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A linha de cinco do Iraque

17 de junho de 2009 3

Contra a Espanha, o Iraque escalou três zagueiros, alinhando-se a dois laterais; três volantes, alinhando-se a um meia; e um solitário atacante, também com atribuições de marcação.

Hoje assisti ao jogo Espanha 1 x 0 Iraque, com interesse duplo – conferir novamente a Fúria, e também conhecer o time iraquiano. Deparei-me com uma retranca bastante parecida com o bloqueio do time Porto Rico Islandres, já analisado aqui no blog Preleção. O técnico da seleção asiática trancou a porta da área e jogou a chave fora.

Bora Milutinovic escalou o Iraque no raro 5-4-1. Uma linha defensiva formada por cinco jogadores, composta por três zagueiros e dois laterais; três volantes centralizados logo à frente; um meia de ligação na intermediária defensiva; e um solitário atacante buscando a saída em contra-ataque.

Com a bola, os laterais iraquianos apresentavam uma tímida saída pelos lados, com Kareem na direita e Abbas na esquerda. O meia Akram desprendia-se da intermediária, para centralizar a organização e se aproximar do atacante Zahra. No contra-ataque, Zahra buscava uma diagonal do meio para a esquerda, tentando se privilegiar do espaço deixado pelo lateral Sérgio Ramos quando avançava. Mas esta estratégia poucas vezes emplacou.

Retrancado, o Iraque teve apenas 40% da posse de bola. E sem ela, os laterais recuavam para alinhar-se aos três zagueiros, formando a linha de cinco jogadores. O meia de ligação também recuava, formando uma linha de quatro à frente da área. E Zahra ficava correndo de lado a outro, na intermediária defensiva. As duas linhas aproximavam-se, concretizando um sólido bloqueio – a primeira, dentro da área; e a segunda logo à frente, na meia-lua.

Como a Espanha prima pelo toque de bola, infiltrações com bola no chão e passes curtos, encontrou dificuldades em criar oportunidades de gol. Mantendo as duas linhas com meias abertos pelos lados (hoje foram Santi Cazorla e Mata) e laterais que avançaram bastante, sem ninguém para marcar (Sérgio Ramos e o excelente Capdevila). Mas o Iraque conseguiu mantê-los trocando passes sem penetração na área.

A solução, que parece um contra-senso, foi esta: bola aérea. Mesmo com três zagueiros, dois laterais e três volantes dentro da área, o Iraque é fraco no combate à bola aérea. E a Espanha começou a explorar os cruzamentos, no apoio duplo de Santi-Ramos na direita, e Mata-Capdevila na esquerda. No primeiro tempo, Villa recebeu livre e desperdiçou. No segundo, também livre, novo erro.

Na terceira bola aérea que vazou, aí sim Villa acertou um belo cabeceio, marcando o gol da vitória. Além dos cruzamentos, a Espanha também adotou estratégia semelhante à da Itália contra o 4-1-4-1 dos Estados Unidos, analisado ontem aqui no blog Preleção: chutes de média distância, com os precisos bombardeios de Xabi Alonso e Xavi. Mas o goleiro iraquiano esteve seguro.

Não é feio vencer o Iraque por 1 a 0. Pelo contrário. No 5-4-1, com oito jogadores posicionados praticamente dentro da própria área durante toda a partida, o Iraque proporcionou à Espanha testar as próprias variações de estratégia. Mudar o estilo, do toque de bola e infiltração pelo chão, para a bola aérea e o chute de média distância. A Fúria passou no teste do ataque-contra-defesa.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (3)

  • Diego Souza diz: 18 de junho de 2009

    Olá Ceccone! Assiti ao jogo hoje e achei muito bonita a aplicação tática da seleção do Iraque. Mesmo retrancando o jogo todo quase deu! Inclusive no final quando teve chances de empatar a partida. Bora é um grande técnico. Mas só para tirar uma dúvida tática: enxerguei muitas vezes uma variação do 5-4-1 que você analisou, com um volante entre as linhas, mesmo que bem próximas uma da outra, formando um esquema 4-1-4-1. Houve esta variação? Braço!!

    Resposta do Cecconi: olá Diego. Concordo contigo, eu vi por algumas vezes o camisa 15 Rehema se adiantar, mas não sei se isto é suficiente pra configurar uma variação tática. Nos minutos finais, do contrário, o Bora trocou um jogador de meio por outro zagueiro, formando uma linha de seis…hehehehe.

  • Alberto diz: 17 de junho de 2009

    Bom Dia Cecconi, o Iraque não tinha muita alternativa mesmo, era isso ou tomar uma goleada, além de contar com um treinador muito competente como o Bora Milutinovic que é capaz de mudar o time completamente inclusive durante o jogo, nos minutos finais o Iraque chegou a dar um calor na Espanha, fez um 4-3-1-2 e chegou com perigo algumas vezes. Abraço

  • Leonardo Alves Machado diz: 17 de junho de 2009

    Não adianta só defender mesmo… Em uma falha do “paredão”, a Espanha fez um gol com uma cabeçada livre…

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