
Hoje se encerra a série de análises sobre os campeões nacionais nos países mais representativos da Europa. Depois de falarmos sobre Manchester United, Barcelona, Inter de Milão e Wolfsburg, é a vez do debate celebrar a conquista do Bordeaux na França, quebrando a hegemonia do Lyon.
Não acompanhei muitos jogos do Bordeaux neste ano. Assisti à vitória de 1 a 0 sobre o Caen, ontem, que garantiu o título, a espetacular virada de 4 a 3 sobre o Mônaco, e algumas partidas pelas copas europeias, mas não tenho grande familiaridade com o campeão da França. Por isso, convido quem quiser - e puder - trazer mais detalhes, acrescentar dados ou fazer reparos na minha observação a participar do debate.
O Bordeaux, joga no 4-4-2 convencional. Com a bola, parece um time brasileiro do final da década de 80. O meio-campo desenha-se praticamente em quadrado, com um primeiro volante, mais à esquerda (Diarra); um segundo volante, mais à direita, que faz a saída de jogo (Fernando); e dois meias-articuladores avançados (Gourcuff e Jussiê).
A estratégia da equipe é reter a posse de bola, e variar jogadas. O Bordeaux troca passes, gosta de permanecer com a bola, e evita a ligação direta. Boa parte das jogadas recebe o carimbo de Fernando que, centralizado, faz a distribuição pelos lados. Gourcuff cai mais pela direita, atraindo o apoio do lateral Chalmé. E na esquerda, é de Jussiê que se aproxima o lateral Trémoulinas.
Os meias Gourcuff e Jussiê, além das combinações pelos lados com os laterais, também se utilizam das diagonais para entrar na área, concluir de média distância, ou tabelar com os atacantes. Na frente, Gouffran e Chamakh são rápidos, e se movimentam bastante pelos lados. E, se Fernando marca e sai para o jogo, Diarra é o primeiro volante típico, marcador e combativo na cobertura.
Na marcação, Jussiê e Gourcuff costumam retornar pelos lados, alinhando-se a Fernando, com Diarra pouco mais atrás, na cobertura. Com isso, o Bordeaux se defende praticamente com duas linhas de quatro, bastante próximas - o meio recua, a zaga se adianta - compactando-se à frente da área. E os zagueirões são verdadeiros tanques, fortes no combate, principalmente por cima.
Alguns jogadores também foram importantes nesta campanha. O argentino Cavenaghi perdeu lugar no ataque. O brasileiro Wendel apareceu bastante na meia, mas lesionou-se e acabou na reserva. Bellion costuma aparecer bem quando deixa a reserva e entra no ataque.
Em resumo, o Bordeaux prioriza o controle da partida, mantendo a posse de bola. A equipe joga com bola no chão, trocando passes, girando de lado a outro, com boas variações de jogadas - direita, esquerda, e meio. Meias e atacantes se movimentam, e até mesmo o segundo volante participa bastante da articulação. A equipe marca em duas linhas, e com a bola se assemelha bastante aos times brasileiros que jogavam com meio-campo em quadrado na transição entre os anos 80 e 90, antes das modas mais recentes (o 4-5-1 com três volantes da década passada, e o 3-5-2 com três zagueiros fixos desta década).
Postado por Eduardo Cecconi











