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Duelo tático de alto nível no Interior Gaúcho

23 de fevereiro de 2009 5

No Veranópolis, o 3-5-2 valoriza a bola no chão, a velocidade e a proximidade de jogadores pelo centro do campo; no Santa Cruz, o 3-6-1 com variação para 3-5-2 investe nas jogadas pelos lados, com força física e bola aérea qualificada

Ontem, Veranópolis e Santa Cruz proporcionaram um belo espetáculo para quem aprecia o duelo tático no futebol. Os técnicos – Gilmar Dal Pozzo no VEC, Agenor Piccinin no Galo – apresentaram variações e estratégias diferentes dentro de dois sistemas táticos parecidos, em um grande jogo nas quartas-de-final do 1º turno do Gauchão.

O Veranópolis conta com o treinador-revelação da temporada no Interior Gaúcho. Gilmar Dal Pozzo, ex-goleiro do Caxias, já havia comprovado sua competência com o título da Copa Lupi Martins conquistado no comando do Pelotas – com a inovadora utilização de um líbero pelo lado do campo, à época analisada aqui no blog Preleção.

Agora, no Veranópolis ele mantém a predileção pelo 3-5-2, com uma estratégia diferente. O time da Serra centraliza a articulação das jogadas. Os dois alas – principalmente Romano, pela esquerda – buscam as diagonais, tornando-se meio-campistas. Eles auxiliam o meia Miro Bahia na organização, criando dificuldades para os volantes adversários.

Na direita, Fininho é o ala que investe mais até a linha de fundo. E recebe o apoio do zagueiro Ademir. Pelo meio, há ainda a participação de Eduardinho, chamado de “motorzinho” pelo treinador, por cumprir simultaneamente funções defensivas de volante e ofensivas de articulador. Com velocidade, o VEC combina os movimentos de pelo menos seis jogadores no ataque (os dois alas, os dois meias, e os dois atacantes), agrupados pelo centro. Na proteção, ficam os zagueiros Marília e Diego Corrêa, e o volante Edmilson.

– Nosso time joga no 3-5-2 sem a bola. Com a bola o Romano fecha virando um meia, e fazemos um 4-4-2 – explicou o próprio Gilmar, em entrevista após o jogo.

No Santa Cruz, o bom desempenho é de Agenor Piccinin, um técnico que ainda não havia trabalhado com destaque no Rio Grande do Sul, após deixar uma boa imagem em Santa Catarina.

O Galo Carijó joga no 3-6-1, com variação para 3-5-2, e estratégia diversa do adversário de ontem. O time tem preferência pelas jogadas laterais. Os alas jogam abertos, e bastante adiantados. Emanuel, principalmente, apoia bastante no lado esquerdo. Vale o mesmo para Tiago Matos na direita.

Eles ganham a companhia de dois meio-campistas. William cai para a direita, dobrando com Tiago Matos; e Cléber faz a parceria com Emanuel na esquerda. Mas a abertura dos meias não deixa o setor desguarnecido, porque o meia-atacante Roberto Jacaré permanece centralizado, ora recuando para articular, ora aproximando-se do centroavante Eraldo.

Esta é mais uma diferença entre Santa Cruz e VEC. Se o time de Gilmar Dal Pozzo é leve e rápido, com dois atacantes de movimentação (Dinei e Kito), o Santa Cruz investe na bola aérea e na força física. Eraldo é forte e alto, assim como os dois meias, que entram na área junto com Jacaré para disputar os cruzamentos de Emanuel e Tiago Matos.

Outra característica deste time é o apoio do zagueiro Glauber pela esquerda. Ele ultrapassa Emanuel pelo lado, permitindo que o ala realize diagonais e aproveite seu qualificado chute de média distância, além de confundir a marcação. A proteção é realizada pelo volante Sananduva, um ardoroso combatente centralizado, e pelos zagueiros Simônio e Juliano.

São duas estratégias diferentes dentro do 3-5-2: o Veranópolis centralizando as jogadas, com bola no chão e velocidade; e o Santa Cruz abrindo o jogo, com bola aérea e conclusões de média distância. Foi um belíssimo confronto tático, e ainda mais qualificado pela boa técnica de muitos jogadores em campo. No final, o VEC venceu por 2 a 1, e pega o Grêmio. Pena não haver mais uma vaga para o Santa Cruz – ambos mereciam ter passado.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (5)

  • Cleiton dos Santos diz: 23 de fevereiro de 2009

    Cecconi, você teria tempo de postar uma analise do Universidad do Chile? Não encontrei nada, nem mesmo em sites chilenos. Abraço

    Resposta do Cecconi: Olá Cleiton, tudo bem? Infelizmente não assisti a nenhum jogo do Universidad este ano, aí fica difícil. Se encontrar algo na Internet até amanhã, farei sim um post. Abração!

  • Joel diz: 24 de fevereiro de 2009

    tenho essa idéia em minha mente, pois apesar da pouca velocidade, o passe dele é qualificado. Ficaria assim: Victor; Ruy, Réver, Rafael e Jadilson; Leo (centro-direita), Adilson (centro-esquerda), Tcheco (centralizado, distribuindo o jogo) e Souza (livre, flutuando e fazendo triangulações); Herrera/Jonas/Maxi e Alex Mineiro. Funcionaria um time assim?

  • Gilnei Favero diz: 24 de fevereiro de 2009

    Parabéns,você foi muito feliz na análise tática,e onde indica Gilmar como o destaque.
    Vai precisar colocar opções na parte da seleção do interior em poder votar não só nos indicados.Mais uma vez parabéns pelo que está fazendo pelo interior

  • Frederico Zimmermann diz: 25 de fevereiro de 2009

    Parabéns pelas análises Cecconi… realmente foi um jogo muito pegado, digno de um gauchão e que não tinha favorito, pena que o Galo ficou de fora… sorte ao VEC no próximo confronto.
    Mas o 2º turno está chegando, e com o bom trabalho do nosso técnico Agenor e o time entrosado, poderemos conseguir mais uma vez a vaga nas finais… aí o resultado será outro.
    Força ao futebol do interior!!!

  • Joel diz: 25 de fevereiro de 2009

    Olá Eduardo, tudo bem? Sempre te acompanho desde o blog que falava do futebol de Pelotas. Comprei algumas brigas contigo quando o GRÊMIO tinha Mano no comando e tu o criticavas, mas nada pessoal. Gosto das tuas análises, não são como a maioria que vemos por aí (vazias e politicamente corretas). Achas que existe a possibilidade de centralizar Leo no GRÊMIO fazendo-o atuar entre o miolo de zaga e o setor do primeiro volante? Tenho esta idéia em minha mente…continua…

    Resposta do Cecconi: Olá Joel, tudo bem? Se Roth fosse adotar o sistema de líbero, eu acredito que o Léo é o zagueiro do Grêmio com maior possibilidade de dar certo na função. Embora o Réver tenha sido volante, o Léo parece ter mais o estilo requisitado pelo zagueiro centralizado. Boa dica! Abração.

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