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Real usa 3-4-3 e 4-2-4 em um grande clássico

07 de março de 2009 16

Posicionado no 3-4-3, o Real foi contra-atacado pelo Atlético em investidas rápidas. Os visitantes invariavelmente levavam vantagem numérica sobre a defesa Merengue

Hoje parei para assistir ao clássico Real Madrid x Atlético de Madri, e fui privilegiado com um duelo tático moderno, ofensivo e corajoso. As duas equipes jogaram para vencer, criaram diversas oportunidades claríssimas de gol, e o empate em 1 a 1 muito bem poderia ter um placar de 8 a 8, ou mais. Foi um grande jogo pelo Campeonato Espanhol, disputado no Santiago Bernabeu.

Aqui no Preleção já havíamos analisado o Real Madrid dos “pés invertidos” – leia aqui. Mas sem Sneijder, e com o Barcelona disparando na frente, o técnico dos Merengues desfez seu 4-4-2 prioritário, iniciando a partida no 3-4-3.

O 3-4-3 é um sistema tático pouco utilizado, e por isso mesmo, surpreendente para o adversário. Acredito que no Atlético ninguém esperasse este posicionamento dos jogadores do Real. A defesa se armou com Cannavaro centralizado, na sobra; Sergio Ramos no combate pela direita, e Heinze pela esquerda. A linha de meio-campo teve Marcelo como winger esquerdo, e Lassana Diarra pela direita; Gago e Guti foram os volantes centralizados, o primeiro mais à direita, o segundo mais à esquerda.

Na frente, manteve-se a estratégia dos pés invertidos. O canhoto Robben foi um ponta pela direita, sempre trazendo a bola do lado para a entrada da área. O mesmo fez Huntelaar, jogando da esquerda para o meio. Centralizado, Raúl não foi um centroavante, mas sim um jogador de movimentação semelhante aos pivôs, recuando para atrair a marcação, abrindo espaço para as diagonais de Robben e Huntelaar.

Já o Atlético jogou em um 4-4-2 com praticamente duas linhas de quatro. Digo praticamente porque Maxi e Simão adiantaram-se mais do que o normal em relação aos companheiros centralizados de meio-campo (Camacho e Paulo Assunção). Mas não foi uma circunstância ocasional: a estratégia de mantê-los abertos pelos lados serviu para que o Atlético atuasse às costas da linha de meio-campo do Real. Com isso, eles atraíam os zagueiros Sergio Ramos e Heinze na cobertura, deixando Cannavaro delicadamente exposto à dupla Agüero e Forlan.

Dessa forma, o jogo manteve-se em altíssima rotação. As duas equipes foram absolutamente objetivas. Verticais. A meta de ambos era chegar ao gol, sem intermediários, sem enrolação. De um lado, o Real acionava Raúl no pivô, ou os pontas nas diagonais, contando ainda com o apoio dos wingers. Recuperada  bola, o Atlético contragolpeava abrindo os wingers e infiltrando a dupla de atacantes, praticando um 4 contra 3 sobre os zagueiros merengues.

O primeiro gol surgiu de um entre os dezenas de contra-ataques verticais e incisivos do Atlético. Agüero disparou na esquerda, atraiu dois marcadores, a pelo meio entraram completamente livres de marcação ao mesmo tempo Forlán e Maxi. O argentino serviu ao centroavante uruguaio, que abriu o placar. Uma expressiva superioridade numérica do Atlético no campo do Real. A cena se repetiu diversas vezes, e não fosse a péssima pontaria do Agüero – algo raro -  Atlético poderia ter encerrado a partida vencendo com larga vantagem.

Atrás no placar, o Real Madrid foi ainda mais ousado no 2º tempo. A partir dos 10min, o técnico armou uma espécie de 4-2-4. Saíram Heinze, Guti e Raúl, para as entradas de Higuaín, Salgado e Van der Vaart.

Com isso, o Real teve uma primeira linha com Marcelo e Salgado de laterais, Cannavaro e Sergio Ramos de zagueiros; no meio-campo, apenas Gago e Diarra. E na frente, uma linha de quatro jogadores posicionados sobre a defesa do Atlético, no mano-a-mano, eliminando qualquer possibilidade de cobertura: Van der Vaart aberto na esquerda, Higuaín e Huntelaar na entrada da área, e Robben aberto na direita. Funcionou: sem cobertura, a defesa permitiu que Huntelaar, alinhado com o zagueiro e às suas costas, recebesse livre (eu vi impedimento no lance) para empatar.

Essas distintas estratégias de ataque do Real e contra-ataque do Atlético fizeram do clássico madrilenho uma partida emocionante. Reparem nos números: foram criadas TRINTA E SEIS oportunidades de gol – 19 com o Real, 17 com o Atlético. Números que comprovam a alternância, ou seja, embora o Real insistisse no ataque (54% de posse de bola), praticamente toda investida Merengue contou com uma resposta do Atlético.

Este é mais um exemplo que vem da Europa, alertando que o defensivismo – para quem gosta de “moda”, e de citar referências do Velho Continente para justificar posturas demasiadamente cautelosas – está “demodé“. Hoje eu vi 3-4-3, 4-2-4, 4-4-2…sistemas táticos inteligentes, amparados em estratégias ofensivas. Na Europa, os treinadores querem vencer.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (16)

  • borracho diz: 8 de março de 2009

    Podia ter posto o Orteman no lugar do Diogo e pasado o Rever pra lateral esq. Herrera e Saimon melhoraram o jogo e deveriam ser aproveitados na Colombia, ate de titulares. Diogo ja devia ter sido dispensado junto com o Rafael Marques (custo beneficio – deve ser caro e eh inseguro), Roth e Beto Ferreira. Sera q vao esperar o Gremio ser eliminado da Libertadores pra fazer isso?

  • Gustavo diz: 8 de março de 2009

    Enquanto isso no Brasil… 3-6-1

  • THALES diz: 8 de março de 2009

    MEU CARO. O MAL DO REAL É QUERER COLOCAR MUITOS QUE ELES ACHAM SER CRAQUES JUNTO COM QUEM SE ACHA CRAQUE. O RAUL ESTRAGA QQ SISTEMA. 343,352,442, POIS ELE NAO SABE SE É O PIVO, O ATACANTE PELA DIREITA, ESQUERDA, MATA JOGADORES COMO ROBBEN, INVESTIDAS DO MARCELO PELA ESQUERDA E DO FINCADO NA FRENTE. NAO ADIANTA NISTELROOY, HIGUAIN, HUNTELAAR ETC. DETONOU O ROBINHO ENTRE OUTROS. REAL IDEAL. CASILLAS,S.RAMOS,METZELDER,HEINZE MARCELO, GAGO, O 1°DIARRA, DRENTHE E ROBBEN. VAN NILS E HUNTELAAR.

  • Evaldo diz: 8 de março de 2009

    Espero que o Burroth tenha lido isso.

  • Airton diz: 8 de março de 2009

    Concordo com vc, mas, agora tenta convencer o Celso Roth disso, quando enfrentou um time mais qualificado como o Inter abriu mão de um atacante pra por um volante, ou o Tite que quis tornar o time mais ofensivo e foi criticado e “forçado” a por mais um volante no meio campo, aqui no estado ainda prevalece na concepção dos dirigentes a ideia de privilegiar a defesa,perder por pouco, fazer 1 X 0 e recuar o time pra garantir o resultado.

  • fernando diz: 8 de março de 2009

    cecconi, tudo bem? fiquei um pouco surpreso com essa escalação do real – não é lá muito a cara do juande ramos, mas enfim… posso fazer uma sugestão de post? seguinte: volta e meia, surge aquele papo sobre firmar time, definir escalação, os onze escolhidos, etc. tirando o barcelona (mas nem tanto), os melhores times da europa (vamos usar o grande do momento, man utd, de ex) não fazem isso. tem grupos grandes e usam até 17 jog com regularidade. e aí? q achas? abs!

    Resposta do Cecconi: olá Fernando, tudo bem? Esses dias escrevi sobre isso – o modelo europeu de revezamento – defendendo esta alternativa para o Inter. Pena que ontem o Tite, em entrevista coletiva, disse que não pretende adotar este sistema. Dá uma conferida nos posts da semana passada que vais encontrar o tema em debate. Valeu pela dica. Abração!

  • Richard diz: 8 de março de 2009

    Muito BOm….. uma pergunta…. essas “pranchetas“ para analisar a tatica… é feita no photoshop?? abraço muito bom seu blog podia ter comentario generalizados tambe… nao só de times gauchos…. abrss

    Resposta do Cecconi: Olá Richard, tudo bem? É feito no Photoshop sim, é um PSD desenvolvido pela nossa equipe de multimídia. Ficou show de bola, é fácil de mexer no template, e fica bem bonito…hehehehe. Abração!

  • Richard diz: 8 de março de 2009

    eudardo gostaria de pedir analises taticas de clubes paulistas se for possivel…
    e queria q desse uma olhada no meu blog…
    a ideia é a mesma q a sua…oq achas??
    http://pordentrodatatica.blogspot.com
    abrço

  • borracho diz: 8 de março de 2009

    Cecconi, tu podes fazer um post com sugestoes e analises de nomes para assumir o Gremio? Acho (espero) q de quarta o Roth nao passa.. desde o Grenal ele vem escalando mal o time. Diogo nunca devia ter sido contratado, oq estao esperando para dispensa-lo? eo pior eh q ele eh titular do Roth! Adilson so entrou pq Magrao e Diogo nao estavam disponiveis (foi a mesma coisa com o Rafael Carioca ano passado, q era reserva de Nunes e Eduardo Costa)

    Resposta do Cecconi: bá, amigo Borracho, prefiro manter no blog a linha de fazer apenas análises táticas. Se formos analisar “candidatos” à vaga do Roth – mesmo que ele não tenha caído, e mesmo que a diretoria diga não ter um “plano B” – estaremos fugindo da nossa característica. Mas se ele for demitido, podemos sim analisar o perfil tático daquele que o substituir. Abração!

  • borracho diz: 8 de março de 2009

    Alias, desde o final do brasileirao do ano passado q ele faz isso, foi sua teimosia e falta de visao q entregou o titulo pro SPFW.. no inicio do ano ele ate foi bem mas teve uma recaida no Grenal e tentar insistir agora so vai ser pior. Sobre o jogo de hoje ta todo mundo falando da zaga, tudo bem q nao tinha ritmo de jogo, estava desentrosada e falhou nos gols, mas acho q o Diogo mais uma vez desapareceu em campo e como o Jadilson nao voltou pra marcar a zaga ficou exposta..

  • Marcelo S. Coelho diz: 9 de março de 2009

    Sim, times ofensivos são mais bonitos de ver, mas eu ainda prefiro o meu Inter num esquema cauteloso. Foi assim que ganhamos tudo nos últimos anos.

  • Elio Lagemann Junior diz: 8 de março de 2009

    Eduardo seu comentário para este jg esta correto, porem, só funciona se os dois times jogam para atacar, como no Brasil tem time que se organiza para se defender e atacar somente surja à oportunidade, ai muda tudo, o time que quer ganhar tem que saber tirar o adversário da trincheira, se colocar mais 5,4 ou 3 atacantes isso só congestiona mais o pouco espaço em que o jg se transforma, ai no meu ver tem que ir em no 2-1-3-3-1, neste modelo o time não afunila as jogadas e ainda abre o time cont…

  • Allysson diz: 8 de março de 2009

    Parabens pelo exelente blog Cecconi eu sempre leio e penso seriamente e fazer o Curso de Tecnicos da FGF, para ser um técnico ou talvez só enteder de futebol como você! abraço.

  • TOM EVARS diz: 8 de março de 2009

    O inter poderia jogar neste esquema de 3-4-3, já que o Tite não quer tirar o Bolívar do time. Colocaria o Andrezinho de winger direito e treinaria nessa formação. Um abraço.

  • Elio Lagemann Junior diz: 8 de março de 2009

    Como se monta o 2-1-3-3-1 na minha ótica, vou colocar o Inter nesta formação: Índio-Álvaro/ Sandro/ Guiña-Andrezinho-Magrão/ Tayson-Cabeção-Nilmar/ Alecsandro. O Inter teria espaço para jgr, um centrovante de área o Nilmar e Tayson tipo dois ponteiros(tem velocidade). Os alas chegam como surpresa, a Zaga tem o Guardião Sandro e o auxilio no Guiña ou do Magrão em caso de sofre um contra-ataque. O Andrezinho chega de trás e não embola com o Cabeção, o Alecsandro joga como pivô p/ os outros atac.

  • borracho diz: 8 de março de 2009

    Outra incoerencia do Roth, pq ele inscreveu Maylson e Julio Cesar na Libertadores se eles nao pegam nem banco no Gauchao? e Orteman e Roberson q tinham ido bem mas nao recebem mais chances? talvez se ele prestasse atençao nisso teria ganho os jogos e espantado a crise.. mas agora ja eh tarde demais.. me lembrei de outro nome pra tecnico, Zetti q apesar da goleada historica sofrida parece ser um bom tecnico e num time grande poderia se consagrar

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