alas. Com 3 zagueiros, um sobra e os outros dois fazem individual, obrigatoriamente, seja nos atacantes ou no meia mais adiantado (no caso de o time jogar com apenas 1 atacante). É importante que a defesa suba, até o meio de campo para reduzir os espaços e compactar o time. Os zagueiros da marcação acompanham seus jogadores nao importa aonde eles forem, pq tem o da sobra na cobertura.

  • Rudi diz: 23 de fevereiro de 2009

    Aí Edu, Como já escrevi aqui antes, melhor blog do futebol, nao de futebol! O que vc. acha de colocar o Jadilson com a “11″ jogando à frente do F. Santos? O mesmo que o Mano fez com a Alessandro pela direta uns anos atrás? Na frente só Herrera. Para jogos encardidos! Monta um slide e vamos ver se o Burrootthh morde a isca e se ilumina! Hare Baba! Abraço,

    Resposta do Cecconi: Olá Rudi, tudo bem? Para esta alternativa tática – que o Roth ainda não demonstrou predileção – tem ainda o Douglas Costa, que é do setor, embora não tenha ainda “emplacado”, nem no Grêmio nem na Seleção. Eu prefiro mesmo o Jadilson como titular da ala-esquerda, mas acredito que ele possa sim ser uma opção para uma segunda linha. Abração.

  • Roberto diz: 24 de fevereiro de 2009

    Realmente o problema será a cobertura, o nosso melhor zagueiro é o Réver, e no ano passado jogou na esquerda, então ou se faz da forma como você falou, ou o Réver aprende a ser um líbero e não zagueiro da sobra, com o Grêmio atacando o Leo e o Rafael ficam mais posicionados, e o Réver fica a frente deles mais pelo lado esquerdo como no ano passado e o Adilson mais pelo lado direito onde se sai melhor também, cobrindo esta saída simultânea dos alas, não sacrificando tanto os meias com a marcação.

  • luis diz: 23 de fevereiro de 2009

    Cecconi. Queria pedir um favor! Como acompanho aqui suas analizes, gostaria de ver uma analize tatica do time do sao paulo, principalmente desse q ganho o brasileirao. O que o murici faz para ter numeros tao bons em aproveitamento? Peso desculpas se vc ja fez isso aqui no blog e q me mande o link para mim dar uma olhada. abraço

    Resposta do Cecconi: Olá Luís, tudo bem? Já fiz uma análise do São Paulo, no final do ano passado. Dá uma conferida neste link:

    http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&uf=1&local=1&template=3948.dwt&section=Blogs&post=125613&blog=558&coldir=1&topo=3994.dwt

    Abração!

  • Cleiton dos Santos diz: 22 de fevereiro de 2009

    Cecconni, pra mim os 2 (Leo e Rafa Marques) tem que subir pra fechar a subida dos alas. Ontem o Juventude nos contra-ataques pegou o Grêmio várias vezes, com os 3 zagueiros lá atrás, esperando os atacantes

    Resposta do Cecconi: exatamente, Cleiton. É sobre isso que eu me refiro. Os zagueiros ficam muito recuados, e assim, como os alas sobem ao mesmo tempo, abre-se um espaço muito grande para o contra-ataque. Ou o Roth adianta os zagueiros, ou vai sacrificar o Adilson e correr riscos desnecessários. Bela leitura tua! Abração.

  • Tales diz: 23 de fevereiro de 2009

    Olá Eduardo, seu blog é simplesmente o melhor de todos sobre futebol… sou viciado em táticas, e nunca achava onde aprender mais sobre o assunto, pois os cronistas de hoje nao sabem absolutamente nada sobre… é até desanimador ver um jogo na tv e ouvir tanta bobagem. Sobre o gremio, gostaria que tu fizesse, se possível, um gremio imaginário com 4-3-3 ou 3-4-3 utilizando os atacantes de qualidade porém sem sacrificar a defesa… estou tentando montar esse time e ainda nao tive sucesso.

    Resposta do Cecconi: Olá Tales, tudo bem? Podemos sim exercitar essa projeção com um grêmio utilizando três atacantes, mesmo que não haja indício de aproveitamento real deste sistema tático. Assim que houver oportunidade, vamos falar sobre o tema. Valeu pela dica! Abração.

  • jose olavo ferreira gallo diz: 22 de fevereiro de 2009

    Parabens Cecconi! A tua análise muito inteligente, correta e singular. Não vi e ouvi, nem um comentarista fazer um comentario tão abalizado. Olha amigo, estamos convivendo com a mesmice faz horas,quando surge uma especie de ET na cronica esportiva, saudamo-lhe efusivamente, que bom…

    Resposta do Cecconi: obrigado José Olavo! Conto com tua participação sempre nos nossos debates. Abração!

  • Jorge diz: 22 de fevereiro de 2009

    Mas o Celso Roth não tem capacidade para entender o funcionamento dos três zagueiros. Ele apenas os utiliza como um amontoado, achando que o simples fato de serem três torna a defesa mais segura.

  • Luiz Carlos Knopp diz: 23 de fevereiro de 2009

    Cecconi, o sistema tático empregado pelo Grêmio, consegue ser muito eficiente porque na frente joga o Alex Mineiro que está se revelando um exelente PIVÔ, não sei se com o Maxi Lopes a coisa seria tão perfeita.

  • luis diz: 22 de fevereiro de 2009

    Voce tem razao Cecconi, realmente adiantar um zagueiro seria o melhor. Me referi ao meia nao atacar tanto e ajudar o volante pq o time do gremio esta com praticamente um jogador a menos em campo, que é o caso do tcheco.Ele nao é mais aquele grande jogador q ja vimos, tem dechado muito a desejar. Acho q o melhor seria mesmo adiantar um zagueiro e colocar o douglas costa no lugar do tcheco pra a ajudar no ataque. abraçao

  • luis diz: 22 de fevereiro de 2009

    ola Cecconi. Muito boa essa tua leitura do esquena do Gremio. Acho que o gremio só nao sofreu muito com esse defeito ainda (pelo menos só me lembro do grenal)pq nao pego ainda equipes bem estruturadas e com atacantes rapidos, por exemplo o palmeiras. Mas acho q uma outra soluçao para esse defeito era um dos meias nao “subir” muito ou subir e recuar rapidamente. abraçao

    Resposta do Cecconi: Sim Luís, desde que este meia cubra um dos alas – deixando o outro para o volante – esta também é uma alternativa viável. Eu ainda assim preferia ver um dos zagueiros se adiantando, para diminuir o espaço do adversário. Como tu bem observou, um atacante rápido com campo para correr é difícil de ser parado. Abração!

  • borracho diz: 25 de fevereiro de 2009

    Nao eh atoa q o Adilson estava morto de cansaço no final do jogo contra o juventude.. em alguns momentos o Adilson ate parecia ser o homem da sobra. Oq tu acha de substituir o Tcheco pelo Orteman(q pra mim tem muito mais poder de marcaçao) num 3412 deixando o Souza “solto” eo Rever de libero (pra povoar ainda mais o meio ja q o Roth gosta)? Desculpa a inssistencia no Orteman, mas eh pq eu acho q ele pode render muito mais(olha o video acima)! hehe Abraço

    Resposta do Cecconi: olá Borracho, tudo bem? Não me incomodo com a insistência pelo Orteman, que eu considero um bom jogador. O problema é continuarmos debatendo a possibilidade do líbero no Grêmio, coisa que o Roth não deve utilizar tão cedo. Aí qualquer prognóstico fica complicado. Abraço!

  • Anderson Fraga diz: 22 de fevereiro de 2009

    “Como Celso Roth não adota o líbero em seu 3-5-2″ “A solução que eu vejo: para solucionar este problema, defendo que Roth adiante um dos zagueiros.” Não sei se será uma `regra`, mas o Roth fez isso com o Réver ontem, pelo o que vi. Diversas vezes estava ele colado ao Adilson no 1º tempo. Ou seja, nesse caso, Réver estava sim sendo um líbero, não?

    Resposta do Cecconi: Olá Anderson, tudo bem? Não vi dessa forma. O Réver costuma passar quando está com a bola em investidas “à la Lúcio”, intempestivas, mas nada táticas. Um bom exemplo de líbero, peço que tu acompanhes uma partida para comparar, é o Edmilson no Palmeiras – ele se posiciona à frente da zaga com ou sem a bola, dependendo da circunstância de jogo. Abração!

  • Rogério diz: 25 de fevereiro de 2009

    Cecconi, não seria o caso de o Réver ser o zagueiro a ser adiantado, já que este é volante de origem, ficando Léo na direita e Rafael Marques na esquerda, respectivamente? Outra: com o Réver o Grêmio não poderia variar do 3-5-2 para o 4-4-2 sem modificar os jogadores, somente o esquema, durante o jogo? Abraço!

  • Gustavo diz: 23 de fevereiro de 2009

    (continuando).. O volante centralizado, irá cobrir o ala pelo lado que houver o contra-ataque, junto com o o zagueiro do mesmo lado, cabendo ao da sobra trocar a marcaçao individual, e o do outro lado vir para a sobra. Isso dará tempo para que o meia ou o ala do lado oposto voltem e se reposicionem defensivamente.

  • Guilherme Leites diz: 22 de fevereiro de 2009

    Boa Análise Cecconi!!! Mas eu vi o Réver dando umas escapadas pelo meio do campo como se fosse um líbero e também o Léo pelo lado direito auxiliando o Ruy na armação como um lateral direito (vide segundo gol).

  • augusto genz diz: 22 de fevereiro de 2009

    cecconi,

    ano passado o réver já fazia isso bastante pela esquerda, já o leo nem tanto. hoje é a situação inversa, o rafael marques não avança muito, já o leo seguido sobe pra fazer a cobertura ou participar do ataque, como no caso do segundo gol contra o ju.

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