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Botafogo no 3-5-2 e o novo Grêmio de Autuori

23 de maio de 2009 21

Diagramas táticos do Botafogo no 3-5-2; e do Grêmio, com sua nova movimentação defensiva.

Final de semana, assisti ao jogo Botafogo x Corinthians, já pensando em trazer ao debate uma análise do próximo adversário do Grêmio, logo na estreia do técnico Paulo Autuori. E, adivinhem? O Botafogo é mais uma equipe que aderiu à moda do 3-5-2 à brasileira nas últimas temporadas.

O Botafogo joga no 3-5-2 com três zagueiros fixos, alas abertos e três homens no meio campo, sistema e estratégia semelhantes aos de Flamengo, Coritiba, Grêmio da Era Roth, São Paulo, Palmeiras, Sport Recife…e tantos outros inoculados pelo vírus. Com isso, a equipe é pouco criativa no meio-campo, embora seja menos vulnerável que alguns representantes deste sistema no Brasileirão.

A saída de Maicosuel agrava o problema na articulação do Botafogo. No 3-5-2 à brasileira, a equipe confiava na boa fase do apoiador para chegar à frente. Maicosuel surgia como um terceiro atacante, conduzindo a bola até a frente. Sem ele, o Botafogo perdeu infiltração, velocidade na saída de bola e objetividade.

Contra o Corinthians, a equipe teve muitas dificuldades para criar chances de gol. Os alas sobem, mas não contam com parceria para as triangulações. Os dois atacantes – Victor Simões e Jean Coral – correm para a área buscando a finalização. Tony, que provavelmente vai substituir Jean Coral, também é jogador de finalização. No meio-campo a característica principal dos atletas – Fahel e Túlio Souza, principalmente – é o combate e a marcação. Rodrigo Dantas, substituto de Maicosuel, tocou poucas vezes na bola.

Ney Franco, ao contrário daqueles que adotam a saída pelo lado, libera Juninho pelo meio. O zagueiro-capitão costuma aproximar-se dos atacantes de surpresa, buscando principalmente a conclusão a média distância, sua principal virtude. Ainda assim, é uma jogada mais de iniciativa pessoal, do que propriamente uma articulação organizada e sincronizada.

NOVO GRÊMIO: do outro lado, Autuori preparou mudanças durante a semana. Tive a oportunidade de acompanhar no Estádio Olímpico um treinamento, em cobertura para o clicEsportes, onde o treinador modificou a movimentação da defesa gremista sem abdicar inicialmente do 3-5-2. Ou seja, adotou nova estratégia, sem mudar de sistema tático.

Antes, com Roth e Rospide, os alas do Grêmio não tinham cobertura. A saída era simultânea, abrindo duas avenidas nos lados. Como os zagueiros marcam individualmente os atacantes, e o da sobra é fixo (não se movimentava para os lados), muitos adversários – principalmente o Santos – se aproveitavam disto.

Agora, Autuori treinou a defesa para impedir o apoio simultâneo dos alas, e para definir a cobertura de quem sai. O que demonstra, ao menos, que ele diagnosticou o principal problema tático do Grêmio – combatido há meses por mim aqui no Preleção – desde o início da Era 3-5-2.

Notem a simulação no diagrama tático que ilustra o post: quando um ala apoia, é como se trouxesse outros quatro companheiros amarrados em cordinhas imaginárias. Ruy sobe pela direita; Léo se torna lateral, na cobertura; Rafael zagueiro pela direita; Réver, zagueiro pela esquerda; e Fábio fecha como um lateral, alinhando a defesa. Vale o mesmo para o outro lado: Fábio sobe, Réver cobre na lateral, Rafael e Léo formam a dupla de zaga, Ruy fecha como lateral, completando a linha defensiva.

Autuori adotou esta nova movimentação, não apenas para definir a cobertura pelos lados, mas também para liberar Tcheco. Sem o apoio simultâneo dos alas, o Grêmio com a bola vai variar do 3-5-2 para o 4-4-2, em um início de transição gradual entre os dois sistemas. O meio-campo do Grêmio agora tem um formato de triângulo, com Túlio de vértice à frente da área, e a dupla Tcheco-Souza adiantada, alinhada e próxima, para municiar o ataque. Antes, para auxiliar Adilson na cobertura pelos lados, Tcheco precisava defender e armar, sacrificando-se.

Não sei se vai dar certo, mas é uma bela iniciativa. Ainda mais frente ao Botafogo com seu rígido 3-5-2 à brasileira. Tudo indica que, se obtiver sucesso nesta nova sincronia de movimentos, o Grêmio vai prevalescer numericamente no meio-campo, e os atacantes receberão mais assistências. Assim, o Grêmio deve criar outras chances de gol que não apenas em bolas paradas, como acontecia anteriormente. Mas, reitero, veremos se a prática confirma a teoria no confronto de domingo. Até porque Ney Franco, a exemplo de Autuori, pode preparar alguma surpresa desconhecida por nós.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (21)

  • borracho diz: 2 de junho de 2009

    Analisando agora depois de alguns jogos, sera q o problema q nos temos enfrentado nao seria justamente esse esquema “nem-um-nem outro”? Eh deficiencia dos jogadores em executar o esquema (ou deficiencia do proprio esquema) as mas atuaçoes do Gremio ou tu acha q os jogadores vao executa-lo melhor com mais treino? Parece q o Maxi ficou ainda mais isolado agora q nao temos alas e mesmo assim continuamos perdendo o controle do jogo.. e o Souza voltou a jogar pra ele mesmo, lamentavel!

  • borracho diz: 2 de junho de 2009

    Bah, e o Adilson parece q desaprendeu a jogar! Eu me lembro q ele ja foi ate meia, mas o Burroth xingou tanto ele quando jogava de 1º volante q queimou o guri! Antes ele arrancava, dava passes longos e ate chutava (raramente), os proprios reporteres comentavam q o Burroth passava os jogos inteiros gritando: ALEMAAAOO!! Da pra ver q ele esta muito inseguro e quando pega a bola se livra logo com passes curtissimos pro lado, o desarme ate q continua bom, mas nao tanto quanto antes..

  • borracho diz: 2 de junho de 2009

    Atualizando meu time q vinha postando aqui desde o inicio da temporada ficaria assim: 4-4-2 com: VICTOR // JOILSON(THIAGO SANTOS), LEO(MARIO), REVER, LEANDRO // TULIO(ORTEMAN), MALDONADO, TCHECO, DIEGO DE SOUZA // ROBERSON(HERRERA), MAXI LOPEZ //. . Thiago Santos disputando com o Joilson, Leo com o Mario, Tulio com o Orteman(nao tenho mais tanta esperança no orteman mas nao custa tentar). Nao me lembrei de nenhum lateral esquerdo bom e disponivel alem do Leandro ex-palmeiras.

  • borracho diz: 2 de junho de 2009

    Pra enxugar a folha de pagamento por mim poderiam mandar embora: Alex Mineiro, Souza, Ruym, Rafael Marques, Fabio Ferreira(nunca chegou a jogar), um dos laterais esquerdos(oq for pior de grupo ou tiver salario maior), Makelele e talvez emprestar o Jonas.. Se o Perea for mesmo precisariamos de mais um atacante

  • Pedro diz: 23 de maio de 2009

    A real é que ja é uma espécie de 4-4-2, um ala sobe pra apoia o meio, o outro fica recuado deixando 4 na zaga, 4 no meio e 2 no ataque

  • marcio minuzzi diz: 23 de maio de 2009

    parece que o Ruy vai atuar mais pelo meio, não tanto pelo lado, salvo em uma jogada ofensiva. Ouvi o Autuori na bela entrevista ao Falcão agora há pouco. Ele disse que os meias – Souza, Tcheco – devem se aproximar aos laterais na beirada do campo, o que resolve em parte a deficiência ofensiva deles. Ainda, acredito que o posicionamento de Jonas estava equivocado, demais centralizado, somado ao Maxi. Isso afunila demais o jogo, facilitando a marcação. Cecconi, bons comentários no pré-jogo.

  • marcio minuzzi diz: 23 de maio de 2009

    Autuori, não tenho dúvida, revolucionará o pensamento sobre futebol dos técnicos gremistas da base. Os conceitos dele, trnasmitidos em todos os meios de comunicação, transmitem a necessidade de o time possuir a bola, “negociá-la”, como diz Luxemburgo. Autuori entende necessário que se pressione a bola, com marcação adiantada e compactada, com todos os jogadores se envolvendo. O toque de bola é a obsessão, com a qual concordo: é a melhor maneira de atacar e defender.

  • Bruno Costa diz: 24 de maio de 2009

    Se o Grêmio apresentar um bom desempenho hoje, que tal confrontarmos o esquema do Cruzeiro (onde para mim Vagner é 3º atacante) com o novo de Autuori?
    É evidente que São Paulo e Caracas podem chegar às semi-finais, mas é inegável que os “azuis” são os dois favoritos não só para as quartas, mas para o título.

  • Rodrigo De Ros diz: 25 de maio de 2009

    A opção pelo Fábio Santos no luar de Jadílson limita de forma fantástica o lado esquerdo do Grêmio. Fábio é jogador que não tem nenhum diferencial, não é bom defensivamente, não sabe apoiar, e os cruzamentos deles são patéticos. Mesmo com problemas de treinamento, não se pode desperdiçar um jogador que pode desmontar a defesa adversária. Não acredito que Fábio seja melhor defensivamente ou ofensivaamente que o jadílson. Não é hora de dar chances de verdade ao Jadílson??

  • Nivo diz: 23 de maio de 2009

    não coheço o futebol do túlio, mas acompanho todos os jogs do grêmio e tenho visto a evolução do garoto adílson, que tem tido atuações cada vez melhores, essa mudança é uma boa? acho que o adílson vem mostrando que tem sim condições de ser titular.

  • marcio minuzzi diz: 23 de maio de 2009

    Cecconi, desculpe a insistência de seqüência de comentários no seu blog, mas me interesso pelo assunto que tratas. Mas, gostaria de saber se o Grêmio realiza fimagens dos treinamentos efetuados por Autuori, visto que isso poderia se constituir repositário de pesquisa do clube, “know how”. Não há dúvida que o investimento em um técnico não é apenas para o imediatismo do próximo jogo, mas serve, também e sobretudo, para o fortalecimento do conhecimento futebolístico do clube.

    Resposta do Cecconi: não sei te dizer, Márcio. Acredito que não. Abraço!

  • Bruno Costa diz: 24 de maio de 2009

    Hoje será o primeiro teste para o provável confronto com o Cruzeiro na Libertadores. O Grêmio precisa ter uma defesa muito bem posicionada para sair ileso contra o veloz Cruzeiro no campo imenso do Mineirão.
    Feito isso ele passa, pois a defesa do Cruzeiro é fraca e lenta.
    O Botafogo é ainda mais fraco que o Galo. Se pretendemos ganhar do Cruzeiro, jogos contra adversários desse nível devem ser tranquilos, com domínio sólido.
    Agora é conferir o 1º passo.
    Abraços.

  • Serginho diz: 23 de maio de 2009

    Melhor blog do clicrbs.
    Excelente.

  • Antonio Carlos de Holanda Cavalcanti diz: 23 de maio de 2009

    O 3-5-2 só pode dar certo se:
    1. Os zagueiros forem muito eficientes e com ótima recuperação, principalmente o central (este deve também ter ótima técnica);
    2. Os laterais souberem atuar como meia-canchas, não só alas, mas para tanto, tem que ter qualificação para tal função;
    3. Os meias ofensivos devem ter capacidade de marcação, armação e ao menos um deles, ótima chegada na frente;
    4. Um dos atacantes deve saber jogar pelos dois lados, não se limitando a ficar do lado do centroavante.

  • Bruno Costa diz: 24 de maio de 2009

    6 min do 2º tempo.
    Até aqui, Túlio parece BEM inferior ao Adilson.

  • Adriano diz: 25 de maio de 2009

    Oi Cecconi! Eu havi lido sobre essa mudança tática (a contenção de um dos laterais, quando o outro sobe), mas na prática não foi o que ocorreu. Não foram poucas as vezes em que os dois laterais subiram juntos. Se vc rever o lance do segundo gol, o primeiro que abraça o Fábio, é o Ruy, que já estava praticamente dentro da área na hora do gol. O que vc acha?

    Resposta do Cecconi: olá Adriano, tudo bem? Para mim ocorreu sim. Se perceberes, no 1º tempo teve um lance no qual Ruy salvou de cabeça dentro da pequena área, junto com um atacante do Bota. No outro sistema, ele estaria marcando o ala, fora da área, e não por zona como aconteceu. Quando Ruy e Fábio – poucas vezes – subiram junto, o Túlio recuava para a linha defensiva, abrindo Réver e Léo pelas laterais. Abração!

  • Leonardo Alves Machado diz: 25 de maio de 2009

    Cecconi, sei que postaste isso antes do jogo do Grêmio. Tu chegaste a olhar o jogo? Na tua opinião, essa previsão que tu fizeste, se confirmou em campo?

    Resposta do Cecconi: olá Leonardo, tudo bem? Como respondi ao Adriano, essa movimentação defensiva se confirmou sim. Alas não apoiaram ao mesmo tempo, sempre subindo um e o outro formando uma linha defensiva de quatro jogadores. A volta do ala que apoia é pelo meio, tornando-se segundo volante. Tcheco, principalmente no 2º tempo, adiantou-se bastante devido a esse novo sistema. Ou seja, tudo que foi treinado realmente praticou-se. Abraço.

  • Cauê Biedacha diz: 23 de maio de 2009

    Seria melhor segurar mais os alas como laterais, vez que carecem de técnica, e, com a bola, liberar Rever (que atuaria pelo centro) pra cabeça de área. Assim Túlio/Adilson figurando como segundo volante e Tcheco e Souza mais agudos ainda. Inclusive seria uma transição mais fácil para o 4-4-2.

  • Luis Henrique diz: 26 de maio de 2009

    Ceconni, um 4-4-2 disfarçado, pois forma essa linha de 4 defensores. Acho que isso deixa a defesa mais sólida como aconteceu no domingo, apenas mantendo a mesma escalação. Como o Rever e o Leo estão acostumados a cobrir as laterais, e essa linha defensiva avança mais pro meio campo, compactou mais o time. Na verdade ele já mudou o esquema de jogo do Grêmio, apenas manteve as mesmas peças pra não parecer “radical”. Com 2 volantes só vai mudar quem cobre o lateral que avança. O que vc achou?

    Resposta do Cecconi: é esta realmente a impressão, João. A de que Autuori está fazendo uma transição de sistema tático bem mais acentuada do que se anunciou, e talvez a afirmação do 4-4-2 esteja mais próxima. Abração!

  • Lucas Ritzel diz: 25 de maio de 2009

    Exatamente o que você citou no post, ocorreu com o Grêmio. Mas eu não sou muito `fã` desse tipo de marcação. Prefiro uma marcação mais forte/veloz com saída rapida, (Grêmio 2008 com Magrão e Carioca) do que os alas mais recuados e um meio campo mais lento/técnico. Até por que, uma das virtudes do 3-5-2 é a utilização do jogo pelos lados. O que dificulta no Grêmio, já que faltam peças pra se jogar assim (já faltavam pro Roth e faltam agora).

  • marcio minuzzi diz: 23 de maio de 2009

    parece que a grande dificuldade na transição do esquema tático será a falta de volantes – que vai e vem, com qualidade – no plantel gremista. Evidentemente que a base poderia fornecê-los. Parece que Autuori prestigiará o garoto Maylson e ainda o veterano Orteman, que se adaptaria facilmente ao 4-4-2 e possui boa qualidade técnica.

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