Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Liverpool ensina a marcação pressão por zona

10 de março de 2009 18

Hoje Benítez adiantou os wingers, formando uma linha de quatro jogadores em marcação pressão por zona na saída de bola do Real Madrid

Hoje o Liverpool nos deu uma grande oportunidade para analisar os sistemas de marcação. Eu já sou um grande fã da maneira de jogar sem a bola no sistema tático 4-4-2 britânico, o famoso duas linhas de quatro. Contra o Real Madrid, o técnico Rafa Benítez adaptou o conceito de marcação a uma estratégia extremamente ofensiva. E deu certo: vitória de 4 a 0 sobre os espanhóis, com classificação garantida para as quartas-de-final da Liga dos Campeões.

No 4-4-2 britânico, a marcação é pressão por zona. Sem a bola, as duas linhas se agrupam – a primeira se adianta, a segunda recua, permanecendo ambas na intermediária de defesa. E os jogadores precisam obedecer a uma filosofia pouco compreendida em outros lugares: eles marcam a bola.

Vou explicar: cada jogador tem uma zona de atuação. E ele só vai exercer pressão quando o adversário ingressar com a bola dentro da sua área delimitada pelo espaço que ele ocupa na respectiva linha. Se a bola saiu deste “quadrado”, a conversa não é mais com ele. Ninguém acompanha jogador na área alheia, para não desfazer as linhas.

Outro conceito importante dentro desta estratégia é o funcionamento da cobertura. Por exemplo: no Liverpool, pelo lado esquerdo, Fábio Aurélio – wingerback esquerdo na primeira linha - foi a cobertura de Babel – wingerforward na esquerda da segunda linha. Se um jogador passa pela área de Babel, quem dá o combate é Fábio Aurélio, imediatamente exercendo a pressão no adversário com a bola. Babel já se posiciona para combater qualquer outro jogador que ingresse em seu setor, sem acompanhar individualmente ninguém.

Contra o Real, Rafa Benítez adiantou o posicionamento defensivo de vários jogadores. Ao invés de um 4-4-2, o Liverpool sem a bola praticamente jogou em um 4-2-4. Mascherano e Xabi Alonso permaneceram mais recuados, com Babel pela esquerda e Kuyt pela direita absolutamente alinhados à dupla Gerrard-Torres, que formaram o ataque.

E este quarteto exerceu a pressão por zona do 4-4-2 britânico convencional, com a diferença de estar em uma linha muito adiantada. Com isso, o Liverpool sufocou o Real Madrid na saída de bola, dentro da própria área. Babel e Kuyt nos laterais, Gerrard e Torres nos zagueiros, Mascherano, Alonso, Fábio Aurélio e Arbeloa na segunda bola. O primeiro gol justifica a escolha: Torres e Kuyt pressionam Pepe, que falha, Kuyt pega e toca para Torres marcar.

Hoje o Liverpool deu uma aula de marcação pressão por zona, no campo do adversário. Venceu por 4 a 0. Não deu chances ao Real Madrid. Foi taticamente perfeito, com jogadores aplicados em cumprir exatamente o seu papel, mantendo o sistema e a estratégia organizados. Filosofia que não seria bem executada, lógico, se o Liverpool não contasse em seu DNA com uma raça e uma bravura impressionantes, principalmente em competições continentais.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (18)

  • Marcelo Barboza diz: 11 de março de 2009

    O que o Liverpool jogou hoje foi piada, os caras jogaram muito. O Torres e o Gerrard gastaram a bola. Não entendo patavinas de táticas, mas aprecio o bom futebol, e o que o time do Rafa Benitez jogou hoje foi futebol de time campeão, anotem ai, o Liverpool vai pras cabeças nessa Champions League.

  • Fabio Henrique diz: 12 de março de 2009

    Enquanto há bom jogo tático e técnico na Europa, os sul-americanos se iludem com “a magia”(???) da Libertadores. Não há um time sequer na América do Sul que estaria entre os 8 primeiros na Liga Inglesa, Alemã, Espanhola, Italiana e, quiçá, na França e Holanda. Sinceramente, não perco tempo com futebol sul-americano, principalmente o brasileiro, onde um Ronaldo com motor fundido é craque.

  • Fábio diz: 10 de março de 2009

    Eduardo! Dúvida esclarecida cara, muito obrigado! Ja fez analise do esquema do Ajax de 95? Abraço

    Resposta do Cecconi: Olá Fábio. Ainda não fiz nada sobre o Ajax de 95, time que ficou uns 60 jogos invicto. É uma excelente pedida. Verei se encontro algo na Internet com vídeos dessa equipe, porque não me lembro de cabeça desta equipe com bastante precisão para fazer a análise. Abração!

  • Leonardo Affonso diz: 11 de março de 2009

    Pra que usar winger se possuímos a consagrada posição de ala? Apenas a diferença de uma marcação avançada, ao contrário da clássica marcação atrás da linha do meio campo do velho lateral.

    Resposta do Cecconi: olá Leonardo, tudo bem? Como já respondi para outro leitor do blog, ala e winger são funções diferentes. Por sinal, bem diferentes. Por isso não uso a mesma denominação. Abraço!

  • Angelo R. Borges diz: 11 de março de 2009

    Parabéns pela feliz descrição do jogo Eduardo. Mais uma vez competente. Gostaria de acresentar que o Liverpool é o único time do mundo com dois jogadores entre os seis melhores da FIFA. Fora o exepcional técnico. Isso ajuda, com certeza.

    Um abraço e continue fazendo um bom trabalho.

  • Fábio diz: 10 de março de 2009

    Eduardo, oque são os “wingers”??

    Resposta do Cecconi: Olá Fábio, tudo bem? Winger é a denominação que se dá para os jogadores que jogam pelos lados no 4-4-2 britânico. Wing, em inglês, quer dizer asa. Os wingers são, portanto, os jogadores que atuam “na ponta das asas”.

    Não dá para usar outra denominação, eu acho, porque não há paralelo desta tática individual no nosso futebol brasileiro, por exemplo. Eles não são meias, nem atacantes. São jogadores de meio-campo que atuam posicionados sobre a linha lateral.

    O wingerback é o que atua na linha de defesa. E o winger forward é o da linha de meio.

    Espero ter esclarecido pra ti.

    Abração.

  • Pedro diz: 10 de março de 2009

    E o Real não tentou colocar dois pontas nas costas do Fábio e do Arbeloa? Eu creio que essa zaga possa a ficar muito desguarnecida. Parece ter sido muita incompetência do Real em não explorar esse buraco do Liverpool.

    Resposta do Cecconi: olá Pedro, tudo bem? O Real jogou sim com dois pontas, dentro do seu recente 4-3-3. Mas são pontas de pés invertidos, como eu já analisei aqui no Preleção. O canhoto Robben pela direita, e o destro Higuaín pela esquerda, com Raúl de pivô. Com isso, os dois centralizam as jogadas. Mas hoje o Liverpool matou completamente essa virtude do Real. Abração!

  • Leonardo M. diz: 10 de março de 2009

    Quero tenta faze uma contribuição Cecconi, voce disse que não há traduação para o termo “winger”, mas eu ja vi muito ser traduzido como, externo ou extremo (direito ou esquerdo). Acho que outra opção seria ala, que por definição é um meiocampista que joga pela beirada ( como gostava de chamar o mano)

    Resposta do Cecconi: Olá Leonardo. Gostei da tua sugestão para substituir winger por “extremo direito, extremo esquerdo”. Vou começar a usar. Acho que ala não se aplica, porque temos uma imagem mental diferente para esta função, e poderia confundir. Valeu pela sugestão. Abraço!

  • Eduardo Mello diz: 11 de março de 2009

    Olá Cecconi. No blog do Zini ele coloca que o Liverpool ensinou a jogar com 4-3-3. Ele também coloca a marcação por pressão como principal atitude do time. Por que esta diferença na formação, na tua opinião?

    Resposta do Cecconi: olá Eduardo, tudo bem? Olha, nada contra quem escreveu 4-3-3, mas isso não aconteceu em nenhum momento do jogo. O Liverpool jogou com seu tradicional 4-4-2, com duas linhas de quatro, adiantando a marcação dos wingers. Tenho o “heat map” da partida, que demarca a região onde os jogadores “mais pisaram”, comprovando que o Liverpool nunca jogou no 4-3-3 ontem. Não sei o que levou a esta análise em outro blog, mas respeito.

    Pode ser um erro provocado pela percepção brasileira sobre o futebol inglês. Quem não conhece o funcionamento dos extremos nas linha de meio-campo (os wingers) os confunde com atacantes. Abração!

  • augusto genz diz: 11 de março de 2009

    cecconi, quando é que tu vai comentar os jogos na rádio? hehe. ia acrescentar muito em relação aos atuais comentaristas.

    Resposta do Cecconi: Bá Augusto. Sonho com isso desde que nasci. Quem sabe um dia…hehehehe. Valeu pela força. Abração!

  • mateus diz: 11 de março de 2009

    Só uma observação…os links dos posts clássicos não funcionam. Obrigado

    Resposta do Cecconi: oi Mateus, realmente não estão funcionando. Tenho que consertar em um tal de Tyni URL. Vou tentar. Abração!

  • Wagner diz: 11 de março de 2009

    Tu não gostas das minhas intromissões, mas serve para tu pescares observações..em Seu Cecconi?

    Resposta do Cecconi: Olá Wágner. Não entendi absolutamente nada do que tu disse. Abraço!

  • João Henrique diz: 11 de março de 2009

    Eduardo se tiver como tirar uma dúvida, gostaria de saber as caracteristicas que diferem lateral, ala e winger.Abs

  • Lucas Dornelles diz: 11 de março de 2009

    Cecconi, acho que o Grêmio pode adotar um esquema de jogo similar ao apresentado pelo Liverpool. Eu escalaria o time assim: Victor; Ruy, Leo ou Rafa Marques, Réver e F. Santos numa linha de 4; no meio Adilson, Maylson como volantes e Tcheco ou Souza fazendo função similar a do Gerrard; e no ataque Douglas Costa como winger pela esquerda (em função parecida com a do C. Eduardo em 2007), Maxi López ou A. Mineiro centralizados e Herrera ou Jonas como winger pela direita. Chega de retranca!

  • Pedrollo diz: 11 de março de 2009

    Fantástico BLOG!!!
    Absurdamente interessante!
    Já está nos meus favoritos: virei frequentador assíduo!
    Parabéns!

  • Paz diz: 11 de março de 2009

    O Ajax jogava num 4-3-3 com os pontas Finidi e Overmars marcando laterais e atacando.Kluivert era o centrovante,afirmado apenas depois do gol do título europeu em 95.
    Van der Sar, Reiziger, Blind(líbero)e Frank de Boer compunham a defesa – Rijkaard chegou a fazer parte do time, por vezes jogava Silooy na direita,depois surgiu Bogarde na esquerda.Davids,Seedorf e Litmanen eram titulares no meio.Como falso centroavante,Ronald de Boer disputava posição com Kluivert.
    Kanu e Musampa eram as opções.

  • Paz diz: 11 de março de 2009

    A marcação ofensiva do Liverpool dá prova, uma vez mais que, se os sul-americanos jogam mais “bola”, os europeus jogam mais “futebol” na acepção de tática e estratégia.
    De qualquer forma, indispensável ressaltar aqui a presença do Gerrard, multifuncional sem falsas brilhaturas que faz qualquer time marcar e jogar.
    No mais, parabéns pela concepção e pelas análises do blog.
    Já era hora de todo mundo discutir um pouco mais sobre como se ganham e se perdem partidas de futebol.

  • Richard diz: 14 de março de 2009

    Cecconi…queria saaber como funciona um sistema de marcaçao do 442 britanico… quando nao é pressao…é por zona?? bom outra coisa vc nao acha que fabio aurelio podia estar na nossa seleça? abrço

    Resposta do Cecconi: olá Richard, tudo bem? A resposta é – as duas coisas. A marcação é por zona, exercendo pressão no adversário que entra em sua zona. Sobre o Fábio Aurélio, ele pode ser cogitado em função da carência de um lateral-esquerdo afirmado na Seleção, mas não o vejo como um grande diferencial. Abraço!

Envie seu Comentário