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A surpresa italiana joga no 3-5-2 bem brasileiro

05 de março de 2009 9

A Sampdoria joga no 3-5-2, recuada, com estratégia defensiva e centralização das jogadas. A saída é o contra-ataque rápido com Cassano e Pazzini.

Nenhuma equipe causou tanto impacto no noticiário esportivo italiano desta semana quanto a Sampdoria. A equipe bateu no final de semana o Milan, por 2 a 1 – pelo Campeonato Italiano – e ontem passou pela Inter por 3 a 0, na semifinal da Copa da Itália.

E a equipe se ampara em um sistema tático que se tornou pouquíssimo habitual, logo no país onde nasceu: o 3-5-2. Depois de se tornar quase uma regra na década de 80, o 3-5-2 foi sendo esquecido na década passada até se tornar uma grande raridade na Itália – onde foi criado e desenvolvido a partir dos conceitos de líbero e ala.

A Sampdoria contraria não somente a tendência do futebol italiano, como também o passado deste sistema. O time de Gênova não utiliza o líbero. E pouco explora o apoio dos alas. A equipe joga em um 3-5-2 à brasileira, com três zagueiros.

A saída é pelo lado direito, a exemplo do que fazia Muricy Ramalho com Breno no São Paulo, e do que Celso Roth aplicou muito ano passado com Léo no Grêmio. O zagueiro Raggi auxilia o ala Stankevicius no apoio pela direita. Ainda assim, este lado é pouco acionado do meio para trás, porque o atacante Cassano joga aberto no setor.

Cassano, na verdade, recebe liberdade total e proteção de Raggi e Stankevicius. O ala-apoiador joga na esquerda – Pieri – e também pouco acionado.

O grande forte da Sampdoria é a centralização. Cassano atua em diagonais incisivas, da direita para o meio, aproximando-se de Pazzini. São dois jogadores que aliam diversas virtudes: velocidade, ocupação inteligente de espaços, utilização do corpo e preferência pela bola no chão. Assim, a dupla Cassano-Pazzini combina tabelas rápidas, procura jogar nas costas dos zagueiros e volantes, e não tem vergonha de concluir a gol.

Ambos são assessorados pelo meia Palombo, o cérebro do time, que joga à frente de dois volantes, organizando as jogadas. Ele também é o cobrador de faltas e escanteios. Com bola rolando, aproxima-se de Cassano e Pazzini.

Com alas recuados, três zagueiros fixos, e dois volantes, a estratégia da Sampdoria dentro do sistema tático 3-5-2 é o contra-ataque. A equipe se fecha, bloqueando a frente da área com os volantes, e os lados com os alas, saindo rapidamente para os contra-ataques com Cassano, Pazzini e Palombo. No Campeonato Italiano, não deu certo – o time é apenas o 14º.

Mas no estilo de campeonato “mata-mata”, como a Copa da Itália, e em enfrentamentos contra os grandes – equipes que assumem a responsabilidade de jogar e atacar, como Milan e Inter – funcionou. Também assisti à Sampdoria em um empate contra a Juventus, em Turim, e tudo se desenhou desta forma: estratégia defensiva, posicionamento demasiadamente recuado, e saída rápida.

Alguma semelhança com os 3-5-2`s brasileiros? O detalhe, a favor do técnico da Sampdoria, é manter a escalação de dois atacantes rápidos, que são o desafogo na hora do contra-ataque.

Há algumas semanas analisei aqui no Preleção outra equipe italiana que atua no 3-5-2: o Napoli. Quem quiser conferir, clica aqui.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (9)

  • Gustavo diz: 5 de março de 2009

    Eu ia falar aqui o que o Júnior de POA já disse aí embaixo, mas aproveitando a viagem, sugiro uma análise do Aston Villa dos velozes Gabby Agbonlahor e Ashley Young.

    Resposta do Cecconi: boa pedida Gustavo, gosto do Aston Villa, que geralmente joga no 4-3-3 bastante ofensivo. Vou ficar de olho nesse time pra fazer essa análise quando puder. Valeu! Abração.

  • Júnior diz: 5 de março de 2009

    Boa análise, mas tem um equívoco. O Palombo é volante, recuado, até. Samarco e Franceschini são mais avançados, chegando por vezes ao ataque. Samp rumo ao penta da Coppa.

    Resposta do Cecconi: olá Júnior, tudo bem? De repente eu dei azar nas partidas em que vi, onde percebi o Palombo à frente dos volantes. Obrigado pela contribuição. Abraço!

  • João Henrique diz: 5 de março de 2009

    Eduardo, primeiramente só reforçar que adoro o blog Preleção e suas análises, acho inclusive as melhores da internet digas se de passagem. Eu gostaria de fazer um pedido para você, se possivel gostaria que fizesse um post falando sobre os variados tipos de atacantes – centroavante, segundo-atacante, meia – atacante etc – e as qualidades de cada um dos tipos, em quais esquemas se encaixariam melhor, enfim acho que deu pra entender.Ficaria muito grato Eduardo.Abs

    Resposta do Cecconi: bela sugestão, João. Vou colocar na pauta para fazer essa análise assim que encontrar uma boa oportunidade. Abração!

  • Ricardo Fixman diz: 5 de março de 2009

    Vamos imaginar algo que não acontece no C.Italiano:Imagina o União de Rondonópolis como modelo jogando contra a Samp.O que aconteceria com este esquema. Jogar neste esquema da Samp compactado contra equipes que dão espaço me parece mais fácil.Como já havia postado anteriormente, acho que seria útil uma equipe ter 2formas de jogar.Uma mais defensiva e outra mais ofensiva.Será que a Samp joga da mesma forma contra o Cuomo da 3ªdivisão?Reafirmo o que já disse antes, este é o melhor blog do clicrbs!

    Resposta do Cecconi: valeu Ricardo. Obrigado pelas tuas participações. Conto contigo pros nossos debates, sempre. Abração!

  • Richard diz: 8 de março de 2009

    Queria Saber…. voce fez um curso ??? poderia me falar q tipo de curso é? o nome? abrço

    Resposta do Cecconi: oi Richard. Fiz o curso de técnico do Sindicato dos Treinadores Profissionais do RS. Joga no Google e entra no site do sindicato, sempre tem a programação dos próximos cursos. Abração!

  • Sylexs diz: 6 de março de 2009

    Não conhecia esse blog, mas agora que conheço é com certeza o melhor do ClicRBS. Uma analise bem acurada das formações táticas.

    E concordo com o comentário anterior sobre o fato do 3-5-2 estilo “brasileiro” ser um problema contra times que jogam fechado. Centralizar as jogadas contra times com 3 (zagueiros) centrais e dois volantes acaba por tolir as jogadas de ataque. No caso da samp, creio que o time possui a alternativa de abrir os jogos com os alas e usar os cabeceios de Pazzini.

  • Rodrigo Leão diz: 6 de março de 2009

    Opa, tudo certo…

    Cara, se pegares a fita do Grenal ou do jogo contra o União, verás que o Inter atua no 3-5-2 durante o apoio, com o Bolivar virando um ala (ou um volante pela direita, como preferir) e o Kleber fica fazendo uma linha com o Alvaro e o Índio, no melhor estilo das táticas do Zagallo.
    O que não consigo entender é o motivo da inversão, já que as qualidades dos dois laterais são inversas aos papeis que o Tite tem dado para eles…

  • Rodrigo Leão diz: 6 de março de 2009

    Bom dia, Sou colorado e te pergunto: o que achas de fazer uma analise na tática burra do inter? O Tite libera o Bolivar para virar um ala e arma um 3-5-2 com o Kleber integrando a linha defensiva…. Pela terceira partida consecutiva reparei nisso…

    Resposta do Cecconi: olá Rodrigo, tudo bem? Vou tentar reparar melhor nesta sincronia pelos lados. Eu tenho achado que o Kléber está apoiando pouco porque ainda não se condicionou fisicamente. Mas vou me aprofundar para ver se não é realmente uma orientação tática. Abração!

  • Fábio diz: 6 de março de 2009

    Cara, tu entende muito de futebol, porque não arrisca treinar um time? Parabéns pelos teus posts. Abraço e continue assim

    Resposta do Cecconi: olá Fábio, tudo bem? Valeu pela mensagem. Sou treinador formado, mas fiz o curso para poder embasar as análises, sem pretensão de me tornar treinador. Conto contigo nos nossos debates. Abração!

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