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E o Egito, hein?

22 de junho de 2009 5

O Egito, no seu 4-4-2 com variação para 3-5-2, a indefinição na articulação, e as trocas de posição dos apoiadores da segunda linha.

Muitos leitores do blog Preleção me pediram para analisar o sistema tático e a estratégia do Egito, até então a sensação da Copa das Confederações. Mas demorei tanto que a seleção africana foi eliminada pelos disciplinados Estados Unidos. Ainda assim, feitas as observações, trago aqui o assunto ao debate – ainda que tardiamente.

O Egito joga, na teoria, no 4-4-2. O time se posicionou nas três partidas do Grupo B com dois zagueiros, dois laterais, um volante centralizado, dois apoiadores, um articulador e dois atacantes. Mas na prática houve variações táticas, a principal levando a equipe ao 3-5-2.

Primeiro, preciso ressaltar um conceito que eu utilizo nas minhas análises. Quando um jogador desempenha atribuições restritas à sua tática individual, não considero variação tática. Mas quando o jogador claramente executa mais de uma função, é evidente a variação tática. Tem gente que estabelece como critério o posicionamento sem a bola: a tática é aquela que se vê “na saída de bola”, como numa mesa de pebolim.

Eu discordo. E exemplifico: no seu 4-4-2 britânico, o Manchester United não varia para o 4-2-4 quando seus wingers apoiam simultaneamente. Isso porque o apoio pelos lados faz parte da função do meia-extremo. Quando Cristiano Ronaldo e Park sobem, fazem isso porque esta é a atribuição ofensiva do winger. Não se tornam atacantes. Sem a bola, recompõem a linha de meio-campo. Não ha variação.

Já com o Egito, a variação é claríssima. O volante Gomaa, centralizado, foi uma espécie de líbero à frente da zaga. Conforme a circunstância da partida, ele recuava para fazer a sobra dos zagueiros Said`s. Mas o posicionamento original era o de primeiro homem do meio-campo, para onde retornava neste movimento curto de vai-vem. Se o posicionamento original dele fosse a defesa, não haveria variação tática – seria o 3-5-2 com líbero, e ponto. Mas ele atuou como volante, recuando quando necessário – uma variação do 4-4-2 para o 3-5-2 italiano.

Outra peculiaridade do Egito foi o desenho do meio-campo. Em cada partida, o técnico utilizou um jogador e um posicionamento diferentes na articulação. Contra o Brasil, Hassan jogou aberto pela esquerda, provavelmente tentando explorar as subidas de Maicon; contra a Itália, Homos ficou centralizado, formando uma espécie de losango no setor; e frente aos EUA, jogou Eid, aberto pela direita. Três jogos, três posicionamentos, três jogadores.

Mesmo neste 4-4-2 com variação para 3-5-2, o Egito não liberou seus laterais – o que configura a linha de quatro jogadores, pois eles não foram alas. A saída pelos lados se dava com o meia – qualquer deles – um dos apoiadores da segunda linha do meio-campo, ou com os atacantes Aboutrika e Zidan. Foi este, por sinal, o ponto forte do Egito – a movimentação da dupla de ataque.

O Egito consolidou um sistema defensivo compacto, com sete jogadores responsabilizando-se primeiro pela marcação, para privilegiar a movimentação de seus atacantes. Recua, atrai o adversário, e aciona rapidamente Aboutrika ou Zidan nos contra-ataques. Deu certo duas vezes, mas contra uma equipe também fechadinha – os EUA e seu 4-1-4-1 – a estratégia furou.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (5)

  • Rafael diz: 22 de junho de 2009

    Parabéns por este espaço, a melhor iniciativa do portal nos últimos tempos. Merece mais destaque até. Fico no aguardo da versão 2.0, quem sabe com vídeos demonstrando a teoria em cima de lances ou animações. Parabéns.

  • RUBEM CRUZ diz: 23 de junho de 2009

    reclamando dos juizes? OS ERROS MAIS COMENTADOS NO REMENDÃO SÃO AQUELES QUE OS PREJUDICAM,COMO EM 2005 QUE TEVE CARREATA E VOLTA OLIMPICA,gol impedido contra um time egipcio PELO MUNDIAL,”NÃO EXISTE”,AQUELES DOIS GOLS ROUBADOS DO NACIONAL RESPONSÁVEL DIRETO PELA LIBERTADORES “NÃO EXISTE”,AQUELE DA FINAL DA COPA DO BRASIL UNICO TITULO NACIONAL DESDE OS ANOS 70,”NÃO EXISTE” E OUTROS MENORES QUE TAMBÉM AJUDARAM DE ALGUMA FORMA MAS “NÃO EXISTEM”,E ACHAM QUE VÃO GOLEAR O CORINTHIANS…

  • JOSE CARLOS diz: 22 de junho de 2009

    É… POR AQUÍ TEVE OUTRO ELIMINADO(SCI 2006) ANTECIPADAMENTE,QUE VOCES FIZERAM QUE NÃO ESTAVAM VENDO.ESTAVAM MAIS PREOCUPADOS EM SECAR O GREMIO NA LIBERTADORES,DOURANDO A PÍLULA DO CRUZEIRO,TRANSFORMANDO-O NESTA ÚLTIMA SEMANA, NUM SUPERTIME IMBATÍVEL NO MINEIRÃO.O GLORIOSO BARUERÍ QUE O DIGA!!! TANTO NO MINEIRÃO COMO NO MARACANÃ OS DOIS ASTROS DA RBS,CAIRAM DE QUATRO,FEITO PANGARÉS PARAGUAIOS.

    Resposta do Cecconi: olá José, tudo bem? Acho que o senhor postou seu comentário no blog errado. Este é o Preleção, sobre análises táticas. O blog da Corneta é outro. Lá encontrará o fórum adequado para este debate. Grande abraço.

  • DANIEL R SANTOS diz: 22 de junho de 2009

    poxa Cecconi, no jogo do Egito contra o Brasil, me parece que um dos pontos fortes do egito era o toque rápido e a trinagulação. Sempre tinha pelo menos 2 egipcios se movimentando e dando opção quando estava com a bola. Mas não me lembro se era so os atacantes. tenho a impressão que os meias se movimentavam bastante, apesar de não ter observado atentamente os nome. abraço

  • Claudio diz: 22 de junho de 2009

    Cecconi, faz uma análise tática com suas possíveis variações e alternativas do confronto entre Cruzeiro e Grêmio desta quarta feira!!!!

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