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Werder Bremen: um esquema para Diego

16 de março de 2009 11

No diagrama tático do Werder Bremen, é perceptível a ausência de apoio pelos lados, com a concentração das ações na dupla Diego-Pizarro

Não é de hoje que se atribui ao meio-campista Diego uma característica depreciativa bastante comum: jogador de clube. É aquele atleta que se destaca no time, mas quando chega à seleção passa de protagonista a coadjuvante, o que provoca frustração e críticas.

Se a tese está ou não correta, e se ela é aplicável a Diego, não é o objetivo desse post. O assunto é o sistema tático do Werder Bremen, com uma estratégia toda voltada para que o meia brasileiro seja o principal jogador.

Busquei vídeos, puxei da memória referênicas, e também mergulhei em heat maps e diagramas de posicionamento do Werder Bremen, e confesso que achei bastante confuso o sistema tático do time alemão. A equipe joga em uma espécie de 3-4-3 centralizado, sem laterais convencionais: são dois zagueiros fixos, um jogador lateralizado que apoia pouco e fecha na marcação, um volante, dois meio-campistas marcadores e armadores, um ponta-de-lança (Diego), dois atacantes de área (sendo um o pivô Pizarro) e um jogador de movimentação pelo lado.

Há uma alternância, sem que seja definido o lado do lateral-defensor. Em algumas partidas é Pasanen, pela direita ou esquerda. Em outras joga Fritz pela direita. A escalação também varia bastante. Mas em qualquer formação, com qualquer estratégia, Diego é sempre o jogador privilegiado pelo planejamento tático.

Com seis jogadores de marcação, o Werder libera Diego para jogar praticamente como um atacante. Ele atua a partir da intermediária ofensiva, centralizado e muito próximo do pivô efetuado por Pizarro.

Da frente da área, Diego apoiando de frente para o gol, e Pizarro fazendo o pivô, contam com o suporte de Hugo Almeida – um atacante de área, que faz a diagonal da direita para o meio – e geralmente de Özil aberto pela esquerda. Com esta formação – seis jogadores de defesa (dois zagueiros, um lateral defensor, um volante centralizado e dois meio-campistas marcadores) – e mais a dupla Diego-Pizarro na meia-lua ofensiva, o Werder concentra todas as suas ações pelo meio.

O time não conta com apoio de laterais pelos lados. Em estatísticas de partidas, a equipe chega a 48% de concentração ofensiva pelo meio, dividindo os outros 52% entre direita e esquerda. Diego e Pizarro participam muito do jogo, assim como Hugo Almeida. Lá atrás, Naldo tem alguma liberdade para apoiar, praticamente como um líbero dentro deste confuso 3-4-3 sem laterais convencionais.

No Campeonato Alemão, apesar da goleada de 4 a 0 sobre o Stuttgart na última rodada, o sistema tático do Werder não tem dado muito certo – a equipe está apenas na 10ª colocação, 17 pontos atrás do líder Hertha Berlim. Mas na Copa da Uefa, onde os alemães já eliminaram o Milan, e se encaminham para uma classificação às quartas-de-final, a maneira centralizada de jogar do Werder dá resultado.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (11)

  • Gabriel Santos Rodrigues diz: 17 de março de 2009

    Meu Deus! Esse Blog é muito bom!
    Eu sempre gostei e entendi bem da parte tática do futebol, tanto que eu to no 3°sem. de Ed.Física pra ter condições e capacidade de trabalhar no meio do futebol futuramente…
    Um amigo meu falou deste blog, e como sou afixionado por tática adorei…
    Pouco mais de um mês que acompanho e ja estou quase terminando de ler todos os posts passados, esse blog me inspirou mtu e vou até fazer um trabalho da faculdade sobre esse assunto…
    Abraços
    E Parabéns Eduardo!

  • douglas diz: 17 de março de 2009

    BAH CECCONI, QUE LAVADA O TEU MANU TOMOU DO LIVERPOOL!!!! PORQUE EU SEI QUE TU GOSTA DO MANU.
    HEHE
    ABRAÇO

  • João Henrique diz: 16 de março de 2009

    Esse esquema do Werder é muito confuso, logo quando vi imaginei que o time não deveria vir bem, também é estranho que o Bremen venha se dando bem na Copa da Uefa, deve ter alguma coisa aí que explique isso. Outra coisa que me chamou atenção Eduardo é que você disse que Diego é ponta-de-lança, mas no caso ponta-de-lança não seria o jogador que joga pelas partes avançadas do lateral, como por exemplo no caso Hugo Almeida? Abs e parabéns pela excelente análise.

    Resposta do Cecconi: Olá João, tudo bem? Eu tenho como o conceito de “ponta-de-lança” aquele meio-campista que atua absolutamente colado ao ataque. Ele é um meia mas não é o articulador no estilo “pensador”, porque joga em parceria com os atacantes na conclusão das jogadas, como na ponta de uma lança mesmo…para “matar”. Abração!

  • Leo diz: 17 de março de 2009

    O Werder depende muito do Diego e nao tem banco. Fora as lesoes, o Diego nao jogou 8 partidas essa temporada (2 na selecao olimpica, 2 machucado e 4 suspensos). Sao 24 pontos disputados que o Werder ganhou apenas 7. Por isso nao esta na disputa do titulo como nas temporadas passadas. Nao tem nada haver com esquema tatico ou outra coisa. Simplesmente, o time depende do Diego e se ele nao joga, o tima nao rende.

  • borracho diz: 17 de março de 2009

    Cecconi, tu podes fazer uma analise do Sport Recife? Gilmar Iser esta se firmando como treinador (jogou ate com 3 atacantes!), tu vai ver, ele vai dar trabalho pro inter no Gauchao e avançar mais na Copa do Brasil dae o Roth ja vai ter feito merda de novo (alias, 3 zagueiros e 3 volantes contra o Sapucaiense eh dose.. eh por jogos assim q desconfiamos da capcidade dele) e ja q a direçao nao gosta do Portaluppi o Iser vai vir pro Gremio! hehe

  • Lucas Ritzel diz: 16 de março de 2009

    Muito boas as analises das equipes de médio porte que vem fazendo campanhas boas nessa temporada européia. Faz nos ver e recordar de algumas figuras que nos deram alegria e agora fazem sucesso pelo velho continente. Se não fosse pedir demais, pediria para você nos mostrar como joga o CSKA, do técnico Zico e dos brasileiros Vágner Love e Daniel Carvalho.

    Resposta do Cecconi: Olá Lucas, tudo bem? É verdade, estou devendo uma do CSKA. Tentei mas não consegui acompanhar o último jogo pela Copa da Uefa. Outra equipe que estou correndo atrás é o Spartak, com Alex e Rafael Carioca. Assim que conseguir, trago estas análises aqui no Preleção. Valeu pela dica. Abração!

  • Joel diz: 17 de março de 2009

    Olá Eduardo, tudo bem? Se possível, gostaria de solicitar que você postasse a equipe do GRÊMIO com Renato, pois parece que ele chega em Abril. Acho que com a chegada deste jogador, é inevitável a mudança para o 4-4-2.
    Abraço, e parabéns pelas análises!

  • Oliveira diz: 17 de março de 2009

    Werder Bremen esta jogando 3-4-3? Nada. 4-1-2-1-2 ou 4-4-2, e isso já há 10 anos! Tudo jogador conhece a cada posicao no sistema. Já no segundo time! Schaaf nao muda a sistema nunca e é muito fora de ser confuso.

  • fernando diz: 16 de março de 2009

    o Werder teve muitos problemas de lesão no início da temporada, de jogadores muito importantes. É um bom time, nada além disso, apesar de contar com jogadores bem interessantes como Frings e Ozil. Diego é o jogador mais importante, mas na própria Alemanha já se questiona se o time não joga DEMAIS para ele – portanto, tua análise está corretíssima. Outro belo post, como sempre.

    Resposta do Cecconi: Valeu Fernando. Não tinha essa informação sobre as lesões. Obrigado por trazer ao debate esse acréscimo importante. Grande abraço!

  • Richard diz: 16 de março de 2009

    Amigo como vai?entao….queria saber estes heat maps e diagramas de posicionameto…..como vc consegue as imagens??cara ja cansei de procurar….hahaha pois estou aprendendo agora…queria me aprofundar melhor…
    se puder responda…
    abrç.. ah muito bom o seu blog e suas analises…

  • Richard diz: 17 de março de 2009

    eduardo? eh voce quem faz os heat maps?? e diagramas taticos?? como voce estuda um time? por onde?? abrç

    Resposta do Cecconi: oi Richard. Os diagramas táticos sou eu que faço. Os heat maps são feitos por computador pela ESPN, mas só de alguns jogos que eles transmitem – principalmente times ingleses. Eu estudo um time fazendo isso, reunindo o maior número de informações em vídeo e heat maps – se houver – para tentar me aproximar da precisão, o que é sempre difícil. Abração!

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