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Uruguai x Paraguai: confronto de 3-5-2`s

30 de março de 2009 1

Uruguai e Paraguai se encontraram no 3-5-2, com saídas pelo lado direito, um volante centralizado, um apoiador e um articulador mais adiantado. E duplas de atacantes muito perigosos.

Há poucos anos considerado obsoleto, o 3-5-2 encontrava no Brasil – com raras exceções em outras partes – um refúgio para se manter vivo. Nesta temporada, entretanto, o sistema tático surgido na Itália (apesar do abandono quase total da função original do líbero) foi redescoberto por clubes de outros países, inclusive italianos (Napoli e Sampdoria, já analisados aqui no Preleção). E agora, por seleções.

Assisti no sábado ao confronto Uruguai 2 x 0 Paraguai, pelas Eliminatórias Sul-Americanas. Por sinal, foi um final de semana para conseguir divórcio, porque era um jogo atrás do outro, e procurei acompanhar boa parte deles. Mas, voltando ao tema do post: tanto Uruguai quanto Paraguai se utilizaram do outrora relegado 3-5-2 com três zagueiros fixos. E com estratégias semelhantes.

O Paraguai se posicionou em um 3-5-2 bem à brasileira. Sem líbero, o técnico elegeu o zagueiro da direita – Verón – para sair pelo lado, empurrando o ala Vera para frente. À dupla somava-se o atacante Valdez, um bom jogador, que também atuou aberto pela ponta. Cabañas jogou centralizado, tentando o pivô sobre o uruguaio da sobra – Lugano – e fazendo a parede para dois meio-campistas com boa presença ofensiva: Barreto e Estigarribia.

O problema do Paraguai foi a inclinação para a direita. Com a saída de Verón, as subidas de Vera, e as investidas de Valdez, a seleção paraguaia pouco se utilizou do lado esquerdo. Por ali, o ala Torres subia sem parceria, contando apenas com a aproximação de Cabañas.

No seu 3-5-2, o Uruguai conseguiu equilibrar melhor a articulação. A exemplo do Paraguai, e dos times brasileiros, entre os três zagueiros quem apoia é o da direita, Cáceres. Ele também empurra o ala, Maximiliano Pereira, para frente. Ambos contam ainda com a aproximação do meio-campista Eguren, um segundo volante que se arrisca quando está seguro que não vai comprometer a marcação.

O diferencial, entretanto, é o ofensivo meia canhoto Cristian Rodriguez. Ele faz uma diagonal inversa, do meio para o lado, caindo no espaço entre o ala e o zagueiro da direita. A participação do camisa 7 uruguaio foi fundamental na eliminação da sobra paraguaia. Ele aprofundava as jogadas sobre Verón, com Forlán forçando de maneira centralizada o Cáceres, e o não menos competente atacante Suárez sobre Paulo da Silva.

O primeiro gol saiu em uma retomada no lado esquerdo. De lá, Suárez foi lançado em velocidade pela direita, no mano-a-mano com Paulo da Silva, e percebeu o ingresso de Forlán pelo meio, também tendo apenas Cáceres na marcação. E aí ele rolou para o camisa 10 fazer o que mais sabe: gol.

Apesar de peleado, entretanto, o jogo precisou destes lampejos de qualidade do trio Rodriguez-Forlán-Suárez no Uruguai, ou da dupla Valdez-Cabañas no Paraguai, para não se tornar monótono. Ambos no 3-5-2, com estratégias semelhantes, e jogadores de características parecidas, “encaixaram-se”. A partida se restringiu ao espaço entre as intermediárias, com marcação constante, e pouca criatividade no meio-campo. Valeu assistí-lo para conferir essa proliferação recente do 3-5-2 também no futebol sul-americano.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (1)

  • Silvio Furtado diz: 30 de março de 2009

    Eduardo, nenhuma formação é obsoleta. Qualquer 442 vira facilmente o “morto” 424. Qualquer 451 vira um “morto” 433. A questão é que aquilo que alguns treinadores brasileiros percebem só hoje, que os laterais presos permitem um meio mais qualificado (Internacional do Tite), na Europa já é lugar-comum, e assim eles começam a sentir falta de mais gente no meio/ataque, e por isso deixam só 3 centrais. Só que no Brasil se coloca MAIS um central e se joga geralmente no 531. Abraço.

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