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Barcelona, pelo bem do futebol

27 de maio de 2009 19

O Barcelona jogou em triangulação entre as duas linhas do Manchester, às costas de Carrick, com Messi centralizado em movimento de recuo na direção de Xavi e Iniesta

Embora o futebol seja um esporte onde estatísticas estão vulneráveis à ação do imponderável, hoje a final da Liga dos Campeões demonstrou a consequência mais lógica do confronto entre uma equipe que tem vontade de vencer, contra outra que não quer deixar o adversário vencer. Nem sempre esta lógica prevalescerá, mas em Roma a equação foi matemática. A vontade de vencer se sobrepõe ao medo de perder. Deu Barcelona, pelo bem do futebol! Louvado seja o 4-3-3 catalão.

Guardiola foi genial ao desmontar o sistema defensivo do Manchester United com apenas um movimento: a inversão de posições entre Messi e Eto`o. O Barcelona se manteve em seu histórico 4-3-3 da escola Cruyff, com estratégia voltada à manutenção da posse de bola e às triangulações. E acrescentou à sua característica uma alternativa tática que esculhambou com as pretenções defensivistas do time inglês.

Messi tem maior mobilidade do que Eto`o. E Guardiola decidiu que venceria a partida pelo meio. Como? Atuando entre as duas linhas britânicas. Mesmo que as linhas estivessem compactas na teoria (o que não aconteceu na prática), o treinador do Barça apostou tudo na vulnerabilidade do espaço entre elas. Por ali, Messi movimentou-se em recuo, aproximando-se dos meias Iniesta e Xavi.

Messi, no recuo centralizado entre as duas linhas do Manchester, indefiniu a marcação inglesa. Ele estava distante o suficiente para que Vidic desistisse de marcá-lo no sistema de zona com pressão sobre a bola; e também estava às costas de Carrick, orientado a combater quem entrasse em sua zona pela frente – Iniesta era o alvo. Se Vidic avançasse, Messi ou Eto`o cairiam às suas costas. E se Carrick recuasse, Iniesta teria espaço para a avançar. Touché!

Apesar do mau início, tenso, o Barça equilibrou-se a partir do gol de Eto`o, aos 10min, confirmando aquilo que foi dito ontem aqui no Preleção: o time catalão valoriza a posse de bola e a mantém sob controle com aproximações em triângulo. Tendo o resultado a favor desde cedo, então, o time espanhol intensificou o domínio do meio-campo, a troca de passes, as variações pelos lados e pelo meio, e a paciência à procura das melhores infiltrações explorando a indefinição da marcação sobre Messi.

Mas Guardiola teve um excelente auxiliar-técnico: Sir Alex Ferguson. O treinador do Manchester United parece ter sido orientado a trabalhar pelo Barcelona. Como se previa, ele deu prosseguimento ao 4-4-1-1 com vocação defensivista, e estratégia de especular contra-ataques rápidos. Sistema prejudicial agravado pelas inversões de posicionamento, e pelas predileções pessoais do treinador.

Ferguson tem três atacantes de área – Rooney, Berbatov e Tevez. Não começou o jogo com nenhum. Berbatov e Tevez seguiram no banco, e Rooney manteve-se na asa-esquerda da segunda linha. Ferguson tem o melhor winger do mundo – Cristiano Ronaldo. Pois decidiu seguir com o português como único atacante, centralizado e refém de zagueiros. Ninguém conseguiria explicar ainda porque J.S Park é titular.

Se a ideia era jogar para conter o Barcelona, mesmo que em detrimento das próprias virtudes, Ferguson deveria ter optado pelo 4-1-4-1. Com Scholes no lugar de Giggs, ou de Anderson. Com um jogador entre as duas linhas, e não à frente da segunda linha, Ferguson poderia ocupar o espaço onde Messi comandou a partida, e evitar que o Barcelona jogasse às costas do seu meio-campo. Com Scholes entre as linhas, o Manchester definiria a marcação que foi absolutamente envolvida pelas triangulações centralizadas, planejadas por Guardiola, e bem executadas pelos atletas.

Em um time superior taticamente, as virtudes dos jogadores – que já são craques – são valorizadas. Messi, Iniesta e Xavi foram perfeitos. Mas o Barça teve outros destaques: Piqué, imbatível na defesa. Busquets foi seguro, assim como o improvisado Touré na zaga. Puyol, de lateral, além de exercer marcação implacável, ainda ficou distante do próprio gol, onde costuma deixar furo, e foi bem.

Já em um time mal escalado, e taticamente equivocado, as qualidades dos jogadores – mesmo que craques – se esvaem. Cristiano Ronaldo começou bem, mas se apagou. Rooney, Evra, Anderson…todos os expoentes técnicos do Manchester naufragaram.

Para encerrar a linha de raciocínio. Vejam a ironia do destino: Ferguson se esforçou em apenas anular as virtudes do adversário, mas acabou matando as qualidades do próprio time. Venceu quem jogou para vencer. Guardiola deu uma aula, inclusive a treinadores brasileiros que costumam seguir a filosofia do “primeiro não deixar jogar, para quem sabe – se der – tentar um golzinho numa cobrança de escanteio”. Deu Barcelona, reitero, pelo bem do futebol!

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (19)

  • Rodrigo diz: 30 de maio de 2009

    Não entendo fergunson, sei da importancia dele no Manchester mais acho que ele ta meio gaga, ele deixa tevez e berbatov que são dois atacantes goleadores no banco, coloca rooney que tem com principal caracteristica a finalizaçao aberto na linha do meio campo, coloca Cristiano ronaldo que é um jogador rapido e habilidoso e rende muito mais aberto pelos lados isolado no ataque no meio dos zagueiros, e por fim ele me coloca o Park que na minha opinião nao tem a minima condiçao de ser titular nesse

  • Gabriel Fonseca Vieira diz: 28 de maio de 2009

    Cecconi, penso que não há comparação entre o Barcelona de 06 e 09. O futebol apresentado pela esquadra blaugrana hoje é infinitamente superior, principalmente taticamente. A velocidade no toque de bola e a inteligência na movimentação deste time ainda não tinham sido vistos em equipe alguma.
    Em tempo, espero que se o Grêmio (por milagre) disputar o mundial, o Eto`o e o Messi se machuquem e jogue o Gudjohnsen, assim como todos os jogadores vão pra farra antes do jogo quem nem em 2006.

  • Éverton diz: 27 de maio de 2009

    Cecconi, será que da pra fazer um post comparando o Barcelona de 2006 com o de 2009? Abraços.

    Resposta do Cecconi: valeu Éverton. Vou tentar fazer essa comparação sim. Abraço.

  • edgard diz: 28 de maio de 2009

    Cecconi, um grande jogador ñ precisa mostrar sempre sua habilidade p/ser considerado grande… foi oq fez o Messi e espero q o Ronaldo dentuço tenha visto o jogo p/reaprender… nos demais o Barça, mesmo p/quem ñ torce por ele, como eu, mostrou o futebol q todos gostam de ver. Abçs

  • Patricia diz: 27 de maio de 2009

    Esse Barça com Eto`o Messi e Henri é infinitamente melhor que o d 2006…execelente partida.

  • marlon diz: 28 de maio de 2009

    O jogo de hoje foi aula de formação e disciplina tática do time do Barça. O Manchester assistiu o Barça tocar a bola e o melhor jogador do mundo marcar de cabeça no meio de grandalhões. CR continua o mesmo: egoísta, marrento, esquentadinho. Nunca vi futebol de melhor do mundo nele. Da-lhe Messi! A disputa desse ano de melhor do mundo vai ser disputada por Messi, Ibra, F. Torres.
    Parabéns pela análise do jogo, abraço

  • Bruno Bandeira diz: 27 de maio de 2009

    Cecconi. hoje vi o jogo pensando no meu post aqui! Ferguson foi ao jogo no estilo Celso Roth! (sou gremista) com o esquema..`medo de ser feliz`. Park, Giggs e O`shea tiveram uma tarde(ou noite) muito infelizes. Acredito que ele devia ter começado com Carrick, Scholes, Anderson e Ronaldo(mais avançado). e Rooney e Berbatov(ou tevez)na frente. Assim ele teria que adiantar a marcação, pois o ponto fraco do Barcelona é a zaga.e isso não é novidade pra ninguem. é isso.se der, responde o post.Abração!

    Resposta do Cecconi: é bem por aí, Bruno. Ferguson lembrou os maus exemplos de treinadores brasileiros que planejam suas equipes em função do adversário, e de tanto combater, esquecem de jogar. Uma pena, porque o grupo é forte e havia possibilidade de armar uma equipe muito capaz de chegar ao título. Abração!

  • capitão verdade diz: 28 de maio de 2009

    Eduardo, comente a diferença da marcação européia para a que os times brasileiros estão fazendo, no jogo de ontem o Manchester só cercava, dava um espaço enorme para Messi, Xavi e Iniesta, já no jogo da noite, entre Inter e Coritiba, o Coxa marcava em cima, sem dar espaço, com truculência até, uma marcação muito mais forte que no jogo europeu, usou a mesma tática do Flamengo contra o Colorado. Será que o inter mete mais medo que o Barcelona ou a marcação por aqui é mesmo muito mais forte?

  • Flávio Targino da Silva diz: 28 de maio de 2009

    O Barcelona jogou demais, deu um show, futebol ofensivo, de qualidade, rápido e objetivo.

  • Rafael Kafka diz: 27 de maio de 2009

    Hoje eu voltei a ter esperança pelo futebol arte, análise fantástica, Eduardo, parabéns!

  • Éverton diz: 27 de maio de 2009

    Perfeita análise. Aconteceu o óbvio, quem entra com uma tática defensiva pode até conter bem o adversário, mas quando toma o gol… adeus, amigo. Ver o Rooney de winger pela esquerda, enquanto tá o CR sozinho na área é triste. Jogar com 5 no meio-campo e não ter um volante sobrando. O Alex Ferguson faz tempo que tá inventando, chegou longe até nessa liga…

  • Diego Souza diz: 27 de maio de 2009

    Lindo jogo de futebol. Parabéns pela analise, que ficou perfeita! Acompanhei jogos meravilhosos do Manchester este ano. Na minha opinião o Manchester tem uma equipe superior, mas se anulou jogando atrás e com a escalação completamente equivocada. Deveria ter entrado com Tevez e Berbatov, com Cristiano Ronaldo caindo pelos dois lados que mataria a “frágil” defesa do Barça. Mas, com a bola no pé o jogo todo, o Barça é imbatível e não se expõe! Muito bom este preleção! Virei fã! Parabéns!!!

    Resposta do Cecconi: valeu, Diego! Concordo contigo. Também vi grandes jogos do Manchester esta temporada, por isso a frustração com aquilo que vimos hoje. Abração!

  • NEto diz: 28 de maio de 2009

    Parabens pelos belos textos, mas tenho que discordar
    deste ultimo post. Concordo com a superioridade do Barca na partida (90mim).
    Mas acredito que isso se deu xatamente pelo `mprovavel`. A estrategia inicial do Manchester nao foi equivocada ao meu ver.
    Eh simples, coloque o teipe dos 15mim iniciais da parida.
    Alex Ferguson pensou naquilo que era sabido. Ninguem eh capaz de jogar de igual para igual com esse time do Barcelona, isto… esquece muito longo. Se der manda teu email…

  • Erik diz: 28 de maio de 2009

    Cecconi,
    Acompanho o Inter diarimente pela internet inclusive os jogos ao vivo.
    Realmente o Barcelona jogou diferente do normal em materia de posse de bola e povoamento do campo.
    A pergunta: Esse esquema do Guardiolla lembra um pouco o Inter? Com Messi de D`ale, Xavi e Iniesta de Magrao e Guina, Eto de Nilmar (ate o gol lembrou os do Nilmar)e o Henry de Taison. (A comparacao eh meramente tatica e nao tecnica)
    Parabens pelo blog. Aqui se acompanha muito futebol europeu. Realmente otimo blog!

  • Vinicius Guerreiro diz: 28 de maio de 2009

    Não foi um jogo brilhante, aquele que enche os olhos. Foi sim uma partida taticamente perfeita dos espanhóis, como bem destacasse. Uma lição podemos tirar dessa partida, melhor jogar com a bola no pé, procurando o ataque, do que abdicar da bola, esperando apenas o contra-ataque. Que os técnicos brasileiros tenham visto o jogo, e tentem manter seus times em busca do gol, ao invés de evita-los.

  • Luiz diz: 27 de maio de 2009

    Guardiola mostrou a capacidade que um técnico diferenciado tem de decidir uma partida decisiva. Manteve o esquema tático (4-3-3) e fez apenas uma sutil mudança (o posicionamento de Messi). Não é necessário alterar o esquema para surpreender, basta fazer uma pequena mudança na tática individual de um jogador ou alterar um pouco o posicionamento! Um abraço! Parabéns Ceconni, pois acertasse em cheio a esclação e a tática do Manchester!!

    Resposta do Cecconi: valeu, Luiz. Embora sem informações de treinos, projetei a escalação e o sistema do Manchester com base no que o próprio Ferguson apresentou nesta temporada. Abração!

  • auã diz: 28 de maio de 2009

    eto pelo meio e messi pela direita

    mas falando do jogo… demais
    é bom o bom futebol

  • Luis diz: 28 de maio de 2009

    E ai Cecconi! Ferguson deveria ter analisado melhor o nó tático que o Hiddink deu no Guardiola na semi-final. Acho que quem jogar com o Barcelona no Mundial (espero que seja meu Grêmio hehe) deve estudar muito bem aquele jogo, pois nele mostra como se deve jogar contra este Barça. E me diz uma coisa, como um técnico tao experiente e vitorioso pode cair numa tática e não conseguir fugir dela durante o jogo? Me decepcionei muito com o Ferguson ontem, parece que tinha desistido do campeonato.

  • Carlos Pizzatto – Blog do Carlão diz: 28 de maio de 2009

    Eu apostava no 4-1-4-1 justamente para Carrick cobrir tanto Anderson quanto Scholes. Para mim, como escrevi lá no blog, era teoricamente o esquema mais seguro para a equipe de Ferguson. ( http://carlospizzatto.blogspot.com/2009/05/barca-e-united-fazem-final-em-roma.html ).

    Abraços.

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