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O São Paulo com o carimbo de Muricy

19 de março de 2009 10

O São Paulo mantém o 3-5-2, contando com pequenas variações de estratégia dentro de um sistema tático definido há quatro temporadas por Muricy Ramalho

Taticamente, nada mudou no São Paulo. Em 2009, o técnico Muricy Ramalho se repete pela quarta temporada. Não há nenhuma surpresa, nem variação incisiva, que apresente qualquer novidade. A equipe joga no mesmo 3-5-2 com o qual conquistou o tricampeonato consecutivo do Brasileirão.

Há, entretanto, algumas novidades proporcionadas por trocas na escalação. As contratações deste ano permitiram a Muricy Ramalho acrescentar qualidade sem mudar o sistema tático. E estes jogadores que chegaram são os responsáveis pela consolidação do “modo Muricy” de jogar. É um time com a cara do treinador.

As principais mudanças estão no lado esquerdo e no ataque. Se ano passado o São Paulo contava com um meio-campista na tática individual de ala – Jorge Wágner – hoje a equipe tem na função um lateral-apoiador de muita velocidade (Júnior César), lembrando o que fazia o xará Júnior há alguns anos no clube.

Ao lado dele, no meio-campo, Jorge Wágner passou para a articulação, saindo Hugo. E esta troca de dupla (Hugo-Jorge Wágner por Jorge Wágner-Júnior César) muda a maneira de jogar do São Paulo. Sem, é claro, alterar a estrutura tática convencional, pragmática e quase burocrática de Muricy Ramalho.

Com Hugo pelo meio e Jorge Wágner na ala, o São Paulo jogava centralizado. Hugo é um jogador vertical, que entrava nos espaços abertos pela movimentação de Dagoberto, tornando-se um segundo atacante de área. Sincronia que levava Jorge Wágner naturalmente para o meio-campo.

Agora, o time tem uma jogada de linha de fundo. Júnior César apoia com muita velocidade, e procura espaço para os cruzamentos. Jorge Wágner já não é um protagonista solitário, preocupando-se também em cobrir os avanços do novo ala, além de organizar com mais cadencia do que Hugo fazia. O time ganha velocidade pelo lado, e mais cautela (ou lentidão, como queiram) pelo meio.

Outra diferença foi citada: saiu Dagoberto, entrou Washington. O São Paulo joga com dois centroavantes. Por isso a presença de Júnior César pelo lado é mais coerente do que Jorge Wágner e Hugo trazendo a marcação para o meio, onde já estão os atacantes. O posicionamento é este: Washington recua para o pivô, arrastando consigo um ou dois zagueiros, e Borges avança às suas costas, para apanhar a segunda bola. Depois de girar, Washington também vai para a área, e a equipe ganha muita presença, por cima e por baixo, com os dois artilheiros.

Guardadas as devidas proporções – há uma abissal diferença técnica, incomparável – é um movimento semelhante ao que Celso Roth insistiu à exaustão ano passado, com Marcel recuando e Perea avançando. O problema é que esta estratégia pode causar alguma preguiça na equipe. Na falta de espaços, o time recorre à ligação direta, acionando Washington no balão e torcendo para o rebote cair nos pés de Borges. Como aconteceu com o Grêmio de 2008 - previsibilidade e falta de criatividade.

Quem compensa esse pragmatismo todo é Hernanes. Ele é cada vez menos um volante, e cada vez mais um apoiador, ou armador. Hernanes joga com a bola no chão, aproximando-se para o 2-1 com Washington, Borges ou Jorge Wágner. É ele quem distribui as jogadas da equipe. Na direita, Muricy mantém o drama de não contar com um ala – ontem, contra o Defensor, jogou Arouca, mas o titular é Zé Luís – ambos volantes que afunilam, e têm como principal função cobrir Hernanes, sem apoiar pelo lado ou pelo meio com qualidade.

Em comparação com 2008, o São Paulo tem pequenas variações (linha de fundo pela esquerda com Júnior César; cadência pelo meio com Jorge Wágner; pivô com Washington; segunda bola com Borges) dentro de um sistema tático mantido e afirmado. Nada mais lógico para uma equipe treinada por Muricy Ramalho. O São Paulo está ajustado, extremamente eficiente e competitivo. Conseguirá derrubar este adversário na Libertadores quem conseguir se aproveitar da previsibilidade do Tricolor.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (10)

  • luis diz: 20 de março de 2009

    Beleza Eduardo! Diante de tanta regulridade tática que tem o Sao Paulo, qual seria o elemento fundamental para ganhar desse time? Nao foram muitos que consguiram nesse ano que se passou. Lembro que as duas vitorias do Gremio foram no merito da jogada aerea, seria essa a unica solução?

    Resposta do Cecconi: olá Luís, tudo bem? Em um time que recorre à ligação direta, acredito que adiantar a marcação seja uma boa alternativa, forçando o adversário a realmente se resumir ao chutão. Bola aérea não sei se funcionaria, pois o São Paulo tem zagueiros altos. Quem sabe atacantes de velocidade jogando entre eles, ou às costas dos alas, possam conseguir espaços pelas diagonais…Abração!

  • Mateus Schüler Güenter diz: 20 de março de 2009

    O São Paulo é muito previsivel mesmo!!
    Por isso que ganha né!!

    E por ser previsivel assim como ta dizendo, vai ganhar de novo esse ano!!

    Os outros times tem que assistir e aplaudir o Tricolor paulista!

    Dos grandes clubes do brasil, o São Paulo é o mais jovem, porém o maior vencedor do brasil!!

    Nessa analise aí, tem que falar do Jean!!
    Ele joga muito!!

    Abraços!

  • João Henrique T.Lopes Cardoso diz: 19 de março de 2009

    Sua leitura do jogo foi sensacional Cecconi, só discurdo de você em um ponto, porque você colocou no diagrama Arouca como ala direita, mas na verdade ele não atuou com ala, ele tava de volante mas de vez em quando aparecia em alguma jogada na ala direita.O Hernanes acredito que é um volante defensivo-ofensivo, acho que não se adaptara rápido ao futebol europeu.Fiquei com uma dúvida no decorrer da partida, porque do nada o S.Paulo começou a roubar tantas bolas? Seria o adiantamento da zaga?Abs

    Resposta do Cecconi: olá João, tudo bem? Não reparei neste aspecto das roubadas de bola, infelizmente. Mas vi na partida um posicionamento do trio defensivo mais avançado, por exemplo, do que faz o Grêmio. Miranda atua absolutamente na cobertura de Júnior César, sem dar espaços no setor esquerdo. Pode ser sim esta a explicação para tua observação – o posicionamento dos zagueiros. Abração!

  • Gabriel diz: 20 de março de 2009

    Ontem o Nacional ganhou de forma brilhante do River,gostaria de pedir que fizesse uma analise tatica no Nacional!

    Resposta do Cecconi: olá Gabriel, tudo bem? Só consegui acompanhar trechos do jogo. Tentarei ver uma nova partida na íntegra para poder trazer o assunto para o debate. Do pouco que vi, achei o Nacional bem posicionado na defesa, com saídas rápidas pelos lados para contra-ataque, e muito “pegador”. Abração!

  • fernando diz: 19 de março de 2009

    pois é… questão interessante pra vc: os times mais monótonos parecem se dar bem em competições longas, mas no “pega pra capar” (pode falar isso aqui?) dos mata-matas, um time instável pode se sair melhor – isso vai além daquela idéia simplória (mas não errônea) de q tudo pode acontecer nesse tipo de disputa – talvez exista algum outro elemento nesta balança. mas isso eu deixo pra vc que é muito mais habilitado do que eu…abs!

    Resposta do Cecconi: Olá Fernando, tudo bem? Isso talvez se explique porque em “pega pra capar”, como tu diz, não há tempo para que a regularidade se afirme. Essa regularidade só produz bons resultados com tempo – como acontece nos campeonatos de pontos corridos. No mata-mata, ser regular (ou monótono, ou previsível) às vezes é prejudicial frente a times muito aguerridos. Abraço!

  • Luis Carlos Figueiredo de Sousa diz: 20 de março de 2009

    Eduardo, pra você qual o time está mais organizado taticamente e tecnicamente para ser campeão da libertadores este ano?

    Resposta do Cecconi: olá Luís, tudo bem? Não acompanhei todos os times, mas vi jogos de quase todos os favoritos. Não há nenhuma equipe brilhante. O Boca sem Dátolo caiu muito de produção, o Grêmio é instável, o São Paulo é previsível, e o Cruzeiro não tem nada que o destaque acima dos outros. Mas estes quatro são muito competentes e competitivos. Acredito que a disputa fique entre eles. Abração!

  • Carlos Pizzatto diz: 20 de março de 2009

    Só uma retificação, bruxo. Com estes zagueiros, Rodrigo fica na sobra. Abraços.

    Resposta do Cecconi: oi Carlos. Eu não tinha visto outros jogos do SP com esta formação, mas contra o Defensor vi o Renato Silva na sobra, fazendo a cobertura do Miranda quando este precisava dar combate na esquerda em função dos avanços do Júnior César. Abração!

  • Roberto diz: 20 de março de 2009

    Cecconi,sobre a análise tática nada a acrescentar.Porém o time do São Paulo sofreu para ganhar do fraco defensor,e teve muita sorte pois pelo jogo deveria ter perdido.A questão é teoricamente os nomes são melhores,mas na prática tá vazando de tudo que é lado.Os lados são uma avenida,a zaga fura bastante e o meio é bastante faceiro,desde que colocaram o Hernanes como craque e ele esqueceu que é um dos melhores volantes do Brasil para ser `armador` ou meia.O ataque resolveu na única bola possível.

  • Lucas Ritzel diz: 20 de março de 2009

    Particularmente acho o São Paulo de 2008 melhor. O ataque fica meio travado demais com o Washington, principalmente para partidas fora de casa. Mas isso compensa pois na minha opinião o São Paulo tem um dos melhores atacantes do futebol brasileiro, que é o Borges (que faz a função do Perea ano passado no Grêmio, mas com muito mais capacidade). A falta de um ala-direita de oficio também prejudica. Na esquerda o time ganhou, já que o Júnior César é um ala de muito boa capacidade. Além do Hernanes.

  • Richard diz: 20 de março de 2009

    Ola cecconi tudo bem? entao como nosso amigo falou abaixo sua leitura de jogo foi perfeita! e discordo com nosso amigo de baixo…acho q arouca jogou como ala sim! mas apoiando pouco. daqui um tempo hernanes se tornara um meia definitivo com certeza. no começo o sao paulo recebeu muita pressao.Seria a estrategia do “chutao”, com washington escorando, uma boa ideia? abrçs

    Resposta do Cecconi: olá Richard, tudo bem? Não é a estratégia mais qualificada, mas não deixa de ser boa. Afinal, o aproveitamento nesta jogada desmente qualquer opinião contrária. Washington sabe cumprir este papel, Hernanes e Jorge Wágner são bons lançadores, e Borges tem muito oportunismo para aproveitar a 2ª bola. Mas é complicado depender desta jogada, o que torna o time um pouco previsível. Abração!

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