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Ao ataque, Brasil! Com Pato.

08 de junho de 2009 7

O 4-5-1 do Brasil exige a presença de um jogador de referência

Estou curioso para saber duas coisas: como será o comportamento da Seleção Brasileira jogando em casa contra o Paraguai? E quem substitui o centroavante de referência Luís Fabiano – Pato ou Nilmar? Vale lembrar que, apesar da boa campanha e da liderança nas Eliminatórias Sul-Americanas, Dunga sempre trabalhará sob pressão em jogos no Brasil, aquela velha e clichê pressão do centro do país por espetáculo, malabarismos e goleadas. Mas, este blog é para análises táticas, então vamos a elas.

O Brasil mantém seu 4-5-1 muito semelhante ao do Inter antes da saída de Alex. O meio-campo tem um desenho de losango, com um ponta-de-lança fazendo a conexão entre o articulador e o atacante. No Inter, o canhoto Alex fazia este papel, da direita para o meio. Na Seleção, é o destro Robinho, também com pé invertido, da esquerda para o meio.

As diferenças são de estratégia. O lateral-apoiador da Seleção fica na direita, e apoia muito – Daniel Alves, ou Maicon, qualquer um deles avança com qualidade. Para compensar, Dunga fixa Robinho na esquerda, apresentando variações de jogadas pelos dois lados.

Pelo centro, Kaká é o articulador-condutor, que busca infiltrações, guarnecido por um trio de volantes muito mais volantes do que os do Inter. Na esquerda, Kleber praticamente não sobe, protegido por Felipe Melo, enquanto Elano faz a cobertura de Daniel Alves, e Gilberto Silva mantém-se à frente da área para combater qualquer diagonal adversária.

Somando todas as movimentações do Brasil, em seu 4-5-1, uma coisa é óbvia e evidente e latente e facilmente perceptível. A Seleção adotou o contra-ataque como estratégia. Contar com três volantes próximos uns dos outros, um lateral-base, e investir a saída de bola em velocidade com o lateral-direito, o meia centralizado ou o meia aberto na esquerda é demonstração clara de vocação reagente.

O Brasil cede campo e posse de bola ao adversário propositalmente, pensando em retomar e sair rápido. É por isso que a Seleção se dá tão bem fora de casa. O adversário sente-se na obrigação de atacar, desorganiza-se, e sofre duas ou três estocadas mortíferas. Daí em diante, o jogo fica cada vez mais à feição do Brasil, que se ampara – quando todo o sistema defensivo se dá mal – no sobrenatural Júlio César. Assim o Brasil goleou Venezuela e Uruguai fora, despachou o Chile, quase venceu o Equador, e por aí…

E é por isso também que o Brasil passa por tamanha dificuldade jogando em casa. Aqui, a Seleção é pressionada pela vitória – pela torcida, pela imprensa, por si mesma. Precisa protagonizar a partida. Organizar-se. E, voltada ao contra-ataque, não consegue se articular. Gira a bola de pé em pé, mas sem espaços torna-se um time previsível e lento. Assim, o Brasil empatou com Bolívia, Colômbia…O melhor, nesta situação, seria ampliar o poder de articulação, ou com a entrada de outro organizador, ou de outro atacante, no lugar de um dos três volantes, frente ao Paraguai.

Mas Dunga vai manter o 4-5-1. Talvez adiante Robinho. É o máximo que se prevê. Frente a este cenário, para mim o mais lógico – sem o pivô de Luís Fabiano – é colocar Alexandre Pato no time. Embora vista a camisa 9 no Inter, Nilmar joga aberto da direita para o meio, buscando sempre infiltrações com bola no chão, em um time que também se vocaciona para os contra-ataques incisivos e letais. Já Alexandre Pato ganhou força física e no Milan atuou como centroavante de referência, segurando zagueiros com as costas, fazendo pivôs, segurando a bola, combatendo e combatido por trogloditas.

O Brasil terá um provável paredão defensivo pela frente. Não conseguirá fáceis infiltrações pelo chão. A figura do homem de referência, para fazer o pivô, girar, concluir de cabeça, segurar zagueiros, é essencial. Alexandre Pato deve ser o escolhido dentro desta perspectiva. O ideal seria contar com ambos. Nilmar no lugar de Elano, por exemplo, aberto na direita, com Robinho na esquerda, ambos alinhados com Kaká pelo meio, reeditando o 4-5-1 do Arsenal. Mas isto Dunga não fará. Então, na teoria, eu sou mais Pato contra o Paraguai. Em todo caso, Nilmar pode ser o escolhido, e arrasar na partida. Só quarta-feira saberemos…

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (7)

  • auã diz: 9 de junho de 2009

    é muito ruim esse esquema do brasil, nao sei se sao as peças, mas é brabo.
    o mais incrivel é que vence de seleçoes “grandes” e em jogos que ja se espera o empate, mas nao ganha uma em casa
    Robinho é banco do banco, nao da pra aguentar. gilberto silva ja devia ta aposentado, jogando em algum time do brasil por nao aceitar o final de carreira
    felipe melo e elano… tem uma duzia de jogadores no brasil que sao melhores.
    mas nao to aqui pra isso. o brasil deve jogar com 2 jogadores abertos na frente

  • Victor Abussafi diz: 9 de junho de 2009

    No caso de jogos no Brasil, quando o adversário se fecha mais, não seria o caso de melhorar a qualidade da saída de bola dos volantes? Acredito que o time melhora substituindo ou o Gilberto ou o Felipe Melo por um volante com mais saidas ofensivas, casos de Ramires, Hernanes (que está em pésima fase), Lucas, Anderson e tantos outros… E uma dúvida, o Denilson do Arsenal tem espaço na Seleçao?

    Resposta do Cecconi: olá Victor. Nos jogos em que vi Denilson como titular do Arsenal, ele não me chamou a atenção. Parece-me – posso estar enganado – um jogador comum, como o Felipe Melo. Mas o Felipe está conseguindo espaço na Seleção, portanto não vejo empecilho para que o Denilson receba um dia alguma oportunidade. Abraço.

  • Blog do Carlão – Futebol é nossa área diz: 9 de junho de 2009

    No 4-4-2 em losango meu ataque titular é Pato e Nilmar.

  • Lucas de Souza Gutierrez diz: 8 de junho de 2009

    Acho que teu esquema da seleção está errado. O Felipe Melo e o Gilberto Silva são volantes que praticamente não saem pro jogo (Felipe um pouco mais) liberando o Elano que sai bastante. Essa movimentação do Elano empurra o Kaká mais pra esquerda (centro/esquerda). Robinho joga aberto na esquerda e o centro-avante joga mais pra direita (no centro/direita). Eu acho a nossa seleção meio torta. Gostaria que o Felipe centralizasse e o Anderson entrasse no lugar do gilberto, equilibrando as saídas.

    Resposta do Cecconi: olá Lucas, tudo bem? Realmente o Elano saía mais do que o Felipe Melo, mas contra o Uruguai houve equilíbrio. Não apenas porque o Felipe Melo saiu mais do que o habitual, como o Elano ficou mais posicionado, marcando o Alvaro Pereira (e passando trabalho para cobrir o Daniel Alves). Em todo caso, pelo histórico da Seleção, tua análise está correta. Abraço!

  • Fred Silveira diz: 11 de junho de 2009

    Cecconi,agora que o jogo terminou, o Nilmar fez o gol da vitória,jogou com a 9, tudo lindo e maravilhoso,mas eu pensei estar louco, até ler tua análise:passei a semana inteira escutando que”o Nilmar pe um jogador de referência, o Pato joga mais pelos lados”,especialmente no Sportv.Ufa,agora me sinto mais aliviado,pq ao menos alguém no mundo enxerga o que pra mim é óbvio:Nilmar movimenta a Pato referência.No mais,creio que a seleção tá bem,mesmo com 3 volantes,hehehe. Abraço!

  • Alexandre Perin diz: 8 de junho de 2009

    O que tu acha de um time com Pato e Nilmar e SEM Robinho, em fase ridicula

    Resposta do Cecconi: é Perin, seria o ideal. O Brasil reprisaria, por sinal, em praticamente tudo o mesmo sistema do Inter, da Inter de Milão, e por aí vai. Podendo contar com Nilmar e Pato abertos pelos lados, ou Pato de referência e Nilmar se movimentando. Mas, acredito, o Dunga não fará isto tão cedo. E realmente o Robinho tem sido figura de decoração. Abraço!

  • Diego Souza diz: 8 de junho de 2009

    Vou ser da linha ofensiva agora, mas só para pensar: em casa, pela qualidade dos jogadores brasileiros daria para retirar um centromédio e entrar com 3 atacantes: Robinho na esquerda, Pato centralizado e Nilmar pela direita. Mas ai, obviamente teríamos que rever a escalação dos volantes com características para dar suporte a este esquema.

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