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Todos querem parar o Chelsea na Inglaterra

18 de abril de 2009 3

Arsenal alterou o sistema tático, do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1, e dessa forma deixou o centroavante Adebayor totalmente isolado

Na Liga dos Campeões, o Liverpool já havia modificado sua maneira natural de jogar na tentativa de conter o Chelsea. E hoje, pela semifinal da Copa da Inglaterra, foi a vez do Arsenal alterar a própria estrutura tática em função do rival londrino.

Todos já estão carecas de saber que o Chelsea de Guus Hiddink joga no 4-3-3. A equipe tem um volante centralizado (Essien) e dois apoiadores (Ballack e Lampard) atuando extremamente próximos no círculo central. As saídas pelos lados se dão com Anelka na ponta direita, ou com a dupla Malouda-Ashley Cole no lado esquerdo.

Hoje, Arsene Wenger mexeu no Arsenal. Saiu do seu predileto 4-2-3-1, e armou uma espécie de 4-1-4-1, conforme demonstra o diagrama tático que ilustra o post. Qual foi a diferença? O técnico do Arsenal passou o meia-ofensivo centralizado que se aproximava de Adebayor para o lado esquerdo (Van Persie). E substituiu o meia-extremo da esquerda (Arshavin) por um apoiador-marcador (Diaby).

Dessa forma, Wenger recuou o brasileiro Denilson para ser um volante central entre a linha defensiva e a linha de meio-campo. Centralizados, Diaby e Fábregas trocaram bastante de posição, sempre com preferência para o apoio do espanhol. E o time buscou as saídas rápidas com Walcott na direita, ou Van Persie na esquerda. Tudo isso assistido por Arshavin, do banco, e Adebayor, isolado no ataque.

O que eu acredito que tenha motivado Wenger: encaixar a marcação no meio-campo. Com Denilson, Diaby e Fábregas, ele empatou numericamente com Essien, Lampard e Ballack. Escalou a equipe e armou sua estratégia conforme o adversário. Isso é muito arriscado, e sempre perigoso. Adebayor perdeu a companhia, ficou isolado, e a equipe criou poucas oportunidades.

Minha filosofia é: quem modifica seu time pensando em anular as virtudes do adversário acaba também anulando as próprias virtudes. Pensa primeiro em não deixar jogar, e perde capacidade ofensiva. Foi o que aconteceu com o Arsenal, que saiu na frente com Walcott, mas levou a virada: Chelsea 2 a 1.

Os gols foram parecidos: dois lançamentos longos de Lampard, o primeiro para Malouda, o segundo para Drogba. Sem espaço para trocar passes curtos, e explorar a proximidade com os parceiros Essien e Ballack, Lampard recorreu à bola longa, abrindo a defesa do Arsenal, em busca do trio de atacantes.

Mais uma vez o Chelsea sai perdendo contra um adversário que entra em campo todo formatado para contê-lo. E mais uma vez o Chelsea, mantendo a escalação, o sistema tático e a estratégia de jogo inalterados, vira a partida. E vence. Guus Hiddink lida com as dificuldades fazendo pequenas adaptações, mas não me parece um treinador que castigue o próprio time anulando suas virtudes na tentativa de combater o adversário.

Nada contra quem pensa o contrário. E os resultados futuros podem me desmentir. Mas eu estou com Guus. Que o adversário se preocupe com ele, e não o contrário. Assim ele mantém seu time jogando, enquanto os outros seguem tentando pará-lo.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (3)

  • Michel Costa diz: 19 de abril de 2009

    Perfeita sua análise, Eduardo. Concordo que, quando um treinador modifica a forma do seu time jogar de acordo com o adversário, ele prejudica o seu próprio trabalho.
    Não por acaso, as grandes equipes da história do futebol tem como característica (quase) comum a manutenção do seu jeito de jogar e de um time-base.
    Abraço.

  • MATHEUS diz: 18 de abril de 2009

    CHELSEA 3 ARSENAL 0

  • Luiz Carlos Knopp diz: 18 de abril de 2009

    Acho que o problema do Chelsea era mesmo o Felipão, depois que ele saiu, começaram a ganhar de todos seus adversários.

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