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Boyacá deve enfrentar o Grêmio no 4-5-1

09 de março de 2009 22

Imagem da partida entre Boyacá e La Equidad demonstra o desenho do meio-campo do próximo adversário do Grêmio, em um legítimo 4-5-1

Parece mentira, mas sábado consegui acompanhar pela Internet ao vivo o jogo Boyacá Chicó 2 x 0 La Equidad, pelo Campeonato Colombiano. E apesar de jogar com um time misto, o próximo adversário do Grêmio na Libertadores utilizou o mesmo sistema tático com o qual bateu o Aurora por 3 a 0, na primeira rodada da competição continental.

Cheguei a ler depois daquele jogo uma análise dizendo que o Boyacá jogou no 4-4-2, com duas linhas de quatro, contra o Aurora. Nada disso. O time colombiano enfrentou o Aurora no 4-5-1, conforme análise que publiquei no blog Preleção no dia 11 de fevereiro - confiram clicando aqui.

Sábado, o técnico Alberto Gamero escalou oito titulares da estreia na Libertadores. O goleiro Velásquez, a linha defensiva de quatro jogadores (os laterais Pino e Madera, e os zagueiros Galicia e Garcia), o volante Mahecha, o articulador Tapia, e o meia-ofensivo Móvil. Ficaram de fora o volante brasileiro López, o meia Nuñez e o atacante Girón.

Mas o sistema tático foi o mesmo: o 4-5-1. O Boyacá venceu o La Equidad – chegando à liderança na Colômbia – com defesa em linha; um primeiro volante recuado, um segundo volante também bastante defensivo, um meia articulador centralizado, dois meias ofensivos abertos pelos lados, e um atacante centralizado. O desenho do meio-campo está bem claro na imagem do post, que retirei de uma reprodução do jogo contra o La Equidad, de sábado.

A estratégia foi a mesma também: valorização da posse de bola, trocas de passes comandadas pelo meia Tapia, e acionamento rápido aos meias pelos lados. Na frente, o atacante joga no pivô, tabelando e girando às costas da defesa.

No que isso pode complicar para o Grêmio, caso o sistema se mantenha? Na deficiência crônica da estratégia de Celso Roth em 2009 – a bola nas costas dos alas. O Boyacá joga com dois meias pelos lados. E no Grêmio não há cobertura eficiente. Os zagueiros se mantêm fixos na área, dando muito espaço. E nenhum volante – quer jogue no 3-5-2, ou no 3-6-1 – faz a cobertura. Dessa forma o Inter se deu bem no último Gre-Nal, por exemplo; ou Polaco fez o segundo gol do Santa Cruz…bola nas costas dos alas, ninguém na cobertura, muito espaço entre zagueiros e o lado. Exemplos não faltam.

O Boyacá não é um time brilhante. Mas tem uma estratégia que se encaixa nos defeitos do Grêmio. Contra o La Equidad, repetiu-se a eficiência na bola parada de Tapia, autor do primeiro gol em cobrança de falta. Os laterais apoiam pouco, mas são rápidos quando sobem, aplicando o dois-um com os meias. Estes meias ofensivos gostam muito de jogar nas diagonais também, aproximando-se do atacante-pivô.

Como se desamarrar deste nó? Definir a cobertura dos alas é o primeiro passo. Se vai jogar no 3-6-1, cada volante pega uma lateral. Se não vai jogar, Celso Roth tem que urgentemente adiantar os zagueiros para esta cobertura. Réver deve sofrer grande pressão no contato físico e no giro do pivô – precisa fugir deste combate. E com a bola, o Grêmio pode se beneficiar da defesa em linha, para colocar Jonas (ou Herrera, ou ambos) para entrar às costas dos zagueiros e sair na cara do gol. A defesa também é ruim na bola aérea, quem sabe Alex Mineiro consegue se impôr, contando com o municiamento dos alas.

Se alguém assistiu a estes jogos do Boyacá, o espaço está aberto para mais contribuições…

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (22)

  • Paulo Roberto T. Sanchotene diz: 9 de março de 2009

    O ideal, nesse caso, seria o 442. Mas, gostaria de lembrar que na estréia (352), contra a U, o Adílson virou lateral-direito por diversas vezes (sempre que a U passava a ter 3 atacantes), e o Grêmio passou a jogar com o famoso “duas-linhas-de-quatro”. Não é de se duvidar que o mesmo ocorra em Tunja. Sem a bola, o F. Santos cuidaria do ala-direito, o Adílson do ala-esquerdo e o Tcheco do enganche. Ruy, Souza, Alex e Jonas pressionariam o sexteto defensivo e teríamos dois zagueiros na sobra.

  • Carlos Moraes diz: 9 de março de 2009

    O problema é o o Boitata já tem um prejuízo: O Max Lopes não vai jogar.

  • Tef diz: 11 de março de 2009

    Cecconi, parabéns pelo Preleção. Muito show, bom mesmo. Agora eu amplia a pergunta de outros blogueiros daqui, já apontando para minha suspeita de resposta: quanto a aplicação do 4-4-2 inglês, tu achas que os treinadores brasileiros não o usam devido a ideia corrente d q motivação é mais importante que estratégia? Se até o Felipão disse que como estrategista se dava um 7, mas como motivador se dava nota 9, o que sobra para outros? abraço.

    Resposta do Cecconi: Oi Tef. Talvez seja por isso. Mas talvez também seja porque o 4-4-2 inglês não é bem compreendido aqui. Poucos treinadores compreendem a função do extremo (winger), e todo mundo pensa que o meio-campista desta linha é volante – um erro de conceito E de função – principalmente. Por mais simples e claro que seja o 4-4-2 inglês, no Brasil ele parece um verdadeiro mistério tático. Abração!

  • rodrigo diz: 10 de março de 2009

    O gremio ta com medo desse Bocoió Chicória… por iso tão falando q o time é bom e tal.. q nada.. ese time nem existe. tão é se desculpando pela derrota que virá. mais um fiasco. quanto ao blog, parabéns. leio sempre. abs

  • Elias diz: 9 de março de 2009

    Oi Ceconni!Lembro que fizeste uma projeção para o Grêmio jogar no 442 britânico!Muitos disseram que o time era faceiro demais, mas te garanto que estes mesmos que te criticaram devem ter reclamado do 361 retranca do Roth.Como prefiro o time “faceiro” como o teu, queria tu fizesse uma simulação do Grêmio no 433, como o da Fiorentina apresentada no post sobre o Felipe Melo.Acho que, pelo n° de atletas que o Grêmio possui em cada posição, esta seria a melhor formação,podendo formar 2 times!Abraço!

    Resposta do Cecconi: é verdade, Elias. Ainda acho que o 4-4-2 em duas linhas é uma boa pedida. O 4-3-3 não pode ser descartado. Mas também acho que projetar essas alternativas mais ofensivas é desgaste de energia, porque o Celso Roth não dá indícios de que mudará sua filosofia tática. Abração!

  • borracho diz: 9 de março de 2009

    Justin.tv? hehe Herrera eh nosso melhor cabeçeador e ja mostrou q tem de ser titular mas duvido q o Roth coloque ele.. Diogo foi relacionado!(MEDO) do jeito q ele vem escalando o time duvido q ele saiba de tudo isso q tu falou. E o problema da altitude, os mais velhos vao cansar bem rapido por isso quanto mais posse de bola melhor nao? Tambem acho q o 442 seria melhor com o Herrera marcando forte e quem sabe o Leo na lateral direita. Adilson e Maylson de volantes.

  • Cesar diz: 9 de março de 2009

    Eduardo, qual a tática para jogar SEM VOLANTES? ano passado R. Carioca e W. Magrão jogaram muito, protegendo os três zagueiros e saindo com a bola dominada…este ano, o que sobrou? Adilson, Diogo, Ortemann, Makelele…os quatro não valem pelos dois do ano passado…

    Resposta do Cecconi: olá César, tudo bem? A tática para jogar sem volantes é vista todos os dias no futebol inglês – 4-4-2 com duas linhas de quatro. Neste sistema, não há volantes típicos. Erra quem diz que Anderson é volante no Manchester, por exemplo – joga-se com outro sistema de marcação, outro posicionamento, e outra saída de bola, totalmente diferentes do volante no 4-4-2 brasileiro.

    Neste 4-4-2, a linha de meio-campo do Grêmio poderia ter Souza pela direita, Tcheco e mais alguém centralizados (acredito que o Orteman se daria bem neste sistema, mas pode ser o Adilson…) e Douglas Costa pela esquerda….essa é minha sugestão. Abraço!

  • Samuel Ritter diz: 10 de março de 2009

    Eu já venho cantando essa pedra dos alas do grêmio há tempos. No último grenal o Taison deitou e rolou naquele lado. Só não fez um estrago maior pq o Tcheco voltava pra fazer o que o Diogo não fazia. Ainda assim tem idiota que acha que o Tcheco se escondeu no Grenal, pelo contrário, ele estava fazendo o que o resto do tima não fazia, isso o impedia de produzir bem sua função. Quando o Grêmio jogou no 4-4-2, conseguiu empatar o jogo. Sugiro essa tática para o time.

  • Marcio Dias diz: 10 de março de 2009

    Cecconi,penso que para neutralizar,o gremio deve entrar com um falso 3-5-2, explico,quando defender defende com duas linhas de 4 para dobrar a marcação pelos lados, com léo na na lat.direita o rever e o rafael m. no miolo e o Fabio S. na lat.esquerda, de wingers o ruy na direita e o souza na esquerda, tcheco e adilson centralizados e o jonas e o mineiro na ataque.Como estrategia no 2º tempo, colocar o herrera e puxar contra-ataques junto com o jonas, ja que eles virão pra cima no 2 tempo.abraço!

  • Deco Imortal diz: 9 de março de 2009

    O Boyacá Chicó deveria jogar num 4-4-1. Jogar com 11 contra o Grêmio é covardia.

  • Luciano diz: 10 de março de 2009

    Cecconi, por que no Brasil as equipes não adotam o tão bem sucedido e comentado 4-4-2 britânico? Este já mostrou ser talvez o melhor (por ser mais moderno) esquema, o sucesso dos times ingleses é uma prova. É bom lembrar que Manchester United, Chelsea, Arsenal e Liverpool atuam com um volante. No 1º(Carrick),2º(Essien/por contusão Mikel)3º(Denílson que não é um volantão)4º(Mascherano mas também Xabi Alonso) a exceção. E mais uma vez todos podem ir as quartas na Champions. De novo! Abraços!!

  • Iuri diz: 10 de março de 2009

    Quem dera todos os cronistas tivesse teu senso de profissionalismo: informação relevante e qualificada, fugindo do óbvio (assistir um jogo do boyacá pela internet!). Além disso, parabéns pela transparência e acessibilidade, como tu demonstrou na resposta abaixo. continuem com este grande trabalho!

  • Rudi diz: 10 de março de 2009

    Eduardo;
    Sempre um excelente blog.
    Contra o “Boitata” vamos no esquema “Mula Sem Cabeca”.
    Advinha quem e?
    Qual treinador vc. recomenda dentro do mercado atual no Brasil?
    O Burroth esta fora!
    Abs

  • Rodrigo Real diz: 10 de março de 2009

    Aí Eduardo, muito legal a tua análise, mas ficar chamando ala-lateral de “winger”, dá um tempo né…desnecessário

  • LEANDRO ZANETTI diz: 9 de março de 2009

    Eduardo, já enviou esta análise para o grêmio? Se não enviou eu vou enviar… Se dependermos só do Celso, não sei não…

    E que fase, hein? Até o sistema do adversário se encaixa nos principais defeitos do time… Que coisa!

    Abraços

  • Diego diz: 9 de março de 2009

    ja sei o resultado do jogo: 0X0… nenhum chute a gol… o rotho vai colocar um 370 e o boyoca vem com um 451… so pode sair 0X0….

  • Jair Ribeiro diz: 9 de março de 2009

    Prepare-se para avaliar o novíssimo esquema, nunca antes usado, em primeira mão por seu grande inventor, o Professor de Ilusão Celso Juarez Roth: o esquema 3-7-0, testado exuastivamente nos treinos fechados contra o time de funcionários do Grêmio, e deu certo, o time não levou gol…

  • Paulo Grado diz: 9 de março de 2009

    Eduardo, o que vc acha do esquema 3-6-1 pro Grêmio com o Douglas Costa e Souza de Wingers, Tcheco como armador, Adilson a frente da Zaga na cobertura, te parece um esquema interessante?

    Resposta do Cecconi: olá Paulo, tudo bem? Com estes quatro jogadores que tu me aponta, não parece mal não. Pelo contrário. Dentro de uma estratégia ofensiva, Douglas e Souza poderiam dar suporte aos alas no apoio, fazendo o time jogar bastante pelos lados, com Tcheco centralizado e um atacante de velocidade – prefiro o Herrera. Abração!

  • José diz: 9 de março de 2009

    Cara, você é o primeiro que me explica essa hstória de o Grêmio tomar gol de saída em quase todos os jogos decivos, desde o cruzeiro e o “inaciomal” (4×1) no brasileirão do ano passado. Quem conhece o “parreirismo gessado” do Roth faz gol na gente a hora que quer, especialmente de saída, quando o esquema, antes de a bola rolar, ainda está impecavelmente estático. Não é isso? Qüe puxa, tchê!

  • luiz fernando diz: 9 de março de 2009

    tche, o gremio tem q jogar no 352. vitor, thiego, rever e rafael marques (o léo ta podre),rui, adilson, tcheco, sousa e fabio, herrera e jonas.
    o q achas?

  • leandro diz: 9 de março de 2009

    Cecconi! O maior elogio que posso fazer ao teu trabalho é dizer que minha namorada, Renata, ja está discutindo taticas de futebol graças ao seu Blog! Parabéns! Por falar em tatica… Qual é a sua “tatica” para conseguir decifrar um esquema tatico pela TV? Abração!

    Resposta do Cecconi: poxa Leandro, essa tua informação me deixa muito feliz. Obrigado pela tua participação e pela da Renata também nestes debates. Legal mesmo. Sobre tua pergunta, aí vai minha resposta:

    Primeiro, tem que ter paciência. Não se decifra um sistema pela TV em poucos minutos. Demora bastante. O primeiro caminho é prestar atenção quando o time está SEM a bola, para ver o posicionamento dos jogadores. É assim que se chega aos NÚMEROS DO SISTEMA TÁTICO (4-4-2, 3-5-2, etc…).

    Depois, é não menos importante observar o time COM a bola. É dessa forma que tu vai observar a ESTRATÉGIA dentro deste sistema tático (laterais apoiadores ou não, volantes passam ou não, meias centralizam ou abrem, atacantes fazem diagonais, jogam, no pivô, zagueiros cobrem lados ou não….).

    Em todo caso, eu não vejo jogo sem um bloquinho do lado, para ir anotando cada observação, e depois montar o quebra cabeça.

    Espero ter ajudado. Abração!

  • Marcelo Zerbes diz: 22 de março de 2009

    Concordo com os erros apontados quanto ao modo de se defender do time de Celso Roth, meu caro Cecconi. Concordo com a tua análise tática sobre o Boyacá Chicó também. Agora, que o time colombiano tem qualidade, aí já não tenho como compactuar da tua ideia. O Grêmio empilhou chances perdidas de gol NA PRÓPRIA CASA DOS COLOMBIANOS. Quem dava as cartas era o Grêmio. Isso que o Grêmio não jogou 1/3 do que sabe. Sou gremista FANÁTICO, mas também sou realista. O Boyacá Chicó tem um time muito limitado.

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