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Posts de maio 2009

Como joga o Bordeaux, campeão francês

31 de maio de 2009 4

Diagrama tático do Bordeaux, com seu 4-4-2 com meias avançados, dois volantes e apoio dos laterais

Hoje se encerra a série de análises sobre os campeões nacionais nos países mais representativos da Europa. Depois de falarmos sobre Manchester United, Barcelona, Inter de Milão e Wolfsburg, é a vez do debate celebrar a conquista do Bordeaux na França, quebrando a hegemonia do Lyon.

Não acompanhei muitos jogos do Bordeaux neste ano. Assisti à vitória de 1 a 0 sobre o Caen, ontem, que garantiu o título, a espetacular virada de 4 a 3 sobre o Mônaco, e algumas partidas pelas copas europeias, mas não tenho grande familiaridade com o campeão da França. Por isso, convido quem quiser – e puder – trazer mais detalhes, acrescentar dados ou fazer reparos na minha observação a participar do debate.

O Bordeaux, joga no 4-4-2 convencional. Com a bola, parece um time brasileiro do final da década de 80. O meio-campo desenha-se praticamente em quadrado, com um primeiro volante, mais à esquerda (Diarra); um segundo volante, mais à direita, que faz a saída de jogo (Fernando); e dois meias-articuladores avançados (Gourcuff e Jussiê).

A estratégia da equipe é reter a posse de bola, e variar jogadas. O Bordeaux troca passes, gosta de permanecer com a bola, e evita a ligação direta. Boa parte das jogadas recebe o carimbo de Fernando que, centralizado, faz a distribuição pelos lados. Gourcuff cai mais pela direita, atraindo o apoio do lateral Chalmé. E na esquerda, é de Jussiê que se aproxima o lateral Trémoulinas.

Os meias Gourcuff e Jussiê, além das combinações pelos lados com os laterais, também se utilizam das diagonais para entrar na área, concluir de média distância, ou tabelar com os atacantes. Na frente, Gouffran e Chamakh são rápidos, e se movimentam bastante pelos lados. E, se Fernando marca e sai para o jogo, Diarra é o primeiro volante típico, marcador e combativo na cobertura.

Na marcação, Jussiê e Gourcuff costumam retornar pelos lados, alinhando-se a Fernando, com Diarra pouco mais atrás, na cobertura. Com isso, o Bordeaux se defende praticamente com duas linhas de quatro, bastante próximas – o meio recua, a zaga se adianta – compactando-se à frente da área. E os zagueirões são verdadeiros tanques, fortes no combate, principalmente por cima.

Alguns jogadores também foram importantes nesta campanha. O argentino Cavenaghi perdeu lugar no ataque. O brasileiro Wendel apareceu bastante na meia, mas lesionou-se e acabou na reserva. Bellion costuma aparecer bem quando deixa a reserva e entra no ataque.

Em resumo, o Bordeaux prioriza o controle da partida, mantendo a posse de bola. A equipe joga com bola no chão, trocando passes, girando de lado a outro, com boas variações de jogadas – direita, esquerda, e meio. Meias e atacantes se movimentam, e até mesmo o segundo volante participa bastante da articulação. A equipe marca em duas linhas, e com a bola se assemelha bastante aos times brasileiros que jogavam com meio-campo em quadrado na transição entre os anos 80 e 90, antes das modas mais recentes (o 4-5-1 com três volantes da década passada, e o 3-5-2 com três zagueiros fixos desta década).

Postado por Eduardo Cecconi

O que há com o Luxemburgo?

29 de maio de 2009 42

O Palmeiras, no 3-5-2 à brasileira, foi facilmente contido pelas duas linhas do Nacional, que o induziram a fazer ligação direta na saída de bola com os zagueiros

Eu tinha Luxemburgo como o maior estrategista do futebol brasileiro em atividade no futebol brasileiro. Um técnico que sempre teve predileção pelas equipes equilibradas, nem ofensivas nem defensivas, mas sabendo marcar e jogar com a mesma competência. Atributos que lhe renderam títulos, notoriedade, e excursões pela Seleção Brasileira e o Real Madrid.

Mas o vírus do 3-5-2 à brasileira está fazendo ruir esta imagem. Luxemburgo parece ter feito um estágio em clubes que já demonstraram a ineficácia do casamento do sistema 3-5-2 com a estratégia voltada aos três zagueiros fixos, aos alas abertos e à marcação por função. Ao invés de tomar os maus exemplos recentes de Grêmio e Sport Recife, decidiu incorporá-los como alternativa prioritária. Contrariando a si mesmo, depois de utilizar um eficiente 3-5-2 italiano com líbero (Edmilson), e até um 4-3-3 com inúmeras variações.

O Palmeiras não se parece com um time treinado por Luxemburgo. Ontem, contra o Nacional, o técnico errou na escolha do sistema tático, na estratégia aplicada ao esquema, e na escalação. Não por acaso, aos 28 minutos do primeiro tempo, realizou duas substituições – sem, entretanto, alterar o sistema ou a estratégia. Fato reincidente depois de más apresentações contra o Sport Recife.

O Palmeiras joga no 3-5-2 com três zagueiros fixos, dois volantes, e um meia improvisado no ataque. A defesa tem alinhados Maurício Ramos na direita, Danilo “na sobra”, e Marcão pela esquerda; nas alas, abertos e desagrupados dos outros setores, Armero e Fabinho Capixaba; no meio, o volante Pierre centralizado, e mais o volante Souza, restritos à marcação, além do armador Cleiton Xavier, também recuado; e no ataque, Diego Souza improvisado na frente, ao lado de Keirrison.

Diego Souza surgiu no futebol carioca como segundo volante. Assim se destacou por Flamengo e Fluminense, assim foi para o Benfica, e assim chegou ao Grêmio. Se bem lembrarem, Diego Souza iniciou a Libertadores de 2007 como reserva de Lucas. Foi Mano Menezes, vendo-se sem alternativas na articulação, e na época convicto de que o 4-5-1 era o melhor sistema para a equipe, quem adiantou Diego Souza, aproximando-o de Tcheco. Mas Diego não é atacante, e nunca será, porque suas características são diversas das exigências da função.

Mano acertou ao adiantar Diego (não entro no mérito se o 4-5-1 era o sistema adequado, mas sim na escolha da tática individual do jogador).  O camisa 7 do Palmeiras é um apoiador. Apoiador é o meio-campista que conduz a bola em apoio ao ataque. Ele tem relativa velocidade, força física, vigor, raça, e potência no chute. Com tudo isso, portanto, precisa de espaço para avançar, da intermediária para a frente. No ataque, acaba sucumbindo aos zagueiros.

É injustificável improvisar Diego no ataque em nome da manutenção do 3-5-2 à brasileira, ainda mais com a escalação de dois volantes. Mesmo mantida a estratégia, Luxemburgo poderia ter iniciado sem Souza, para a entrada de Ortigoza na frente. Percebendo o erro, ele sacou Souza e Capixaba, colocando Marquinhos na ala, e Obina na frente. Poderia, ao invés de Souza, ter tirado Marcão para constituir um 4-4-2.

Mas se a entrada de Obina significou o retorno de Diego Souza ao meio, Luxemburgo também optou pelo recuo de Cleiton Xavier, que se alinhou a Pierre como um volante. Ou seja, o time continuaria sem articulação, com seis jogadores defendendo, e três atacando, mas sem organização no meio-campo. Sem conseguir criar nenhuma chance de gol.

O que fez o Nacional, frente a esta desarticulação? No seu 4-4-2 que, sem a bola, forma duas linhas de quatro jogadores, o Nacional adiantou os dois setores – a linha de defesa, e a de meio-campo. Formou um bloqueio compacto a partir da intermediária de defesa, até a divisória central. E deu liberdade aos três zagueiros do Palmeiras. O Nacional induziu, e o Palmeiras comprou a ideia, Marcão, Danilo e Maurício Ramos a fazer a articulação da equipe. Foi um festival de ligações diretas, balões, passes errados e abertura de espaços para contra-ataques. Meio-campo para alugar.

Depois de um gol ocasional – Diego Souza, na sua posição original, acertou um petardo do meio da rua – Luxemburgo prontamente retornou ao planejamento defensivista original. Logo dele, de quem eu nunca esperava assistir a esta cena: ele tirou Keirrison, e colocou o volante Jumar. Sim, novamente três zagueiros, dois volantes, um meia recuado, um meia adiantado, um único atacante, e alas abertos. O Nacional empatou. Castigo merecido.

Torçamos todos que o vírus do 3-5-2 à brasileira seja apenas uma doença passageira, e que Luxemburgo volte a apresentar equipes posicionadas conforme sua característica: com equilíbrio e articulação, posse de bola e busca pela vitória. Este defensivismo não combina com ele.

Postado por Eduardo Cecconi

O Inter sofreu dois gols iguais

28 de maio de 2009 33

Diagrama tático reproduz duas jogadas semelhantes que originaram gols sofridos pelo Inter na Copa do Brasil

A solidez defensiva do Inter, construída desde a consolidação do sistema tático com o meio-campo em losango e a defesa em linha tendo um lateral-base na direita, foi contestada duas vezes na Copa do Brasil. O Colorado sofreu dois gols, na mesma goleira, pelo mesmo setor, e da mesma forma, de Flamengo e Coritiba.

Acredito que Tite e a comissão técnica do Inter estejam trabalhando no diagnóstico sobre o que proporcionou ao Coxa e ao Mengão marcar dois gols absolutamente iguais (não a conclusão, mas a construção da jogada). Não apenas para identificar o que deu errado, como também – e principalmente – para evitar que isto se repita.

Como foram os gols: jogada em velocidade pela esquerda de defesa do Inter, com cruzamento rasteiro para trás. O Flamengo infiltrou-se do meio para a linha de fundo, com lançamento diagonal até Kleberson, que tocou para Emerson – e tinha ainda Obina como opção. Já o Coritiba contou com o apoio do ala Márcio Gabriel, desde a intermediária colorada, que cruzou para Marcos Aurélio – tendo ainda Ariel, também livre – como opção.

Notem no diagrama tático que reproduz as duas jogadas: a linha defensiva do Inter recua demais, e não há ninguém posicionado na grande área, exatamente onde se fixam os atacantes adversários. A impressão é de que a linha de defesa do Inter acompanha a mesma linha da bola, e como o jogador que fará a assistência leva a bola até a linha de fundo, consequentemente arrasta a zaga do Inter para a pequena área.

Meu diagnóstico para o problema principal: Sandro recuou demais. Notem novamente, na imagem que ilustra o post. Nas duas jogadas, Sandro é o jogador mais recuado da linha defensiva do Inter. Como em ambas o adversário avança às costas de Kleber, Alvaro sai para o lado na cobertura do lateral-esquerdo. E Sandro acaba se posicionando como zagueiro, na cobertura do camisa 4.

Este movimento sincronizado – Alvaro sai para o lado, cobrindo Kleber, e Sandro recua para compôr a linha de quatro jogadores na pequena área – abre um clarão na grande área do Inter. Flamengo e Coritiba tinham dois jogadores livres na marca do pênalti. Quem deveria estar ali? Para mim, Sandro é o jogador que deveria estar posicionado na marca do pênalti, ao mesmo tempo para pegar a segunda bola em um eventual rebote, e para evitar que atacantes se infiltrassem livres às costas dos apoiadores.

Na teoria, quem deve cobrir Kleber é o apoiador da esquerda – contra o Flamengo, Guiñazu; e contra o Coritiba, Andrezinho. Nas duas jogadas, entretanto, isso não aconteceu. No primeiro, Guiñazu está adiantado, marcando Ibson, que lança Kleberson; e no segundo, Andrezinho tenta fazer a cobertura, mas é batido em velocidade por Márcio Gabriel. Alvaro se viu obrigado a sair para o bote, sem sucesso. E também nas duas jogadas Sandro – não sei se por iniciativa, ou por orientação do treinador – recuou demais, abrindo o espaço fatal onde os atacantes encontraram facilidade para marcar.

Velocidade às costas do Kleber com recuo demasiado de Sandro, possibilitando ao adversário se posicionar com liberdade na grande área: foi este o mesmo problema apresentado pelo Inter nos dois gols sofridos pela Copa do Brasil. Tite deve estar atento, se realmente for este o diagnóstico.

Postado por Eduardo Cecconi

Barcelona, pelo bem do futebol

27 de maio de 2009 19

O Barcelona jogou em triangulação entre as duas linhas do Manchester, às costas de Carrick, com Messi centralizado em movimento de recuo na direção de Xavi e Iniesta

Embora o futebol seja um esporte onde estatísticas estão vulneráveis à ação do imponderável, hoje a final da Liga dos Campeões demonstrou a consequência mais lógica do confronto entre uma equipe que tem vontade de vencer, contra outra que não quer deixar o adversário vencer. Nem sempre esta lógica prevalescerá, mas em Roma a equação foi matemática. A vontade de vencer se sobrepõe ao medo de perder. Deu Barcelona, pelo bem do futebol! Louvado seja o 4-3-3 catalão.

Guardiola foi genial ao desmontar o sistema defensivo do Manchester United com apenas um movimento: a inversão de posições entre Messi e Eto`o. O Barcelona se manteve em seu histórico 4-3-3 da escola Cruyff, com estratégia voltada à manutenção da posse de bola e às triangulações. E acrescentou à sua característica uma alternativa tática que esculhambou com as pretenções defensivistas do time inglês.

Messi tem maior mobilidade do que Eto`o. E Guardiola decidiu que venceria a partida pelo meio. Como? Atuando entre as duas linhas britânicas. Mesmo que as linhas estivessem compactas na teoria (o que não aconteceu na prática), o treinador do Barça apostou tudo na vulnerabilidade do espaço entre elas. Por ali, Messi movimentou-se em recuo, aproximando-se dos meias Iniesta e Xavi.

Messi, no recuo centralizado entre as duas linhas do Manchester, indefiniu a marcação inglesa. Ele estava distante o suficiente para que Vidic desistisse de marcá-lo no sistema de zona com pressão sobre a bola; e também estava às costas de Carrick, orientado a combater quem entrasse em sua zona pela frente – Iniesta era o alvo. Se Vidic avançasse, Messi ou Eto`o cairiam às suas costas. E se Carrick recuasse, Iniesta teria espaço para a avançar. Touché!

Apesar do mau início, tenso, o Barça equilibrou-se a partir do gol de Eto`o, aos 10min, confirmando aquilo que foi dito ontem aqui no Preleção: o time catalão valoriza a posse de bola e a mantém sob controle com aproximações em triângulo. Tendo o resultado a favor desde cedo, então, o time espanhol intensificou o domínio do meio-campo, a troca de passes, as variações pelos lados e pelo meio, e a paciência à procura das melhores infiltrações explorando a indefinição da marcação sobre Messi.

Mas Guardiola teve um excelente auxiliar-técnico: Sir Alex Ferguson. O treinador do Manchester United parece ter sido orientado a trabalhar pelo Barcelona. Como se previa, ele deu prosseguimento ao 4-4-1-1 com vocação defensivista, e estratégia de especular contra-ataques rápidos. Sistema prejudicial agravado pelas inversões de posicionamento, e pelas predileções pessoais do treinador.

Ferguson tem três atacantes de área – Rooney, Berbatov e Tevez. Não começou o jogo com nenhum. Berbatov e Tevez seguiram no banco, e Rooney manteve-se na asa-esquerda da segunda linha. Ferguson tem o melhor winger do mundo – Cristiano Ronaldo. Pois decidiu seguir com o português como único atacante, centralizado e refém de zagueiros. Ninguém conseguiria explicar ainda porque J.S Park é titular.

Se a ideia era jogar para conter o Barcelona, mesmo que em detrimento das próprias virtudes, Ferguson deveria ter optado pelo 4-1-4-1. Com Scholes no lugar de Giggs, ou de Anderson. Com um jogador entre as duas linhas, e não à frente da segunda linha, Ferguson poderia ocupar o espaço onde Messi comandou a partida, e evitar que o Barcelona jogasse às costas do seu meio-campo. Com Scholes entre as linhas, o Manchester definiria a marcação que foi absolutamente envolvida pelas triangulações centralizadas, planejadas por Guardiola, e bem executadas pelos atletas.

Em um time superior taticamente, as virtudes dos jogadores – que já são craques – são valorizadas. Messi, Iniesta e Xavi foram perfeitos. Mas o Barça teve outros destaques: Piqué, imbatível na defesa. Busquets foi seguro, assim como o improvisado Touré na zaga. Puyol, de lateral, além de exercer marcação implacável, ainda ficou distante do próprio gol, onde costuma deixar furo, e foi bem.

Já em um time mal escalado, e taticamente equivocado, as qualidades dos jogadores – mesmo que craques – se esvaem. Cristiano Ronaldo começou bem, mas se apagou. Rooney, Evra, Anderson…todos os expoentes técnicos do Manchester naufragaram.

Para encerrar a linha de raciocínio. Vejam a ironia do destino: Ferguson se esforçou em apenas anular as virtudes do adversário, mas acabou matando as qualidades do próprio time. Venceu quem jogou para vencer. Guardiola deu uma aula, inclusive a treinadores brasileiros que costumam seguir a filosofia do “primeiro não deixar jogar, para quem sabe – se der – tentar um golzinho numa cobrança de escanteio”. Deu Barcelona, reitero, pelo bem do futebol!

Postado por Eduardo Cecconi

Barcelona e Manchester: posse e contra-ataque

26 de maio de 2009 11

Tudo indica que a final da Liga dos Campeões terá o Barcelona valorizando a posse de bola, com a iniciativa de jogo; e o Manchester aguardando bem posicionado, para os contra-ataques

É sempre complicado fazer projeções táticas, ainda mais quando as próprias escalações das equipes estão indefinidas. Mas, frente àquilo que Barcelona e Manchester United apresentaram durante a temporada, é possível se fazer uma previsão do enfrentamento de amanhã, que decide o grande vencedor da Liga dos Campeões da Europa.

O Barcelona vai manter seu 4-3-3 histórico. Os desfalques de Daniel Alves, Abidal, Rafael Marques e Milito obrigam o técnico Guardiola a mexer na escalação, mas não no sistema tático. Principalmente, porque seus protagonistas estarão em campo, até Henry e Iniesta, que recuperam-se de lesão.

A principal característica do Barcelona é a manutenção da posse de bola. Nesta edição da Liga dos Campeões, em média a equipe catalã permanece durante mais de 70% de cada jogo com o controle da bola. Não surpreende, portanto, o Barça ter emplacado o melhor ataque, e Messi na artilharia.

Isso porque o Barcelona alia a valorização da posse de bola com a objetividade. A equipe não troca passes com monotonia. É uma posse de bola agressiva, vertical, estruturada naquilo que Paulo Autuori bem conceitua de “pequenas sociedades”: o Barça articula-se com diversas triangulações, pelos lados e pelo meio. Na frente, o trio ofensivo tem os “pés invertidos” – o canhoto Messi na direita, e o destro Henry na esquerda, municiados pelos meias Xavi e Iniesta, e com Eto`o centralizado.

A estratégia proporciona uma grande variação de jogadas. Há linha de fundo, com os laterais, em cruzamentos rasteiros ou bola aérea; há diagonais, com os atacantes; há tabelas curtas, pelos lados ou pelo meio, quando reúnem-se meias e atacantes; e há conclusão a média distância, com a precisão dos meias.

O Manchester, do contrário, não tem dúvidas por lesão. Ferdinand se recuperou, e apenas Fletcher está fora, por suspensão. Mas Sir Alex Ferguson mantém a incógnita no sistema tático. Qual será sua escolha? Afinal, nesta temporada, ele se utilizou do tradicional 4-4-2 britânico, em duas linhas de quatro jogadores, e de outras duas variações: o 4-1-4-1, e o 4-4-1-1.

Minha hipótese (mesmo a milhas de Roma, e sem ter acompanhado nenhum treino): Ferguson deve apostar no 4-4-1-1. Foi este o sistema tático que lhe garantiu o empate em Milão contra a Inter, e desde então tornou-se predileto do técnico do Manchester.

Neste 4-4-1-1, Ferguson faz várias alterações estruturais: descarta ao mesmo tempo os atacantes Berbatov e Tevez; inverte Cristiano Ronaldo e Rooney, passando o português para o ataque centralizado, e o inglês para a asa-esquerda do meio-campo. Ali, Rooney se alinha com Park na direita, e com Giggs pouco mais atrás, pelo meio. Os volantes são Carrick e Anderson.

Fico, entretanto, com uma suspeita. Em jogos decisivos, Ferguson costuma apostar nos mais experientes. Não me causaria espanto a presença de Scholes, por exemplo, no lugar de Anderson. Nesta possibilidade, o Manchester ficaria no 4-1-4-1, com Carrick entre as duas linhas, e Scholes formando o meio-campo com Giggs ao lado, Park e Rooney abertos.

ENFRENTAMENTO: os dois sistemas táticos, e as duas estratégias, encaixam-se perfeitamente, mesmo que quase opostos. O Barcelona gosta de jogar com a bola, prefere ter a posse e insiste no campo ofensivo; já o Manchester, equipe de melhor defesa da competição, desde o preterimento do 4-4-2 se tornou um time que gosta de ceder posse e campo ao adversário, abdicando da articulação para adotar como estratégia principal as estocadas rápidas em contra-ataques mortíferos.

Estas duas situações me levam à convicção de que teremos um jogo de posse de bola versus contra-ataque; Barcelona com a bola, tendo iniciativa e propondo o jogo, à procura de espaços, contra o Manchester bem posicionado defensivamente, com linhas agrupadas, pronto para o bote. Ambos atuando como gostam, com os sistemas táticos e estratégias que os levaram até o final.

Postado por Eduardo Cecconi

Como joga o Wolfsburg campeão na Alemanha

25 de maio de 2009 5

Diagrama tático do Wolfsburg, no 4-4-2 com um volante centralizado, três meias, e atenções direcionadas exclusivamente à dupla de ataque

No dia 04 de abril eu já havia feito uma análise do bom time do Wolfsburg, à época motivado pela goleada sobre o Bayern de Munique. Agora, vale a pena retomar o assunto, para dar sequência à série “Campeões Nacionais pelo Mundo”, que já apresentou ao debate os sistemas táticos e estratégias de Manchester United, Inter de Milão e Barcelona.

O Wolfsburg joga no 4-4-2 com um volante guarnecendo linha de três meio-campistas. Para quem prefere mais camadas na descrição tática, o sistema pode ser também observado como um 4-1-3-2. Não é uma equipe brilhante, mas sim tem no bom repertório de variações de jogadas sua principal virtude.

A estratégia se ampara em saídas pelos dois lados e pelo meio. Não há um pensador, um organizador, um articulador. O Wolfsburg do técnico Magath se articula trocando passes de lado a outro, com jogadores abnegados apresentando-se de maneira sincronizada para as tabelas curtas.

A direita é o lado mais tímido, com o lateral Pekarik e o meia Riether. Da esquerda surgem as melhores jogadas, com o apoio de Schäfer em parceria com Gentner. Pelo meio, os três meias se aproximam uns dos outros, e também avançam a linha na direção da dupla de ataque.

Esta é a grande força de Wolfsburg: a dupla Grafite-Dzeko. Ambos completam suas virtudes de maneira natural. Grafite é destro, Dzeko é canhoto. Os dois têm relativa velocidade, e alguma habilidade para as infiltrações em diagonal pelo chão; também têm força física e agilidade para ao mesmo tempo fazer o pivô com os meias e girar para receber; e contam ainda com excelente posicionamento dentro da área, além da qualidade no cabeceio.

E assim, o Wolfsburg joga todo direcionado a Grafite e Dzeko. Sem brilhantismo no meio, e com laterais cumprindo primeiro atribuições defensivas, não raro o time busca a ligação direta – pelo chão, abrindo a defesa em lançamentos para os lados; ou por cima, de maneira mais centralizada, para o pivô. Dzeko na esquerda, e Grafite na direita, sem que algum deles seja o primeiro ou o segundo atacante, o protagonista ou o coadjuvante.

Josué é o primeiro e único volante fixo, entre a linha defensiva e os três meias. Ele faz a cobertura dos dois lados, e não permanece muito tempo com a bola. Faz a recuperação, domina e já entrega para algum dos meias – principalmente Misimovic.

Com seu 4-4-2 amparado nas variações de jogadas em busca dos dois atacantes como principal estratégia, o Wolfsburg é mais um exemplo do feijão-com-arroz tático que dá resultado. Magath não inventou nada, nem apresentou nenhuma variação espetacular. Não há jogadores geniais, nem acima da média tecnicamente. Mas todos se posicionam corretamente, há obediência tática e movimentação sincronizada, boas variações de jogadas e um instinto mortal nos pés dos dois atacantes, o que justifica serem eles as referências de cada jogada.

Postado por Eduardo Cecconi

Botafogo no 3-5-2 e o novo Grêmio de Autuori

23 de maio de 2009 21

Diagramas táticos do Botafogo no 3-5-2; e do Grêmio, com sua nova movimentação defensiva.

Final de semana, assisti ao jogo Botafogo x Corinthians, já pensando em trazer ao debate uma análise do próximo adversário do Grêmio, logo na estreia do técnico Paulo Autuori. E, adivinhem? O Botafogo é mais uma equipe que aderiu à moda do 3-5-2 à brasileira nas últimas temporadas.

O Botafogo joga no 3-5-2 com três zagueiros fixos, alas abertos e três homens no meio campo, sistema e estratégia semelhantes aos de Flamengo, Coritiba, Grêmio da Era Roth, São Paulo, Palmeiras, Sport Recife…e tantos outros inoculados pelo vírus. Com isso, a equipe é pouco criativa no meio-campo, embora seja menos vulnerável que alguns representantes deste sistema no Brasileirão.

A saída de Maicosuel agrava o problema na articulação do Botafogo. No 3-5-2 à brasileira, a equipe confiava na boa fase do apoiador para chegar à frente. Maicosuel surgia como um terceiro atacante, conduzindo a bola até a frente. Sem ele, o Botafogo perdeu infiltração, velocidade na saída de bola e objetividade.

Contra o Corinthians, a equipe teve muitas dificuldades para criar chances de gol. Os alas sobem, mas não contam com parceria para as triangulações. Os dois atacantes – Victor Simões e Jean Coral – correm para a área buscando a finalização. Tony, que provavelmente vai substituir Jean Coral, também é jogador de finalização. No meio-campo a característica principal dos atletas – Fahel e Túlio Souza, principalmente – é o combate e a marcação. Rodrigo Dantas, substituto de Maicosuel, tocou poucas vezes na bola.

Ney Franco, ao contrário daqueles que adotam a saída pelo lado, libera Juninho pelo meio. O zagueiro-capitão costuma aproximar-se dos atacantes de surpresa, buscando principalmente a conclusão a média distância, sua principal virtude. Ainda assim, é uma jogada mais de iniciativa pessoal, do que propriamente uma articulação organizada e sincronizada.

NOVO GRÊMIO: do outro lado, Autuori preparou mudanças durante a semana. Tive a oportunidade de acompanhar no Estádio Olímpico um treinamento, em cobertura para o clicEsportes, onde o treinador modificou a movimentação da defesa gremista sem abdicar inicialmente do 3-5-2. Ou seja, adotou nova estratégia, sem mudar de sistema tático.

Antes, com Roth e Rospide, os alas do Grêmio não tinham cobertura. A saída era simultânea, abrindo duas avenidas nos lados. Como os zagueiros marcam individualmente os atacantes, e o da sobra é fixo (não se movimentava para os lados), muitos adversários – principalmente o Santos – se aproveitavam disto.

Agora, Autuori treinou a defesa para impedir o apoio simultâneo dos alas, e para definir a cobertura de quem sai. O que demonstra, ao menos, que ele diagnosticou o principal problema tático do Grêmio – combatido há meses por mim aqui no Preleção – desde o início da Era 3-5-2.

Notem a simulação no diagrama tático que ilustra o post: quando um ala apoia, é como se trouxesse outros quatro companheiros amarrados em cordinhas imaginárias. Ruy sobe pela direita; Léo se torna lateral, na cobertura; Rafael zagueiro pela direita; Réver, zagueiro pela esquerda; e Fábio fecha como um lateral, alinhando a defesa. Vale o mesmo para o outro lado: Fábio sobe, Réver cobre na lateral, Rafael e Léo formam a dupla de zaga, Ruy fecha como lateral, completando a linha defensiva.

Autuori adotou esta nova movimentação, não apenas para definir a cobertura pelos lados, mas também para liberar Tcheco. Sem o apoio simultâneo dos alas, o Grêmio com a bola vai variar do 3-5-2 para o 4-4-2, em um início de transição gradual entre os dois sistemas. O meio-campo do Grêmio agora tem um formato de triângulo, com Túlio de vértice à frente da área, e a dupla Tcheco-Souza adiantada, alinhada e próxima, para municiar o ataque. Antes, para auxiliar Adilson na cobertura pelos lados, Tcheco precisava defender e armar, sacrificando-se.

Não sei se vai dar certo, mas é uma bela iniciativa. Ainda mais frente ao Botafogo com seu rígido 3-5-2 à brasileira. Tudo indica que, se obtiver sucesso nesta nova sincronia de movimentos, o Grêmio vai prevalescer numericamente no meio-campo, e os atacantes receberão mais assistências. Assim, o Grêmio deve criar outras chances de gol que não apenas em bolas paradas, como acontecia anteriormente. Mas, reitero, veremos se a prática confirma a teoria no confronto de domingo. Até porque Ney Franco, a exemplo de Autuori, pode preparar alguma surpresa desconhecida por nós.

Postado por Eduardo Cecconi

Defensor comprova eficácia do 4-4-2 britânico

22 de maio de 2009 19

Defensor faz bom uso do 4-4-2 britânico, principalmente do sistema de marcação

Depois de anos restrito ao futebol britânico, onde surgiu e se consagrou, o 4-4-2 com duas linhas de quatro jogadores e marcação por zona enfim começa a render bons resultados no futebol Sul-Americano. Diversos exemplos esparsos pipocavam no continente desde a temporada passada, mas ontem o Defensor conseguiu – talvez – o melhor resultado recente do sistema, eliminando o Boca Juniors da Copa Libertadores da América.

O Defensor enfrentou o Boca se utilizando do 4-4-2 britânico. Como estratégia, adiantou a linha defensiva e recuou a linha de meio-campo, compactando a equipe e restringindo o espaço de movimentação no setor para Riquelme, Vargas e Chávez. E com a marcação por zona exercendo pressão sobre a bola, não sobre o adversário, o time uruguaio conseguiu ainda impedir os avanços pelos lados, com Morel na esquerda ou Palacio na direita.

Frente a um adversário compactado, desarticulando-se em função da escassez de recursos dentro de um 4-4-2 em losango que parece esgotado desde a saída de Dátolo, o Boca ficou distante da área. E, na Bombonera, simplificou a estratégia apelando à ligação direta (vulgo chuveirinho) para a área apostando no abafa, e torcendo para Palermo sacar um coelho da cartola, o que não aconteceu.

A principal virtude do Defensor para obter sucesso nesta partida foi a utilização inteligente do sistema de marcação do 4-4-2 britânico – além, claro, da obediência tática dos jogadores que sempre mantiveram as duas linhas compactas e estruturadas. Como funciona a marcação neste sistema tático? Ela é por zona, mas exercendo pressão sobre a bola, e sempre com cobertura. Vejamos:

Vou utilizar como exemplo o lado direito: quando Morel Rodríguez avançava aberto, ou em diagonais, era apenas “monitorado” pelos jogadores, que mantinham a posição. Somente quando Morel recebia a bola dentro do setor de Diego Ferreira, sofria a marcação do camisa 16 uruguaio. Quando Morel passava a bola, Diego Ferreira retomava a posição como meia-extremo na direita. Quem está sem a bola é monitorado na visão periférica. Somente quem tem a bola sofre pressão, do responsável pela zona onde o adversário entrou. 

Ou seja: a pressão é sempre exercida quando a bola ingressa na zona delimitada para cada jogador. Ninguém acompanha, fazendo marcação individual (pressão no jogador), para não desfigurar as linhas, e abrir espaço. A cobertura é realizada pelo homem da zona consecutivamente atrás (no caso de Diego Ferreira, pelo lateral-direito Pablo Pintos.

Apenas os dois jogadores de frente não marcam por zona. A função, sem a bola, de Diego de Souza e Vera é fazer meia-pressão na saída de bola, a partir da linha de meio-campo para trás, combatendo o volante ou os apoiadores que faziam o primeiro passe. É exatamente este o sistema de marcação utilizado por Manchester United, Liverpool, ou qualquer time inglês que tenha o 4-4-2 britânico como sistema tático preferencial.

Com a posse, a ordem é avançar a linha de meio-campo em velocidade, abrindo a bola para os lados. Os volantes centralizados adiantam-se apenas para pegar a segunda bola. Na teoria, quem precisa encostar no ataque são os meias-extremos – no caso do Defensor, Marchant pela esquerda, e Diego Ferreira na direita. Mas ontem o técnico uruguaio fez uma variação tática interessante.

Na direita, quem apoiava era o lateral Pablo Pintos. Ao contrário de ser um defensor pelo lado (lateral-base, como fala o técnico Tite), ele teve comportamento absolutamente ofensivo, criando as melhores oportunidades. Quando ele passava, o “winger” Diego Ferreira recuava para a primeira linha. Na esquerda, nenhuma mudança: o lateral Cabrera fez a base, e Marchant apoiou com muita qualidade, aproximando-se do canhoto Diego de Souza para segurar a posse de bola.

Pablo Pintos foi o melhor em campo (fiquem de olho nesse lateral), mas Diego de Souza justificou o interesse reincidente do Grêmio em contratá-lo, sem sucesso. Diego tem qualidade e empenho para jogar por ele e pelo limitado Vera. E consegue cumprir diversas táticas individuais (apoio ao ataque, conclusão, posicionamento e comportamento defensivo, articulação…).

Nesta Libertadores, eu já tinha assistido a jogos do Defensor fora de casa contra São Paulo e Independiente Medellin. Em ambos, eles atuaram no 4-1-4-1, sem brilho. Foi a primeira vez que os vi no 4-4-2 britânico com marcação por zona e pressão sobre a bola (talvez tenham se utilizado deste sistema outras vezes). Na próxima fase, vão enfrentar com bastante moral o Estudiantes, que também joga em duas linhas, embora com diferenças de movimentação com a bolaconfiram aqui a análise do time de La Plata. Será um belíssimo duelo.

Postado por Eduardo Cecconi

Inter deve levar vantagem tática sobre o Coritiba

20 de maio de 2009 32

Diagrama tático do Coritiba mostra a equipe no 3-5-2 brasileiro, com três zagueiros fixos, nenhum volante nato, alas abertos e três homens no meio-campo.

A menos que Renê Simões faça alguma alteração estrutural significativa, o Coritiba não deve oferecer uma resistência ameaçadora ao Internacional. Nas quartas-de-final da Copa do Brasil, a equipe paranaense foi pior do que a Ponte Preta nas duas partidas (empatou em 2 a 2 fora, venceu por 1 a 0 com um gol no final em casa), mas passou de fase graças à qualidade de alguns jogadores muito importantes. Coletivamente, a Ponte Preta jogou melhor.

Para o Inter, a boa notícia é saber que o Coritiba atua no 3-5-2 brasileiro – três zagueiros fixos na área, alas abertos, e apenas três jogadores no meio-campo. Este sistema tático, que já provocou diversas dificuldades ao Coritiba contra a Ponte, pode torná-lo refém de si mesmo contra o Inter. Afinal, as virtudes do 4-4-2 com meio-campo em losango do Inter encaixam-se perfeitamente nos defeitos do 3-5-2 do Coritiba.

Uma boa base de comparação para os colorados é o embate com o Grêmio de Celso Roth nos Gre-Nais deste ano. Com três zagueiros fixos, alas abertos e marcação por função, o rival do Inter entregou o meio-campo nos clássicos e viu seus zagueiros expostos à velocidade dos atacantes Nilmar e Taison. Na marcação por função, típica do 3-5-2, Magrão e Guiñazu abriram a frente da área, e o colorado sempre dominou as partidas controlando a posse de bola.

O Coritiba, no seu 3-5-2 brasileiro, tem três zagueiros fixos – Rodrigo Mancha pela direita, Pereira pelo meio, e Felipe na esquerda. Todos eles são fortes, mas lentos. Bons na bola aérea (que o Inter não costuma utilizar), mas vulneráveis nas jogadas em velocidade e nas infiltrações – exatamente a característica da articulação colorada.

O Coxa joga preferencialmente pela esquerda. Neste setor avançam o ala Vicente, o meio-campista Carlinhos Paraíba e o organizador Marcelinho Paraíba. Além deste trio, o atacante argentino Ariel também pende à esquerda. São quatro canhotos, sempre dispostos a triangular por este lado. Na direita, o ala Márcio Gabriel apoia bastante, mas praticamente sozinho. Ele conta apenas com os avanços eventuais de Rodrigo Mancha, zagueiro que faz a saída do trio, ou com a parceria do tímido atacante Marcos Aurélio.

No meio-campo, o problema do Coritiba é não ter um volante fixo. Carlinhos Paraíba é um jogador extremamente talentoso, e com um vigor físico impressionante para jogar no vai-vem, de área a área, cobrindo o ala Vicente e aparecendo para o jogo. Mas, por isso mesmo, movimenta-se demais e guarda pouco a posição. Leandro Donizete também passa da linha da bola. E Marcelinho é o ponta-de-lança, que joga avançado.

A equipe de Arte da zerohora.com preparou um gráfico com estas informações. Ficou muito legal, até porque os jogadores se movimentam no sistema tático. Confiram no link abaixo:

COMO JOGA O CORITIBA – INFOGRÁFICO ANIMADO

COMO O INTER PODE TIRAR VANTAGEM? Sendo o Inter do Gauchão. Tendo em Bolívar o lateral-base, por sua própria caracterísitca já estará atento ao lado forte do Coxa. E com a posse de bola, o colorado de Tite deve encaixar três jogadores contra apenas dois: Magrão, Guiñazu e D`Alessandro, marcados por Carlinhos Paraíba e por Leandro Donizete. Pode ser que, sem o suspenso Marcelinho Paraíba no primeiro jogo, Renê Simões abdique de um articulador e escale um homem de marcação para equilibrar numericamente o setor.

Na frente, a vantagem do Inter é impositiva. Terça-feira, mesmo no Paraná, perdi as contas do número de infiltrações dos meias, atacantes, e até dos volantes da Ponte Preta às costas da defesa do Coxa. Todos os três zagueiros são lentos, e marcam a bola. Jogando do lado para o meio, às costas dos alas, Nilmar e Taison devem tirar proveito deste erro conceitual do 3-5-2 brasileiro.

O QUE É PRECISO CUIDAR: Carlinhos Paraíba é um jogador talentoso. Joga com muito empenho, tem habilidade e conclui bem de média distância. Precisa ser vigiado de perto por Magrão. Mas a maior virtude ofensiva do Coritiba – novamente uma característica dos 3-5-2`s brasileiros que se desarticulam no meio – é a bola aérea, em faltas laterais, escanteios, ou com cruzamentos da linha de fundo.

Ariel é um centroavante trombador, e oportunista, usa bem o corpo para concluir dentro da pequena área. E quando podem subir, os zagueiros – principalmente o ex-gremista Pereira – aproveitam bem os cruzamentos por cima. E o ala Márcio Gabriel, mesmo em arroubos individuais, tem velocidade para deixar Kléber em alerta, e Sandro atento à sua cobertura.

Vejo o Inter como favorito. E não por tradição, nem por peso da camisa, nem mesmo pelo momento técnico de seus jogadores. Mas pela deficiência tática do 3-5-2 do Coritiba frente ao 4-4-2 do Inter. Se a história dos Gre-Nais deste ano se repetir, o Inter deve dominar o meio-campo, e criar oportunidades de gol com bola rolando.

Mas – é claro, tudo isso na teoria, e baseado no que vi o Coritiba apresentar terça-feira contra a Ponte Preta. Renê Simões é um bom técnico, pode surpreender com variações táticas ou estratégias diferentes, e na qualidade técnica de alguns jogadores – Carlinhos, principalmente - o Coxa deve tentar equilibrar as forças. Na prática, o bom treinador do Coxa pode contrariar todas estas observações. Entretanto, a superioridade tática do Inter para mim é evidente, e deve se impôr.

Postado por Eduardo Cecconi

Como joga o Barcelona campeão espanhol

20 de maio de 2009 17

Diagrama tático do Barça mostra o 4-3-3 com jogadores próximos, e muita passagem para jogar - dos laterais, dois meias, e dos atacantes

Com os posts sobre o Manchester United e a Inter de Milão, abrimos a série de análises dos sistemas táticos preferenciais das equipes campeãs nacionais. Agora, é a vez de apresentar para o debate o Barcelona, que levantou o troféu na Espanha.

O Barcelona atua no 4-3-3. O sistema tático mantido por Guardiola faz parte de uma filosofia tática implantada no clube desde a “escola Cruyff”, há quase três décadas. O Barça se utiliza deste sistema, qualquer que seja o treinador, desde as categorias de base até o time profissional.

E os resultados comprovam que é possível sim aliar qualidade com competitividade. Mesmo no 4-3-3, o Barcelona não é um time “faceiro” – como dizem os defensivistas gaúchos – vulnerável, exposto ou fraco defensivamente. A estratégia, com diversas táticas de grupo interligadas, privilegia a compactação da equipe, tanto com a bola, como também na marcação.

Paulo Autuori, em entrevista à Sportv ontem, utilizou o Barcelona como exemplo de um conceito que na Espanha se chamam “pequenas sociedades”. O Barcelona joga todo com triângulos. Notem no diagrama tático que ilustra o post que sempre há três jogadores próximos, em qualquer setor. Só para exemplificar, na direita dá para pegar Puyol-Alves-Touré, Alves-Touré-Xavi, Alves-Xavi-Messi, Xavi-Messi-Eto`o, Messi-Eto`o-Alves…e vale o mesmo para o meio, ou para a esquerda. Triângulos interligados, mantendo a equipe compacta, articulada com a bola (propícia a tabelas curtas, e velocidade) e fechada sem ela.

Na defesa, Daniel Alves apoia mais do que Abidal, mas os dois laterais passam bastante da linha da bola. Yaya Touré é o único volante, cobrindo os dois lados. Na articulação, Xavi joga à direita, e Iniesta à esquerda. E no ataque, Guardiola também não mexeu na estratégia dos pés invertidoso canhoto Messi aberto na direita, e o destro Henry na esquerda, ambos puxando diagonais em direção aos meias e ao centralizado Eto`o, e abrindo ao mesmo tempo o corredor para o apoio dos laterais.

Sem a bola, todos marcam. Mas o principal sistema de marcação do Barcelona é jogar. O time marca com a bola. Como? Mantendo a posse, valorizando trocas de passes, movimentação, compactação – dentro da filosofia das “pequenas sociedades” (uma definição interessante para tática de grupo) – o Barcelona impede o adversário de jogar. Em média, segundo os scouts da ESPN, o Barça mantém nessa temporada posse de bola próxima dos 70% por jogo. Setenta por cento do tempo impedindo o adversário de jogar, sem para isso escalar outro zagueiro, mais volantes, recuar linhas e posicionar-se defensivamente.

O Barça joga. Nos outros 30%, mantém os triângulos compactos, e marca. É claro que contar com jogadores de alta qualidade técnica ajuda a manter o 4-3-3 e a estratégia da escola Cruyff. Mas o Barcelona, há muito, é o exemplo que dá certo, do futebol que alia qualidade com resultado, e que deve dar muita insônia para treinadores e comentaristas que vêem no futebol um esporte “defensivo”.

Postado por Eduardo Cecconi